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A Mitologia do Natal

Estando noiva de José, e antes ainda de com ele ter coabitado, Maria apareceu grávida por ação do Espírito Santo.

Quando José se preparava para a repudiar, apareceu-lhe em sonhos um “anjo do Senhor” que lhe ordenou que recebesse Maria em sua casa e que aceitasse o filho que ela carregava como obra do Espírito Santo.
Quando a criança nasceu, e tal como o anjo lhe havia ordenado, pôs-lhe o nome de Jesus.

Todas as culturas antigas, sem exceção, tinham um horror profundo e visceral à esterilidade. O que é absolutamente compreensível, face à óbvia conexão entre a própria sobrevivência da tribo ou de uma determinada sociedade e o seu fortalecimento face aos povos vizinhos e rivais, por exemplo, em disputas territoriais.
Não é, por isso, de estranhar que desde a sua origem todos os cultos religiosos revelem nas suas mitologias e iconografias não só esse temor, como muito principalmente uma óbvia preocupação pela fecundidade.

De tal forma que nas mais remotas manifestações de religiosidade o lugar de Deus foi ocupado por uma mulher.
Só muito mais tarde a mulher foi relegada para um papel de mãe, esposa ou amante do Deus, sempre com a responsabilidade da renovação e da reprodução, mas também obviamente virgem, como convém a toda a terra que vai receber uma nova semente e de quem se espera a máxima fecundidade.

Por isso, também, só de uma divindade é possível esperar o dom da fecundidade, principalmente quando se trata de uma mulher estéril que acaba por dar à luz, um milagre que obviamente só está ao alcance de um Deus.
Ao mesmo tempo, constitui prova inequívoca da proximidade de um homem a Deus o facto de ter nascido do milagre da conceção de uma mulher virgem.

Assim, vemos que essa associação entre uma conceção milagrosa e a deificação do filho nascido de um fenómeno que só está ao alcance de Deus (sempre após uma história mais ou menos fantasiosa de uma «anunciação» feita por um anjo ou qualquer outra entidade celestial, seja ao vivo ou em sonhos), é afinal perfeitamente vulgar e recorrente em todos os cultos religiosos da antiguidade e, curiosamente, nas mais distantes regiões do planeta.

Aparecem então como filhos de mães virgens tanto Deuses como grandes personagens, como os imperadores Chin-Nung, da China, ou Sotoktais do Japão, ou como os Deuses Stanta, na Irlanda, Quetzalcoatl do México, Vixnu da Índia, Apolónio de Tiana da Grécia, Zaratustra da Pérsia, Thot do Egipto, ou como Buda, Krishna, Confúcio, Lao Tsé, etc., etc.

O mito vai mesmo ao ponto de Gengis Cã ter um belo dia determinado que também ele era filho de uma mulher virgem, para se deificar aos olhos do seu povo e dos povos que ia conquistando, e para se fazer obedecer e respeitar cegamente como um Deus pelas suas tropas.

Entre os mais famosos homens filhos de mulheres virgens está, como é sabido, Jesus Cristo.
É também muito curiosa a mitologia comum relacionada com o nascimento destas personagens deificadas pelo seu nascimento de mulheres virgens, como sejam a existência de estrelas ou sinais celestes que os anunciam ou comemoram: uma milagrosa luz celeste anunciou a conceção de Buda, um meteoro o nascimento de Krishna, uma estrela o nascimento de Hórus e uma «estrela no Oriente» o nascimento de Jesus Cristo, embora somente o evangelho de Mateus se lhe refira, sendo pacificamente aceite que não mais do que para corporizar ou fazer concretizar (quase um século depois da morte de Jesus Cristo) profecias messiânicas do Antigo Testamento.

Ao mesmo tempo, é também absolutamente natural que faça parte dos cultos de fecundidade a adoração de Deuses relacionados com o ciclo solar e com a renovação anual das estações do ano e, com estas, as colheitas ou a produção de gado, com especial incidência e manifestação em festas, mitos, cerimónias e ritos religiosos comemorativos, realizados normalmente nos Solstícios, preferencialmente no Solstício de Inverno.

