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  • 30 de Junho, 2013
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

O recém falecido bispo e a AAP

Exmo. Senhor

Director do Diário de Coimbra

redac@diariocoimbra.pt

Senhor Director,

Com os melhores cumprimentos, em nome da Associação Ateísta Portuguesa, de acordo com os princípios do pluralismo que são apanágio do Diário de Coimbra, peço a V. Ex.ª que se digne mandar publicar a resposta ao artigo do Sr. bispo João Alves.

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Resposta da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ao Bispo Emérito de Coimbra, João Alves

Na sequência do artigo publicado no Diário de Coimbra, no último Domingo, pelo Bispo Emérito, João Alves, sob o título «Elementos para o diálogo entre cristãos e ateus» vem a Associação Ateísta Portuguesa (AAP), pelas referências de que foi alvo, esclarecer o seguinte:

1 – A AAP foi criada ao abrigo do direito de associação, direito que o Sr. Bispo reconhece, «desde que os seus objectivos e as suas actuações respeitem o bem comum e os direitos legitimamente estabelecidos de cada cidadão e, também, os direitos da verdade»;

2 – Partilhamos com o Sr. Bispo o apreço pelo «bem comum e a verdade» mas discordamos da sua hipótese acerca do que é a verdade. Não vemos o ateísmo como um problema, não consideramos o Homem como artifício dos deuses e não é pela «exposição defeituosa da doutrina» que somos ateus;

3 – A AAP concorda com o Sr. Bispo quando afirma «ultrapassada a agressividade sectária e as actuações meramente ideológicas e preconceituosas carecidas de lucidez». Nesse sentido sugerimos que o diálogo não parta do princípio que o ateísmo é um problema nem que a religião do Sr. Bispo é a correcta. Propomos dialogar em campo neutro, admitindo que todos podemos errar em matérias de facto, aceitando o direito de cada um aos seus juízos de valor e avaliando cada posição à luz dos seus méritos, pelo que sabemos aqui e agora e não pelo que especulamos acerca do Além;

4 – O Sr. Bispo, cita a Gaudium et Spes que «…o ateísmo deve ser contado entre os fenómenos mais graves do nosso tempo…», afirma que o homem foi criado por Deus e informa que, na «Sexta-Feira Santa, [a Igreja católica] reza …em todo o mundo, pelos não crentes». Os ateus julgam mais provável que os homens tenham criado os deuses, pela diversidade evidente em ambos, e que nem o ateísmo é um problema nem a oração o método adequado para os resolver. Como um diálogo deve assentar no que une as duas partes em vez de partir daquilo que as separa, sugerimos como alicerces o direito à crença e o dever de justificar afirmações de facto com evidências objectivas. Se não considerando a crença ou a sua falta como um mal a priori e se não basearmos argumentos em premissas especulativas acerca de quem criou o quê podemos ter um diálogo genuíno que esclareça tanto quem intervenha como quem assista.

9 thoughts on “O recém falecido bispo e a AAP”
  • João Pedro Moura

    Outra vez???!!!
    Já é a terceira carta, fútil e inútil, dirigida à clericalha tartufa, que aparece aqui no DA…
    Ó Carlos Esperança que é que se passa???!!!

    • Carlos Esperança

      Sou eu que decido o que publico, João Pedro Moura. A utilidade ou inutilidade fica à apreciação dos leitores, caro amigo.

      • João Pedro Moura

        CARLOS ESPERANÇA
        CARLOS ESPERANÇA

        1- Eu não parti do pressuposto de que tu não decidirias o que publicas…

        2- Tu fustigas, exemplarmente, a religião católica e os seus religionários mais retorcidos, aqui no DA, mas paralela e incongruentemente decides enviar cartas reverenciosas a insignes corifeus da clericalha tartufa…
        Alguém percebe isto???!!!

        3- Cartas que não servem para nada, pois falam de “diálogo” e de “entendimentos” com a tartufaria clerical, que para nada servem…
        Nunca houve nem nunca haverá “diálogo” e “entendimento”, do ponto de vista institucional, entre entidades intrinsecamente opostas, como são ateus e religionários…

        Os ateus estão interessados em esmagar a argumentação ridícula e grotesca dos religionários católicos ou doutra cepa torta e gostariam de ver a religião desaparecer…
        Fazemos isso aqui diariamente…

        Simetricamente, os católicos estão interessados no aumento da sua influência e gostariam de ver o ateísmo desaparecer…

        4- “Diálogos” e “entendimentos” institucionais existem para pessoas que querem resolver problemas ou confluir em alianças táticas ou estratégicas, ou que querem fundir-se numa organização superior…
        Não é este o caso!

        5- Diálogos e debates existem e devem existir entre ateus e religionários, a título individual ou coletivo, como em blogues ou noutras cenas mediáticas, para as quais se convidam as pessoas divergentes…

        6- Agora, cartas de um ateu a felicitar pontífices ou a sugerir “diálogos” e “entendimentos”…
        isto significa o quê???!!! Isto serve para quê???!!!

        7- Imagina, meu caro Carlos, que a ICAR se lembrava, com aquele paternalismo insidioso e pegajoso que os carateriza,
        de fundar uma “Pastoral dos Ateus “, ou sem fundar nada, convidando a AAP para um “diálogo”…
        Que é que tu responderias?…

        • Pedro

          Tens que mudar de medicação ou duplicar o dosagem!

          • ah

            Precisa de internamento!

  • Provocador

    O HOMOFÓBICO ASSUMIDO

    ” Os homossexuais não devem ser autorizados a adotar crianças.

    A psicologia da pessoa homossexual, denotando um carácter mais delicado e
    baralhado de atributos, atrás referidos, é susceptível de não enriquecer tanto,
    emocional e afetivamente, a criança”

    João Pedro Moura,”Bardamerda Sr. Deputado”, DduA ,25/2/2012

  • Carlos Esperança

    O Papa Alexandre VI era um canalha devasso.

    Art.185º (CPP)
    Ofensa à memória de pessoa falecida

    • ah

      Esse já faleceu há mais de 50 anos, logo não se aplica o mesmo que ao caso anterior.

      Como tu não o conheceste, como não sabes nada sobre ele, a não ser coisas que te contaram mas que parecem desmentidas por outros, chamar canalha devasso a alguém nestas situações, é ser canalha devasso também.

  • David Ferreira

    O Diário de Coimbra é um meio de proselitismo católico na zona centro cujo exagero editorial de inspirada propaganda religiosa só permite concluir a intervenção divina de São Josemaria Escrivá.

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