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  • 1 de Fevereiro, 2013
  • Por David Ferreira
  • Ateísmo

A LUZ DOS ESPELHOS QUE SOMOS

Somos apenas um fiapo da sombra que se reflete e repete no espelho imaterial em que nos observamos, um espectro difuso que nos observa com o nosso olhar à espera das respostas que não conseguimos dar.

É nesse painel inconsistente que nos reproduzimos e projetamos, com receio de anoitecer. Tecemos do ventre do medo o desejo de sermos um eco do Eu a regressar-nos sempre igual, a garantir-nos plausibilidade e certificação.

Fomos gerados na noite dos tempos imemoriais e inventámo-nos os espelhos necessários e possíveis, que alumiámos para nos podermos contemplar, não apenas para sermos, mas para sermos mais do que nós. É dessa irracionalidade intangível em constantes espasmos evolutivos, que nos recriámos em deuses, sem saber que nos mentíamos ao adornarmo-nos da certeza de sermos mais e maiores do que a nossa essência primordial.

É essa embotada réstia de Sol que sonhámos que continua a alimentar os espelhos, agora desnudos, dos que necessitam de crer para ver, assim reciclando e perpetuando a ilusão da luminosidade refletida pela ilusão de si mesmos.

20 thoughts on “A LUZ DOS ESPELHOS QUE SOMOS”
  • Daniel

    A ideia de Deus pode ser uma bela construção humana, independentemente de Deus existir ou não. Se os homens pensaram os deuses e Deus, tantas vezes de uma forma terrífica, também podem ser capazes de pensar em Deus como ideário de Beleza e Bondade.Enquanto esta hipótese, teoricamente possível, for susceptível de ser plausivelmente elaborada, certamente que os homens também serão capazes de criar Deus à semelhança do que de mais belo encontrarem dentro de si próprios. Esta é uma ideia de Deus porventura quimérica, mas não necessariamente inalcançável. Os homens já foram suficientemente talentosos para criarem Arte e Poesia. Por que não haveriam de conseguirem criar a mais bela e poética ideia de Deus ? A Arte e a Poesia são irracionais ? Para que servem senão para elevarem a condição humana a um patamar mais intelectualmente evoluído e sensível ? E quando, na vertigem do quotidiano, tantos homens e mulheres estiverem sós, desesperançados e abandonados, por que não hão-de pensar, ainda que ilusoriamente, na mais poética concepção de Deus que souberem evocar ? Há noites bem gélidas em muitos seres. E quando o humano não nos toca, a aspiração de Deus torna-se no mais lúcido e racional acto que um homem possa imaginar.

    • David Ferreira

      O ideário de beleza e bondade é sempre relativo, assim como a sua definição e interpretação.

      Para que precisamos de deuses? A beleza está em nós. Apenas temos que acreditar em nós.

      Como quimera ou forma de arte, Deus ou a sua ideia é intendível. Mas é apenas uma ideia e não passa disso.

      A evolução intelectual e a sensibilidade não necessitam de surrealidades. Necessitam de terreno firme. Sem escorregar, o intelecto consegue gerir e conduzir melhor as sensibilidades.

      O desespero a que se refere é sinónimo da falha dos sistemas sociais que criámos. Um placebo concepcional até pode amparar as lágrimas, mas não evita que elas se derramem e muito menos consegue remendar permanente e convenientemente os buracos que originam esses derrames.
      Há noites bem gélidas concerteza, mas quando pensamos que mais nada nos resta, quando se nos extingue a lenha na fogueira, temos sempre o nosso próprio ar-condicionado. É só descobrir onde se encontram os interruptores.

      • Daniel

        “O ideário de beleza e bondade é sempre relativo, assim como a sua definição e interpretação”. La Palisse não diria melhor.

