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Concluir que existe.

A Maria Madalena Teodósio perguntou-me o que eu consideraria evidência para a existência de um deus (1). Ou, por outras palavras, o que me levaria a considerar a hipótese de existir algum deus mais plausível do que a alternativa. Esta ênfase na hipótese pode parecer picuinhice mas é importante. Em rigor, nós não podemos decidir a existência de deuses em si. Ou existem ou não existem, independentemente da nossa opinião. Apenas podemos decidir que opinião formamos. Tratando-se de factos, o mais racional será preferir a hipótese mais favorecida pelo peso das evidências. Tornar explícito que estamos a seleccionar hipóteses permite excluir, logo à partida, qualquer hipótese que seja indiferente ás evidências. Por exemplo, a hipótese de existirem deuses indetectáveis que habitam fora do universo e não interferem em nada que se possa observar. Este tipo de hipótese é de rejeitar não só por falta de mérito epistémico mas também por pragmatismo. Hipóteses assim há infinitas e são racionalmente indistintas, pelo que não há razão para escolher uma em vez de qualquer outra. Por isso focarei apenas (algumas) hipóteses testáveis acerca da existência de deuses.

Uma é a de que um relato da criação divina do universo foi passado, por revelação ou inspiração, aos autores humanos de algum livro sagrado. A essa hipótese contrapõe-se a alternativa desses relatos serem apenas criação humana. As evidências favorecerão uma ou outra hipótese conforme a concordância entre o relato e o que observamos do universo. Se um relato for vago, inconsistente com a realidade em muitos pontos e acertar apenas no que era acessível aos seus autores humanos a segunda hipótese será claramente a mais plausível. É o que acontece com o livro do Génesis, se lido como pretendiam os autores originais e como muitos cristãos ainda o interpretam hoje (se for lido como alguns teólogos pretendem temos apenas mais uma daquelas infinitas hipóteses impossíveis de testar e, por isso, irrelevantes). Pelo contrário, se um relato antigo da origem do universo contivesse detalhes correctos e inacessíveis aos seus autores terrenos seria evidente uma origem sobre-humana. Por exemplo, se o Génesis descrevesse detalhadamente as partículas sub-atómicas e a formação da matéria pela interacção dessas partículas. Se, além disso, descrevesse de forma concreta e confirmável como essas partículas teriam sido criadas, a hipótese desse relato provir de alguém com a capacidade de criar universos seria muito mais plausível do que a hipótese de ter sido mera fantasia humana. Eu descarto como ficção as cosmologias dos livros sagrados que conheço porque consistem apenas daquilo que se esperaria da imaginação e conhecimento dos seus autores. Mas se algum ultrapassasse claramente esses limites eu teria de mudar de opinião.

Outra hipótese testável é a da criação inteligente em si, independentemente de haver algum relato detalhado do processo. Se processos naturais geram planetas, montanhas, vales, animais e plantas sem orientação inteligente, o que acontece em cada passo do processo depende apenas das condições nesse momento. Cada partícula numa nuvem de poeira espacial move-se em função das forças que a afectam. As placas tectónicas deslocam-se conforme o movimento do magma, a água escorre conforme o declive do terreno e as populações de seres vivos são moldadas pela competição entre indivíduos naquele ambiente, em cada instante. A falta de inteligência nestes processos impede que algo ocorra visando um resultado futuro específico. Isto é o contrário do que sucede num processo de criação inteligente, que consiste numa série de decisões tomadas tendo em vista o resultado final. As diferenças são claras, na maioria dos casos. Pedras arredondadas de textura e tamanho semelhantes espalhadas pelo leito de um rio é algo compatível com processos naturais de erosão. Pedras afiadas em pontas de seta alinhadas junto a um esqueleto humano sugerem intervenção inteligente. As características das baratas são o que se espera de milhões de anos de evolução por processos naturais. A lã das ovelhas domésticas, o milho híbrido e o tomate geneticamente modificado indicam alguma inteligência no processo. Se estrelas, planetas, montanhas ou seres vivos tivessem sido criados por um ser inteligente deveríamos notar alguns desvios em relação ao esperado por processos naturais sem planeamento, tal como quando identificamos vestígios arqueológicos ou diques de castor. Indícios de criação inteligente de estrelas ou galáxias tornariam plausível a hipótese de existir um criador inteligente do universo.