A corporização mais comum destes Deuses de renovação e de fecundidade é feita em relação ao Sol, símbolo perfeito da sucessão regular e infalível dos dias e das estações do ano, quer seja adorado como um Deus em si, e em praticamente todas as civilizações conhecidas, das Américas Central e do Sul, ao Egipto, passando pela Suméria ou Mesopotâmia, quer também através de outros Deuses «solares», como o Deus-faraó egípcio Amenófis IV, que reinstalou o culto de Áton (Sol) e mudou mesmo o seu nome para Aquenáton, ou como Deuses que resultam da antropomorfização do Sol, como os Deuses Hórus, Mazda, Mitra, Adónis, Dionísio, Krishna, etc.

Destes Deuses, um merece especial referência: Mitra.
Mitra é um dos principais Deuses iranianos (anteriores a Zaratustra), simbolizado com uma cabeça de Leão (representação típica dos Deuses solares) e conhecem-se manifestações do seu culto já com mais de mil anos antes do nascimento de Cristo.
Mais tarde os romanos adotaram o seu culto e incluíram-no mesmo no seu panteão.

Enquanto divindade, as funções de Mitra eram carregar com a iniquidade e os males da Humanidade e expiar os pecados dos homens.
Mitra era também visto como meio de distinção entre o bem (Ormuzd) e o mal (Ahriman), como fonte de luz e sabedoria e estava ainda encarregue de manter a harmonia no mundo e de proteger todos os homens.
A mitologia do Deus Mitra tinha-o como um «enviado», ou um Messias, que voltaria ao mundo para julgar toda a humanidade.

Sem ser o Sol propriamente dito, Mitra era tido como seu representante, sendo invocado como o próprio Sol nas cerimónias do seu culto, onde era tido como espiritualmente presente no interior de uma custódia, por isso colocada em lugar de especial destaque.
Todos os Deuses solares depois de expiarem os pecados dos homens acabam por morrer de morte violenta, acabando depois por ressuscitar ao fim de três dias e de ascender aos Céus ou ao Paraíso.

Hórus morre em luta com o mal, corporizado no seu irmão Seth (identificado com Satanás), que o coloca num túmulo escavado numa rocha, ressuscitando ao fim de três dias para subir ao Paraíso.
O Deus hindu Xiva sacrifica-se pela humanidade, e morre ao ingerir uma bebida corrosiva que causaria a destruição e a morte de todo o mundo, acabando também por ressuscitar ao fim de três dias.
O Deus Baco foi também assassinado, tendo ressuscitado três dias depois, através dos seus pedaços recolhidos por sua mãe.
O mesmo acontecia aos Deuses Ausónio, Adónis ou Átis, que morriam para salvar os homens ou expiar os seus pecados e acabavam por ressuscitar ao fim de três dias.

E todos eles a 25 de Dezembro.

Uma vez mais, um dos mais famosos «ressuscitados» é Jesus Cristo, embora este tenha ressuscitado em metade do tempo dos restantes Deuses, talvez somente um dia e meio depois, embora a sua mitologia continue a mencionar os três dias.
Ou seja: a figura de Jesus Cristo, e toda a religião e mitologia cristã, foram construídos com base num modelo pagão dos deuses solares que então se conheciam.

A própria escolha da data de 25 de Dezembro para comemoração do nascimento de Jesus Cristo é disso um inequívoco exemplo.
Aliás, esse dia 25 de Dezembro (o dia das festividades dos Deuses Mitra, Baal e Baco) só foi adotado pela Igreja Católica já no século IV, por decisão do Papa Libério, com o óbvio objetivo de “cristianizar” os cultos solares, então ainda muito populares e difundidos e de os fazer confundir e “absorver” pelos próprios ritos cristãos, dada até a proximidade com a data do Solstício de Inverno – data da “morte” do Sol no horizonte – e a data em que o Sol “ressuscita” e se eleva novamente horizonte três dias depois, exatamente no dia 25 de Dezembro.
Merece especial referência o facto de todos esses Deuses solares serem representados fisicamente com a cabeça rodeada de um disco ou uma auréola amarela, como ainda hoje acontece com os Deuses e até com os santos católicos.