        “Para que precisamos de deuses? A beleza está em nós. Apenas temos que acreditar em nós”

        Vá dizer isso a muita gente solitária, desesperançada, vergada ao peso das injustiças humanas e ao abandono dos seus familiares. Vá dizer àqueles seres humanos que foram chutados para os lugares de depósito de seres humanos, pomposamente intitulados ” lares de terceira idade”. Vá lá, apronte esse discurso fácil e diga-lhes que estão completamente sós. Você tem muita letra, muito discurso gongórico, mas talvez escassa noção da crua realidade do mundo.

        “Como quimera ou forma de arte, Deus ou a sua ideia é intendível. Mas é apenas uma ideia e não passa disso”

        Deus é entendível de todas as formas que as pessoas quiserem. E se é ou não apenas uma ideia depende de se ser crente ou ateu.

        “O desespero a que se refere é sinónimo da falha dos sistemas sociais que criámos. Um placebo concepcional até pode amparar as lágrimas, mas não evita que elas se derramem e muito menos consegue remendar permanente e convenientemente os buracos que originam esses derrames”

        Os sistemas sociais não são entidades ontologicamente reificadas. Tudo o que é social é politicamente condicionado. E a política é determinada por todos nós. Se você vir um desgraçado com fome, vai dizer-lhe o quê ? Abre a sua cartilha e vai ensinar-lhe Sociologia dos marginalizados ?

        Um placebo concepcional aguenta muita gente no meio do deserto existencial. Há muitos seres humanos que resistiram às maiores adversidades por causa dos ” placebos concepcionais” chamados Fé ou Esperança.

        Quanto aos buracos que originaram as lágrimas derramadas, é evidente que, se você der algumas marretadas em alguém, não vai evitar-lhe as dores, é verdade. Aqui, La Palisse também ficaria ao seu nível. Mas há múltiplas formas de resistência às dores. Aqui novamente a Fé, a Esperança e a crença na Eternidade.

        Experimente ir a um hospital, onde existam muitos moribundos, e retire-lhes a única forma de resistência ao desespero, que é, tantas vezes, a crença de que as suas almas subsistirão às mortes corporais. Depois, volte-se para os seus familiares e diga-lhes secamente que nunca mais voltarão a reencontrar-se com os seus familiares, entretanto falecidos.

        Vá, pegue nos seus pezinhos e vá transmitir a um moribundo o seu insensível discurso ateísta.

        Depois apareça por cá a contar-nos o resultado da sua filiação ideológica.

        • David Ferreira

          Meu caro Daniel, você às vezes cansa…

          O meu discurso ateísta apenas lhe parece insensível porque não o consegue compreender e muito menos aceitar.

          As questões que aqui coloca merecem-me, obviamente, reparo. Dedicarei o meu próximo post, ou reflexão, ou discurso ateísta, ou o que lhe quiser chamar a este assunto numa próxima oportunidade.

          Mas antes, deixe-me que lhe diga uma coisa.

          • David Ferreira

            Você não me conhece, obviamente, por isso não me afeta o seu juízo. Mas digo-lhe que, em matéria de sofrimento humano, a experiência que possuo o deixaria boquiaberto. Sei bem o que é sofrer e sei bem o que é ver sofrer. O sofrimento tem acompanhado a espaços toda a minha vida. Por questões profissionais, já corri o mundo, continente a continente. Já vi a miséria no seu mais puro estado. Já presenciei e vivi o resultado da perfídia humana como você, porventura, nunca a há-de apreender. E já dei, abnegadamente, o contributo possível e desinteressado que a minha alma fria de ateísta permitiu. A diferença residirá no facto de eu nunca ter vendido a minha filosofia ateista em troco dessas dádivas.

            La Palisse é uma capa que lhe assenta bem de vez em quando, quando se perde demasiado no mundo abstracto da crença.