A tecnologia religiosa poderia ser outro indício forte. Todas as religiões desenvolvem procedimentos para influenciar a natureza. Curar doenças, afastar tempestades, conceber filhos e assim por diante. Todas as religiões falham redondamente nestas coisas e o efeito é sempre nulo. Mas podia não ser. Podia ser, se a realidade fosse outra, que os alhos engordassem mais com a bênção do padre do que com umas semanas de tempo seco. Ou que a estátua de Maria na mesa de cabeceira fosse mais eficaz do que um pára-raios no telhado. Podia ser e, se fosse, seria mais plausível a hipótese de existir o deus dessa religião.

A objecção mais comum a este tipo de argumentos, pelo menos da parte dos religiosos mais sofisticados, é que isto assume poder-se reunir evidências da existência do tal deus e isso, alegam, é impossível. Mas a questão relevante é que hipóteses acerca da existência de deuses se pode aceitar com justificação racional e, para isso, é preciso encontrar evidências que as possam distinguir das alternativas. Não há como escolher, racionalmente, entre hipóteses impossíveis de testar. Além disso, esta é uma desculpa como a da raposa. A única razão para alegarem que é impossível obter evidências para as hipóteses que defendem é não as conseguirem. Se tivessem evidências claras da criação inteligente do universo não diriam que as uvas estão verdes.

1- Comentário em Adenda ao post anterior

Em simultâneo no Que Treta!

20 thoughts on “Concluir que existe.”
  • Provocador

    Estou quase de saída Ludwig. É já o peso dos meus 93 anos a pedir algum descanso intelectual, mas não quis deixar de vir aqui homenageá-lo com as delícias do cego acaso.Quanto às uvas, verdes ou não, também se criaram a elas próprias, como os robôs da IA.

    http://www.youtube.com/watch?v=RmMuMMkZFpQ

    • Deusão

      Você está com 93 anos e ainda acredita em amiguinhos imaginários ?!
      Coitadinho…

      • Moloch Baal

        O antolo tem 93 anos ?

        E noutro dos seus nicks imaginários afirma que é paralítico de nascença.

        Até apelou a alguém que o vingasse contra mim, que ele coitado não podia.
        Quiçá aparecesse uma boa alma que me espancasse ou assassinasse, numa apoteose de demonstração do verdadeiro significado do amor ao próximo e do espirito do perdão dos cristãos.

    • Luísa G

      Acreditar que o acaso cria/criou algo é uma demonstração de estupidez e problemas mentais.

  • João Pedro Moura

    Excelente “trip”, Krip!

    São duma “santa” ingenuidade, os crédulos, quando se lhes
    pede evidências da existência do seu deus… e não sabem dá-las… porque nada têm para evidenciar…

    Alguns esquivam-se com réplicas tortas, arengando que os ateus também não teriam “evidências” da inexistência de deus, como se os ateus
    pudessem negar… o que não existe…
    …Como se o ónus da evidência não estivesse, primeiro, em
    quem primeiro afirma…

    Os tontos da religião é que têm de justificar a existência do seu deus, para os ateus poderem aceitar isso… ou negarem…
    Nem se dão conta, os religionários tolinhos, que, se tudo teve uma causa e se a causa primordial é deus, como eles dizem, então, também teria de haver uma causa para deus…

    Não se pode dizer, sem cair numa insanável incongruência, que a regulação cósmica, orgânica e inorgânica, deve ter um “relojoeiro” e “designer”
    inteligente, para poder funcionar, mas em que tal suposta entidade, criadora, governadora e justiceira, omnipotente, omnipresente e omnisciente não foi criada, aparecendo por si mesmo ou vogando na eternidade…

    Isto é, os desgraçados crédulos, no seu toledo larvar, acham que é perfeitamente verosímil existir uma potência colossal, com tais poderes
    imanes, mesmo sem nenhuma evidência de tal existência, mas já não seria verosímil, segundo tais crédulos, existir uma superexplosão primordial, com difusão evolutiva da matéria e suas interações, sem qualquer regulador inteligente, mesmo com a evidência da mesma…

    Pior: e para que serve a ideia de deus???!!!
    Que compreensões científicas, que resoluções de problemas, que previsibilidades apuraríamos com tal inócua ideia???!!! Que serventia é que
    tal ideia tem para as nossas vidas???!!!…

    As religiões são a coisa mais estúpida do mundo… e arredores!…
    … E são como os pirilampos: só brilham na escuridão!…

    • Deusão

      Eu, o criador de tudo – e de mim mesmo ( criei também o antolo, mas foi em um momento de distração, estava fazendo um “barro” primordial ) -não teria escrito melhor.
      Excelente.

