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  • 27 de Novembro, 2012
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

O Papa, o negócio da fé e os expedientes pios

Que um homem, celibatário por convicção, e papa, graças ao centralismo democrático dos consistórios, se dedique à criação de cardeais e santos, ao fabrico da água benta e à promulgação de indulgências, compreende-se por dever do múnus e necessidade de arrecadar receitas.

Já a atribuição de milagres a defuntos de comportamento duvidoso, em vida, e desfeitos pelos anos de defunção, parece um embuste para supersticiosos que levaria mulheres de virtude a tribunal e ciganos à prisão. Tal como os exorcismos para tirarem demónios do corpo dos que são crentes. Não há um único caso de um ateu atacado por demónios.

Sempre admirei o olfato papal para descobrir, entre milhões de defuntos, o taumaturgo que curou uma queimadura, desentrevou uma freira ou erradicou um cancro. Sabe-se que a fé é uma graça mas não é de graça. Custa dinheiro. E não é com missas, novenas e benzeduras de medalhinhas que se oleia a máquina do Vaticano. Os Anos Santos que já tiveram um ritmo predefinido são agora quando um papa quiser, mas os proventos das indulgências plenas minguam ao ritmo das dádivas para as alminhas do Purgatório.

A abolição do Limbo foi neutra em prestações monetárias mas a extinção do Purgatório foi demolidora para os rendimentos da ICAR. A progressiva secularização de países que o papa tinha como protetorados arrasou as contribuições financeiras.

Só o medo do Inferno, sobretudo na fase de decadência dos crentes, leva ainda, através dos lares, a deixar heranças à Igreja, com a conivência dos Estados que a exoneram de impostos e descuram a investigação sobre o modo como se transferem fortunas para as instituições pias.

O medo de perderem votos leva os partidos dos países democráticos a condescenderem com a espoliação dos velhos e a transferência de bens para uma instituição que vende na Terra a assoalhada que a superstição religiosa almeja no Paraíso.

Os Estados devem impor a laicidade e fiscalizar a transferência de bens de doentes senis e/ou terminais.

13 thoughts on “O Papa, o negócio da fé e os expedientes pios”
  • Hunig

    O que difere um homem desses bichos (no link) é que o homem pode saber não se deixar “apertar”, e se for abocanhado para ser engolido, pode danificar bastante a bocarra antes de ela fechar.

    Agora, que crente pára pra notar que “criaçãozinha” tão mimosa essa que a gente vê nesses bichos. E eles vão pro “paraíso”?

    O fato é que: Ta´vivo! Come. E se come, você que arranje um jeito de se defender; porque rezar numa situação dessa desses bichos aí, acho que eles não vão entender muito não.

    http://www.youtube.com/watch?v=0Ehe7j6Bhn8

    • Milba

      É o islamismo contra o catolicismo, ou, o espiritismo contra o evangelismo. Isso é do tempo da “lei do mais forte” e daquela conversa rala de que “as coisas procuram o lado mais fácil”.
      Essas “criações” são tão grotescas quanto a falta de razão. O mundo sem a razão é assim:
      Tipo: “Eu tô com fome, e se eu puder engulo você”.
      A Reflexão está passos e passos longínquos disso aí.
      É um período do lodo, por isso os fiéis-crentes se arrastam em meio ao esgôto para terem o gostinho de que estão na lama; e quando “vencem” se ufanam como “fortes”.
      É um estado cruel e ruim para os que arrastam suas cabeças nisso, nesse “formato”.
      Alguns desses monstros podem se tornar dispensáveis pela vida; ou por quanto extintos em alguns lugares.

  • Hunig

    Agora imagine, quando “deus” tá com vontade de comer, se ele olhar pra você de mal jeito, você tá frito.

  • deus

    Concluí que, mesmo que eu não exista, sempre haverá um crentelho disposto a cultuar alguma coisa que será denominado deus. Se eu for declarado inútil, inventarão outro para colocarem em meu lugar. Veja os evanjegues por exemplo; sabem muito bem que os pastutos são vagabundos e, mesmo assim, continuam a saciar a fome dos parasitas. E vão continuar sempre.
    A evolução é uma mentira para uma parte da humanidade.

