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  • 18 de Agosto, 2014
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

O drama pungente dos Yazidis

No norte do que foi o Iraque, que os cruzados de Bush, Blair, Aznar e Barroso deixaram à mercê das lutas tribais e de ódios religiosos, num país com balcanização adiada, há um povo que pratica uma exótica religião curda, de vetustas raízes indo-europeias e que crê na metempsicose.

São pobres e, ao contrário dos prosélitos, não procuram converter ninguém, passando as almas entre si por herança geracional, numa síntese de crenças com resquícios de islão, cristianismo, zoroastrismo, judaísmo e maniqueísmo, uma sopa de culturas que parece fundir as mais diversas crenças numa fé restrita para uso doméstico.

Podem encontrar-se comunidades na Arménia, Turquia ou Síria mas estão a desaparecer na emigração ou agarradas aos rebanhos no Monte Sinjar, onde os trogloditas do Estado Islâmico desejam assassiná-los, porque a pequena seita ligada ao iazdanismo, resistiu ao Islão durante séculos ou, tão só, porque o gosto do sangue é o cimento da restauração de um anacrónico califado de crentes sectários e tementes ao profeta misericordioso.

Enternecem-nos os olhos brilhantes das crianças de olhar vago, os milhares de yazidis em busca de água, o apego de muitos às cabeças de gado, a recusarem a fuga que uma aliança improvável de iraquianos, curdos, americanos e iranianos lhes oferecem através de um corredor adrede preparado.

Os yazidis não odeiam americanos nem judeus, não tomam partido pela Ucrânia ou pela Rússia e talvez desconheçam mesmo o drama da Palestina e as guerras pelo domínio do petróleo. O pequeno povo cuja pátria é a comunidade e a sua identidade um arcaísmo só por milagre pode salvar-se da barbárie que lavra na latitude onde há séculos sobrevivem e não lhes permitem continuar.

Ai de nós, que nos achamos civilizados, se deixarmos que trucidem um pequeno povo, porque com ele também expiramos na diversidade e humanidade que reclamamos.

13 thoughts on “O drama pungente dos Yazidis”
  • Molochbaal

    Vocês não percem nada disto.

    O massacre trata-se de mais uma prova da superioridade dos princípios morais da religião.

    E falar em massacre é exagerado, porque, interpretanto metafóricamente, na realidade trata-se de distribuição de beijinhos.

    Mas mesmo que fosse massacre, deus tortura muito mais do k o califado e ninguém leva a mal, porque ele lá terá as suas razões e estas só podem ser boas.

    Não sei porquê, que só podem ser boas, porque são incognoscíveis, mas só podem ser, porque eu quero e prontos. Eu é que sei. Tudo. Prontos.

  • Oscar

    ” Se disser: Deus pode dar a uma criatura o livre-arbítrio, e ao mesmo tempo, negar-lhe o livre-arbítrio não conseguiu dizer nada sobre Deus. Não é possível a Deus nem à mais fraca das suas criaturas executar duas alternativas que se excluem mutuamente; não porque o seu poder encontre um obstáculo, mas porque a tolice continua sendo tolice mesmo quando é falada sobre Deus”

    C. S. Lewis, O prolema do sofrimento

    • Molochbaal

      “A não ser, claro, deus. Pode torturar milhares de crianças até á morte e ser considerado bom. Porque lá terá as suas razões.

      O facto de não existir razão possível de justificar a tortura de crianças não afecta o crente.

      O facto de serem duas alternativas que se excluem mutuamente – ser bom e torturar crianças – não perturba o crente.

      Aí já valem todas as alternativas autoexcludentes…

      Que razões poderão justificar semelhante monstruosidade o crente, o crente, obviamente, não consegue apresentar, refugiando-se no argumento da incognoscibilidade divina.

      Claro que este argumento destrói por completo a religião, que se apresenta, precisamente como intérprete das intenções divinas, o que implica necessariamente a cognoscibilidade divina.

      Também arrasar completamente com a pópria afirmação da bondade divina, afirmação que também implica a cognoscibilidade das intenções divinas.

      O crente acaba as frases dizendo exactamente o contrário do que dizia quando as começou. Alternativas que se excluem mutuamente é com ele. Um verdadeiro campeão em contradições sem sentido.

      Em bom exemplo é C. S. Lewis, que ainda não apresentou as provas que os Yazidis queiram mesmo muito ser massacrados.

      Logo, existem sérias desconfianças que ser massacrado seja um ato CONTRA o livre-arbirtrio do padecente.

      Mas como já dissemos, os crentes optam constantemente por multiplas alternativas auto-excludentes, sem que isso os afecte minimamente, por mais estúpida que seja essa situação.”

      Dr. Aspirina, O problema do excesso de burrice numa só pessoa

  • Molochbaal

    Vocês não percebem nada disto, parte II, a saga continua.

    Tínha-me esquecido do problema do livre arbirtrio.

    Está mais do que provado que os Yazidis querem ser massacrados, é um gosto que têm.