            Se você acha que a crença é a única salvação possível para a humanidade, desengane-se. Veja o resultado. Muitos dos países mais miseráveis são geridos pela crença. O seu Deus, se alguma vez existiu, ou se existe sequer, esqueceu-se de nós. É connosco que temos que contar. Quanto mais forte eu me tornar, mais força tenho para ajudar e contribuir para a humanidade.

            A sua caridade quase que me soa a hipocrisia. Como muita dela, aliás. Você alimenta-se nos espelhos de que falei e não consegue ver mais além.

            Espelho meu, espelho meu, haverá alguèm mais bondoso do que eu?

            Eu não construo a minha realidade à base de mentiras, por muito benevolentes que elas possam ser. A vida constitui-se de verdades, de realidades duras. É com elas que temos que lidar e são elas que temos que aprender a aceitar. E sim, por vezes temos que mentir, mas isso não pode ser a regra.

            Se todos fossemos ensinados a aprender a lidar com as verdades desde o berço, não precisariamos de levar mentiras para o féretro.

            Pense nisto.

          • Daniel

            Hipócrita é o seu discurso bafiento. Você até pode ter estado em contacto com o sofrimento humano, mas o seu discurso é de uma insensibilidade ateísta grotesca. Aliás, isso fica bem definido quando você usa a palavra ” caridade” para tentar estigmatizar uma genuína solidariedade social ,de ordem particular, quando o Estado não é capaz de assegurar a todos os cidadãos as mais elementares condições de dignidade social. Você inverte farisaicamente o sentido do correcto discurso, catalogando de ” caridade” aquilo que pode ser a genuína compaixão pelo sofrimento alheio. Todo o seu discurso bolorento aponta no sentido de que, perante um desgraçado com fome, você vai coibir-se de lhe pagar uma refeição, com o receio de que alguém o veja a fazer ” caridade”. Aliás, há muitos que assim procedem. Criticam sistematicamente todos aqueles que, de forma abnegada, voluntária, e desinteressada, ajudam outras pessoas carenciadas, mas ir ao bolso buscar algumas notas para pagar, ao menos, uma refeição a quem dela necessita, “está quieto que isso faz diminuir a minha conta bancária”, o Estado que suporte exclusivamente o ónus da miséria social, que, para muitos anti -” caridade”, isso fá-los atrasar para o quentinho das suas pantufas. Essa é a lógica pervertida de alguns da sua linhagem ideológica, sejam eles crentes ou ateus.

          • David Ferreira

            Como disse, você não me conhece, e está apenas a debitar conjeturas infundamentadas. Mas, bom, toda a sua vida parece resumir-se a singrar obcecadamente num mar de conjeturas infundamentadas…
            Eu não critico a caridade. Se algo eu tivesse que criticar seria a necessidade da institucionalização e da profissionalização da caridade. Isso eu já não posso aceitar de bom grado.
            Num lugar distante, completamente devastado por uma guerra civil, uma velha senhora aparecia diariamente à porta de entrada do local onde habitavam aqueles que puseram termo à feroz contenda, vendendo umas rudes e cruas meias de lã pura de ovelha.
            A velha senhora tinha perdido toda a família e não tinha meios de subsistência, nem rendimentos do estado, então inexistente. A troco de uns míseros tostões, a velha senhora assentava praça diariamente naquele local procurando vender o produto do seu trabalho. Os dias foram passando e aqueles que ajudavam o país a levantar-se foram ficando com as gavetas cheias de meias. Uns foram-se fartando de comprar meias. Outros nunca as compraram, mas não faltavam às pias cerimónias dominicais. Outros ainda continuaram a comprar meias, até ao fim da sua missão, inventando locais para as guardar, ou deitando-as no lixo às escondidas.
            A memória dessa velha senhora, assim como de outras velhas senhoras, nunca me abandonará. As rugas que os seus olhos iluminavam de tristeza nunca deixarão de correr no meu sangue.
            Por isso lhe digo, as suas observações despropositadas e infantilizadas pela crendice mais parola, não me afetam, uma vez que compreendo e aceito a circunstância de não me conhecer. Se não, acredite que ficaria sinceramente ofendido, e lhe diria exatamente aquilo que você está a merecer ouvir. Mas não vale a pena. A cruz que você carrega já é um fardo suficiente.
            A bondade é sempre genuína e gratuita. Acontece naturalmente. A caridade institucionalizada é somente uma amostra barata de narcisismo encapotado.

