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  • 26 de Janeiro, 2014
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

A Tunísia, a Espanha e os preconceitos pios

A nova Constituição tunisina, salpicada com referências à religião, escrita em «nome de Deus clemente e misericordioso», assusta quem conhece o deus autóctone e a identidade árabe-muçulmana de que se reclama. No entanto, é das mais avançadas e inovadoras do mundo árabe no que se refere aos direitos da mulher e à liberdade religiosa.

A aprovação, prevista para finais de 2012, só agora irá ter lugar, depois do compromisso difícil e das enormes tensões na discussão de 146 artigos da Lei Fundamental. Para já, é a única que assegura a igualdade entre homens e mulheres e a liberdade de consciência e de culto, em todo o mundo árabe. Esperemos que a consensualização entre islamitas, com maioria relativa, e laicos, abra uma janela de esperança aos direitos humanos e seja a flor que desabroche nos jardins da sonhada primavera árabe.

Em Espanha, o Opus Dei e o franquismo, unidos desde a guerra civil, tomaram o poder, ao colo do PP, e preparam a desforra com o rancor de décadas. Pretendem o regresso ao espírito de cruzada e aos paradigmas da aliança clerical-franquista.

A nova lei sobre a IVG só admite o aborto em casos de violação, até às 12 semanas, e, em risco de vida para a mulher, até às 22. Reunindo a mais refinada hipocrisia e a mais despudorada insensibilidade, até as más formações fetais exclui.

A interrupção voluntária da gravidez (IVG) é um problema de saúde pública. Em nome de valores, respeitáveis, há quem os queira impor a todos os outros. Há, no fundo, uma conceção totalitária e vocação inquisitória que revela a tradição misógina de contornos confessionais.

No futuro, em Espanha, nem um anencéfalo, incompatível com a vida, justificará a IVG. É preciso aniquilar a mãe até que a natureza expulse o feto. Os espanhóis, muitos do PP, pedem a Ruiz-Gallardón, ministro da Justiça, que retire a lei iníqua, beata e malévola.

Apostila – Nos EUA, o juiz do Texas, R.H. Wallace, ordenou ontem que fosse suspensa a vida artificial a uma texana em morte cerebral, com um feto inviável, atendendo o pedido da família que era recusado pelo hospital desde novembro, quando estava na 14.ª semana de gestação.

23 thoughts on “A Tunísia, a Espanha e os preconceitos pios”
  • Tolo_Mor

    O aborto é, de facto, um problema de saúde púlbica, sobretudo para os milhões de inocentes massacrados.

  • Molochbaal

    De notar que a lei dos fifis obriga as mulheres a ter os filhos mesmo em casos de mal formação do feto.

    Os fifis gostam muito que o mundo fique cheio de desgraçados sem cabeça e sem pulmões, mesmo que não durem muito tempo.

    Assim acrescentam sofrimento ao mundo. Porque o deus bonzinho que o criou adora sofrimento, ou não o tivesse ele criado e com sofrimento tenha enchido o mundo.

  • Molochbaal

    Pois.

    É bom que o pessoal comece a perceber o que tem em casa, antes de dizer que só os muçulmanos são isto e aquilo.

    Se estes tipos alguma vez recuperam o poder absoluto isto vai ser taliban country, versão cristã – que foi o que a Europa foi durante mil anos.

    A falta de memória das potenciais vitímas é assombrosa.

    • stefano666

      bom.. o que dizer destes senhores… estes governaram com mão de ferro em nome de Deus “Bonzinho”… e isso não tem nem 100 anos!

      nem vou falar dos bondosos evangélicos

  • Jose_Povinho

    O perfeito agnóstico é aquele que não tem ideias precisas acerca da mais profunda realidade.

    • Molochbaal

      E é verdade.

      Só um inconsciente ou um aldrabão de merda é capaz de ter ideias precisas acerca de coisas como a origem do universo ou o sentido da vida.

      Se até os cientistas e os filósofos não as têm, está-se mesmo a ver que são bloguistas de fim de semana ou “santos” de pacotilha que as vão ter.

      O que há é gente que reconhece as suas limitações, e campeões da treta – aldrabões e inconscientes – que querem fazer crer que andam com a verdade no bolso.

      Então deves ser logo tu, ó fifi, que conheces todas verdades universais. Só a mania das grandezas denuncia logo o palhaço e o mentiroso.

      É verdade, escrevam o que eu digo, não conheço o segredo da origem nem do sentido da existência.

      Vocês também não.

      A única diferença entre mim e vocês, é que eu tenho a coragem de admitir as minhas limitações.

      Mas eu sou humano. Vocês é que são todos uns deuses na terra.

