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  • 28 de Novembro, 2013
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Sobre a liberdade religiosa e a liberdade individual

«O Estado também não pode ser ateu, deísta, livre-pensador; e não pode ser, pelo mesmo motivo porque não tem o direito de ser católico, protestante, budista. O Estado tem de ser cético, ou melhor dizendo indiferentista» Sampaio Bruno, in «A Questão religiosa» (1907).

«O Estado nada tem com o que cada um pensa acerca da religião. O Estado não pode ofender a liberdade de cada qual, violentando-o a pensar desta ou daquela maneira em matéria religiosa». Afonso Costa, in «A Igreja e a Questão Social» (1895) – R & L

Sampaio Bruno e Afonso Costa exprimiram, muito antes de eu ter nascido, o que ora penso.

Ontem fui confrontado com esta notícia: «Angola é o primeiro país do mundo a banir o Islão», notícia repetida em numerosos meios de infirmação, cuja divulgação deu origem aos mais desvairados comentários.

Em primeiro lugar não vi uma única reflexão sobre o título, tantas vezes repetido, que, ao afirmar que «Angola é o primeiro país…» deixa implícito o desejo de que outros se sigam. Isso é islamofobia. É racismo. É discriminação.

Sei o que é a repressão religiosa, moderada – dirão alguns –, exercida no meu país pela Igreja católica, antes do 25 de Abril. Além do ensino obrigatório nas escolas públicas, era a religião imposta a quem quisesse exercer o magistério primário ou a enfermagem.

Havia Escolas de Enfermagem onde o «certificado de batismo» e o «atestado de bom comportamento», este, passado pelo pároco da paróquia de origem, eram documentos obrigatórios, a juntar à certidão de idade, certificado de habilitações e registo criminal.

Nas Escolas do Magistério existia a cadeira de Religião Moral (católica) com o mesmo valor da Pedagogia, Didática e Psicologia Infantil, embora pouco exigente a provar a existência de Deus. A missa da Consagração do Curso, a Bênção e a foto com o bispo da diocese, não estando legisladas, eram impostas.

O potencial belicista das religiões, sobretudo dos monoteísmos, está bem documento na História. Hoje aparecem com particular furor o sionismo, reflexo do judaísmo ortodoxo, e o islamismo como produto virulento da decadência da civilização árabe e do contágio de países não árabes, além de permanecer a mais implacavelmente prosélita.

A superioridade da democracia reside na tolerância para com os adversários, tolerância que as religiões não aceitam porque a vontade do deus, de cada uma, é única, imutável e autêntica. Basta ler o Pentateuco (AT) para ver que o deus criado na Idade do Bronze é incompatível com a liberdade individual. É produto da sociedade tribal e patriarcal, dos seus medos, desejos e primitivismo: violento, xenófobo, vingativo, cruel, misógino e homofóbico. E o Antigo Testamento é a sua expressão e a fonte dos três monoteísmos.

Não se peça aos crentes que o enjeitem, mas não se pode aceitar um Estado que permita às religiões a conduta a que obriga outras associações. A isso chama-se “laicidade”, sem a qual a democracia é uma caricatura.

12 thoughts on “Sobre a liberdade religiosa e a liberdade individual”
  • Tolo_Mor

    O potencial belicista das religiões ficava claramente diminuído se o mundo fosse governado por ateus, como Pol Pot, Estaline, Mao, Enver Hoxka e o aprendiz Kim Jon-Un.

    • stefano666

      Amém

    • Zeus

      Vira o disco. Este lado já está riscado. Há Papas que foram mais sinistros que estes que apontas até à náusea. Cresce e aparece. Está na altura de mudares o heterónimo. Este já está gasto e não faz juz à tua personalidade provocadora.

      • stefano666

        não precisa ir tão longe!
        a ICAR compactua com mafiosos italianos e narcotraficantes mexicanos…atualmente! Imagina quantas vidas tem sido eliminadas a cada dia por estes santinhos.a ICAR lava dinheiro deles… chega a ganhar capelas tudo isso em troca de “indulgências”!

  • Deusão

    É importante saber se as seitas foram banidas por venderem xeçuis e outras merdas ou se o foram por serem organizações terroristas travestidas .
    No Brasil, é notório que “missionários” andam em terras indígenas procurando crentes e ouro e o desgoverno “dilma, a barata tonta” nada faz.