          • Milba

            A “bondade” dos crentes fede a veneno. Quantas vezes já escutamos da bôca de crentes fervorosos: “Não temos amigos, nosso amigo é ‘jesus’? E aí os vemos dar um cachorro pro filho ou filha e ralhar com os filhos e adular o cachorro, quando não dão um pros pais e desaparecem. Cabe-lhes bondosamente ver seus pais catando cocô de cachorro, e chamando o cachorro de filho. Deturpação pra todo lado, e gente falida; as crenças ‘trabalham’ bem a cabeça das pessoas, e elas se tornam insensíveis mas com ares de ‘bondosos’.

          • Daniel

            Eu não o conheço, mas conheço o que você escreve. E é a partir do que vai escrevendo que, em certa medida, vou conhecendo o seu pensamento e o seu carácter. Quanto ao débito de conjecturas infundadas, você faz as suas e eu faço as minhas. Democraticamente falando, ambos temos direito às nossa conjecturas e às nossa refutações.

            Você agora diz que não critica a caridade, mas, num dos seus anteriores comentários, não se coibiu de afirmar que “a sua caridade quase que me soa a hipocrisia”

            Porém, em debate comigo, vai ter que perder a mania que se pode permitir tecer todos os juízos valorativos e depreciativos, que lhe aprouver, sem levar a resposta merecida.

            A memória dessa senhora, que você evoca, associada a todas as tragédias da desumanidade fazem-nos ver que não é Deus o responsável pela sua ocorrência: é a perfídia humana.

            Você também é um saloio, que reduz o conceito de Deus àquela miserável concepção do AT, que aprendeu na catequese, mas deve pensar que consegue polir a sua saloiice intelectual com umas tiradas gongóricas e uma dialéctica pedante e rebuscada.

            Mas, no fundo do seu espelho, com mais ou menos verniz, mais ou menos polimento, o que você encontra é vazio. Muita letra mas pouca consistência. Uma série de lugares comuns, ataviados num estilo de escrita arrevesada, mas desprovida de genuína luminosidade interior. Aquilo que, em bom português corrente, se pode qualificar de um autêntico fiasco.

          • deus

            E ai, antolo ?
            Não se cansa de dizer que já rasgou o at ?
            E quando teremos a festa da fogueira do nt ? O nt é aquela parte dedicada ao palerma do jesus, o rei dos reis palermas.
            Eu havia dito que há um simbiose entre os palermas; retrato-me: o que há é uma espécie de comensalismo, semelhante a que há entre o cão de duas cabeças – uma come o que a outra vomita.
            Os crentes vomitam, a icar come. A icar vomita, você come.

          • David Ferreira

            Responder-lhe-ei convenientemente numa próxima oportunidade. E não espere do meu discurso gongórico um autêntico fiasco, mas sim uma trovoada de saloísmo ateu.

          • Huni

            Você é pernicioso e deturpador, aliás um sofista de meia-tijela, já houve alguns outros por aqui muito mais articulados como enganadores e pregadores de bazófias peçonhentas. Com o dinheiro que as crenas ROUBAM das pessoas, ter-se-ía bem menos gente falida encostada em lugares lastimáveis (e sabemos muito bem como esses lugares são usados como propaganda da “bondade” dos mandantes de crenças e de seus ninhos de enganações..

          • Daniel

            O meu discurso cansa ? E eu ralado.