    • Jorge Junqueira

      As religiões são a coisa mais estúpida do mundo… e arredores!…
      … E são como os pirilampos: só brilham na escuridão!…

      Concordo!

  • Moloch Baal

    Tudo isto é muito bonito.

    Mas deus existir ou não existir são apenas hipóteses equivalentes por indemonstráveis.

    Quanto aos truques de malabarismo semântico usados pelos dois lados, como o Ludwig afirmar que uma hipótese tem de ter valor epistémico ou pragmático para poder ser considerada é bom para entreter mas não nos diz nada.

    Uma hipótese pode não ter valor nenhum que não seja o ser verdadeira.

    Evidentemente que é possível um deus não interventor, ou até fora do nosso universo e, por isso mesmo, estar-se nas tintas para o nosso pragmatismo epistémico e existir na mesma. Ou um deus que só interviria se lhe desse na real gana, sem passar cartão ao Ludwig.
    Quanto aos livros sagrados dos crentes já concordo. Estão demasiado cheios de contradições, calinadas e patas na poça para poderem ter qualquer inspiração divina.

    • João Pedro Moura

      MOLOCH BAAL disse:

      “Mas deus existir ou não existir são apenas hipóteses equivalentes por indemonstráveis.”

      Caro Moloch Baal

      1- Estás rotundamente enganado!
      O que é indemonstrável é “deus existir” e não “não existir”!
      À pergunta: “deus existe?”, a resposta é não, pois que os crédulos, que são quem sustenta a ideia de deus, nada conseguem apresentar que escore o seu enunciado divino. É precisamente nisso que se baseiam os ateus: a falta de fundamentação de deus.

      2- Os ateus não podem olhar para o céu e deduzir, por quaisquer factos ou leis cósmicas, que deus não existe. A negação de deus, por parte dos ateus, fundamenta-se na inanidade da afirmação de deus, por parte dos crédulos, e só nisso!

      3- Pretender equivaler, como o MB faz, que as duas proposições, “deus existe” e “deus não existe”, são hipóteses equivalentes, é pretender atribuir valor a uma proposição, “deus não existe”, que só emerge na exata resposta negativa que dá à sua afirmação simétrica, “deus existe”, por esta não ter fundamento que a evidencie.

      4- A suposta hipótese, “deus existe?”, não é realmente uma hipótese, porque, uma hipótese é uma explicação plausível, a partir de factos, provisoriamente adotada para verificação metódica pela experiência.

      5- Não se conseguindo evidenciar a existência de deus, implica logo a afirmação de “inadmissibilidade de hipótese”, como resposta à pergunta: “deus existe?”.
      Decorrentemente, negar o que não existe nem faz sentido…

      6- Portanto, a pretensa categoria de pensamento filosófico, chamada ”agnosticismo”, que o Moloch Baal afirma que é a única correta, não tem fundamentação que a sustente, pois que pretende equivaler duas proposições contraditórias que, não só não são
      equivalentes, pois que a segunda nega a falta de fundamento da primeira, como nem a afirmação divina chega a ser uma hipótese.
      Está clara a demonstração?

      • Luísa G

        “olhar para o céu e deduzir, por quaisquer factos ou leis cósmicas, que deus não existe”

        É exactamente ao contrário. Se existem leis cósmicas, então está levanta da hipótese de um Criador;

        não ter fundamento que a evidencie

        Primeiro enuncia um fundamento e depois nega-o. Isso de resulta de um erro grave: “uma hipótese é uma explicação plausível…”

        Nada disso. Uma hipótese é uma formulação abstracta que pretende servir de base à construção de uma explicação inteligível. Como formulação, todas as possibilidades são admissíveis. As possibilidades só podem ser eliminadas por demonstração/teste. .

