Loading

A PERSIGNAÇÃO DOS FUTEBOLISTAS

Por

João Pedro Moura

Desde há uns 20 e tal anos, que um grande número de futebolistas, em Portugal e no estrangeiro, se persignam durante o jogo, mormente quando marcam golos.

Esse gesto impetratório de bênção, por parte dos futebolistas, até está mal feito, pois que, oficialmente, a persignação consta dum ato mais prolongado, em simultâneo com a prolação duma ladainha, que, obviamente, os futebolistas não cumprem, dada a rapidez com que se persignam…

E alguns persignam-se duas e três vezes seguidas, olhando para o céu com dedos em riste, quiçá, tentando vislumbrar algum sinal divinal…

Antes da revolução do “25 de abril”, quero dizer, no tempo em que as pessoas eram mais religiosas e frequentadoras das liturgias, os futebolistas não se persignavam, pois que não se viam tais cenas dentro dos campos.

Agora, é em massa!

Esta praga em Portugal foi introduzida pela chegada crescente de jogadores brasileiros, devotos fervorosos e praticantes de persignação, que conseguem contagiar os futebolistas portugueses, também atoleimados e néscios como os brasileiros, pelos vistos…

Mas, analisemos bem a essência da persignação futeboleira e tiremos ilações.

Com esse apelo impetratório, o futebolista visa, principalmente, a vitória da sua equipa…

Ora, rogar à divindade pela vitória da sua equipa, equivale a rogar pela derrota da equipa adversária!…

Ora, se a divindade é universal, não pode “ajudar” uma equipa em detrimento da outra!…

É conhecida a máxima religiosa e popular de “todos somos filhos de Deus”.

Portanto, pedir ou agradecer a um qualquer figurão da corte celestial que conceda a vitória a uma equipa, em desfavor doutra, é uma contradição antitética e doutrinária.

Esses futebolistas não são seres humanos no pleno uso das suas faculdades mentais de raciocínio e inteligência???!!!…

Há uns anos, a senhora Margarida Prieto, extremosa e piedosa esposa cristã do sr. Manuel Damásio, então presidente do Benfica, instalou um altar, perto dos balneários, com as habituais figurinhas estatuais do jardim da celeste corte, para “dar sorte” à equipa benfiquista. Mas, com o “azar” da equipa, que descia na classificação, o altar foi retirado, posteriormente…

E há quem agradeça, em Fátima, pela vitória da sua equipa no campeonato!…

Como é que estes néscios e crédulos têm o desplante de invocar a proteção divina para as suas vitórias desportivas, em prejuízo do interesse das outras equipas???!!!…

A não ser que, ao contrário do que eu disse atrás, não estejam “no pleno uso das suas faculdades mentais de raciocínio e inteligência”…

igreja-do-futebol1

5 thoughts on “A PERSIGNAÇÃO DOS FUTEBOLISTAS”
  • Eduardo Russo

    O primeiro jogador que eu vi a persignar-se após um gol foi o checo Petras na Copa de 1970 no jogo contra o Brasil . Depois Jairzinho repetiu o gesto na partida final contra a Itália. Mas a verdeira onda de jogadores-pregadores começou por volta de 1980 com João Leite goleiro(guarda-redes) do Atlético Mineiro que distribuía bíblias antes dos jogos. Atualmente aqui no Brasil quase todos os jogadores após o término da peleja dizem frases com conotação religiosa : Deus me abençoou e fiz o gol da vitória / graças a Deus pude ajudar nosso time / esta vitória é de Jesus / nosso trabalho foi glorificado por Deus etc.. Existem casos de jogadores que formam verdadeiras “irmandades” dentro do clube dividindo-o em crentes e não crentes. Esta é a realidade no futebol brasileiro . E na política não é muito diferente . Não há um só candidato a cargo público que tenha coragem de dizer-se ateu. E quase todos fazem “agrados” à tropa religiosa, especialmente a evangélica. Isso é tudo. Obrigado

  • JoseMoreira

    Acho que estás a laborar num erro crasso. Para já, não podes, não deves! discutir o “conceito de deus” de cada um. O conceito de deus é, ao contrário do que pensas, e como diria Jesus, não é esse, é o do Benfica, pois como diria Jesus, o conceito de deus é do forno íntimo de cada um. Ora, a persignação futebolística não se destina ao Deus oficial da Igreja, mas sim ao particular conceito de deus. Provavelmente, o adversário estará a orar ao também ao seu conceito de deus para que o golo falhe ou seja invalidado, e aí temos uma contenda entre conceitos de deus que, naturalmente, deixam o Deus oficial a lavar as mãos como o outro, embora esta ablução não esteja historicamente provada. Não tarda nada, aparece por aí o fifi oficial deste blogue a explicar-te, tintim por tintim, o que é o conceito de deus.
    Quanto à máxima de que “todos somos filhos de Deus”, nunca te esqueças de Orwell: “Mas uns são mais filhos do que outros”.
    Finalmente, não vejas as auto-benzeduras como impetrações religiosas, mas antes como parte do espectáculo rico, como é o futebol. Há os que tiram as camisolas, há os que dão saltos mortais e/ou cambalhotas, há os que agridem o adversário e/ou o árbitro, há os que põe a mão nas “pendurezas”, e há os que se persignam. Qual a diferença?

    • Molochbaal

      E não te esqueças que o mesmo conceito de deus varia conforme o dia da semana e a pessoa com quem o crente está a falar.

      Assim, o deus á lá antonio fernando, em questões de propaganda, é um bacano de que o crente conhece muito bem o caracter, modo de ser, gostos e intenções, que o crente assegura serem boas, porque o conhece muito bem.

      Mas quando o crente é confrontado com as contradições chocantes das elaborações que faz baseado nesse suposto conhecimento dos actos e intenções divinos, de repente, o deus que dizia conhecer tão bem passa a incognoscível. Sem mais nem menos.

      Resta perguntar o que estava ele a fazer quando dizia que o conhecia muito bem.

      Por outras palavras, porque é que está a mentir quando diz que sabe que deus é isto ou aquilo.

      • GriloFalante

        O que é grave, e devia ser um “study case” é que haja pessoas a acreditar nisto. Ou talvez, o que as leva a querer acreditar nisto. Porque é que quando se diz “Jesus é lindo e cheiroso” ninguém pergunta algo como: “Já o viu? Já o cheirou? Onde? Nos sovacos cheira tão bem como no cu?”

        • Molochbaal

          Ora. Aí respondem-te que deus é incognoscível.
          Para todas as perguntas difíceis é incognoscível.
          Só é cognoscível na hora de pedir que o pessoal se submeta a todas as vontades das igrejas.
          Porque aí não dava jeito pedirem-nos o dízimo em nome da vontade de uma entidade da qual não fazem ideia de qual seja a vontade.
          Assim, é só dizerem exatamente o contrário do que diziam uma frase atrás. Depois dão o dito por não dito e voltam a dizer outra vez a mesma coisa. A seguir, desdizem-se outra vez e voltam a dizer o contrário do que tinham dito. depois voltam a afirmar o contrário do contrário. depois o contrário do contrário do contrário do que tinham dito primeiro. Depois voltam a dizer a mesma coisa, antes de negarem outra vez o que tinham dito antes.
          É só repetir o processo as vezes que forem precisas e temos uma conversa típica de crente de sucesso..

You must be logged in to post a comment.