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  • 5 de Abril, 2014
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

PORTUGAL E O VATICANO

Por

João Pedro Moura

Um Estado deve ter relações diplomáticas com uma religião organizada em Estado?

Resposta: NÃO!

Porquê?

Pelas mesmas razões que o Estado não deve ter religião oficial, também é incoerente sustentar relações diplomáticas com uma caricatura de Estado, minúsculo e extremamente artificial, que faz da religião a sua razão de ser: o Vaticano.

Os Estados têm territórios, homens e mulheres que labutam, sector primário, secundário e terciário, enfim, toda uma actividade económica que caracteriza um Estado, um povo, uma nação…

Nessa perspectiva, os Estados interessam-se por manter relações diplomáticas, uns com os outros, na mira de firmarem pactos internacionais, relações económicas, culturais, turísticas, conhecerem, ao mais alto nível, o que é que os governos fazem, etc.

Neste sentido, actuam os embaixadores: fazem relatórios periódicos sobre o que se passa no país onde estão e remetem-nos para os seus governos; observam a política do país anfitrião; discernem oportunidades de investimento; promovem o país que representam, em suma, são embaixadores…

Ora, então, o que é que um Estado tem a haver ou a ver com o Vaticano???!!!

Nada!!! Absolutamente nada!!!

O Vaticano é um Estado de 0,44 km quadrados, artificialmente formado, composto por cerca de 700 homens e muito poucas mulheres (portanto, “país” machista e misógino), que vive da venda de selos, da colecta internacional proveniente das suas agências nacionais, de investimentos capitalistas internacionais e da entrada paga nalguns dos seus poucos edifícios.

O Vaticano não tem sector primário nem secundário nem terciário.

É o único Estado do mundo onde não nascem crianças.

Não tem turistas para visitar Portugal.

É um Estado governado por um monarca absolutista, que só não é hereditário porque… enfim…

O Vaticano é, apenas, a sede da ICAR…

O Vaticano é um artifício oportunista concedido pelo fascista Mussolini, no Tratado de Latrão, em 1929, para melhor seduzir o “bom povo” católico italiano. Fascismo e catolicismo… que melhor convergência!…

Como se uma determinada religião precisasse dum Estado artificial e supranacional para dirigir o negócio!…

Como se não pudesse dirigi-lo em edifício e regime legal nacionais!…

Portugal tem homens e mulheres, crianças que vão à escola e que se tornarão naqueles homens e mulheres, sector primário, secundário e terciário, turistas que vão visitar o estrangeiro, etc.

Consequentemente, o que é que Portugal tem a haver ou a ver com o Vaticano???!!!

O que é que o Estado português tem para relacionar com um “Estado” composto por um número insignificante de indivíduos que prosseguem uma determinada ideia de deus, como modo de vida???!!!

Compreendo que o núncio apostólico, em Lisboa, embaixador do Vaticano, esteja cá a tratar dos negócios da ICAR e a vigiar a excelência dos agentes nacionais na defesa da empresa divina de filial terráquea…

Compreendo que tal núncio remeta, periodicamente, um relatório para o presidente do conselho de administração do Vaticano, contando coisas de cá…

Mas, o que fará essa enormidade diplomática que é o embaixador de Portugal no Vaticano???!!! Alguém me poderá explicar?

Esse embaixador português fará relatórios sobre quê???!!!

Que interessam para quê???!!! Alguém conhece um cargo diplomático mais inútil? Alguém conhece melhor sinecura política?

 

3 thoughts on “PORTUGAL E O VATICANO”
  • Molochbaal

    Também não exageremos.

    Uma coisa é não andar a lamber-lhes as botas, como os nossos governos costumam fazer. Outra é simplesmente manter relações cordiais. Se o vaticano existe, porque não ?

    • João Pedro Moura

      MOLOCHBAAL

      Reitero: o que é que um Estado laico tem a ver ou a haver duma caricatura de Estado chamado Vaticano???!!!

      O embaixador português está lá a fazer o quê???!!! Que interessa para quê???!!!

      • Molochbaal

        O estado pode ser laico. Mas o vaticano existe, como centro da força político social da igreja. O estado, de uma maneira ou de outra, teria de lidar com essa força. A política vive também de tradições, e o papado esteve implicado na nossa independência e expanção. Podem ter existido más razões na constituição do estado do vaticano. Mas, se o vaticano é um facto político, não serve de nada fingir que não existe. O que é de evitar é apenas os exageros, em os nossos representantes se espojam, de barriga para o ar, no tapete do papa, a pedir festas.

        Embora deva reconhecer que são fofos. Deviam publicar as recepções do papa aos nossos embaixadores no youtube, nas rubricas dos animaizinhos a fazer habilidades para o dono.

        Tens de reconhecer que sabem rebolar, ir buscar a bola e dar a pata como ninguém.

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