  • Milba

    Dividir a “cobiça” distrai a ganância e arrasta mais tempo. São as “ocupações” inúteis das “coisas divinas” imprestáveis. São arranjos para dar a impressão de que o mundo da fantasia tá fazendo alguma coisa.

  • Milba

    Por acaso alguém pode explicar como se faz essa “pintura” que faz um “faz de conta” que os bobos olham e dizem: “Óh! Parece que tá vivinha” (se não me engano vi isso em algum panfleto dourado, catando dinheiro de crentóides parvos). Essa “boneca” era o que a mídia noticiou como “gente” gritando pelo dilma “presidenta” (já imaginaram 90% de “aprovação” passado na cara do povo com isso aí):

  • Marco

    ” Não há um único caso de um ateu atacado por demónios.”

    Esta frase só pode ser fruto da ignorância do autor.

    Os “consultórios” das bruxas são frequentados por ateus, há ateus espíritas, há ateus satânicos, etc.

    Antes de escrever uma estupidez destas, e para não pareceres tão ignorante, podias telefonar para um “consultório” desses e perguntar se os ateus também recorrem a esses serviços, nomeadamente para exorcismos.

    “Os Estados devem impor a laicidade”

    (É tão aceitável como: “Os estados devem impor uma religião”).

    Por esta afirmação, já que não serás responsabilizado criminalmente, posso chamar-te imbecil e nojento.

    Um Estado não deve impor convicção nenhuma, nem religião nem falta dela. Agora percebo o teu problema: essa arrogância toda é revolta por não poderes impor, hoje e aqui, as ideias de Pol Pot, de Hoxoa, de Mao ou de Stalin. Esses bandidos é que “impuseram”… Esses que tu pretendes ver ressuscitados é que que usavam essa táctica: a imposição (às pessoas e às instituições sociais) do laicismo, não como uma prática mas como ideal xenófobo, assassino, sanguinário e escravizador do povo.

    Vives mal com a liberdade, já o tenho dito. Mas, habitua-te ou migra para a China, pois os portugueses nunca te darão espaço para tu edificares uma ideologia comunista extremista ou facista-nazi.

    Mesmo que te dê um AVC, esta é a realidade…

    Portugal será sempre um país livre, onde os crentes e os ateus têm a liberdade, onde ninguém impõe ideologias, e onde asnos como tu serão sempre visto como lixo.

    Num post embaraçam-te os islâmicos, noutro queres um estado que imponha uma ideologia… tu está doente!

  • David

    Senhor Marco, não se espume tanto quye lhe faz mal. O laicismo é um conceito que denota a ausência de envolvimento religioso em assuntos governamentais, bem como ausência de envolvimento do governo nos assuntos religiosos. Você confundiu os termos. E si, deve ser “imposto”. Vá, incentivado, para não ficar tão ofendido.

    • Marco

      Não, meu caro. “Laicismo” não é apenas isso.
      Nunca
      O Carlos é um defensor do laicismo, logo não é um ateu.

      O Laicismo nasceu com uma seita de aproveitadores que defendiam que a religião deve ser governada pelo povo, ou seja, pelos crentes ou não crentes; e todas as instituições, públicas e privadas, deveriam ser, obrigatoriamente, separadas das religiões.

      Estas seitas e a sua ideologia estão ligadas aos movimentos anti-clericais e “republicanistas”, desde a revolução francesa aos regimes comunistas marxistas.

      Os nossos “teorizadores” da 1ª república eram laicistas que, sob o pretexto da Separação, queriam governar a Igreja. O mesmo é defendido e praticado pelo Carlos Esperança.

      Por esse motivo vemos que os assuntos tratados neste blog não tratam de ateísmo, tratam apenas de questões de gestão da Igreja e da relação entre a Igreja e as instituições publicas e privadas.

      Um ateu não alinha nesse tipo de negócio. Um ateu defende a liberdade, a democracia, a sociedade plural, não aceita imposições…

      São estas coisas que tu não consegues ver.

