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O debate no Diário de Notícias.

O debate sobre a Opus Dei* foi sereno e o moderador, o João Céu e Silva, deixou a todos tempo para exporem as suas posições. O resultado, pareceu-me dali, foi bastante agradável e aproveito para agradecer ao DN o convite e a organização do evento. Apesar de já ter participado em vários encontros deste género, desta vez, talvez pela calma com que todos puderam falar, senti muito mais as restrições que moldam o discurso dos crentes. Num debate não se pode dizer tudo, por limitações de tempo. Aqui no blog posso abordar mais detalhes e fazer afirmações mais polémicas porque sei que posso sempre voltar ao tema as vezes que precisar para esclarecer, argumentar e responder a quaisquer objecções. Num debate, por muito sereno que seja, a necessidade de expor uma posição em poucos minutos exige que se foque o essencial. Mas, à parte disso, não tive necessidade de ofuscar significados nem martelar argumentos.

Por exemplo, um dos pontos mais importantes que defendi foi o da incompatibilidade entre a liberdade de crença e organizações autoritárias como a Igreja Católica e a Opus Dei. Ironicamente, a maior ameaça à liberdade religiosa é a forma como as religiões se organizam: de cima para baixo e dos dogmas para as pessoas. Para respeitar a liberdade de crença as religiões deviam organizar-se ao contrário, como qualquer associação de voluntários, regendo-se por princípios democráticas, substituindo o dogma por discussão aberta, alheando-se da vida privada dos seus membros e abstendo-se de qualquer coação, real ou imaginária. O objectivo principal do ateísmo não é acabar com a fé mas, no fundo, promover a liberdade de crença subordinando as organizações religiosas aos princípios de respeito pelos direitos individuais que fundamentam a nossa sociedade. A Opus Dei ainda tem muito que mudar nesse sentido. Naturalmente, no debate não pude detalhar muito estes pontos nem elaborar a argumentação, mas pude afirmar tudo da forma mais clara que consegui porque é precisamente isto que penso e porque é esta a conclusão natural a que chego partindo do que sei. Os restantes convidados, pareceu-me, não tinham esta sorte.

Um exemplo saliente foi a forma como o Pedro Gil, director do gabinete de imprensa da Opus Dei, explicou a lista de livros proibidos (1) que a organização mantém. Todo o seu discurso foi sobre semântica, insistindo que não era uma proibição mas uma recomendação. À parte de não se perceber a diferença entre proibir e recomendar numa organização adepta de penitências e tão exigente na obediência, fugiu do problema fundamental. O problema principal de “recomendarem” aos membros da Opus Dei que evitem ler ideias contrárias aos valores da organização é a tacanhez e a desonestidade intelectual de isolar as pessoas de opiniões diferentes. Mas isto o Pedro Gil nem podia mencionar.

Até o Anselmo Borges, de longe o mais liberal dos intervenientes católicos, foi forçado a um argumento tortuoso só para dizer que Deus é fundamental para todos, quer acreditem quer não. Afirmou que, quer responda pela positiva quer responda pela negativa, qualquer pessoa tem uma «pergunta constitutiva por Deus» e que é daí que deriva toda a dignidade humana e todos os direitos humanos. Nem ficou claro como se deriva dignidade ou direitos disso nem se alguém deixa de ser digno se não se importar com tal pergunta. Perguntar por Deus não parece ser eticamente relevante sequer. Sentir, desejar, pensar, estar consciente da si e agir por motivação própria são atributos muito mais importantes do que qualquer interrogação teológica. No entanto, sendo católico, o Anselmo Borges não podia senão dar ao seu deus um papel de suma importância, nem que para isso tivesse de torcer e retorcer o seu raciocínio.

Para mim, a “pergunta por Deus” não tem importância nenhuma porque esse deus não faz nada. Mais importante seria perguntar por Zeus ou Osíris, que ao menos se alegava fazerem alguma coisa. Mas se esses já são pouco relevantes, o deus católico é uma mera hipótese teológica inconsequente, tão transcendente e omnicoisas que acaba por não fazer mais que esporádicas intervenções de milagrice dúbia. O que tem importância para mim é a virulência e prevalência destas crenças, bem como outras superstições e fontes de obscurantismo. Como aquele de quem põe livros na lista negra só por contrariarem os seus preconceitos. Mesmo esta pergunta, não por deus mas por que raio há tanta gente a acreditar nisso, não é constitutiva de nada. É circunstancial. Muita gente acredita em disparates. É chato, preocupante, mas podia bem não ser assim.

