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  • 1 de Maio, 2013
  • Por David Ferreira
  • Filosofia

Somos apenas

Somos. E questionamo-nos o porquê de sermos e o que somos apenas porque somos.

Houve um tempo em que não eramos o que somos e como tal não questionávamos. Mas já havia. O Universo já era muito antes de nós sermos o que somos, muito antes de o sabermos. Como tal, também já eramos. Porque somos parte dele. Somos uma parte do Universo. Só não o sabíamos porque não eramos como somos.

Quando não sabíamos que eramos também o Universo, uma ínfima parte da sua vastidão, inventámos explicações para o que eramos porque nos tornámos acidentalmente como somos e não o compreendemos. E fomos evoluindo. Porque, tendo reconhecido que eramos, sonhámos e inventámos. E porque para inventar tivemos necessidade de questionar. De questionar o Universo e de nos questionarmos. Só não sabíamos que eramos o Universo. Por isso imaginámos outros Universos, extrínsecos ao Universo e a nós, para explicar o que eramos, incapazes de saber o que eramos quando não eramos o que somos e como somos.

Surgimos apenas, por acaso. E julgámos que para surgir tínhamos de ser criados. Porque a ilusão de tudo o que observamos surge de algo. Só não sabíamos que eramos uma parte do Universo a questionar-se sobre si próprio e que não fomos criados, porque já eramos sem o conhecer, apenas não como somos. E agora que o sabemos, porque continuamos a não aceitar o que somos?

Somos insignificantes perante a grandeza do Universo que somos também. A única subtileza do acaso que nos torna especiais é a capacidade que temos para o reconhecer. Nós, o Universo que somos.

23 thoughts on “Somos apenas”
  • provocador

    Tanto paleio para dizer que o relógio se criou a si mesmo e que uma enciclopédia é o resultado de uma explosão numa tipografia?

  • Jorge Junqueira

    Muito bom e profundo…

  • Ferreira David

    Conversa entre dois bebés em gestação

    No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebés. Um pergunta ao outro:
    – Acreditas na vida após o nascimento?
    – Claro. Algo tem de existir após o parto. Talvez nós estejamos aqui porque
    precisamos de nos preparar para o que virá mais tarde.
    – Parvoíce! Não há vida após o nascimento. O que seria essa vida?
    – Eu não sei, mas certamente haverá mais luz. Talvez andaremos pelos nossos
    próprios pés e nos alimentaremos pela boca.
    – Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? Isso é
    ridículo! O cordão umbilical é onde nós comemos. Vou-te dizer uma coisa: a vida
    após o parto está excluída. O cordão umbilical é muito curto.
    – Bem, eu acho que deve haver alguma coisa. E talvez seja apenas um pouco
    diferente do que estamos acostumados aqui.
    – Mas ninguém nunca voltou do pós-parto. O parto é o fim da vida. E acima de
    tudo, a vida é não é mais do que uma angustiante existência na escuridão e que
    não leva a nada.
    – Bem, eu não sei exactamente como será depois do parto, mas com certeza vamosver a nossa mãe e ela vai cuidar de nós.
    – Mãe? Tu acreditas em mãe? E onde pensas que ela está?
    – Onde? Em tudo à nossa volta! É nela através dela que vivemos. Sem ela, o
    mundo inteiro não existiria.
    – Bem, eu acho que não! Eu nunca vi mãe, por isso, é lógico que não exista.
    – Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio podemos ouvi-la a cantar ou
    cantar ou senti-la a acariciar o nosso mundo. Sabes,eu acho que há uma
    vida real que nos espera e que aqui apenas estamos a preparar-nos para
    ela…

    senti-la a acariciar o nosso mundo. Sabes… Eu acho que há uma vida real que
    nos espera e que aqui apenas estamos a preparar-nos para ela…”

    • David Ferreira

      O texto é bonito, mas demasiado infantil e manipulador para além de conter em si uma série da falácias que pretendem estabelecer um termo de comparação mais baseado no desejo do que propriamente na realidade.

      Este texto fará as delicias de um obcecado criacionista. Não passa de uma enorme falácia metafórica.

      Mas a frase final resume todo o valor que contém: “Eu acho que há uma vida real.” Eu acho. Mas nem todos acham, nem todos precisam, nem todos fazem essa interpretação da realidade e nem todos sentem esse outro “mundo” a pulsar lá fora. Tudo não passa de um sonho, um desejo individual extrapolado para o desejo coletivo. Bonito, porventura, mas apenas um desejo.

      • Ferreira David

        Claro, tu deves ter sido um dos bébés que também achava que não havia vida para além da uterina. E, pelos vistos, fostes crescendo com essa errada percepção.É tudo uma questão de ponto de vista, ou de palpites.Para o teu, o parto seria o fim da vida,mas enganaste-te. Acontece.

