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  • 22 de Fevereiro, 2013
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

A laicidade é a vacina contra as guerras religiosas

A laicidade é a vacina contra as guerras religiosas

As guerras religiosas são um flagelo devastador no dealbar deste novo milénio. A orgia de horror e crueldade deve ser contida onde quer que tenha lugar, seja qual for o credo.

A evidente fragilidade no combate aos crimes religiosos resulta da conivência entre Governos e Igrejas maioritárias. A separação é insuficiente e a laicização – único remédio eficaz – não foi ainda conseguida. O proselitismo é a expressão da vocação totalitária e o poder temporal uma obsessão clerical.

O processo de globalização em curso acirrou ódios inter-religiosos. Cada religião aspira à globalização e à exclusão da concorrência. Compreende-se assim a virulência das que se sentem mais ameaçadas. É no auge da crise que se atinge o apogeu da fé e a vertigem do martírio.

O XV Congresso do PPE, há mais de uma década, aprovou no Estoril a alusão à defesa do património cristão no projeto de Constituição da Europa. Era um erro e uma provocação às outras religiões do livro. Se a abolição de fronteiras for o objetivo, criar fronteiras religiosas é um paradoxo.

A Europa não tem de ser católica, protestante ou ortodoxa, tem de ser tolerante e humanista. No genocídio de seis milhões de judeus pelo nazismo, embora de origem secular, pesaram preconceitos cristãos.

A democracia é filha do combate à origem divina do poder. É na impossibilidade deste combate que reside a apoteose do fascismo islâmico.

A imprescindível neutralidade religiosa enjeita o relativismo moral do Estado. O laicismo recusa a pusilanimidade e combate com veemência qualquer atentado aos direitos do homem e à igualdade entre os sexos, quer sejam pregados numa sinagoga, igreja ou mesquita.

A liberdade religiosa é uma conquista civilizacional incompatível com a impunidade dos crimes que possam cometer-se à sombra de qualquer livro sagrado. Decorei o
catecismo católico terrorista que ensinava a odiar judeus, infiéis, comunistas e maçons e fiz a comunhão solene vestido de cruzado.

Deus talvez tenha sido uma ideia interessante, mas tornou-se um pesadelo.

14 thoughts on “A laicidade é a vacina contra as guerras religiosas”
  • SAM

    “A laicidade é a vacina contra as guerras religiosas”

    EXACTAMENTE!

    Sobretudo com os bons exemplos da Coreia do Norte e da China, para não falar de outros. A laicidade não provoca guerras na actualidade, a não ser, por exemplo, no movimento laicista dos países árabes.É claro que, por exemplo, os arruaceiros do Egipto não contam.

    Só a ignorância permite falar em “ódios inter-religiosos”, Trata-se de lutas de cultura e não de religiões. A religião é, juntamente com a língua, o pilar base da cultura de uma sociedade.

    Discutir com nem sequer sabe isto, além de um masoquismo inútil, é dar importância à menoridade e à ignorância que, por aqui, parece fazer parte dos valores de um certos “aculturados” e “contracivilizacionais”

    • David Ferreira

      “A religião é, juntamente com a língua, o pilar base da cultura de uma sociedade.”

      A sério? A sério mesmo? Uau… Sobre a língua já tinha ouvido falar, agora sobre a religião… Aprender até morrer…

      • SAM

        Então sabes muito pouca coisa!
        Mesmo assim não te coíbes de asneiras. Talvez sejas dos que acham que cultura de um povo é saber muito, estudar muito ou ser académico profissional.
        Se és desses, lamento desiludir-te.
        Sandra

        • David Ferreira

          A cultura de um povo é todo um conjunto de características e particularidades complexas e interligadas entre si que, devidamente assimiladas, nunca deveriam permitir a ingenuidade.

          As crenças fazem parte dessas particularidades, mas uma casa resistente às intempéries não se edifica e muito menos se fortalece ou sustenta com pilares de uma frágil e inútil imaterialidade.

          • SAM

            Essa noção de ingenuidade cultural é tão atípica como ultrapassada. Não são as crenças mas as religiões e a religiosidade. A crença é particular, enquanto as religiões são “património” colectivo (por isso é correcto dizer-se: “os países islâmicos”, ou “Portugal é um país católico”).

            Creio bem que está a confundir “saber” com “inteligência”. Mas, não faz mal, Ficamos assim: mesmo que discutíssemos horas a fio nunca chegaríamos a um consenso sobre as noções de cultura, saber, inteligência prática, capacidade racional, etc, etc.