O grande problema dos raciocínios religiosos é que, tal como as religiões, funcionam ao contrário. Assumem a conclusão e depois têm de martelar premissas e inferências para forçar o resultado que querem. Aos mais fundamentalistas isto faz pouca diferença. Quem acredita que o universo foi criado em seis dias de abracadabra não se incomoda com detalhes destes. Mas, neste debate, fiquei com a sensação que quando pessoas cultas e inteligentes tem de defender proposições obviamente infundadas, ou mesmo contrárias à sensatez, é inevitável que o desconforto transpareça no discurso. Mas talvez seja apenas outra forma de mortificação. Talvez os dogmas lhes sirvam como um cilício espetado na mente em vez de na coxa.

No Diário de Notícias podem ler um resumo e ver a gravação integral do debate: Caminho do Opus Dei deve ser a transparência

* No feminino porque me refiro à Prelatura da Santa Cruz e do Opus Dei. Se me referisse ao opus de algum deus, então o género correcto seria o masculino, mas o que as evidências indicam é que esta obra é inteiramente humana e não divina.

1- DN, ‘Index’ proíbe 79 livros de autores portugueses

Em simultâneo no Que Treta!

20 thoughts on “O debate no Diário de Notícias.”
  • Carlos Esperança

    O importante debate deve à participação da AAP e do padre Anselmo Borges um enriquecimento que o impediu de se tornar uma ação de propaganda da seita «Opus Dei».

  • supranumerário

    “O debate sobre a Opus Dei*

    *No feminino porque me refiro à Prelatura da Santa Cruz e do Opus Dei. Se me referisse ao opus de algum deus, então o género correcto seria o masculino, mas o que as evidências indicam é que esta obra é inteiramente humana e não divina.”

    Errar é humano, insistir no erro já é cabotinismo

    Se Ludwig Krippahl se quer referir à prelatura do Opus Dei, então, se pretender escrever na forma ortograficamente correcta, terá que, das duas uma, dizer:

    a) O debate sobre o Opus Dei,

    ou

    b) O debate sobre a prelatura do Opus Dei.

    O que não deve é continuar a tentar justificar o seu erro com argumentação notoriamente inválida e saloia.

    • Grunho

      Tanto importa que opus dei seja macho como que seja fêmea.

      Acaba por ir dar na mesma merda.

  • David Ferreira

    Opus Dei: forma gramaticalmente correta de classificar o fanatismo humanamente incorreto.

  • Ludwig

    Supranumerário,

    Se eu tiver uma cadela chamada Opus Dei irei referir-me a ela como a Opus Dei e não o Opus Dei porque é a cadela de nome Opus Dei e não o opus em si. Tal como me posso referir ao Odivelas Basket Clube como o Odivelas e não a Odivelas ou as Odivelas. Se me refiro à empresa de nome Jerónimo Martins digo a Jerónimo Martins e não o Jerónimo Martins, que será só correcto se me referir ao Jerónimo em si.

    Talvez por algum milagre da gramática o deus pai todo poderoso tenha aberto uma excepção para o caso da Opus Dei. Mas até ter evidências do milagre gramatical, prefiro ser consistente com a regra de adequar o género do artigo ao género da entidade que refiro. Assim, se referir o opus de alguém direi o opus, e se referir uma prelatura, cadela, associação, sala ou cadeira de nome Opus Dei direi a Opus Dei.

    Se isto é um erro gostava de uma explicação em vez de uma mera acusação de que estou enganado. É que eu consigo justificar a regra que uso.

    • supranumerário

      Ludwig,

      Claro que você pode explicitar, na linguagem corrente, que está a referir-se à prelatura Opus Dei, identificando-a por ” a Opus Dei”, até posso admitir que você tem razão nesse aspecto. O grande problema é que as pessoas não são bruxas para adivinharem se você se está a referir à sua cadela ou à prelatura, quando escreve ” a Opus Dei”.

      • Ludwig

        Supranumerário,

        Quanto ao perigo de pensarem que me estou a referir à minha cadela quando digo “a Opus Dei”, penso que é suficientemente pequeno para não justificar ignorar a concordância entre o género do artigo e o género da entidade que refiro. Mas se a dúvida surgir, esclarecerei.

        • supranumerário

          Claro. O pessoal vai pensar que você quando escreve ou diz ” a Opus Dei” está a querer dizer ” a ( prelatura) Opus Dei”. Pois claro, é mesmo assim. Leve lá a taça Ludwig, que lhe faça muito bom proveito.Você parece um daqueles miúdos mimados que querem ter sempre razão, mesmo que seja à custa de umas pequenas artimanhas.