Aliás os próprios imperadores romanos que governaram no auge do culto destes deuses solares faziam-se representar devidamente aureolados, por exemplo nas moedas que mandavam cunhar.
O imperador Constantino, a quem se deve a criação da Igreja Católica Apostólica Romana (e que nunca se converteu ao cristianismo, antes o tendo adotado como religião oficial do império, sem nunca proibir as restantes, para melhor o unificar), mandava realizar regularmente sacrifícios em honra do Sol e as moedas que mandou cunhar continham a inscrição «Soli Invicto Comiti, Augusti Nostri».

Não obstante a oficialização do cristianismo no seu império, Constantino manteve a obrigatoriedade de as suas tropas rezarem e prestarem culto ao Deus Sol todos os Domingos, isto é, «O Dia do Sol».
Também neste dia do Sol se pode ver a óbvia influência destes cultos na formação dos ritos católicos, com a mudança do «Sétimo Dia» ou «Dia do Senhor» bíblico do Sábado para o Domingo, uma vez mais com o objetivo de fazer “absorver” as festividades e os ritos solares, nem que para isso se tenha tido de “aldrabar” a própria redação de um dos mandamentos trazidos por Moisés do cimo da montanha.

Como se não bastasse a óbvia coincidência ritualística dos cultos solares com os cultos cristãos, como a morte violenta e ressurreição três dias depois, da presença física do Deus na custódia, no nascimento de uma mulher virgem, do «Dia do Senhor» como «Dia do Sol» (Sunday, em inglês), da auréola solar a coroar as divindades, da designação e da forma radiada do chapéu dos bispos católicos, ou «mitra», é precisamente com este Deus Mitra que se dá o mais curioso aproveitamento dos ritos e cultos solares por parte da Igreja Católica.

De facto, segundo a sua mitologia, muito popular por volta de 1.000 a.C., Mitra nasceu de uma virgem; nasceu no dia 25 de Dezembro; nasceu numa cova ou numa gruta; foi adorado por pastores; foi adorado por três magos ou sábios 12 dias depois do seu nascimento, a 6 de Janeiro, que interpretaram o aparecimento de uma estrela no céu como anúncio do seu nascimento, pregou incansavelmente entre os homens a sua mensagem de bem por oposição ao mal; fez milagres para gáudio dos que o seguiam; foi perseguido; foi morto; ressuscitou ao terceiro dia; o rito central do seu culto passava pela distribuição de pão e vinho entre os iniciados presentes, numa forma de eucaristia de composição e fórmula em tudo idênticas à que a Igreja Católica viria a adotar.
Já na mitologia de Hórus, que teve o seu auge cerca de 2.000 aC., se passa exatamente a mesma coisa. Hórus é filho de Osíris e de Isis, a sua mãe virgem que engravidou de um espírito com a forma de um falcão, com a curiosidade ainda de ter um pai terreno com a profissão de carpinteiro.

Também foi traído, torturado e morto, ressuscitando ao terceiro dia, o mesmo dia 25 de Dezembro.

Em suma:

Independentemente da bebedeira consumista que se apodera das pessoas, o que atualmente se comemora como o nascimento de Deus, na forma de «Deus Filho», ou de «Menino Jesus» (como se sabe, um dos Deuses da Mitologia cristã), não é mais do que a apropriação de um culto pagão, de um «Deus Solar», como tantos houve durante a História dos Homens.

Para um católico, dir-me-ão, este aproveitamento ritualístico será irrelevante, na medida em que o seu significado mítico ou simbólico, qualquer que seja a forma ou a data em que se realiza, continuará sempre a ser (atualmente) o nascimento de Jesus Cristo, como referi um dos (muitos) Deuses da mitologia cristã.