        • David Ferreira

          Não me recordo de achar ou pensar alguma coisa quando estava no ventre.
          Não faço análises da realidade com base nas perceções.
          A comparação continua a ser demasiado infantil.

    • Amilton Cardoso da Silva

      Só faltou um deles perguntar de onde veio a mãe.

      • David Ferreira

        Não lhes convém, como é óbvio.

      • Ferreira David

        Veio do acaso, segundo os ateus.

        • David Ferreira

          Agradeço que não utilize o meu nome. Demonstra falta de nível e cobardia.

          • GriloFalante

            Já não se pode ser igual a si próprio?

          • Moloch Baal

            Mas atão não somos todos buéda bonzinhos ?

            A menos que sejam hormonas a mais que fazem o toninho roubar nicks.

            É um curioso sintoma do excesso de hormonas, vou falar nisso ao meu médico.

          • David Ferreira

            E quem lhe diz que não? Porventura um desarranjo hormonal…

          • Moloch baal

            Claro.

            Se tomar os comprimidos o toninho deixa logo de clonar niks.

          • Moloch Baal

            Mas ??

            Ó David, olha que o toninho é um porreiraço, que só pensa no bem dos outros.

            Afinal, as suas necessidades básicas estão resolvidas, pelo que, segundo a vossa teoria, torna a esmagadora maioria das pessoas uns verdadeiros bonzões, umas Florences Nigthingales de lanterna na mão à procura de oportunidades para praticar o bem,

          • David Ferreira

            Não acredito que ele seja mau. Acredito até que seja boa pessoa. Sente-se um pouco perdido por não poder provar a existência do seu Deus e isso torna-lhe a vida mais complicada.

            De qualquer modo a falta de caráter não tem nada a ver com maldade. Temos que definir muito bem o que poderemos considerar como “mal” senão corremos o risco de entrar em excessivos juízos de valor.

          • Moloch Baal

            Claro que não.

            Está provado que actos como a falsificação pura e simples com vista a ofender gratuitamente o proximo, não devem nada à maldade.

            Devem-se a side effects da constipação.

            Uma borracha de água quente era o suficiente para o toninho transformar-se no ser humano mais bondoso e leal.

    • Moloch Baal

      Pode ser.

      Ou isso ou só há mesmo outra vida e acabamos a desperdiçá-la se passarmos o tempo a sonhar com outra que não existe.

      Por isso é que sou agnóstico.

      Pela mesma razão porque não tento ensinar teorias de física-nuclear.

      Simplesmente porque não se deve falar de cátedra daquilo que não se sabe.

  • Milba

    Deve ser uma “nova” cientologia “espírita” .. só pode.. o cara confunde, mistura as bolas .. Só falta pregar:pelo modo dele ..

    • David Ferreira

      Não vá por aí que comigo não tem sorte nenhuma. Se quiser dialogar, estou à disposição.

  • Pitonisa

    Ai, rico, desculpe lá o meu atraso em comentar o seu aliás belo texto, mas tenho andado distraída a tentar espreitar a folha de Excel do Gaspar, a ver o que vem por aí. E olhe que não é nada de bom, mas eu não quero alarmar ninguém.
    Olhe, menino: parabéns pelo seu belo texto. Só lamento é que seja um tanto ou quanto discriminatório. Não no conteúdo, mas na forma. O Vidinho devia saber que este portal é ateísta, claro, mas é visto por muitos crentes que, naturalmente, se vêem em palpos de aranha para descortinar a sua mensagem. Não é para qualquer um, e muito menos por quem está devidamente formatado, a fazer lembrar aqueles CD que não se podem regravar. É certo que, actualmente, só vai aparecendo por aí um, provavelmente com a intenção de substituir o cilício: em vez de apertar o garrote, consulta o Diário. Não tem nada a ver, claro, mas dói menos. Além disso, a parca inteligência não dá para mais. Por isso é que é porca, perdão, parca.
    Olhe, rico, veja se escreve uns textos mais acessíveis, em nome da badalada “liberdade religiosa” de que o Carlinhos tanto se orgulha, de contrário está sujeito a levar com comentários idiotas do tipo bebés a falar e a raciocinar. Cá para mim, só podiam ser gémeos. Também podia tratar-se de bebés em barrigas diferentes, mas a falar ao telemóvel, que com estas modernices, não tarda que em vez de truca-truca baste fazer um download. Bons tempos, em que os bebés vinham de Paris no bico de cegonhas…
    Olhe, rico, continue a escrever, que é a única forma de dar prazer à sua

    Pitonisa.

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