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  • 18 de Novembro, 2013
  • Por Carlos Esperança
  • Catolicismo

Momento zen de segunda_18_11-2013

Mal refeito das 4 páginas da entrevista de João César das Neves (JCN), com a digestão ainda por fazer, cai-me no regaço, desprendendo-se da NET, a homilia da segunda-feira, subordinada ao tema «Ano da Fé».

A homilia começa por esta exultação pia: «Não há felicidade maior do que saber que Deus, o Deus supremo, sublime, transcendente, que fez o céu e a terra, se entregou à morte para me salvar. A mim pessoalmente».
JCN não calcula os inimigos que, com tal denúncia, arranja para o Deus dele.

Confessa, a seguir, que «Ele está dependurado por minha causa» o que, em boa verdade, muitos, que não conhecem Deus mas conhecem JCN, hão de considerar que é bem feito. Num gesto de narcisismo e de autocrítica, JCN lembra aos incréus que «Nas paredes das salas, nas frontarias das igrejas, nos quadros dos museus, até no meu peito, em todo o lado a imagem da cruz lembra que Aquele ali, coberto de sangue, foi condenado à morte por minha causa».

Sempre achei que, num país laico, a profusão de cruzes era um abuso mas o catecúmeno delira com a abundância dos instrumentos de tortura. Eu abomino o sofrimento, o meu e o dos outros, sou contra a pena de morte, mas não absolvo quem morre para salvar JCN.

Depois de perorar sobre a morte e outros sustos com que nas aldeias os padres incutiam a fé, JCN, em transe místico e delírio pio, afirma que «a morte não é só um justo castigo dos nossos males, mas também um alívio terapêutico dos mesmos males». Podia aliviar-se de vez e aliviar-nos, mas preferiu a autocrítica, mantendo-se vivo na U. Católica e no Banco de Portugal, confessando que «Se tirar a máscara de respeitabilidade e elegância, se esquecer as justificações retóricas e os enganos convenientes, se for ao fundo das minhas razões, vejo com clareza que um juiz justo e imparcial teria de me condenar». JCN sabe bem o que faz e o que merece. Se Deus existisse…

Na pungência do desvario místico, julgando que os Cristos dependurados das cruzes, e bem crucificados, não tiram os olhos dele, acaba por afirmar o que todos sabemos dele:

«Eu, no medíocre quotidiano, continuo a mesma mesquinha criatura que sempre fui».

E lá continua a homilia, na obsessão da cruz, na adoração do crucificado, convencido de que está lá pendurado por causa dele, JCN, e que não se vai embora, «por grandes que sejam os meus crimes», desconhecendo que o crucifixo só baqueia se for maior a força da gravidade do que a resistência do prego que o segura.

11 thoughts on “Momento zen de segunda_18_11-2013”
  • Tolo_Mor

    O João das Neves tem um dom especial para irritar os ateus. Eles ficam completamente fulos com as suas tiradas.

    • Tira Nódoas

      E tu também devias ficar, tolinho. Ele também é um insulto para ti. Se bem que isso seja algo difícil de alcançar.

    • Molochbaal

      Sim, provocar insolentemente toda a gente e depois, quando levam para trás, armarem-se em chorosas vitímas perseguidas, é a especialidade dos fifis como tu e o teu amiguinho.

    • Zeus

      Este cobardolas está sempre a mudar o que escreve.

  • David Ferreira

    Se ainda restavam algumas dúvidas sobre os malefícios da religião, eles aqui se revelam em todo o explendor no pensamento deste fóssil semi-vivo em perfeito estado de vida latente.
    Desligá-lo das máquinas, a crer na sua confissão, seria um ato misericordioso…
    Nah… Deixemo-lo rastejar até ao calvário e passemos. O chão aos vermes e aos pés pertence.

  • João Pedro Moura

    O abominável César das Neves, o mais eminente teólogo leigo da Igreja portuguesa, parece-me que está numa encruzilhada teórica: ou vai para um lado ou vai para outro.

    Isto é: ou continua no seu fanatismo católico, conservador e passadista, mas, por isso mesmo, esvaído dos pundonores de outrora, até pela falta de rigorismo doutrinário do atual papa e do abono daí decorrente; ou envereda por essa espécie de ecletismo papal, bonançoso e bondoso, desafeto aos mais briosos sequazes do catolicismo retorcido e mentecapto, de que o santificável das Neves é um dos mais lídimos representantes.

    Como não faz sentido criticar o papa, porque só os mais irredutíveis fanáticos o fariam e a cultura portuguesa dos brandos costumes não se ajeita a tal, JCN parece estar voltado para uma espécie de autofagia: não podendo criticar o papismo atual, volta-se para si próprio, numa pungente e grotesca autocrítica, própria daqueles eremitas dos primeiros tempos cristãos, que se refugiavam em desertos e penavam no isolamento social e no sacrifício alimentar, atormentando-se com reflexões paranóicas e de culpabilização permanente.

    O artigo de hoje, do cesarista das Neves, pelo ridículo das suas afirmações de religionário angustiado e algo desorientado, é significativo quanto à
    decadência dum setor notório, mas cada vez menor e de menor influência social e política, da nossa intelectualidade católica, que vê a sua igreja esvair-se de réditos e adeptos…
    …E nada consegue deter tal decadência…

  • kavkaz

    Eheheheh… O JCN só me fez rir com a ladainha. Eheheheh…

    O Jesus Cristo estava mesmo a pensar no JCN quando foi pendurado…

    Se a burrice pagasse imposto os cristãos enchiam os cofres do Estado até ao superavit. Ficava a crise financeira de Portugal mais que resolvida.

    Eheheheh…

    • Molochbaal

      Se bem me lembro, nos ultimos momentos, o JC estava era fulo com o seu paizinho celestial, que, segundo ele, o tinha ABANDONADO.

      O mesmo devem estar a dizer muitos filipinos, k tinham ficado todos contentes, quando a boneca chegou ao seu território.

      Será k chegaram a perceber que nunca chegaram a estar acompanhados?

      • kavkaz

        A boneca de Fátima deve ter sido embrulhada e evacuada das Filipinas rapidamente. Já não deve voltar lá tão cedo para os crentes filipinos não se lembrarem do tufão.

        • João Pedro Moura

          KAVKAZ disse:

          “A boneca de Fátima deve ter sido embrulhada e evacuada…”

          Também penso assim, Kavkaz, mas convém confirmar.
          Caiu um silêncio sepulcral sobre as andanças da virginal boneca fatímica por terras filipinas.
          Ninguém diz nada sobre a localização da “senhora”, e a comunicação social, habitualmente sabuja e reverente, também conspira pelo silêncio, em vez de confrontarem os efeitos do tufão com os efeitos perambulatórios da estátua, interpelando os responsáveis eclesiásticos por tal viagem frustrante e ineficaz.

          Um autêntico abafamento informativo!
          Um desastre de contradição!

          E a situação é particularmente grave e escandalosa, pois que não pode haver impunidade e imunidade.
          Enviaram a “senhora de Fátima” para as Filipinas, para proteger e abençoar aquelas terras. Logo a seguir veio o tufão. Portanto, de nada serviu tal peregrinação daquela senhora da rua católica…
          Os católicos que reflitam sobre esta inanidade e religiosidade grotescas…

          • kavkaz

            Os católicos a refletirem? Mas eles conseguem refletir com o raciocínio entrevado?

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