Loading
  • 3 de Junho, 2013
  • Por Carlos Esperança
  • Islamismo

A Turquia, o Islão e a laicidade

Flag_of_Turkey.svg

A Turquia, o Islão e a laicidade

A Turquia era a última esperança de um país laico com religião muçulmana maioritária. Era o exemplo que os otimistas apresentavam para justificar a compatibilidade de uma religião com a democracia e do proselitismo religioso com a pluralidade de pensamento que é apanágio dos regimes democráticos.

Todos esqueceram que as democracias são recentes na história da Humanidade e que o cristianismo só foi tolerante graças à repressão política sobre o clero; que só no início da década de sessenta, do século passado, a Igreja católica reconheceu o direito à liberdade religiosa, durante o concílio Vaticano II.

A Guerra dos Trinta Anos acabou em 1648 e, só depois 3 a 11 milhões de mortos e da paz de Vestefália, houve liberdade religiosa pela primeira vez.

A Turquia tem hoje um primeiro-ministro democraticamente eleito, com a ajuda de Alá e a misericórdia de Maomé mas o desrespeito à Constituição é total.

Os conflitos em Istambul, Ancara e Esmirna, os mais violentos, são uma luta de vida ou de morte onde se confrontam as liberdades e a submissão ao Islão. A violência policial é a amostra do que são capazes os mullahs. As restrições sobre o vestuário, a comida e os afetos são o princípio do fim da laicidade.

Por ora a polícia ainda não cheira o hálito dos transeuntes para averiguar se consumiram álcool mas já adverte os namorados que desafiam a pudicícia de Maomé ao caminharem de mãos dadas. O beijo entre um homem e uma mulher, na via pública, começa a ser tão inaceitável como o presunto. A televisão do Estado ignora os milhares de feridos que os polícias fizeram, os 1700 detidos, os dois mortos e o bloqueio à Internet.

Importante é que cada vez mais turcos façam cinco orações diárias e jamais se atrevam a urinar virados para Meca, a cidade santa que recebe anualmente 13 milhões de crentes.

O Governo de Recep Tayyip Erdogan hesita, mas sabe que se perder esta batalha pode perder as delícias do Paraíso e o direito de impô-las aos que as desprezam. O mal não é de quem acredita no Paraíso, é de quem o quer impor aos outros. Na Turquia joga-se a nossa forma de viver e a liberdade de que gozamos. O rastilho do fanatismo está aceso.

20 thoughts on “A Turquia, o Islão e a laicidade”
  • stefano666

    “A Turquia era a última esperança de um país laico com religião muçulmana maioritária”

    frase falsa….

    a ultima esperança é Siria Baathista !

    houve 2 esperanças mortas …
    O irak… baathista e Libia kadafista

  • Provocador

    O Teatro da Crueldade

    Dramaturgo e encenador: Bashar Al Assad

  • GriloFalante

    Há anos, visitei a Turquia. Mais exactamente, em 1997. A Turquia, concorde-se ou não, é provavelmente o maior museu a céu aberto do mundo.
    O guia que nos ia mostrando as belezas do país, falava-nos da grande obra deixada pelo “pai dos turcos”, Mustafá Kemal. Obra que consistiu, entre outras coisas, na laicização do estado e na criação de uma língua, para que se abandonasse o árabe, de vez.
    Curiosamente, já em 1997 o guia se mostrava receoso de que a religião voltasse ao poder. O islão, mais exactamente.
    Há profecias que se cumprem…

    • stefano666

      engraçado…nunca soube do Imperio Otomano ser uma teocracia “porra-louca”… este finado Imperio chegou a ser aliados de potencias como Inglaterra,França e Alemanha.

  • João Pedro Moura

    CARLOS ESPERANÇA disse

    1- “Na Turquia joga-se a nossa forma de viver e a liberdade de que gozamos. O rastilho do fanatismo está aceso.”

    Calma, Carlos, a Turquia não é o que tu pensas!…
    A Turquia é o país muçulmano mais liberal e é maciçamente muçulmano. Dos mais homogéneos nessa matéria. Uns 80% de sunitas e uns quase 20% de alevitas (xiitas não- ortodoxos).

