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  • 20 de Agosto, 2014
  • Por Carlos Esperança
  • Seitas

Opus Dei é diferente de Al-qaeda

Há na Igreja católica uma organização que, por enquanto, trocou o cinto dos explosivos pelo cilício, a Bíblia pelos 999 pontos para a meditação, a liberdade pela censura e a fé pelo poder. Substituiu o Espírito Santo, a quem era atribuída a maçada de iluminar os conclaves, na eleição de João Paulo II e de Bento XVI, a quem subsidiou, sobretudo ao primeiro, as atividades políticas e o marketing pessoal.

O Opus Dei é, sem esquecer a «Comunhão e Libertação» e os Legionários de Cristo, a seita mais reacionária da catolicidade e a mais poderosa financeiramente. Deve-se-lhe a obsessão na criação de santos, a começar pelos da casa, e a acabar em todos os mártires que combateram ao lado das ditaduras. Em Espanha, faltam altares para tantos defuntos franquistas.

O «Caminho» é para os membros da seita o que o Mein Kampf foi para o nazismo. Os 999 pontos para a meditação é o número cabalístico com que santo Escrivá remeteu para o 666 do Apocalipse. É a besta de patas para o ar.

Os membros do Opus Dei cultivam a discrição malgrado os escândalos financeiros que atraem, como cães às pulgas. A falência dos empórios Rumasa e Matesa, bem como do Banco Ambrosiano foram manchas para que faltou benzina, mas que não impediram a meteórica canonização do fundador.

Impulsionadores das beatificações e canonizações, dilataram a indústria dos milagres e industrializaram a santidade. Apenas lhes correu mal a escolha de um jesuíta para PDG do Vaticano, papa que já arriscou o suficiente para ser chamado precocemente à divina presença do patrão.

Enquanto não recupera o poder total sobre o catolicismo, o Opus Dei vai promovendo milagres e santos e combatendo a cultura.

Tendo o Vaticano, por vergonha, deixado de atualizar o Index Librorum Prohibitorum, e tendo caído a cotação das excomunhões, ficou o Opus Dei com o trabalho sujo, que para os devotos é um precioso serviço à divina vontade. Deus dá-se mal com a cultura.

4 thoughts on “Opus Dei é diferente de Al-qaeda”
  • Oscar

    Não gosto do Opus Dei, mas há de facto uma enormissima diferença entre essa organização e a Al-Qaeda.

    Eis um mapa do desejado califado islâmico, que circula nas redes sociais, em adeptos da Al-Qaeda ou do EIIL, onde Portugal aparece incluído.

    Será que teremos que voltar a pegar em armas contra os fundamentalistas islâmicos ?

    Por mim, estaria pronto para o combate.

    • GriloFalante

      Se tenho de discordar, discordo sem hesitação; mas se tenho de concordar, não me deixo enredar em atitudes primárias. Desta vez, concordo contigo.
      Em tempos, na universidade, elaborei um trabalho em que previa o Mundo dividido em dois blocos. Enormes blocos, como se verá: a China e o Islão. Dois gigantes que acabarão por se entender, já que os islâmicos não parece terem grande jeito para o comércio, e os “souks” não servem como referência. Vendem petróleo e pouco mais. Precisam dos chineses que, através do comércio, estão a invadir o globo – bem mais depressa do que os mouros, e com mais “selenidade”. Passo a passo, quase sem se dar por eles, onde houver um buraco abrem uma loja. Não sei o que se passa noutros países, mas em Portugal sei que as leis relativas a actividades comerciais não se aplicam aos chineses. Podes habitar nas lojas onde vendem, estão isentos de impostos, e se a polícia lhes bate à porta, começam por dizer “não complende” e, no dia seguinte, a loja está fechada. Ora, os árabes, conquistado que seja o “califado”, hão-de precisar de comprar teres e haveres. Onde? Na loja chinesa mais próxima. Por exemplo, em Portugal já têm a vida facilitada com a electricidade, é só trocar quilowatts por petróleo.

      • Molochbaal

        Ainda não percebeste que ele, se pudesse fazia o mesmo ?

        Está deliciado.

        Primeiro passo.

        Usar a ameaça islâmica para unir os ocidentais. Por reação, seria uma oportunidade para a volta da santa madre igreja ao protagonismo político de outrora.

        Segundo passo

        Uma vez a santa igreja definida como elemento agregador, contra a ameaça externa, inventar um “inimigo interno”. Isto é, todos os que não aceitem estar ás ordens da igreja.

        Terceiro passo.

        Churrasco de grilo falante.

        Vocês são mesmo anjinhos.

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