É certo.
Mas é também certo que esta apropriação existiu de facto, e o seu significado como fenómeno antropológico não pode ser ignorado.
Como também não pode ser ignorado, ainda assim, o manifesto significado simbólico, mítico e até místico dessa mesma apropriação.

Até por que uma coisa mais terá de ser realçada, essa sim, talvez a que contenha uma maior valoração simbólica deste aproveitamento e apropriação ritualísticos:
– É que, como não podia deixar de ser, toda esta transformação e apropriação foram feitas sob a égide de um Papa, mais exatamente do Papa Libério (352-366) e sob a força legislativa e fortemente repressiva do Imperador Constâncio II que, com mão de ferro e com uma ferocidade inaudita e que ficou na História, as impôs pela força das armas.

E assim, uma vez mais, vemos que também o ritualismo desta nova mitologia cristã, mesmo esta que se refere ao próprio nascimento do seu Deus, deste «Menino Jesus» deitado nas palhinhas, uma vez mais teve de ser impiedosamente imposta aos Homens pela força.

Obviamente depois do conveniente e costumeiro… banho de sangue…

16 thoughts on “A Mitologia do Natal”
  • David Ferreira

    Contra factos não deveriam haver argumentos, mas ó! se a “ciência” da apologética não se engarrega de os ressuscitar do reino de Hades obssessivamente…

    • Mateus

      Os factos são sempre susceptíveis de interpretação. Não há factos puros. Mas daí até à total invenção de factos inexistentes vai uma enorme distância. Mas é o que o Luís Grave Rodrigues consegue sempre fazer: inventar factos à trouxe-mouxe, sem se preocupar minimamente em incorrer no constante ridículo. Claro que há sempre quem, como você, acorra aqui imediatamente a aplaudir os reiterados disparates do Rodrigues, sem fazer o mínimo esforço de ponderação em relação à objectividade dos factos apresentados. Este texto do LGR é uma vergonha do princípio ao fim. Ele inventa e distorce factos a uma velocidade estonteante, certamente a pensar que, por tanto repetir mentiras, alguém as há-de tomar por verdades. Não foi essa exactamente a estratégia do Goebbels ?

      • David Ferreira

        Você está a alucinar quando faz esse tipo de comparações. O que LGR aqui expõe nada mais é do que aquilo que a investigação histórico-religiosa à muito verificou e comprovou. Existem milhares de estudos e manuais sérios que o podem atestar e onde você se pode cultivar.
        Não aceitar a verdade dos factos é o mesmo que mentir a si próprio, até que essa mentira se torne uma verdade interior.

        • Mateus

          Você alinha com aldrabões como o Luís Grave Rodrigues e teima em debitar as suas mentiras. Mais uma vez deixa por responder às minhas refutações e mais uma vez aparece aqui a fazer o triste papel de debitar conversa de blá-blá-blá, tentando legitimar as mentiras do LGR.Você pactua com a aldrabice e com as constantes falsidades do Rodrigues e ainda tem o desplante de vir dizer que ” não aceitar a verdades dos factos é o mesmo que mentir a si próprio”. Que nojo você e o LGR me metem.

          • Mateus
          • David Ferreira

            Coma uma fatia de bolo rei que faz bem à azia.

          • Mateus

            lol…ainda estou à espera que o Rodrigues mostre as fontes originárias de que Mitra nasceu a 25 de Dezembro e que Hórus, Xiva e Baco ressuscitaram também a 25 de Dezembro. Cambada de pataratas…