  • Daniel

    No essencial, concordo com o artigo do Ludwig, embora ele tenha uma grande dificuldade em se afastar da sua parte serôdia:

    “O grande problema dos raciocínios religiosos é que, tal como as religiões, funcionam ao contrário. Assumem a conclusão e depois têm de martelar premissas e inferências para forçar o resultado que querem. Aos mais fundamentalistas isto faz pouca diferença. Quem acredita que o universo foi criado em seis dias de abracadabra não se incomoda com detalhes destes. Mas, neste debate, fiquei com a sensação que quando pessoas cultas e inteligentes tem de defender proposições obviamente infundadas, ou mesmo contrárias à sensatez, é inevitável que o desconforto transpareça no discurso. Mas talvez seja apenas outra forma de mortificação. Talvez os dogmas lhes sirvam como um cilício espetado na mente em vez de na coxa”

    Esta é, aliás, a estratégia habitual do Ludwig. Começa os seus artigos a falar de mansinho e depois remata com a porrada final. Faz parte do seu normal estilo bi-polar, oscila entre o civilizado e o caceteiro.

    O grande problema do Ludwig é olhar o mundo, mais pelo seu pequeno umbigo, do que pelos seus óculos graduados. E, por isso, tem uma enorme dificuldade em admitir que o universo se esgota nas suas constantes generalizações.

    Por este andar, qualquer dia o Ludwig passa a ser conhecido pelo João César das Neves dos ateus. Já faltou mais.

    • Daniel

      “E, por isso, tem uma enorme dificuldade em admitir que o universo não se esgota nas suas constantes generalizações”, quis dizer.

    • Ludwig

      Daniel,

      Não é bipolaridade. É uma questão de fundamentar as alegações potencialmente mais polémicas num contexto onde mais facilmente façam sentido. Se escrevesse o post como os teus comentários, simplesmente fazendo acusações sem qualquer fundamento, teriam muito menos impacto.

      • Daniel

        Ludwig

        Cá para mim é bipolaridade, sim. Quando te reúnes em público, como, na mais recente iniciativa do ” D.N.”, falas em estilo pianinho com os teus companheiros de debate. Depois, quando regressas a este tua casa ideológica, aproveitas para seres mal-criado com aqueles com os quais te estiveste reunido: ” talvez os dogmas lhes sirvam como cilício espetado na mente em vez de na coxa”. É tudo uma questão de estilo. O teu é este, já se viu: ar seráfico pela frente e depois uma “espetadelas” pelas costas.

        • Ludwig

          O blog é tão público como o debate. A diferença é que no debate tenho só aqueles minutos para responder e depois passam a bola a outro. Tenho de focar o que é mais fundamental e não posso estar com piadas, desabafos ou provocações. Por exemplo, seria perda de tempo no debate falar sobre o desconforto intelectual aparente nos discursos de alguns intervenientes quando o que se estava a discutir era a Opus Dei.

          No blog estou mais à vontade, posso sempre voltar ao tema quando quiser ou precisar de responder a críticas e tenho toda a liberdade para decidir onde ir com os posts. Neste apeteceu-me focar este constrangimento de quem tem de defender um disparate percebendo que o que defende é um disparate. E não o fiz pelas costas de ninguém, a menos que seja dessa forma imprática que usem o computador…

  • José Gonçalves

    Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho (88anos)digo que não causa espanto que o Povo ignorante,analfabeto e supersticioso,creia em Deus e nas Vigarices dos Vigários da biblico-judaico-cristã Religião,mas aos intelectuais,eu só posso apelidá-los de Vigaristas,Os que aqui usam argumentos ocos contra Ludwig Krippahl,são tão vigaristas como os da Seita da Opus Dei (Obra de Deus)o Deus Javé/Jeová um tirano absoluto,caprichoso e vingativo que segundo a Religião bíblico-judaico-cristã,até exigiu que o «filho»sofresse e morresse no Calvário para remir o pecado original e apaziguar a ira de seu Pai.
    Eu admito em meu pensamento que haja quem creia em Deus,mas não posso admitir que haja quem se atreva a definir Deus e pior um pouco,a dizer que êle quer que façamos assim ou assado.A biblico-judaico-cristã Religião foi copiada
    das Religiões da Pérsia e do Egipto.A Teologia é uma invencionice para manter os Povos na submissão e de joelhos perante os Poderosos.

  • luishgr

    Opus Dei

    Opus é palavra latina “opus, operi”, pelos vistos da terceira declinação.
    Mas “opus” é também do género neutro.

    Ora, regra geral as palavras do género neutro são “importadas” para a língua portuguesa ou por esta referidas como palavras do género feminino (já que em português em substantivos concretos não há género neutro).