    A Turquia balança e balançará sempre entre o oriente boçal, concretamente o médio oriente islâmico, e a modernidade ocidental. Até geograficamente se exprime esse balanço…

    O grande impulsionador da Turquia moderna e laica foi Mustafa Kemal, o melhor político mundial do séc. XX. E o legado deste extraordinário político ainda se faz sentir e far-se-á sempre, pois que existe um grande respeito por esse político e seu legado, na Turquia, desde as camadas mais populares até aos próceres políticos, económicos, académicos e militares.

    Isto é uma mentalidade geral. E é uma mentalidade desfavorável à hedionda escumalha islâmica, a mentalidade mais radical.
    Os turcos não querem nada com a boçalidade arabesca e médio-oriental,
    que detestam.

    Acontece que o partido maioritário, Partido da Justiça e Desenvolvimento, tem uma expressão islâmica, à laia dos antigos partidos da “democracia cristã” ou o que resta deles, isto é, têm uma política “laica”, o que quer que isso seja, mas uns laivos de islamismo (ou cristianismo nos partidos da DC) consuetudinário, patente, neste caso turco, numa proibição qualquer de beijos na via pública, abraços mais efusivos e restrições de venda de bebidas alcoólicas…
    … Mas a Turquia continua a evoluir…

    A resistência a estas medidas provém dos cerca de 30% de laicistas, a mais
    numerosa expressão laica do mundo islâmico…
    E essa gente, apesar de minoritária, tem muita força e influência maior nos níveis cimeiros da sociedade, a todos os níveis, exceto no político.
    E é isto a Turquia…

    O máximo a que chegarão os dirigentes políticos é às restrições apontadas…

    2- “A Guerra dos Trinta Anos acabou em 1648 e, só depois 3 a 11 milhões de mortos e da paz de Vestefália, houve liberdade religiosa pela primeira vez.”

    A Europa não garantiu a “liberdade religiosa” através da Paz de Westfália.
    O Tratado de Westfália determinou, apenas, a dualidade religiosa, no Império Alemão.
    Este tratado pôs fim à Guerra dos 30 Anos, que dilacerou a Europa central e do norte e teve como centro político e religioso o Sacro Império Romano-Germânico, vulgo, Império Alemão.

    Ora, como este império estava a ser consumido por uma guerra civil interminável, com implicações internacionais, guerra civil essa que também era uma guerra religiosa entre Estados alemães católicos e protestantes, aqueles mais a sul e estes mais a norte, os contendores resolveram entender-se, em Westfália, sob o patrocínio do imperador Fernando III, que aplicou o princípio “cujus regio ejus religio” (“de tal região, de tal religião”), pelo qual consagrou a dualidade religiosa, isto é, os príncipes alemães, chefes dos seus Estados, seguiriam a igreja que entendessem, católica ou protestante, obrigando, concomitantemente, os seus súbditos a seguirem a mesma igreja.
    Ninguém, dentro dum Estado alemão, poderia praticar a religião contrária à igreja dominante, nesse Estado.

    A liberdade religiosa só começou a irromper, mais a sério, com a Revolução Francesa (1789), paulatina e progressivamente…
    … E mesmo assim, o estabelecimento e evolução de tal “liberdade” tem muito que se lhe diga…

    • GriloFalante

      “Até geograficamente se exprime esse balanço…”
      É essa parte que eu ainda não percebi… Só metade de Istambul é que está na Europa; e Istambul nem sequer é a capital. Por alma de quem é que um país esmagadormente asiático há-de entrar na Europa?

      • stefano666

        Albania e Bosnia seriam o ke entao?

        • Provocador

          As Torres do Terror

          Dramaturgos e encenadores: Osama Bin Laden, Mohamed Atta e outros

          • stefano666

            false flag

          • Provocador

            A cegueira que cega

  • Veron

    Qualquer contato com o Pensador Haddammann terá de ser feito em primeira via pelo e-mê athan3@gmail.com; “analisado” então, e etc.

    Cabe-nos por cá, notar uma esquisita propaganda, destinada SÓ À CRIANÇAS TENRAS, mas não há Sociedade em geral.

    QUEM e ‘quais” são os “puros” que as fazem? E por que só esses é que podem junto com as crianças verem as propagandas? Como é que “só” as crianças podem “ver” tais propagandas? Qual o mecanismo que a Sociedade não tem acesso? Os ditadores são mais “puros” do que a Sociedade? Mataremos os jovens e deixaremos os corruptos e ladrões CONDENADOS se passando por “políticos”, como no Brasil?

    Em contatos com Haddammann, favor enviar fotos originais inseridas no texto.

You must be logged in to post a comment.