  • Milba

    Como o ASSASSINATO DE CRIANÇAS NAS ESCOLAS. pela força das ARMAS. Não tendo como manter gente dentro das igrejas com tanta mentirada e enchovalhamento dos pastutos dentro da política, os parasitas então partem para o assassinato sumário de crianças, para desesperar e entorpecer as pessoas de tanto medo.
    O único ponto que não se cita nunca é que o “sacrifício” desse “cristo” é a mais bizarra propaganda de aviso para qualsquer pessoas que queiram fazer alguma coisa pelas outras sem interesse, por humanidade e civilidade, e compor mais eficientemente a Sociedade com ações produtivas. Essa “marca” da “cruz” é o sinal do desânimo para as pessoas honestas e autênticas. Por isso os traficantes e piores facínoras acoluinhados com pastutos trazem-na enorme dependurada no peito, como “protetores” dos canalhas que se encapam nos governos; e agem como carrascos a mando desses pústulas; para manter o povo arriado, sem condições de se livrar.
    Então vendem o mito, mas sem este aspecto, que fica só inculcado na cabeça do crente interesseiro, que passa a ser fichinha para as piores trairagens e ignomínias contra qualquer um, até da própria família, se o pastuto trabalhá-lo para isso.

  • Mateus

    Só indivíduos muito incultos é que engolem mais esta patranha do Luís Grave
    Rodrigues. Vejamos:

    “De facto, segundo a sua mitologia, muito popular por volta de 1.000 a.C., Mitra nasceu de uma virgem; nasceu no dia 25 de Dezembro; nasceu numa cova ou numa gruta; foi adorado por pastores; foi adorado por três magos ou sábios 12 dias depois do seu nascimento, a 6 de Janeiro”

    O mito de Mitra proveio da cultura da mesopotâmia, da tradição persa, e
    posteriormente adoptada pela tradição indiana e greco-romana.

    Em 1.400 a.C é referenciado no norte da Mesopotâmia e só mais tarde foi adoptado entre os gregos e romanos.

    Ora, o mês de Dezembro corresponde apenas ao calendário romano. Na cultura
    persa ou grega, os meses do ano eram referenciados segundo ciclos diferentes do
    estritamente solar e não havia o mês de Dezembro, tipicamente romano.

    Como é que então LGR pode dizer que Mitra nasceu de uma virgem, a 25 de
    Dezembro, foi adorado por pastores e adorado por 3 magos 12 dias depois do seu
    nascimento, a 6 de Janeiro?

    Poder, pode. Só que, mais uma vez, é tudo mentira. Quanto à identificação
    das respectivas fontes originais, nada de nada.

    E essa de a personagem mitológica ter nascido a 25 de Dezembro, quando ela
    provém da Mesopotâmia, onde não havia mês de Dezembro, é mesmo para rir a
    fartas gargalhadas.

    “Hórus morre em luta com o mal, corporizado no seu irmão Seth (identificado com Satanás), que o coloca num túmulo escavado numa rocha, ressuscitando
    ao fim de três dias para subir ao Paraíso.

    O Deus hindu Xiva sacrifica-se pela humanidade, e morre ao ingerir uma
    bebida corrosiva que causaria a destruição e a morte de todo o mundo, acabando também por ressuscitar ao fim de três dias.

    O Deus Baco foi também assassinado, tendo ressuscitado três dias depois,
    através dos seus pedaços recolhidos por sua mãe.

    O mesmo acontecia aos Deuses Ausónio, Adónis ou Átis, que morriam para salvar os homens ou expiar os seus pecados e acabavam por ressuscitar ao fim de três dias. E todos eles a 25 de Dezembro.”

    Mais falsidades objectivas do LGR:

    Em que fonte original consta que Horus ressuscitou ao fim de três dias ?

    Em que fonte original consta que Xiva ressuscitou ao fim de três dias?

    Em que fonte original consta que Baco ressuscitou ao fim de três dias ,
    através dos seus pedaços recolhidos por sua mãe ?

    Em que fonte original consta que que Ausónio, Adónis ou Átia, ressuscitaram
    ao fim de três dias ?

    E todos eles a 25 de Dezembro?

    Então, quanto a essas personagens, 25 de Dezembro já não corresponde à data
    dos respectivos nascimentos, mas à data das supostas ressuscitações ?