    Assim, se em português nos quisermos referir à palavra latina “opus” teremos de a designar no feminino.

    Conclusão: penso ser mais correto dizermos:

    – O S. Escrivá da Balaguer fundou a Opus Dei.

    Já agora, a palavra “dei” é o genitivo de deus, dei e, por isso, significa “de deus”.

    • supranumerário

      Eu cá por mim estou dividido entre o Opus Ensemble e o Opus nº 5 de Tchaikovski. Talvez me decida antes pelos Opus 125 de Beethoven.

      Quanto ao facto de a palavra ” dei” ser o genitivo de deus não me parece. Acho que, em português correcto, talvez seja mais de Deus do que de deus.

      Mas haverá sempre, pelo menos, dois ateus, capazes de subverterem as correctas regras lexicais, só para serem os maiorais dos seus quintais. Mesmo que à custa de uma batotices ortográficas de somenos importância.

      E tudo isto por causa da cadela do Ludwig…

  • João Pedro Moura

    LUDWIG KRIPPAHL disse:

    1- “… a maior ameaça à liberdade religiosa é a forma como as religiões se
    organizam: de cima para baixo e dos dogmas para as pessoas. Para respeitar a
    liberdade de crença as religiões deviam organizar-se ao contrário, como
    qualquer associação de voluntários, regendo-se por princípios democráticas,
    substituindo o dogma por discussão aberta, alheando-se da vida privada dos seus membros e abstendo-se de qualquer coação, real ou imaginária.”

    Mas, ó Ludwig, conheces alguma igreja organizada como tu preconizas?!
    Clamar por “princípios democráticos”… “de baixo para cima” e sem “dogmas” é querer descaracterizar a ICAR e a sua excrescência Opus Dei…
    Precisamente, a matriz “genética” das igrejas/religiões, mormente as monoteístas, é o totalitarismo carismático, patriarcal e antidemocrático… mais a dogmática…

    2- “O objectivo principal do ateísmo não é acabar com a fé mas, no fundo, promover a liberdade de crença subordinando as organizações religiosas aos princípios de respeito pelos direitos individuais que fundamentam a nossa sociedade.”

    a) Nada disso!…
    O objetivo principal do ateísmo é… acabar com a fé, acabar com a religião!
    Quando um ateu entra em cena, não é para preconizar “melhorias” de organizações, ideologicamente execráveis, como a ICAR e suas ramificações mais ou menos troglodíticas, como a Opus Dei, mas sim denunciar os erros, disparates e abusos, constituintes essenciais de tais execrações…
    … E se é para denunciar e criticar, não é para melhorar o toledo religioso, mas
    para destruí-lo.
    As tuas intervenções, meu caro Ludwig, geralmente brilhantes, contra as coleções, primavera-verão e outono-inverno, de inépcias sofísticas do jesuíta Alfredo Dinis, diretor da Faculdade de Filosofia, de Braga, da Universidade Católica, são para destruí-las e não para retocá-las…
    O ateísmo é o ideário que nega deus e, portanto, a validade da ideologia
    religiosa.
    Eu compreendo a tua modéstia de cidadão de brandos costumes, capaz de quase pedir desculpa pelas suas intervenções mais destrutivas da palhaçada religiosa…
    … Mas o ateísmo é para atacar e destruir a religião! Não há cá branduras de
    intervenções, típicas do nacional-porreirismo…

    b) Também não temos nada, enquanto ateus, de “promover a liberdade de crença” nem “de subordinar as igrejas aos princípios de respeito pelos direitos individuais que fundamentam a nossa sociedade.”
    Isso é matéria para o laicismo e a organização democrática e liberal do país, mas não para o ateísmo.
    O ateísmo não é um ideário político, logo, deverá estar recluído a matéria
    essencialmente ideológica, antirreligiosa.

    3- “ A Opus Dei ainda tem muito que mudar nesse sentido. “

    Não! Não tem que mudar nada! Está muito bem como está! …
    Mudava aqui… mudava acolá… e depois ficava uma associação insípida e
    descaracterizada, semelhante à casa-mãe…
    Aliás, mudar o quê???!!! Como se pode mudar os “genes” matriciais duma organização religiosa e torná-la diferente, desconforme da tradição original?!

    4- “Um exemplo saliente foi a forma como o Pedro Gil, director do gabinete de
    imprensa da Opus Dei, explicou a lista de livros proibidos (…) que a
    organização mantém. (…) O problema principal de “recomendarem” aos membros da Opus Dei que evitem ler ideias contrárias aos valores da organização é a tacanhez e a desonestidade intelectual de isolar as pessoas de opiniões diferentes. Mas isto o Pedro Gil nem podia mencionar.”