  • Lindinha

    Tem a mais ligeira ilusão de que um crente leria isso, ou entenderia uma linha disso? Como disse o Pensador Haddammann: “Estamos num ponto crítico de transição da evolução” .. “e nesse ponto, o pé não desmorona abruptamente o que deixa, ao pisar adiante”. Mas fato é também que, em algum instante, a ruptura é inexorável.
    E a ilusão de “deus” se desvanece, conquanto os silacros presos nela se desesperem.
    O Sublime não depende de “deus”, porque a beleza não é irracional, ela é abrangentemente comportante das expressões conceituais, e a Arte comportante das versões concepto-evolutivas.

    • Shere W.

      E …. a ilusão de “deus” é um extremo da vaidade que massacra uma civilização, conquanto a falta completa de vaidade não produz bojo civil. Mas a sublimidade conceitual permeia os eventos, e como os faltos de mentalidade conscientes não se ateem no que não há interesse, a beleza (se lhes escapa) não se expõe às vistas dos interesseiros. A Justiça na Natureza atua onde há excreções que se avolumam como poluição, e desfaz a exacerbação da soberba como também descarta a indolência interesseira fútil.
      Assim, qualquer crença, como qualquer e toda ilusão de “deus” se esfarela tanto no psicológico do ser como no imaginário de uma Civilização que avança.

  • Carlos Esperança

    Que belo texto! Parabéns.

  • Huni

    A “beleza” que te joga no chão e te engana para te “prostrar”, é falsa; é camuflada e coerciva. Essa “beleza” é apelativa e te força a uma “adoração” (com o fito de te escravizar). É pregadora e ostentadora da “morte”, que te ludibria e transtorna a sublime simplicidade da Natureza, e forja “deus”. E se te descuidares, será como mariposa sófrega por uma ofuscação artificial, que te mata, ou pode conduzir-te ao estado de serviçal reles (embora enganosamente te dê apelidos pomposos como “ministros e ministras” por exemplo) e vai usar-te até ao mais insignificante desprezo por sua vida, senão cravar-te, marcado, na cadeia alimentar vitimado pelo mais cruel e horrendo parasitismo; o das crenças.

  • Milba

    Alguém sabe o que é um SILACRO? Um silacro fica ereto, tão esticado como uma cobra a tentar pegar uma maçã que pende num galho. Esse bicho não tem dois pés, nem se pode dizer que tem um pé; e desliza veloz rente à terra. Oque pra nós seria “pavoroso” é que um silacro tem o que seria “ombros” pequenos dos quais direto saem mãos; mas o mais esquisito nisso é que como uma trave cruzada no único estiramento que tem como corpo, essa trave ombro-mãos sai praticamente perto da mandíbula, e às vezes serve para parecer uma bocarra aberta ainda quando sua bôca está fechada. Essa espécie tem a cabeça um pouco grande parecida com a ponta de uma chave-de-fenda. Esse bicho demais inteligente, camuflável, e tem cisma que é superior a nós, por termos como ancestrais os primatas, bípedes, mamíferos. Esse esquisito ser também se embrenhou em cavernas em uma época, e seus olhos foram alterados por radiação antes de se esconderem nas cavernas e se esgueirarem pra perto de nós quando procuramos as cavernas como abrigo e não pela radiação que já havia se dissipado. Nesse período esses seres enganavam as fêmeas dos bípedes humanóides se passando à noite como filhos delas, às escondidas; e, como os cachorros, adulavam e ganhavam comida e às vezes lhes roubavam as crias. Quando nós dominamos o fogo, esse bicho aprendeu a se camuflar usando a penumbra das chamas, e começou a “aparecer” para os homens como “tomadores de conta” do fogo. Nesse ‘cargo’ auto-empossado notou o mêdo humano. E daí forjou a pantomima divina. E criou o parasitismo em formato de crença. E nós temos sido escravos disso até hoje. Teríamos pena dos crentes se um dia vissem os silacros que eles “adoram”.

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