    LGR perdeu a total noção de credibilidade. Diz o que lhe apetece, sem a
    menor preocupação de rigor intelectual e sem sequer se suportar das fontes
    originais que supostamente atestariam o que ele deita da boca para fora. Uma
    vergonha.

    “ou como Deuses que resultam da antropomorfização do Sol, como os
    Deuses Hórus, Mazda, Mitra, Adónis, Dionísio, Krishna, etc.”

    Ai sim ? Então agora já Krishna não nasceu de uma virgem, como afirma LGR
    noutra parte do seu texto ? Resultou da ” antropomorfização do Sol” ?

    Decida-se homem. Ou Krishna nasceu de uma virgem ou foi personagem meramente mitológica, resultado da referida antropomorfização. Decide-te Rodrigues, mostra a fiabilidade das tuas fontes .

    “Aparecem então como filhos de mães virgens tanto deuses como grandes personagens, como os imperadores Chin-Nung, da China, ou Sotoktais do Japão,
    ou como os deuses Stanta, na Irlanda, Quetzalcoatl do México, Vixnu da Índia, Apolónio de Tiana da Grécia, Zaratustra da Pérsia, Thot do Egipto, ou como Buda, Krishna, Confúcio, Lao Tsé, etc., etc

    O mito vai mesmo ao ponto de Gengis Cã ter um belo dia determinado que também ele era filho de uma mulher virgem, para se deificar aos olhos do seu povo e dos povos que ia conquistando, e para se fazer obedecer e respeitar cegamente
    como um Deus pelas suas tropas.”

    Dos onze filhos, Confúcio era o mais novo. Seu pai morreu quando ele tinha
    três anos de idade. Krishna era da família real de Mathura – capital de um conjunto de três clãs: Vrishni, Andhaka e Bhoja – e o oitavo filho da princesa Devak.

    Onde estão então os textos que confirmem o que LGR sustenta nessa parte do
    texto que editou?

    Em nenhum. Não há também nenhuma referência, no Budismo, que Buda tenha
    nascido de uma virgem, Nem de Apolónio de Tiana, nem de Krishna, nem de Gengis
    Cã.

    Tudo uma aldrabice pegada de LGR. Mas há sempre um ou outro inculto papalvo que adere à cantilena do Rodrigues…

    • David Ferreira

      Olhe, meu caro Mateus, vou aproveitar este período festivo para me deixar possuir por Baco. Não sei se vou conseguir, tal como ele, ressuscitar ao fim de três dias, que Chronos já não mo permite com tanta destreza, mas se alguém tiver que recolher os meus pedaços para me reconstruir, qual Frankenstein, terei que ser eu mesmo, um deus menor de mim próprio…

      • Mateus

        Força, David. Quando regressar dê uma ajudinha ao Luís Grave Rodrigues, que o homem já perdeu totalmente a noção do ridículo, mas se também vai pelo caminho de sustentar que Baco ressuscitou ao fim de três dias, será, ou por pura ignorância, ou porque bebeu uns copázios a mais. Você quer ser alvo de chacota pelo mesmo tipo de ignorância cultural que o LGR demonstra neste texto ?

        • David Ferreira

          Não, eu quero ser alvo de chacota de mim mesmo.
          Rir-me da minha ignorância e de mim mesmo é o resultado de eu ter consciência de que não sou mais que poeira estelar e sentir orgulho em ter tido a capacidade para o apreender. E é isso que me enche de tranquilidade e de paz, em sintonia com a realidade.

          • Mateus

            Uma bela resposta.

    • luishgr

      Podia até ser o caso e até podia vir a ser divertido.
      Mas não é: não vales a pena, pá!
      És burro!
      De facto, um tipo que acha que só há Solstício e que o fenómeno da subida do Sol no horizonte, três dias depois, no seu movimento aparente, só acontecem desde que foi instituído o mês de Dezembro, não vale mesmo a pena.
      Fala sozinho, pá.
      Adeus.

