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Momento zen de quarta_ 29_10_2014

O inefável João César das Neves (JCN), na última homilia, «Exterminador Implacável», foi buscar um dos pecados mortais – o orgulho –, considerado por Evágrio Pôntico, um monge escritor e asceta do séc. IV, era vulgar, como muito ruim.

JCN não refere o autor pio nem o método usado para medir o orgulho e a sua gravidade relativa, mas segue-o na severidade que atribui a tão grave pecado, capaz de despachar a alma do orgulhoso, em grande velocidade, para as profundezas do Inferno.

Na sua exegese, o orgulho é «maleita muito pior do que o ébola, o cancro ou diarreia». Comparar a diarreia ao ébola é porque teme a primeira, apesar de ser nele frequente, e não faz ideia do que é o segundo, mas em pecados o especialista é JCN.

O devoto perora sobre os 7 pecados capitais, que algum papa recente já passou a 8, com a desenvoltura com que debita orações ou aperta o cilício, e recorre a santos doutores na defesa da gravidade do ‘orgulho’ cuja cultura pia lhe permite chamar também ‘soberba’. Depois de referir que «Na tradição cristã (…) é este o pecado de Satanás e também de Adão e Eva», arrasa os céticos com esta demolidora citação:

«São Tomás de Aquino explica: “A soberba encerra a gravidade máxima, pois nos outros pecados o homem afasta-se de Deus por ignorância, fraqueza ou busca de outro bem, enquanto a soberba se afasta de Deus precisamente por não se querer submeter a Ele e à sua lei (…)” (Summa Theologiae II-II 162, 6)».

Pode não se perceber a que propósito traz à colação os nomes de Merkel e Salgado, mas recorre à biologia para defender a gravidade do ‘orgulho’, «maleita tão virulenta, que chega a infectar através da própria vacina: muitos somos orgulhosos da falta de orgulho, gabando-nos da nossa enorme humildade» – afirma JCN em exaltação pia e autocrítica.

Seguindo as regras da melhor parenética, JCN execra a moléstia mas receita o antídoto: «Como o quinino na malária ou a insulina na diabetes, apenas uma droga pode controlar o orgulho: humildade». Embora esteja desatualizado meio século em relação ao quinino, prescreve o remédio salvador para o orgulho, que não aparece «nas formas habituais de xarope, comprimido ou vaporizador, mas em pastilhas (…) nas páginas de um livro: A Prática da Humildade (Paulus), escrito há cerca de 150 anos por Vincenzo – Cioacchino Pecci. A referida raridade do produto no circuito comercial explica-se, em parte, por o seu humilde autor ser mais conhecido como Papa do que como químico farmacêutico».

JCN termina em êxtase místico esta inspirada homilia, citando Leão XIII, São Pedro, o beato Pio IX e São João Paulo II, referindo leituras sacras, «grandes obras doutrinais e pastorais, como as encíclicas Aeterni Patris (1879) sobre a filosofia cristã e Rerum Novarum (1891)», sem esquecer o objetivo sagrado da homilia, este momento zen de quarta, «combater o terrível e peganhento muco da soberba». Esqueceu outros fluidos, tal como esqueceu o papa Francisco cuja santidade profissional o levará a esgotar o bicarbonato de todas as farmácias próximas da madraça de Palma de Cima.

11 thoughts on “Momento zen de quarta_ 29_10_2014”
  • Molochbaal

    É engraçado o Neves falar de orgulho, quando os economistas e políticos cristãos neoliberais, como ele, são os mais arrogantes de todos.

  • Oscar

    Não há nada que me dê mais gozo do que ver o barata tonta do nazi molocho a falar sozinho,debitando as suas habituais patacoadas…

    • Molochbaal

      Eu falo sozinho, porque tu foges sempre do debate para essas provocaçõeszinhas de menino de escola.

      Por exemplo, porque é que não colocas os links para as “citações” que fazes de frases minhas ou porque não explicas qual é a tua religião, visto que já renegaste o cristianismo, admitindo que não podes dizer que deus é bom, etc etc ?

      Estás muito ocupado a fugir, para poder responder fifi.

      Mas sempre muito armado em bom.

      Agarrem-me, agarrem-me que eu vou-me a eles…

      Precisas de centos de identidades falsas para te agarrar, porque senão, ias-te a nós…

      • Molochbaal

        Aliás, eu gosto muito de falar com o fifi.

        Com ele, todos os dias aprendo coisas novas, como a sua novel teoria de física nuclear fifesca de que as pedras têm massa infinita.

        Chegaram a pensar em convidálo para escrever uns episódios do star treak, mas depois acaharam que era ficção a mais, que até o star treak tem de ter um mínimo de credibilidade.

        É pena fugir tanto, este homem é um verdadeiro Da Vinci moderno. Um Da Vinci da burrice, mas um portento no seu campo.

        • Molochbaal

          O fifi a jurar que a pedras têm massa infinita.

          Este homem veio de outro mundo.

          Está muito à frente.

  • Oscar

    O barata tonta do molocho é assim mesmo:salta logo da toca ao meu comando…

    • Molochbaal

      Sim fifi sim.

      Tu comandas tudo.

      Debita lá mais umas teorias para a gente se rir.

      Portanto, as pedras têm massa infinita.

      E os baldes de areia ? Um baldinho de praia, também é infinito ?

      Desenvolve fifi.

      Vá lá.

      • Oscar

        5 comentários teus neste post, é poucochinho a meu ver. Ainda te quero ver rolar mais, taralhoco.

        Por isso, num acto da mais sincera caridade cristã, lembrei-me de te sugerir que leias o livrinho em anexo, especialmente dedicado aos tótós como tu,

        Podes começar por ler o naif de Epicuro,já que não tens categoria nem bagagem para conseguires entender o idealismo transcendental kantiano.

        • NMolochbaal

          Foi o idealismo trasncendental kantiano que te levou a falsificar nicks, a fazer ameaças de morte e a dizer que as pedras são infinitas ?

          É o imperativo categórico que te leva a mentir como uma besta ?

          Não sabia que o Kant também era cómico.

          Só para te ver escrever essa coisas, juro saltar obedientemente ás tuas ordens. Já arranjei espaço junto ao computador, para dar os saltos.

          Em troca só te peço que desenvolvas as tuas lindas teorias, agora baptizadas de “kantianas”, que já foram “nitzschianas” e “deístas” etc etc etc.

          É que eu, além do blog ateu, também costumava frequentar sites de humor, mas, contigo, poupo imenso tempo, porque só preciso de vir a este.

          • Oscar

            Hoje já rolaste bem como uma autêntica barata tonta. Espero-te no próximo post, mas não demores muito que eu gosto de ti bem amestrado.

          • Molochbaal

            Sim. Sim. Estou a rolar. Ó para mim com as patas para cima.

            Mas não desvies a conversa, continua mas é a apresentar e aprofundar as tuas doutrinas.

            Acho que vou recolher o material e escrever um livro de anedotas.

            Portanto, estavas adizer que todas aspedras são infinitas.

            Continua. Continua.

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