    Pelo que deus está a respeitar o livre arbirtrio deles, criando seres que, desde o princípio dos tempos ele já sabia que os iam massacrar. Deus é fixe.

    O mesmo quanto aos terremotos, ébola etc. Toda essa gente, a que erroneamente chamam de vitímas, na verdade queria imenso morrer cheia de dores insdiscritíveis, pelo que deus, que é fixe, lhes fez a vontade, torturando-os até à morte.

    Como podem verificar, o mundo criado por deus está sempre orientado no respeito pelo livre arbirtrio.

    Claro que há sempre os chatos, que dizem que não, que toda aquela gente não queria sofrer e morrer. Mas isso são os chatos.

    Por exemplo, quando correctamente interpretados, metafóricamente, claro, os gritos da vitímas, por exemplo uma vitíma de erupção vulcânica que estivesse a levar com lava em cima e gritasse – Não isso não! – na realidade metafórica quer dizer – Mais que isto é tão bom.

    O contrário seria admitir que deus está-se completamente a cagar para o nosso livre arbirtrío, coisa em que não quero acreditar.

    Mais vale portanto, adoptar alternativas que se excluem mutuamente, por mais figura de estúpido que se faça. O importante é manter a ficção.

  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse:

    “Ai de nós, que nos achamos civilizados, se deixarmos que trucidem um pequeno povo,”

    Talvez o deus dos crédulos os deixe “trucidar”, para “servir a finalidade dum bem superior”, como diria o “nosso” impenitente heteronimista metastático, em mais um assomo de perversão e cretinice…

  • Molochbaal

    “Sim. Não ser bom e torturar crianças até á morte não são alternativas autoexcludentes. Posso torturar uma criança e ser boa pessoa.

    Assim deus pode afogar uma população inteira com um maremoto, respeitando imensamente o livre arbirtrío dessa população. Como não sei. mas tenho de dizer que sim, porque, se não, estou a admitir que só digo palermices.

    Assim digo palermices á mesma, mas não admito que digo. O que é muito diferente.”

    C. S. Palermoideewis, O problema de ser tão burro

    • Molochbaal

      Errata

      Onde se lê “Não ser bom e torturar crianças” deve-se ler “Ser bom e torturar crianças”, que é o que deus é. Um torturador de crianças buéda bonzinho. Não posso é dizer que é mau, apesar das provas em contrário. Porque é o chefe. E temos de comcordar sempre com o chefe não é ? O fifi era o bufo da turma na escola e agora concorda sempre com os chefes.

      O chefe tortorou uma criança até á morte ? Lá tera as suas razões pois então. Não sabemos quais, mas são boas. Claro. Ou não fosse o gajo a mandar…

      • João Pedro Moura

        Bravo, meu caro, Molochbaal!
        A tua argumentação tem sido arrasadora e divertida, no teu estilo bem peculiar.
        Esta, então, provocou-me risos incontidos…
        É um fartote de risota com a risível e inepta argumentação do “nosso” heteronimista metastático, o qual, se concordares, terá que ser elevado à dignidade de mascote do Diário de Uns Ateus, para servir a “finalidade do bem superior”… do nosso divertimento…

        • Molochbaal

          Eu sempre disse que o fifi faz imensa falta a este blog. Vocês é que não acreditavam.

          Ás vezes, numa tarde sombria, só ele é que me faz rir.

          Quanto mais sério pretende ser, mais rir me faz.

          Deviam dar-lhe o cartão dourado da associação ateísta.

          Dá tantos, mas tantos, tiros no pé que é melhor propagandista do ateísmo.

  • Oscar

    A mente de Deus é verdadeiramente incognoscível, mas estas baratas tontas ainda não conseguiram perceber uma lição de lógica elementar.

    Dizem-se ateus, afirmam-se agnósticos,mas acham que podem conhecer os desígnios de Deus.

    São uma espécie de ateus a meio tempo. Na parte que lhes resta,dedicam-se às questões teológicas.

    O que eu me divirto com estes taralhocos…

    • Molochbaal

      Mas alguém aqui disse que o conhece ó atrasado mental ?

      Eu nem sei se existe, os outros garantem que não existe.

      O único que está aqui armado em grande vidente zandinga és tu, que dizes que sabes tudo acerca do teu chefe, que tem optimas intenções e tal.

      Só quando és encostado á parede é que confessas que não sabes nada. Confessas que estás a mentir quando dizes que sabes.

      Mas daqui a bocado já estás outra vez a dizer que podemos confiar no teu dono, que o gajo é porreiro e só tem boas intenções.

      Depois, quando te encostarmos outra vez à aprede, lá confessas tu outra vez que não o conheces de lado nenhum e que estavas só a inventar.

      És um autêntico palhaço.

  • joão sousa

    Pq todo país “libertado” pelos U$A fica uma m****??
    pq o regime estadunidense tá pouco se lixando pra democracia….
    democracia?? pura propaganda !!! Depois os russos são os maus

  • joão sousa

    “Os yazidis não odeiam americanos nem judeus”
    o velho clichê dos “odiadores” dos EUA e de Israelixo…

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