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  • 22 de Agosto, 2013
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

Deus também se engana…

Bento XVI, farto de ser acusado de ter renunciado à tiara por amor, amor à vida, claro, veio agora justificar-se: «Foi porque Deus me disse», numa « experiência mística».

A linguagem exotérica, com que o ex-Papa revela o encontro com a entidade patronal, não deixa aos incréus averiguar a data, o local e o conteúdo, mas percebe-se que Deus não estava satisfeito com o seu PDG, facto que causa a maior perplexidade, a ponto de lhe ter demonstrado «um desejo absoluto» – segundo  afirmou o próprio pensionista à publicação católica “Zenit”.

Não se vê como um deus, presciente e omnipotente, além de mandar o Espírito Santo a iluminar os cardeais durante os conclaves, possa permitir que saia dali um cardeal com alvará de infalibilidade, apto para criar cardeais e santos, e despedi-lo depois com justa causa, sem lhe apresentar uma nota de culpa. No mínimo, a eleição de Ratzinger foi um ato desastrado, mais natural no Opus Dei do que em Deus.

Sabendo todos, do mais ingénuo devoto ao mais inveterado ateu, que a infalibilidade do Papa é um dogma cuja dúvida é alheia ao escrutínio da razão e passível de excomunhão, anátema que inviabiliza o Paraíso como lar de primeira classe para a perpétua defunção, fica a dúvida sobre quem se enganou, o papa que perdeu o alvará ou Deus que lhe pediu a resignação.

De qualquer modo, a Igreja, em maré de perda de credibilidade, deixa mais dúvidas do que certezas a quem queira cultivar os mistérios da fé e dá argumentos a quem duvida.

3 thoughts on “Deus também se engana…”
  • Molochbaal

    E já não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira.

    Deus está constantemente a enganar-se.

    Por exemplo, afogou toda a humanidade e a vida na Terra, porque achou que aquilo não tinha saído bem.

    Leou o povo eleito para o Egipto, para o ajudar, mas deve ter-se esquecido de perguntar aos egipcios o que achavam da ideia, porque os egipcios ficaram lixados e escravizaram o tal povo eleito!!!!

    Depois desta “ajuda” falhada, deus resolve ajudar outra vez o seu povo, prometendo-lhe uma terra de leite e mel.

    Mas ZÀS, coisa que deus não podia prever((não?) o povo desata a adorar um bezerro de ouro e deus, então volta atrás na sua promessa e decide deixar aquela geração às voltas no deserto, e só a geração seguinte é que entra na terra prometida.

    É caso para perguntar se, se, sendo ele omnisapiente, não seria mais fácil ter simplesmente libertado a geração seguinte, ao invés de libertar aquela apenas para a deixar ás voltas no deserto.

    Nomeou o rei Saul, mas depois viu que tinha feito merda e arranjou maneira de lhe arranjar oposição com o Rei David.

    Rei David este, que seria muito mais “santo” mas que também se fartou de fazer merda, até ao ponto de assassinar o seu oficial mais fiel só para lhe papar a mulher.

    A bíblia está cheia de centenas de exemplos destes em que deus constantemente mete a pata na poça, deus vê que se enganou outra vez. Afinal o povo que elegeu só faz merda e então arrepende-se de lhes ter dado a terra prometida e toca de lhes acicatar os assírios, os babilónios, etc até o seu querido povo eleito, a que tinha prometido mundos e fundos, passar a vida a ser escravizado por outros povos.

    De que é que estão a rir? Qualquer um, mesmo infalível e omnisapiente, se pode enganar não é? Constantemente…

  • João Pedro Moura

    Se o papa Bento XVI renunciou ao cargo “porque deus lhe disse”, então emerge um conjunto de quesitos inteligentes daí decorrentes:

    1- Em que língua é que deus lhe disse???!!!
    2- Era voz de homem ou de mulher???!!!
    3- Se lhe disse para renunciar, qual o motivo apresentado???!!!
    4- Se deus atribuiu uma falha grave ao bentinho, por que não a corrigiu???!!!

    Enfim, os quesitos poderiam multiplicar-se, diretamente proporcionais à imbecilidade e toledo da afirmação do renunciado…

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