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  • 21 de Janeiro, 2013
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

Breves considerações sobre o ateísmo

O ateísmo é uma opção filosófica assumida por quem se sente responsável pelos seus atos e forma de viver, de quem preza a vida – a sua e a dos outros –, cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres incertos nem para a esperança de uma existência após a morte.

O ateísmo é frequentemente apresentado como uma filosofia nascida no século XIX mas já no século IV antes da era vulgar Teodoro, o Ateu, proclamava que Deus não existia. Aliás, o ateísmo segue a par e passo as religiões; quando nos faltam elementos sobre a sua evolução, é através da animosidade da fé, para ser suave, que conhecemos os afloramentos ateístas das diversas épocas.

Parafraseando Rousseau direi que «O homem é ateu por natureza e é a sociedade que o corrompe», especialmente o clero que, desde tenra idade, toma conta dele e o catequiza.

O crepúsculo da fé acentua-se com as descobertas científicas, o aprofundamento das liberdades individuais e a progressiva secularização das sociedades democráticas. Ela mantém-se e exacerba-se em redutos com grandes constrangimentos sociais, fortemente dependentes do poder clerical, das hierarquias tribais e de regimes totalitários.

Carl Sagan, no seu livro «Um mundo infestado de demónios», lembra-nos que o abade Richalmus escreveu um tratado sobre os demónios, por volta de 1270. Os sedutores demoníacos de mulheres chamavam-se íncubos e os de homens, súcubos. Santo Agostinho acreditava que as bruxas eram o produto dessas uniões proibidas tal como a maioria das pessoas da antiguidade clássica ou da Idade Média.

Compreendem-se hoje as freiras que, num estado de confusão, viam semelhanças entre o íncubo e o padre confessor ou o bispo e que ao acordarem se sentissem conspurcadas como se se tivessem misturado com um homem, como escreveu um cronista do século XV (pág.126, ob. Citada no § anterior).

A fé a superstição confundem-se. Ainda hoje vemos crentes que rumam a Fátima e à Santa da Ladeira, deixando o óbolo em ambos os locais, sem dispensarem as rezas e a liturgia da bruxa perante a adversidade.

17 thoughts on “Breves considerações sobre o ateísmo”
  • Jean-Jacques

    Parafraseando Rousseau direi que «O homem é ateu por natureza e é a sociedade que o corrompe»

    Carlos Esperança

    Aqui vale tudo, até deturpar o que Rousseau escreveu. Que falta de dignidade. Rousseau nunca afirmou que ” o homem é ateu por natureza, é a sociedade que o corrompe”. O que ele disse foi: “O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe.” Aliás, Rousseau foi crente em Deus: “A unidade de todas as coisas vivas existe neste mundo onde todo o mundo e todas as coisas buscam silenciosamente a Deus. Somente os ateus vêem um silêncio eterno”.

    • David Ferreira

      Parafrasear: Reproduzir as ideias e conteúdos de um texto, livro etc, dando-lhes um enfoque cuja interpretação permite tornar-los mais perceptivos ou buscar uma nova interpretação para os mesmos.

      • Carlos Esperança

        Ainda não tinha lido esta resposta, mais precisa e justa. Obrigado.

      • Jean-Jacques

        Parafrasear não é aldrabar. E quando se invoca um autor, crente em Deus, como Jean-Jacques Rousseau, para se alterar significativamente o sentido do autor de uma frase, isso não é paráfrase, mas aldrabice e desonestidade intelectual. Aliás, se a ” paráfrase” do Carlos Esperança fosse uma mera figura de estilo, uma liberdade estilística, então não se justificaria que a frase ” o homem é ateu por natureza, é a sociedade que o corrompe” estivesse contida entre aspas, dado que, dessa forma, algumas pessoas poderiam pensar erradamente que a frase pertencia a Rousseau.Aqui, pelos vistos, vale tudo, até aldrabar as frases originárias dos respectivos autores.

    • Carlos Esperança

      Sabe o que quer dizer «parafraseando»?

  • Athan Veron

    ONDE há hoje Democracia? Estou perguntando: Que país pode sequer falar em Democracia se a JUSTIÇA foi enfiada no bolso COMPRADA dinheiro ROUBADO? O Brasil? A Venezuela? A Argentina? Os EUA? A Rússia?
    A Democracia virou uma falácia, nas mãos e na bôca dos mafiosos que se cobrem como políticos, e fazem rodinha com os mandantes-facínoras encapados com crenças.

  • Athan Veron

    COMO PODE UM PAÍS TER UM PULHÍTICO SOLTO COMO O GAROTINHO (no Rio de Janeiro)? Como o GENOÍNO (em Brasiília)? O LULA-SAFADO-CANALHA-LADRÃO-MAFIOSO-TRAFICANTE-ASSASSINO?

    • Carlos Esperança

      Diário de uns Ateus não acolhe propaganda política. Comentários destes serão eliminados.

      • Honinha

        Vocês não têm nenhum filho, filha, nem filhos de amigos e amigas, que venham entrar aqui?

      • Honinha

        Isso não é “propaganda política”. Isso é uma declaração pública feita em tudo que é Universidade e lugares do Brasil (mas a “mídia” esconde). E é FATO PÚBLICO, com vereditos rasgados na cara de todo mundo no Brasil.
        As letras maiúsculas são gritos de uma Nação, é um grito civil.

        • Carlos Esperança

          Procure outro sítio para a sua obsessão política.

          • Hunig

            A “obcessão” é a que vê CONDENADOS assentarem-se num Ministério Público para tecer lei “armadilhada” contra ateus e pessoas diferentes. Se nos indigna ver isso e agir para alertar sobre isso, e não é possível NEM COMENTAR tais insanidades impetradas contra pessoas justas que conhecemos e/ou temos por amigos, então faça como sua consciência e coragem lhe presta. Por nós, temos nossas próprias defesas, e podemos usá-las quando as coisas descabarem de vez, cientes de que a “confortável” inanidade pode ser respingada no “Desenlace”.

            Chegarmos ao termo por aqui.

            Quando desgraçarem um garoto ou garota, um filho de vocês, covardemente, sem nada em que possam alçar socorro. Não conte mais conosco.

            Divirtam-se.

            Todos os Glem(er)(s) assinam esse comentário.

      • Honinha

        O Garotinho é um CONDENADO, solto por regalias de sua laia de “divina-pulhice”, igual ao Genoíno, solto por regalias de sua laia de pulhas-corruptos. E essa corja está “assinando” leis que visam “ferrar” pessoas diferentes, como ateus e gente com sentidos sexuais próprios.
        Estão “fazendo” ferros e mordaças, e pregando como “leis”.

  • Leopoldo Pereira

    No Séc. XV, por exemplo, havia imensos ateus em Itália.

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