      Uns verdadeiros cromos…

  • Vox Populi

    É impressionante a ligereza reaccionária com que o Carlos Esperança tenta legitimar a chamada” IVG”, uma sigla eufemística, temebrosa e de má consciência, para significar a deliberada mortandade de seres inocentes. Esse tipo de postura faz-me lembrar os tempos primitivos dos espartanos, quando lançavam à morte as crianças deficientes do alto do Monte Taigeto.Tudo em nome de um eugenismo absolutamente asqueroso e desumano. Convém lembrar que o aborto, em Portugal, continua a ser crime, embora tenham sido substancialmente alargadas as situações em que os abortos podem ser praticados. Por mim, só admito duas hipóteses de práticas abortivas: quando a gestação põe em risco a vida da mulher e quando, de forma cientificamente comprovada, o feto tem elevada má-formação congénita e nulas possiibilidades de sobreviver.Mas não concebo que se pratique abortos nas situações em que as mulheres são violadas. Que culpa tem o inocente feto de que a sua progenitora tenha sido violada ? A um acto tão grave como uma violação, vai-se acrescentar outro acto, ainda mais grave,como a morte de um ser sem nenhuma responsabilidade no acto criminoso do seu progenitor ? É este tipo de sociedade primitiva que os defensores da actual “IVG” propõem ? É por estes caminhos reaccionários que as suas consciências os conduzem ? Arrepitante també que, no caso do Carlos Esperança, não haja nenhuma palavra em relação à parte mais indefesa nesta problemática de conflitos de valores. Será que, se tivesse vivido no tempo dos espartanos, também defenderia o abate das crianças mais frágeis e que os idosos fossem lançados do alto dos montes para morte certa ? Por outro lado, os médicos estão vinculados ao compromisso de Hipócrates. Eles devem exercer a sua actividade para salvar vidas, não para as matar. Por tudo isso, a actual lei da chamada “IVG”, em Portugal, traduz uma das mais negras páginas do nosso país. Permite a chacina de seres indefesos sem nenhuma outra justificação que não seja a vontade soberana das mulheres que assim decidem, como se o país não tivesse o direito ético de aferir as circunstâncias específicas e delimitadas em que os abortos podem ser praticados. O Carlos Esperança é apenas só mais um daqueles que defendem esta vergonha reaccionária.

    • Deusão

      Diz isto porque não pode carregar um feto indesejado no rabo, otário?
      Respeite as mulheres. Porque não consegue entender o sofrimento alheio , seu tarado de merda ?
      Uma mulher não temo direito de decidir sobre o próprio corpo ? E nem são todas já que as de melhor condição podem abortar se necessário, apenas as pobres são privadas de decidir sobre a gestação ou não de uma “coisa”, também são privadas de alimentação, lazer, saúde e educação.
      Não tenho opinião sobre aborto porque nunca tive de decidir sobre isso com alguma mulher com a qual eu tenha me relacionado. E mesmo que tivesse tido participação em um evento deste tipo, sei que a mulher deve ser a única a decidir sobre o seu corpo – poderia me escutar, se fosse do interesse dela. É uma questão de respeito ao outro ser humano, coisa que uma cambada de velhos bichonas de saias não pode entender.
      Vocês são uma desgraça para a espécie.

      • Molochbaal

        Os fifis gostam muito de mandar na vida dos outros.

        O fifi é que decide se uma mulher vitíma de violação leva a gravidez até ao fim.

        Um ano de gravidez, a dor e o rsico de vida do parto, para o fifi não são nada. Ele é que sabe.

        É o deus que tem enfiado todo lá dentro que lhe segreda a verdade universal. Ou então é o contrário, ele é que diz o que queria que o deus dissesse.

        Principalmente o fifi nunca se engana e nunca tem dúvidas.

        Pensa que sabe tudo.

        É a principal característica dos atrasados mentais.

        • Vox Populi

          A questão do aborto é uma questão política e social, onde todos os cidadãos devem dar a sua opinião. E a minha é que não é eticamente legítimo tirar a vida a um ser indefeso em gestação em caso de violação. Claro que tu terias que ter uma opinião contrária, em coerência com o louvor, que simbolicamente fazes, dos sacrifícios de crianças ao deus Moloch, Por isso, é muito natural que um javardo, como tu, trate também os fetos como seres a abater.

          • Molochbaal

            É curioso.

            O facto é que nunca aqui dei a minha opinião acerca do aborto. Excepto de que sou a favor, em caso de deficiência grave do feto.

            Posso dá-la agora, pessoalmente sou 100% contra.

            Entretanto, como não sou eu que passo por dores, arrisco a vida e fico com toda a vida condicionada, por dar à luz, abstenho-me de decidir com o corpo dos outros. É algo de demasiado pessoal.

            Mas calculo que isso, a ti, não interesse nada. Mesmo em caso de violação.

            Afinal, tu andas com verdade universal toda enfiada lá dentro.

        • stefano666

          os fifis cagam 1 KG pros meninos de rua…
          esses hipocritas nao merecem audiencia

      • Vox Populi

        Uma mulher tem o direito de decidir sobre o próprio corpo, mas o feto não é uma coisa, bicho peçonhento. Um feto com dez semanas está completamente formado, é uma vida humana em gestação. Infelizmente o mundo também está cheio de bichos peçonhentos, cruéis e reaccionários, como tu, sem a menor sensibilidade humana para a parte mais fraca e indefesa nesse conflito de valores.

        • stefano666

          e se ela aborto o feto com 2 semanas?

          • Molochbaal

            Os fifis até são contra a pílula do dia seguinte.

            Para eles, ainda o espermatozóide não se dissolveu no óvulo, e aquilo já é uma pessoa.

            Aliás, eles são contra a pílula e o preservativo tout court.

            Se calhar os espermatozóides também são “pessoas”.

            Se vires bem pelo micróscópio, até os vês com bigodinho e penteados de risco ao meio.

            O que se passa é o costume.

            Tudo isto não passa de mais um tabu sexual, disfarçado de grande “humanitarismo” em relação a espermatozóides.

            Não adinta tentar falar a sério, porque não se trata de gente séria.

          • stefano666

            então a masturbação é genocidio…

          • Molochbaal

            Não brinques.

            Eles são MESMO contra a masturbação.

            O que se passa é que 90% de tudo o que esteja ligado a sexo, para eles é tabu.

            Depois vêm com desculpas “humanitárias”.

            Estamos a falar de tarados.

          • stefano666

            ah… curioso que lideranças amem que nem Macedo são flexíveis com o aborto

            http://www.youtube.com/watch?v=7aL470RWdNU

        • Molochbaal

          Num único post, em meia dúzia de respostas, estás a usar TRÊS nicks diferentes.

          Nasceste um bandalho e toda a vida bandalho hás-de ser.

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