Texto de 17 de janeiro de 2000
No n.º 399 de 16 de Janeiro de notícias magazine, a preceder uma interessante entrevista de Raul Cruz, pág. 8, lê-se no 2.º período em letras grandes, sobre fundo vermelho, o seguinte: O Professor Moisés Espírito Santo, catedrático de Sociologia das Religiões, considera este Papa o “mais sinistro” dos últimos 150 anos,…”
Na página 9, igualmente sobre fundo vermelho, repete-se a mesma afirmação, o que pode levar os leitores distraídos a pensar que se trata do actual Papa.
No entanto, na página 10, em resposta à pergunta do jornalista – se considera que o actual Papa terá feito “letra morta” do espírito do Vaticano II – responde o entrevistado que “com João Paulo II voltou-se ao espírito de Pio IX…” a quem se refere como “o Papa mais sinistro dos últimos 150 anos”.
Fosse ainda Papa João XXIII e nenhum leitor se deixaria induzir em erro, nem o meu reparo teria utilidade.
Assim, trata-se dum erro, agravado pela reincidência, em relação à afirmação do autor. E tanto mais grave pelo facto dos não eruditos, como é o meu caso, pensarem que semelhante epíteto devia ser disputado entre Pio XII e João Paulo II.
Tendo o actual pontificado abolido o Inferno e, a avaliar pela intenção de canonizar Pio IX, com efeitos retroactivos, é injusto deixar cair no esquecimento o Papa que considerou a Igreja “inconciliável com o progresso e a civilização”.
CE (texto publicado na íntegra)
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