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  • 28 de Junho, 2013
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

A razão, a superstição e os exorcismos

Quando a razão dorme, acordam os monstros. É esta mensagem de Goya num dos seus «Caprichos», um Iluminista com o pincel e as tintas a fazer mais contra a superstição do que grandes escritores em milhares de páginas. Goya zurziu, em finais do século XVIII, a nobreza e o clero, com o génio do talento e a coragem dos heróis, através de uma das armas mais mortíferas – a sátira –, com que abalou o prestígio de Ordens religiosas e os preconceitos do seu tempo.

O fanatismo religioso, a Inquisição e as superstições foram denunciadas nas 80 gravuras do genial pintor que só por sorte escapou às garras da Inquisição. Ele não foi apenas um precursor da pintura moderna, foi um arauto da sociedade liberta das trevas e conduzida à razão pelo Iluminismo.

Quando o cardeal Rouco Varela, nomeou recentemente oito exorcistas para a diocese de Madrid e se soube que as dioceses católicas têm peritos no tratamento das possessões demoníacas, não é o atraso de uma Igreja que desprezo que me preocupa, é o regresso da sociedade aos medos medievais e forças ocultas que apavoraram gerações de crentes.

Depois de um Papa ter negado a existência do diabo logo outro veio reiterá-la, não fosse a superstição desaparecer. Quando os crentes perdem o medo dos demónios, acabam por duvidar do interesse do seu Deus mas o que é terrível é a crença do clero nas possessões demoníacas, nesse regresso ao obscurantismo que encobre o autoritarismo eclesiástico e o imobilismo ideológico característico das seitas.

No caso espanhol, o velho cardeal franquista convidou ainda psiquiatras para fazerem o diagnóstico diferencial entre doenças do foro psíquico e da alçada do demo. Claro que à declaração clínica não é alheia a crença do médico e não é por acaso que a única doença exclusiva dos crentes seja a possessão demoníaca, moléstia que não atinge agnósticos, ateus, céticos e outros livres-pensadores.

É o regresso ao autoritarismo romano que está em marcha. Denunciar os desvarios pios é uma obrigação de quem recusa o regresso à época das trevas. Há mais de dois séculos, já Francisco Goya nos alertava para o mundo obscuro que os conventos e as sacristias preservavam tal como hoje o fazem, às escâncaras, as madraças e mesquitas.

3El-sueno-de-la-razon-produce-monstruos-Los-Caprichos-de-Goya

7 thoughts on “A razão, a superstição e os exorcismos”
  • Provocador

    ” Eu sou um cristão cultural”

    Richard Dawkins

  • Provocador

    Agnóstico e durão…

    “Evidentemente que a mensagem importa e não é
    pouco. Depois, a água de lavar o rabo, ainda pode ser
    aproveitada para cozer as couves”

    Moloch Baal

  • Anti tolo

    O Troll do DduA nunca comenta os posts. Não tem capacidade para o fazer e, como tal, dedica-se à trolice que é o que sabe fazer melhor.

    Nunca o vi debater honestamente um texto. É de uma menoridade confrangedora. Já vi muitos tróis por essa internet fora, mas este abusa.

    • Moloch Baal

      O coitado tem de arranjar sempre um pretexto para fugir.

      Ou passa dez posts a declamar que é um grande cientista e que vai revolucionar a biologia e ciências afins, ou passa outros dez a mandar vir com um nick ou com uma frase solta de alguém.

      Tudo menos discutir os posts demasiado comprometedores.

      Temos de ser compreensivos, porque o desgraçado tem de defender coisas sem pés nem cabeça, como o facto da igreja dele manter vivas as superstições “demoníacas” que são o alimento perfeito do charlatanismo.

      De facto, até devemos ter pena dele, por, para manter a fé, ser obrigado a defender palhaçadas destas.

      Coitado.

  • GriloFalante

    Completamente “off topic” (mas também tenho direito…): Cada tiro, cada melro.

    http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3293719

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