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EGIPTO (II) : incipientes evoluções do puzzle político-constitucional…

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E – Pá

Apesar de não haver uma evidente clarificação da situação político-constitucional egípcia, ontem, começaram a ser dados os primeiros passos nesse sentido.

Primeiro, iniciou-se o processo de derrogação dos decretos presidenciais que tinham criado uma intolerável situação de excepção democrática não aceite por largos sectores da sociedade egípcia. link

Depois, continua em suspenso a realização de um referendo para ratificar (ou rectificar?) uma Constituição ‘islamizante’ redigida por uma Assembleia Constituinte contestada pela justiça e por largas e expressivas franjas liberais e ‘insurreccionais’ que se reivindicam interpretes do genuíno ‘espírito de Tahrir’.

As negociações de ontem, foram pela primeira vez pressionadas pelo Exército que mantendo uma atitude distante, finalmente, manifestou-se – em comunicado – sobre as instituições e a situação política afirmando que não deixarão o país ser arrastado para ‘um túnel escuro’. Trata-se de um aviso com dois destinatários: islamistas e as oposições.

É visível que o presidente Morsi perdeu uma subtil cartada que foi ‘jogada’ em termos muito audaciosos e impensados. A Irmandade Muçulmana pretendeu jogar em todos os tabuleiros ao mesmo tempo: militar, judicial e constitucional.

Começou, ontem, o recuo. Não sabemos onde acabará a rectificação iniciada nestas conversações que revelam um cauteloso esgrimir de forças (políticas, sociais e eventualmente religiosas).

Na verdade, Morsi, para além da legitimidade democrática que lhe advém da sua eleição, no difícil contexto interno, as recentes tensões revelaram um facto que poderá ser algo transcendente: Os islamistas parecem ter perdido a praça Tahrir. Em favor dos ‘liberais’ e ‘avulsos insurreccionais’ que não aceitam uma constituição ‘islamizante’.

A alternativa ao entendimento entre a Irmandade Muçulmana e as Oposições é como os egípcios sabem a ‘fawda’, i. e., o ‘caos’, um cenário doloroso, violento e de desfecho imprevisível, para todos os actores presentemente (ainda) em cena na política egípcia.

3 thoughts on “EGIPTO (II) : incipientes evoluções do puzzle político-constitucional…”
  • Washington

    Como disse noutra postagem, chega a ser bizarro que 84% dos muçulmanos egípcios acreditam que os apóstatas (aqueles que abandonaram o islam) deveriam ser mortos. Fico imaginando como deve ser horrível viver num lugar em que seus vizinhos querem sua cabeça.

    E eu não levo a sério um país onde você já nasce com sua religião estampada na certidão de nascimento e no documento de identificação. Isso é válido para o Egito, Israel, Irã e et caterva…

  • carlos cardoso

    Boa análise mas parece-me que falta qualquer coisa. Morsi e a irmandade muçulmana representam os islamistas egípcios “moderados”. Foram estes que perderam a praça Tahrir, mas não apenas em favor dos “liberais” que não aceitam uma constituição islamizante.
    Infelizmente, muitos dos que protestam é porque acham que Morsi se revelou
    pouco islâmico e gostariam de o substituir pelos salafistas. E isso seria muito
    pior para o Egipto e para o mundo.

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