          • David Ferreira

            Não, não chegariamos.
            Quando me estava a referir a ingenuidade, estava-me a referir a si.
            As religiões e a religiosidade só são possíveis por causa das crenças, muitas vezes de origens diferentes, como as pagãs, mas que se fundem com o passar dos anos.
            Portugal é um País de tradição católica. Não é um País católico.
            Quer-me parecer que você é que se está a confundir um pouco.

          • SAM

            Pois eu não chamaria ingenuidade à agnosia que demonstras. Acho inacreditável o facto de tu estares convencido que és uma inteligência fora de série, a ponto de discutires assuntos que não dominas, sobre os quais fazes afirmações absurdas.

            Repara que “Portugal é um país de tradição católica”, “de tradição republicana”, “de tradição democrática” e de muitas outras tradições.

            Nem quero imaginar como nascem as tradições, se as religiões se fundem com o passar dos anos, sabendo nós que as religiões coesistem, opõem-se, enfrentam-se mas sobrevivem. .
            A aculturação por fusão de factos culturais é uma teoria pós-moderna.

          • David Ferreira

            Agnosia? Isso é para rir ou para gargalhar?

            Eu, por outro lado, acho inacreditável que você esteja convencida que eu estou convencido de ser uma inteligência fora de série. Não estou a ver de onde retirou essa conclusão.

            Quanto às tradições, errou mais uma vez. De todas as proposições que apresentou, apenas a tradição católica é a única que acompanhou a história do país nos seus quase mil anos de história. E o republicanismo ou a democracia são tudo menos tradições, antes regimes ou ideologias. Mais uma vez parece andar um pouco confusa.

            As religiões sobrevivem porque fazem parte de um imaginário sociocultural que é absorvido por doutrinação. As religiões fundem-se na cultura porque são impostas aos cidadãos desde o berço. Obviamente que esses aspetos se vão alterando aos poucos. O resultado disso é a realidade católica a que se assiste no dia a dia. Igrejas vazias, 80% de católicos cuja larga maioria é não praticante e que apenas afirma ser católico de uma forma inconsciente proveniente da endoculturação. Se tivermos em conta, porque é um aspeto importante e muitas vezes ignorado conscientemente, que a grande maioria dos católicos praticantes são pessoas com pobre formação intelectual ou pessoas com boa formação intelectual mas provenientes de famílias extremamente “tradicionalistas”, verificamos que, no dia a dia, essa proposição de um país católico não se aplica de todo. Se fossemos uma teocracia, porventura faria sentido.

            Mais…As religiões sobrevivem, mas também morrem, temos o exemplo de todas as religiões que antecederam as religiões abraâmicas no mundo ocidental. O cristianismo chegou a este recanto à beira-mas plantado por intermédio do desenrolar do curso da história. Se essa mesma história tivesse sofrido diferentes reviravoltas, você estaria aqui a defender o islamismo ou outra crença qualquer. Só esse aspeto fundamental de discernimento tão simples já deveria ser suficiente para destruir por completo a pretensão de veracidade que o cristianismo propaga.

          • SAM

            As afirmações de betão pré-esforçado são um problema. Pergunto-me se sabe o que seja isso de “tradição”.

            Uma grande parte das tradições que hoje temos contam menos de um século de idade.

            O republicamisno e a democracia não são regimes nem ideologias, mas sim caracteristicas que os regimes e as ideologias podem, ou não, ter. Um regime pode ser, ou não ser democrático, ser ou não republicano, mas continua a ser um regime, ou uma ideologia. Aliás, os regimes democráticos podem evoluir para anti-democraticos e as repúblicas são sistemas politicos que mais facilmente degeneram, em termos de regime e ideologia.

            Curiosamente, a democracia, hoje é apenas uma tradição oral e não uma tradição objectiva, na prática e no uso.

            As religiões não “fazem parte de um imaginário sociocultural”. Fazem parte da prática objectiva, real e quotidiana de todas as sociedades. Nada é “é absorvido por doutrinação”. A doutrinação implica imposição. É uma forma de opressão que, nos tempos modernos, foi muito utilizada nos regimes totalitários. O exemplo mais rigido vem-nos dos regimes ateus -veja-se o caso da Albânia ou a “reeducação” dos católicos, na ex-URSS.

            As religiões assentam em valores que se reproduzem na lei, na vivência, na ordenação social, na prática quotidiana. Não são impostas mas apreendidas como elementos inerentes à própria sociedade.