  • Molochbaal

    Concordo na generalidade, mas chamo a atenção para o erro do costume.
    Nem todos os sionistas são religiosos.
    O judaísmo não é apenas uma religião, é também uma etnia, uma cultura.
    Muitos judeus, mesmo praticantes, são ateus ou agnósticos e praticam ou aceitam a religião apenas como um símbolo do seu povo.
    Um exemplo disto é Golda Meir, que aceitava o aspecto simbólico do deus judeu, como uma tradição, não sendo conhecido que ela própria fosse religiosa.
    O movimento sionista mais importante na construção do estado de Israel é socialista e tendencialmente secular.
    Do mesmo modo existem muitos grupos fundamentalistas judeus anti sionistas.
    Confundir sionismo com religião é um erro.
    Hitler não cometeu esse erro. Para ele, um judeu era um judeu, quer fosse crente ou não. E é por isso que o sionismo ganhou força – os judeus eram perseguidos pela sua ETNIA, mesmo os ateus ou os convertidos ao cristianismo.
    Não compreender isto é não compreender o povo judeu e o que se passa no médio oriente.

    • stefano666

      os sionistas tinham interesse que existisse antijudaismo na Europa para favorecer a causa deles.. exploraram e ainda exploram cinicamente o sofrimento judeu para favorecer o regime sionista..
      Nem falo da violencia contra os palestinos(vitimas de limpeza étnica)
      houve pesquisa,,, Israel tem pessima imagem a nivel internacional… so nao esta pior ke Iran

      • Molochbaal

        Pela maneira como falas, até parece que foram os sionistas que criaram o antissemitismo.
        Os sacanas dos sionistas obrigaram o Eduardo I a expulsar os judeus da Inglaterra, os cruzados e o Hitler a fazer churrasco de judeu, os romanos a destruir Jerusalém, os czaristas a fazerem pogrons – tudo só para poderem vir a fazer mal aos palestinianos, coitados, os únicos que sofreram. Os judeus são tão, tão sacanas, que passam a vida a fazer mal a si próprios, só para chatear. Como o sacana do Obama, que explodiu com a maratona de boston. Será que é um preto judeu?
        Palavra que gostava de saber a razão do vosso ódio aos judeus.
        É por causa das trancinhas?

        • stefano666

          parabens… continue distorcendo minhas palavras…
          quem não tem argumentos parte pra essa trapaça

          • Molochbaal

            Sim sim,

            Segundo o que dizes, os sionistas apoiaram o holocausto e só querem emigrar para a palestina para torturar os palestinianos.

            E eu é que distorço as coisas.

            Pois.

          • stefano666

            para poderem ter justificativa pra criar o estado “judeu”… alias estes sionistas sequer são semitas… boa parte deles descendem dos khazares… um povo turcico que abraçou o judaismo..

            veja esse video de Shlomo Sand antes de dizer respostas histericas.

            http://www.youtube.com/watch?v=xfbq6ElEsAM

          • Molochbaal

            Entrevista interessante. Concordo com grande parte, embora não com todas as conclusões, de resto, também já conhecia a maior parte dos factos referidos.

            Dúvida. O que é que tem a ver com a conversa?

            A entrevista diz que o judaísmo, o sionismo, o nacionalismo judaico, são criações humanas, sujeitas a uma génese. Dessa génese fez parte a criação de mitos. Essas géneses e esses mitos têm sempre opositores, como o autor desta tese.

            E depois?

            Isso é a MESMA história EM todas as nações, e em TODAS as ideologias, incluindo a tua nação e a tua ideologia.

            Todas as nações e ideologias são criadas em determinados momentos ou dinâmicas históricas, TODAS criam mitos fundadores.

            Só os judeus e os sionistas é que são obrigados a ser diferentes?

            Eles tinham a obrigação de ser criados por milagre divino? No seio da pureza mais virginal – que mais nenhuma nação ou ideologia tem?

            Gostava de saber onde queres chegar com a repetição até ao infinito da propaganda da ex-união soviética, que já nem sequer existe.

            Não percebes que isso é propaganda da mais básica?

            Pareces uma versão invertida aqueles anticomunistas primários que diziam que os comunistas matavam os velhos com uma injecção atrás da orelha e punham as mulheres a chocar ovos.

            Não tens qualquer espirito critíco em relação a qualquer coisa, verdade ou mentira, que se diga contra o ocidente. Ao mesmo tempo, tudo o que se diga a favor do ocidente, para ti é mentira, por uma espécie de tabu religioso.

            Nem os ocidentais, nem os judeus são melhores ou piores do que qualquer outro povo.

            A tua repetição infantil de qualquer defeito, real ou imaginário dessas culturas, a tua negação de qualquer das suas virtudes, a tua apologia de qualquer coisa ou pessoa que seja inimiga dessas culturas é pueril.

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