        É ilógico aceitar uma negação como hipótese, pois testar a não existência que algo que não está provado existir, é ilógico e irracional. A hipótese negativa respeita à demonstração da invalidade das propriedade de algo já demonstrado.

        “Os gambozinos não são amarelos” – é ilógico.

        • João Pedro Moura

          LUÍSA G disse:

          1- “É exactamente ao contrário. Se existem leis cósmicas, então está levanta da hipótese de um Criador;”

          Lá vai a dona Luísa ter que regressar à instrução primária do assunto, e que eu já foquei acima: se está levantada a “hipótese dum Criador”, quem criou o Criador???!!!
          Isto é: a Luísa acha que houve uma causa primordial (“deus”), para regular o cosmos, porque, supostamente, teria de haver uma causa para tudo, a começar pela primeira. Mas, então, aplicando o mesmo raciocínio lógico, e não pode haver 2 raciocínios lógicos opostos, também teria de haver uma causa para criar “deus”.
          E que entidade!… Este “deus”: criador, governador e justiceiro, omnipotente, omnipresente e omnisciente…
          … Deus, isto é, coisa de pouca monta, que facilmente apareceria por si próprio…

          Ora, qual é a teoria mais plausível: um deus, causa primeira, que ninguém consegue evidenciar, ou a teoria da superexplosão primordial e da evolução
          inorgânica e orgânica subsequente?
          Então, nós não vemos a matéria e sua evolução e não conseguimos remontar a vida e a matéria até aos primórdios???!!! Para que precisamos de “deus”, como modelo explicativo e especulativo de nada???!!! Onde é que está “deus”???!!!

          2- “Nada disso. Uma hipótese é uma formulação abstracta que pretende servir de base à construção de uma explicação inteligível. Como formulação,
          todas as possibilidades são admissíveis. As possibilidades só podem ser eliminadas por demonstração/teste. .”

          a) Uma hipótese não pode ser abstrata, senão não é uma hipótese. Ela é-o na medida em que concerne a factos que estruturam a realidade…

          Pergunta: existem veados voadores? A resposta é não, pois que além de nunca termos visto nenhum, a estrutura dum veado não comporta a faculdade de voar.

          Pergunta: existem homens de 3 metros de altura? Não! Porque o conhecimento mundial que temos das
          pessoas não evidencia tal altura nem esta se encaixa no modelo explicativo de evolução das pessoas, até ao momento.

          Portanto, nem são hipóteses, pois que a sua formulação é inadmissível. Dito doutra maneira: não tem ponta por onde se lhe pegar…

          Pergunta: existe vida no universo, fora da Terra? A resposta é: é possível. Porque, se existe um planeta com condições de vida, a Terra, também é possível haver outros planetas com condições de vida similares. Isto é que é uma hipótese científica, portanto, plausível.

          b) “As possibilidades só podem ser eliminadas por
          demonstração/teste. .”, diz a Luísa.
          E o que a leva a admitir “deus”, nem sequer
          como uma possibilidade, mas sim como uma certeza???!!! Já fez algum teste demonstrativo???!!!

          3- “É ilógico aceitar uma negação como hipótese, pois testar a não existência que algo que não está provado existir, é ilógico e irracional.”

          A minha negação não é uma hipótese. É a invalidação
          da pseudo-hipótese “deus”, formulada pelos crédulos, como a Luísa…

          • Sim

            “Lá vai a dona Luísa…”
            DONA LUÍSA??? LOL.

      • Moloch Baal

        Não está nada clara pela simples razão de que uma hipótese, como hipótese, não precisa de ser corroborada por factos.

        Uma hipótese é apenas uma possibilidade, que, depois, pode vir a ser, ou não, corroborada pelos factos.

        Quando demócrito formulou a teoria atómica quais eram os factos que a apoiavam ?

        Havia algum ciclotrão em Abdera no Séc. V ?