            É completamente absurda a ideia de que as religiões se reduzem uma prática de rituais. O cristianismo vive e pratica-se nos valores. Evidentemente que é exactamente o contrário do que afirma: a ignorância, a falta de formação, a fraquíssima socialização e a baixa educação civica levam a que as pessoas sejam facilmente desligadas da sua cultura e dos valores básicos. Os ignorantes são facilmente transformados em mercenários anti-cultura. Uma pessoa pessoa bem-formada não renega a sua cultura mas tenta melhorá-la.

            O que é um ser humano que apoia o aborto, senão um ignorante, um demente e uma pessoa sem civilização nem cultura? Que adjectivo pode ser atribuido a quem protege mais um lince do que um ser humano?

            Ora são estes ignorantes (que nem são cristãos nem de outra religião, nem são crentes nem ateus, mas são simplesmente ignorantes) que enchem essa estatistica de “católico de uma forma inconsciente”. Na nossa cultura, os católicos são pessoas com uma personalidade muito mais vincada e uma cultura muito mais sólida do que os que não sabem muito bem o que são.

          • David Ferreira

            Aconselho-a seriamente a meter mais tabaco no produto que anda a fumar.
            O mundo em que a sua mente perturbada ainda habita deixou de existir à muitos séculos.
            Argumentar com pessoas como você é uma pura perda de tempo.

    • Shannon

      Mas !!!!???? …. Será o benedito? Surtou? Você poderia dizer que religião é o POSTE que arrebenta a Sociedade, e aí sim, estaria falando a língua direito. Agora, pra só pra nós aqui: Tava internado, ONDE? vEJA o caso dos evangélicos fingidinhos; entram na igreja sujos e tomam banho em esgôto podre, e saem espalhando nojeira e perfídia com as carinhas mais pútridas desse mundo. Vejam agora o caso do hospital lá no Brasil. Você levava seu filho, seu pai, sua mulher, lá e a tropinha de SAFADOS fazia a “encomenda” deles pro céu. UMA CASA DE EXTERMÍNIO EVANGÉLICA. Eles se metem na vida de todo mundo, futricam tudo, só nos antrinhos sujos e porcos deles é que não vêem uma palhinha; qualquer coisa correm igual sarna no saco dos pastrófilos ladrões.

      Na Zona Oeste do Rio de Janeiro, há muito tempo funciona mais hospitais de “respeito” dos batistas e dos assembleianos (principalmente estes), que o povo apelidou de “fazedora de anjos”; porque quando as mulheres não queriam fazer cezariana FORÇADA (uma geração inteira na década de 90 nasceu assim por lá), eles faziam a “passagem” da criança e de quebra ainda davam também o “passe” pra mãe.

      Crente evangélico no Rio de Janeiro é igual ao Canal de Esgoto do Recreio ali perto do Terreirão. Se têm idéia do que é isto, imaginem o Tietê em São Paulo e multipliquem pela quantidade de dízimo que eles pagam.

  • Sírio

    Bashar al-Assad, presidente do partido secularista Baath, também é um exemplo vivo de como a laicidade é a vacina contra as guerrras religiosas. Os sírios é que estão a ser massacrados e mortos. Viva a laicidade!

    • Shannon

      Procure ver se o que tá LÁ não é o resquício do “controle de deus” pela cartilhazinha do Bush, que fez o pulhismo-nazi-petista-evangéllco no Brasil, que disfarçando-se de “democracia”, não passa de um regime ditatorial com cacoete de monarquia latifundiária. Ninguém é trouxa de não ver que o casalzinho “corado de sol” lá dos EUA só cozinham o legado que também aferrolhou os venezuelanos, os argentinos, e meteu a Europa TODA cheia de dívidas.
      Se quer saber, porque não dá uma olhadinha na comparação que o PULHISMO-TEO-PETISTA (que engana até ateus e homssexuais) tá fazendo entre a cubana blogueira que denuncia o calhorda do Castro e um tal de battisti, TERRORISTA AFAGADO PELO LULARÁPIO (que os nazi-cupinchas-da-corrupção estão querendo enfeitar a Câmara dos Deputados com a lacaiada toda junto com os BANDIDOS CONDENADOS pelo STF quotizado)?
      Tem noção de quantos assassinatos são feitos no Brasil por dia?
      Tem noção de quantos garotos e garotas morrem só por darem um pio na escola?
      Tem noção de que o Brasil TÁ TODO NA MÃO DE EVANGÉLICOS, DE MÁFIA DE PASTUTOS EVANGÉLICOS impondo um desespero civil completamente igual ao do Talibã?

  • SAM

    Qual a formação (e o grau de inteligência) de quem faz uma afirmação destas:
    “No genocídio de seis milhões de judeus pelo nazismo, embora de origem secular, pesaram preconceitos cristãos.”?

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