    • Revisor

      N vezes. N, te recomendaram a leitura de “Os Mistérios de Jesus” de Thimothy Freke e Peter Gandy.

      Está lá tudo explicadinho, tintim por tintim. Com documentos, fontes, o que tu quiseres Ali se explica, por A+B que o teu Jesus de Nazaré não passa de (mais) um mito pagão. Lê bem: PAGÃO. O teu Jesus é o travesti judaico do grego Dionísio. Mas tu continuas a esconder-te na tua ignorância. Preferes fechar os olhos para não ver. Só podes, mesmo, ser Testemunha de Jeová, de tão fanático.

      O teu Jesus de Nazaré existiu tanto como existiram todos os deuses da mitologia.

      LÊ, porra; Lê!

  • João Pedro Moura

    LUÍS GRAVE RODRIGUES disse:

    1- “Mitra é um dos principais Deuses iranianos (anteriores a Zaratustra), simbolizado com uma cabeça de Leão (representação típica dos Deuses solares)”

    Mitra não era simbolizado pela cabeça dum leão. Normalmente, era representado, antropomorficamente, por um jovem imberbe, com um halo radiante atrás da cabeça, simbolizando o sol. Era uma divindade associada ao “sol invictus” e, por isso, o seu nascimento ritualístico e litúrgico estava ligado ao solstício de Dezembro.
    A cabeça de leão existia como máscara utilizada pelos iniciados do 4º nível (“leo”), do culto de Mitra.
    O animal associado, iconograficamente, mas não corporalmente, a Mitra, era o touro, símbolo de força, virilidade, ajuda na lavoura e… abundância de comida…
    Em princípio, o touro era o símbolo animal mitríaco, porque o culto de Mitra desenvolveu-se no segundo milénio a. c., quando o sol emergia na constelação do Touro.
    Na época do cristianismo, devido à precessão do eixo de rotação da Terra, a constelação por trás do nascimento do sol, era a do… Carneiro… um símbolo animalesco do cristianismo…

    2- “Mitra era também visto como meio de distinção entre o bem (Ormuzd) e o mal (Ahriman), como fonte de luz e sabedoria e estava ainda encarregue de manter a harmonia no mundo e de proteger todos os homens.
    A mitologia do Deus Mitra tinha-o como um «enviado», ou um Messias, que
    voltaria ao mundo para julgar toda a humanidade.”

    Não era “como meio de distinção entre o bem (Ormuzd) e o mal (Ahriman)”.
    Ormuzd ou Ahura Mazda era o “deus do bem” e Mitra era o “filho” dele, que colaborava no julgamento das “boas almas “…
    … É uma mitologia muito parecida com a do cristianismo, de que este derivou, com as necessárias adaptações, mormente em matéria litúrgica e simbólica.

    3- “Sem ser o Sol propriamente dito, Mitra era tido como seu
    representante, sendo invocado como o próprio Sol nas cerimónias do seu culto,
    onde era tido como espiritualmente presente no interior de uma custódia, por
    isso colocada em lugar de especial destaque.”

    É verdade.
    E é notável a “cópia” que os cristãos fizeram do mitraísmo, até nesse pequeno
    pormenor da custódia: quem não sabe o que é uma custódia, pesquise as suas
    imagens na Internet e verifique essa peça de ourivesaria, estilizada com uma
    representação do sol faíscante, típica de Mitra, em que no centro do sol está
    um vidro cristalino com a hóstia consagrada, representando o “corpo de Cristo”… para ser comido na comunhão… cerimónia vetusta, decorrente de ancestrais sacrifícios de animais e seu repasto pela comunidade…

    4- “O imperador Constantino, a quem se deve a criação da Igreja
    Católica Apostólica Romana (e que nunca se converteu ao cristianismo, antes o
    tendo adotado como religião oficial do império, sem nunca proibir as restantes,
    para melhor o unificar), mandava realizar regularmente sacrifícios em honra do
    Sol e as moedas que mandou cunhar continham a inscrição «Soli Invicto Comiti, Augusti Nostri».”