        • João Pedro Moura

          MOLOCH BAAL disse:

          1- “Não está nada clara pela simples razão de que uma hipótese, como hipótese, não precisa de ser corroborada por factos.
          Uma hipótese é apenas uma possibilidade, que, depois, pode vir a ser, ou não, corroborada pelos
          factos.”

          Não é assim, Moloch Baal, que se configura uma hipótese, minimamente científica.
          Uma hipótese tem de assentar em factos, a partir dos quais a mesma emerge como explicação plausível.
          Essa “possibilidade”, a que alude o Moloch Baal, tem de assentar necessariamente em factos que escorem um veredito, uma lei, um enunciado qualquer…
          Os dois enunciados, “deus existe” e “deus não existe”, sendo que o segundo é a negação do primeiro, remetem-nos, concomitantemente, para a fundamentação da existência de “deus”, pois que é o primeiro enunciado e uma suposta tentativa de explicar tal existência.
          Consequentemente, se se considera que os crédulos não conseguem evidenciar, isto é, fundamentar a
          existência de “deus”, este cai, ipso facto, o que valida, inerentemente, o enunciado “deus não existe”…

          2- “Quando demócrito formulou a teoria atómica quais eram os factos que a apoiavam ?
          Havia algum ciclotrão em Abdera no Séc. V ?”

          O que é que o atomismo de Demócrito tem a ver com o modelo atómico moderno de Niels Bohr e Rutherford e subsequentes???!!!
          “Átomo” significava, no grego clássico, partículas ínfimas e indivisíveis, que Demócrito e outros filósofos admitiam como estando na base dos objetos, sem terem a mínima noção da dimensão infinitesimal dos mesmos!
          “Átomos”, na cultura clássica, eram designações para uma noção abstrata da estrutura da matéria, pois
          que se acreditava que os objetos poderiam ser divididos, por aí adiante, e sempre se encontravam partículas mais pequenas…
          … Até, manualmente, não se poder dividir mais, mesmo que, vagamente, se pudessem conceber coisas ainda mais pequenas.
          Tudo isto era visível, mesmo na Antiguidade, e, portanto, a hipótese do infinitamente pequeno, e algo indivisível, era verosímil, por evidência e
          por postulado.
          E esta conceção vigorou, sem alteração, pois que mais nada se conseguia descobrir, sem outros meios adequados, até à primeira teoria atómica científica, de John Dalton, há 200 anos.

          Esta noção do pequeno e indivisível está bem atestada na “Crónica da Tomada de Ceuta por El-Rei D. João I”, de Gomes Eanes de Zurara, do séc. XV,
          quando disse que:”mande sobre mim alguua parte dos atomos daquella graça…”, quando se atestou o vocábulo “átomo”, pela primeira vez, na língua portuguesa, exemplificando o caráter pequeno e indivisível duma “graça” a receber e não dum
          “átomo”, como na conceção científica moderna.

          Portanto, a “teoria atómica” de Demócrito nada, absolutamente nada, tem a ver com a teoria atómica contemporânea, pois que se refere a
          conceitos diferentes.

          O conceito de “átomo”, atual, é que foi buscar a palavra grega para se designar, tal como o conceito atual de “democracia” também derivou do correspondente vocábulo grego etimológico, mas a “nossa” democracia nada tem a ver com o
          conceito grego de “democracia”…

          • Moloch Baal

            É engraçado estrem-me a “obrigar” a mim, que não sou crente, a defender o ponto de vista dos crentes – em que não acredito.

            Mas como os antolos deste mundo só o sabem fazer com falsificações de niks e “interpretações” da treta, sou obrigado a fazê-lo – apenas para não baterem mais no ceguinho.

            A – A hipótese democratiana não tem nada mas tem tudo a ver com as teorias actuais, e já agora os factos, no sentido que é um facto que a matéria visível se compõe de particulas mais pequenas. Os muitos erros que a teoria continha eram apenas erros de “principiante”.

            Mas a intuição estava certa. E era apenas isso, intuição, porque ninguém conseguia dividir a matéria para além do “manualmente” que referiste. Era pura especulação – neste caso acertada. Não havia qualquer facto concreto que provasse a Demócrito que a matéria se pudesse dividir para além do alcance do tal “manualmente”. No entanto até podia e nisso ele acertou.

