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O que o país deve a Paulo Portas

Há dez anos, Portas trocou as galochas de agricultor e o boné das feiras pelas estrelas de almirante e mobilizou a Marinha de Guerra contra o barco Born Diep, da organização Women on Waves, defensora da descriminalização da prática do aborto, que, fortemente municiado de pílulas, se preparava para invadir as águas nacionais.

O arrojo do ministro da Defesa e do Mar venceu a batalha moral sem disparar um tiro e evitou que uma pílula atingisse um só útero. Portugal tornou-se uma potência marítima respeitada antes de adquirir os submarinos topo de gama. Faz hoje 10 anos e esquecer a efeméride é desprezar uma página gloriosa da História e o seu herói de serviço.

Paulo Portas lamentou, na altura certa, que o Governo não se tivesse congratulado com a canonização de Nuno Álvares Pereira. A comunicação social referiu a queixa mas foi indiferente à patriótica proclamação do antigo ministro da Defesa e do Mar e insensível à omissão do Governo.

Que Governo esse, que não acompanhou o ex-ministro que, graças à Senhora de Fátima, conseguiu que a poluição do navio Prestige poupasse as costas do Minho e fustigasse as da Galiza? Que jornalismo podia esquecer o único ministro que se deslocou a Coimbra para assistir à missa pela Irmã Lúcia quando a vidente se finou?

Um país que não exulta com o milagre da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, não é digno de um santo com a dimensão de D. Nuno. Uma comunicação social que não exalta o heroico taumaturgo que, depois de exterminar castelhanos nas batalhas dos Atoleiros, Aljubarrota e Valverde, se recolheu a um convento e, após 577 anos de defunção, se estreou no ramo dos milagres, não vale o país que somos.

Paulo Portas, antigo Condestável de Durão Barroso e de Santana Lopes, não esqueceu o antecessor, no heroísmo e na piedade. E tê-lo-á recordado nas paradas militares quando, entre mancebos fardados, deslocava o fato às riscas com o ministro dentro.

Mas que ingratidão é esta que já esqueceu a coragem de Paulo Portas perante a invasão do barco do aborto quando, com risco de vida, fez deslocar para a Figueira da Foz um vaso de guerra para defender a Pátria da invasão iminente… de pílulas do dia seguinte?

Um país que esquece os pios lamentos de Paulo Portas não é digno da D. Guilhermina, não merece a intercessão celeste de D. Nuno nas sequelas do óleo fervente do peixe que fritava, nem a glória do taumaturgo que foi em vida carrasco de castelhanos e, depois de morto, colírio para queimadelas de óleo de fritar.

Vale à Pátria este modesto cronista atento às efemérides, embora, às vezes, se engane na data.

7 thoughts on “O que o país deve a Paulo Portas”
  • Molochbaal

    Realmente há uma coisa que me deixa perplexo naquela guerra.

    Os tugas invocavam S. Jorge, os castelhanos S. Tiago, os dois evocavam deus.

    Então um santo é mais poderoso do que o outro ?

    E deus, dividido entre duas nações crentes, atirou moeda ao ar ?

    Nunca saberemos, pois deus é incognoscível, embora se saiba que é muito bonzinho. Podemos ter a certeza absoluta porque tortura crianças sem a gente saber porquê.

    Entretanto fez ganhar um dos lados que se notabilizou por aquilo que hoje seriam crimes de guerra.

    Existem relatos de execução de prisioneiros e massacre, pela fome, de população civil. Tudo isto do lado do santinho…

    • Molochbaal

      Ah !

      E o bispo de Lisboa, tadinho, atirado da torre da catedral, com todos os seus convidados, pelos partidários do santo…

      • Molochbaal

        Foi uma guerra pouco santa.

        Embora claro, os fifis não contabilizem essas coisas quando se trata de santificar os seus santinhos.

        • Molochbaal

          E o conde Andeiro ? Morto à traição, com uma cutelada na mona ?

          O Mestre, como quem quem não quer a coisa, chama-o para “FALAR” com ele.

          E ZÀS, espadeirada no toutiço.

          Suspeita-se que até foram vários, contra um, sozinho e desprevenido – assassinato.

          Então a honra cavaleiresca onde ficou ?

          E honra entre cristãos ?

          Como é que um dos chefes de uma das revoluções mais sangrentas da nossa história é promovido a santo ?

          E logo o chefe militar.

          Uma das técnicas constantes em todas as guerras medivais, era o saque do território inimigo. O nosso exército, nessa guerra, realizou diversas incursões de saque em território de castela – sob ordens do santo condestável.

          Querem ver o que era o saque de uma aldeia na idade média ?

          https://www.youtube.com/watch?v=_N1qj9h1Na4

          Era isto um santo ?

          Atão o fifi que clama contra os judeus, não diz nada acerca dos critérios de santidade da igreja ?

          Terá dois pesos e duas medidas ?

  • Oscar

    O porco nazi do Molocho já fala sozinho. 4 comentários seguidos para só
    o dizer bacoradas, é obra. O patarata anda mesmo desesperado. Coitado, não tem onde cair o morto. E até do site dos nazis, onde comentava, foi ridicularizado e corrido à espadeirada.

    • GriloFalante

      Não posso concordar mais contigo, antoniofernando/carlos/luisag/oscar/etc. Mas diz-me: qual é a parte do artigo com que não concordas?

      • Molochbaal

        Como é que o fifi pode reparar nessas coisas ?

        Ele está tristíssimo por eu discordar dos nazis.

        Concretamente, colocou-se do lado deles, acusando-me em seguida de ser nazi, apesar de presentemente eu discordar e de ser ele que os está a apoiar.

        Acho que isto tem a ver com o tal deus que é um porreiraço porque não fazemos ideia da razão pela qual ele tortura crianças.

        Lógica à fifi. Está muito à frente.

        Faz lembrar um documentário que eu vi uma vez sobre os efeitos do LSD.

        PS

        Entretanto, apesar dos meus 4 comentários, o fifi não explicou como é que o líder militar da nossa revolução mais sangrenta é promovido a santo.

        É curioso que tenha sido responsável por tantas mortes de bons cristãos e mesmo assim promovido a santo.

        Ah. E ainda enriqueceu com a revolução. Tornou-se o homem mais rico do país. Todos os ingredientes de uma revolução sangrenta latino-americana.

        Mas o fifi só me critica a mim e ao Che Guevara.

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