    Pois é! E depois?!…
    É tacanhez, mas isso é matricial na Opus Dei…
    Não é “desonestidade intelectual”, pois tal “proibição” faz parte da constituição
    desse grupo de fanáticos tranquilos. E a adesão ao grupo é livre… tal como a
    exclusão…

    5- “Para mim, a “pergunta por Deus” não tem importância nenhuma porque esse deus não faz nada.”

    Olha que tem importância, Ludwig!
    Vamos lá caracterizar melhor o assunto…
    Todas as pessoas do mundo, pelo menos durante a adolescência, fizeram, fazem e farão a seguinte pergunta a si próprias: deus existe?
    É a única pergunta intelectual que é universal…
    Toda a gente fará essa pergunta a si própria e toda a gente dará uma resposta…
    Então, como é que dizes que isto não é importante?! Se toda a gente faz!…
    Agora, o que esse pseudocandidato a coisa, deus, fará ou não, é outra coisa…
    Nós, ateus, dizemos que esse espécime grotesco, burlesco e brutesco não faz nada… porque não existe…

    6- “…o deus católico é uma mera hipótese teológica inconsequente, tão
    transcendente e omnicoisas que acaba por não fazer mais que esporádicas
    intervenções de milagrice dúbia.”

    Nem isso!…

    7- “Mas, neste debate, fiquei com a
    sensação que quando pessoas cultas e inteligentes tem de defender proposições obviamente infundadas, ou mesmo contrárias à sensatez, é inevitável que o desconforto transpareça no discurso. Mas talvez seja apenas outra forma de mortificação. Talvez os dogmas lhes sirvam como um cilício espetado na mente em vez de na coxa.”

    Mirabile dictu!…

    • Ludwig

      João Pedro Moura,

      «Mas, ó Ludwig, conheces alguma igreja organizada como tu preconizas?!»

      Eu defendo que as religiões devem ser organizadas de forma democrática porque acho que é a forma mais correcta de organizar grupos de pessoas. Se já há ou não alguma assim é irrelevante. Continua a ser a forma mais correcta…

      «O objetivo principal do ateísmo é… acabar com a fé»

      Discordo. A minha descrença implica a liberdade de decidir se creio ou não creio. Daí que o ateísmo tenha como objectivo a liberdade de crença. Mas a minha descrença não implica acabar com a liberdade dos outros de acreditarem no que quiserem. Nem sei como raio hei de fazer isso. Neurocirurgia?

      «Como se pode mudar os “genes” matriciais duma organização religiosa e torná-la diferente, desconforme da tradição original?!»

      Isso não é comigo. Acho que a Opus Dei tem defeitos e, por isso, acho que devem ser corrigidos. Como, sei lá. Estou a dar uma opinião, não estou a salvar o mundo…

      «Todas as pessoas do mundo, pelo menos durante a adolescência, fizeram, fazem e farão a seguinte pergunta a si próprias: deus existe?»

      Que deus? Eu acho que a pergunta nem sequer faz sentido. Pode fazer sentido perguntar se o universo foi criado por uma pessoa inteligente ou se há um escaravelho gigante a rebolar o Sol pelo céu. Mas “deus existe?”, assim a seco, nem se percebe o que quer dizer. Por exemplo, se deus é algo que é adorado como divindade, então existe disso aos montes.

      • João Pedro Moura

        LUDWIG KRIPPAHL disse:

        1- “Daí que o ateísmo tenha como objectivo a
        liberdade de crença. Mas a minha descrença não implica acabar com a liberdade dos outros de acreditarem no que quiserem. Nem sei como raio hei de fazer isso. Neurocirurgia?”

        O ateísmo tem como objetivo a negação de deus,
        das religiões, das ideias religiosas.
        Não tem nada a ver com preconização da liberdade de crença. Isso é assunto para laicistas e democratas e liberais.

        2- “Que deus? Eu acho que a pergunta nem sequer faz sentido.”

        Uma coisa é o sentido da pergunta, sendo certo que não faz sentido, como dizes; outra coisa é a universalidade da pergunta, que toda a gente fez, faz e fará, porque é uma pergunta cultural, intelectual,
        inerente às sociedades e à reflexão individual.

        Ou será que tu nunca fizeste essa pergunta a ti próprio e não deste logo uma resposta?!

  • Luís Almeida

    A sua Intervenção no debate, caro Ludwig Kriphal, bem como a inteligência e a serenidade do seu resumo, honra-me por, como ateu, ter sido tão bem representado. Bem haja ! Viva o estado laico ! Pelo fim da Concordata !

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