            B – Se nem todas as hipóteses podem ser formuladas perfeitamente de acordo com todas as normas científicas ? Pois não. A vida humana real não é um laboratório e grande parte dela faz-se por intuições, grande parte delas erradas, outras certas. Bem vindo à história da humanidade…

            C – Uma hipótese tem de assentar em factos ?

            Também pode assentar em pura especulação intelectual quando não existem factos suficientes.

            Não é suficiente para fazer funcionar um motor ?

            Certo, mas em relação à maior parte da existência nós simplesmente não temos factos suficientes e NÓS não funcionamos se não suprirmos a ausência dos factos com especulação com a qual tentamos dar sentido ao mundo em que vivemos.

            D – E se queres um facto, bem, o facto é que o universo existe.

            Tens alguma explicação para a sua existência ?

          • João Pedro Moura

            MOLOCH BAAL perguntou:

            “E se queres um facto, bem, o facto é que o universo existe.
            Tens alguma explicação para a sua existência ?”

            Não! A explicação para a sua existência pode ser feita, retroativamente, até ao “Big Bang”…
            … O resto é “pura especulação intelectual”…

            … Portanto, para nada serve…

          • Moloch Baal

            Em minha opinião, tentar compreender o universo serve sempre para qualquer coisa. Nem que seja para satisfazer a nossa necessidade de indagação.

            Para demócrito também não podia servir para nada a sua especulação acerca dos atómos.

            Nem para Aristóteles a sua especulação acerca dos astros.

            E no entanto é a homens como eles que devemos os avanços do espirito científico, e esse tipo de especulação, pontualmente certa ou errada, com o tempo, veio a servir para muito.

            Aliás, os cientistas especulam hoje activamente, sem conseguirem provar nada, acerca do que seria o universo antes do big bang. é assim que o conhecimento evolui.

            Agora, concordo que se deva tratar uma especulação como tal e não como uma certeza absoluta.

            Mas aí vocês são tão “culpados” como os crentes – os únicos que admitem as suas limitações são os agnósticos.

    • Deusão

      A pergunta não é : deus existe ou não ?
      A pergunta certa é: para o quê serve um deus ?
      O que eu tenho certeza de que não existe e não poderia nunca existir ( ainda bem! ) é um deus antropomórfico tal como pretendido pelas 3 irmãs , a jude, a momé e a jejé

      • Moloch Baal

        Também posso perguntar para quê servem as pulgas.

        Se existir um deus, ele não é obrigado a servir-te para nada, tal como as pulgas também se estão nas tintas para as vossas necessidades epistemológicas.

        O universo não existe para nos servir.

        Agora, um deus antropomórfico também é pouco plausível.

  • Luísa G

    Há um hipótese que se sobrepõe a todas que o autor enumera: O autor é tão limitado que nem é capaz de abrir os olhos. Nem percebeu que o homem não sabe nada, que as suas explicações racionais são sempre provisórias e por isso pouco fiáveis. Não percebeu que só um estúpido ignorante, limitado e fora de tempo, pode ver a religião como uma explicação do real ou como uma forma de se proteger de fenómenos naturais.

    Nenhuma religião desenvolveu, nem usa técnicas para influenciar a natureza e coisas parecidas. as religiões são sistemas de valores e não regras técnicas.

    É estúpido afirmar que “se o Génesis falasse de partículas sub-atómicas…” Se falasse de partículas sub-atómicas, de geometria, de matemática, de biologia, não seria um livro religioso. Tal como não seria um livro ateu, nem poderia ser usado para justificar o ateísmo.

    Quando alguém fala sobre estrelas e não sabe admitir que se as estrelas fossem fruto do acaso, seria muitos biliões de acasos, todos os acasos iguais, a funcionar perfeitamente e da mesma forma.

    Se o funcionamento de toda a natureza fosse fruto do acaso, seria impossível estabelecer leis universais. Se o acaso determinasse tudo, nada seria regular e a hipótese de um fenómeno se reproduzir infinitas vezes de forma igual, além de ser tão baixa que nem deveria ser considerada, obrigava a que todo o universo tivesse iguais condições.

    A regularidade universal e a informação que a natureza encerra é, no meio cientifico real/sério, amplamente aceite e irrefutável.

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