    a) Constantino converteu-se ao cristianismo, quanto mais não seja, um dia antes de morrer, através do batismo cristão…
    Este batismo tardio pode ter decorrido da conceção de que um imperador tende a “pecar” constantemente e, por isso, seria conveniente que o batismo fosse tardio, para o fim da vida, para ir mais aliviado para o “outro mundo”…

    b) Todavia, Constantino sempre beneficiou o cristianismo emergente, com vários privilégios, e até mandou convocar o Concílio de Niceia, em 325, o primeiro concílio ecuménico. Também educou os filhos no cristianismo.
    Foi um cristão, mas isso não significa a assunção de todo o preceituário cristão oficial, ainda por cima numa época de propagação de inúmeras correntes cristãs e da consequente emergência de “heresias”.
    Aliás, Constantino foi batizado por um sacerdote ariano…
    A desabonar o seu cristianismo,
    temos o título que ele usou até ao fim, “Pontifex Maximus”, sumo pontífice, que
    era o sacerdote principal das religiões pagãs, com destaque para Mitra, de que
    Constantino era o supremo sacerdote, pois que até a cunhagem da sua moeda tinha a simbologia mitríaca do sol invictus.

    c) Constantino não instituiu o cristianismo como religião oficial do império. O Édito de Milão, em 313, apenas autorizou o cristianismo, paralelamente às outras religiões.
    A religião oficial do império foi instituída pelo imperador Teodósio, em 28 de fevereiro de 380, com o Édito de Salónica. A partir daqui, instalou-se o totalitarismo cristão e a aliança perpétua entre o trono e o altar.

    5- “Aliás, esse dia 25 de Dezembro (o dia das festividades dos Deuses Mitra, Baal e Baco) só foi adotado pela Igreja Católica já no século IV, por decisão do Papa Libério, com o óbvio objetivo de “cristianizar” os cultos solares, então ainda muito populares e difundidos e de os fazer confundir e “absorver” pelos próprios ritos cristãos, dada até a proximidade com a data do Solstício de Inverno – data da “morte” do Sol no horizonte – e a data em que o Sol “ressuscita” e se eleva novamente horizonte três dias depois, exatamente no dia 25 de Dezembro.”

    Luís, há aí uma confusão qualquer…
    25 de Dezembro é a data do “sol invictus”, o início do renascimento solar, pois que é o momento de menor insolação, dia mais curto, e o (re)começo da crescente insolação, que culminará com o solstício de Junho.
    Não é o dia da morte, nem há aqui ressurreição, “3 dias depois”…

    6- “…e prestarem culto ao Deus Sol todos os Domingos, isto é, «O Dia do Sol».
    Também neste dia do Sol se pode ver a óbvia influência destes cultos na
    formação dos ritos católicos, com a mudança do «Sétimo Dia» ou «Dia do Senhor» bíblico do Sábado para o Domingo, uma vez mais com o objetivo de fazer “absorver” as festividades e os ritos solares, nem que para isso se tenha tido de “aldrabar” a própria redação de um dos mandamentos trazidos por Moisés do cimo da montanha.”

    Em cheio!
    Foi com o édito de 321, que Constantino instituiu o descanso ao domingo, que
    mais não é do que o dia do “sol invictus” (“Sunday”), do culto de Mitra,
    subvertendo o primitivo sábado judaico-cristão…
    O cristianismo tributário do mitraísmo…
    Porquê?!
    Porque dava mais jeito, visto que o “dia do sol” já estava estipulado. Para que é que havia de mudar para sábado?!…
    Aliás, como se copiou outras coisas do culto de Mitra. É mais fácil copiar o que já está feito…
    Estais a ver aquelas bolinhas, que se penduram na árvore natalícia dos presépios?
    Adivinhai que culto é que as colocava nas árvores normais, simbolizando o sol,
    antes do cristianismo…

    7- Porém, o cristianismo venceu o mitraísmo. Mas isso é outra História, que não é agora para aqui chamada…

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