      • David Ferreira

        Bom, é tudo uma questão de semântica. Eu interpreto o laicismo de uma forma prática e atual. O estado de um lado, a igreja do outro, até porque não lhe reconheço autoridade nenhuma para dirigir os rumos de um país. Vivemos em 2012, os tempos da 1ª república já lá vão, há que pensar o presente para alcançar o futuro. O facto de se defender o laicismo não implica de modo nenhum a pretensão do controlo da igreja. Eu não vejo as coisas assim, e penso que a grande maioria dos não crentes também. Continuo a dizer que o meu caro está a interpretar os conceitos de uma forma errada e apaixonada, quem sabe motivado pelo discurso quiçá um pouco sarcástico deste Post ou pela personalidade combativa do seu autor. Pelo discurso, deve ser monárquico ou coisa do género. Tem todo o direito de ter as suas opiniões sobre aquilo que acha mais correto, se é que existe algo “mais correto”. Mas não pode perder a coerência em seu próprio prejuízo. ” Carlos é um defensor do laicismo, logo não é ateu.”… Esta frase não tem coerência nenhuma. O que é que o facto de se defender o laicismo tem a ver com o ser-se ou não ateu? Um estado laico deveria ser um estado que não permitisse de modo algum a interferência da igreja nos misteres da governação, não lhe negando, obviamente, a sua existência como organização. E isto advém do facto de a igreja desde sempre se ter imiscuido na governação dos povos. O ser-se ateu é apenas uma condição em que uma pessoa não acredita em deuses, negando, deste modo, as pretensões de uma qualquer religião. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas acha mesmo que alguém iria perder tempo em preocupar-se com o controlo ou a governação da igreja? Muito menos aqueles que ficariam felizes com a sua inexistência… Eu defendo a liberdade, a democracia honesta, a sociedade plural, algo que a religião durante muitos séculos não fez.
        O ateísmo não é nenhum credo ou religião, logo o conceito da “separação das águas” não é nenhuma imposição.

        • AST

          Por acaso também acho que interpretas assim, mas interpretas mal.

          Um estado laico e o laicismo não têm nada a ver.

          A Igreja interfere nos actos de governação como?

          No qual o tipo de interferência?

          Um estado laico não obedece à igreja, muito menos ao ateísmo.
          Se é inaceitável que o estado obedeça a Igreja, é ainda mais execrável se um estado aceitar algum tipo de influência do ateísmo.
          Há uma certa legitimidade em os estados ouvirem as religiões, mas nunca os ateus: as Igrejas representam milhões, os ateus representam unidades,

          • David Ferreira

            EQuanto à interpretação apenas o posso aconselhar a consultar um dicionário, um livro de história, a wikipédia, sei lá, qualquer coisa. Talvez fique esclarecido então. Um estado laico e laicismo não têm nada a ver? Bom, um estado é laico quando implementa o laicismo… digo eu.

            A igreja não interfere nos atos da governação? Se não tanto agora, lembre-se dos tempos do fascismo. Dos tempos da monarquia nem se fala, um tempo em que os papas decidiam o destino de uma nação e inclusivé a sua existência. Veja as teocracias islamicas que persistem ainda hoje, sinónimo de uma evolução humana parada no tempo, primitiva e decadente onde a religião dita a lei. Veja-se os EUA, onde 40% da população acredita no criacionismo literal da Bíblia! No país mais poderoso do mundo! Leia o post recente deste blog sobre o estado do Texas. Na Grécia, por exemplo, ainda existem leis em que a blasfémia, seja lá o que isso for, é considerada crime e é punida, como aconteceu recentemente. Estamos em 2012! 2012 a entrar em 2013! Podia dar-lhe milhentos de exemplos, do passado e do quotidiano. Informe-se, mas com espírito crítico, por favor. O ateísmo não pretende que o estado lhe obedeça porque o ateísmo não é uma organização. É uma forma de compreender a realidade como ela é, desprovida de crenças e mitos culturais e sociais. Não tem pretensões. Isto é assim tão dificil de perceber? O ateísmo não é uma religião, muito menos uma corrente política. Por outro lado, a Igreja tem pretensões, como bem se sabe, de influenciar a sua “moral”. Os conceitos morais levam à aplicação de leis. Umas seculares e aceites por todos. Outras facciosas e imcompreendidas por muitos, mesmo pelos crentes. Há uma certa legitimidade em um estado ouvir as religiões? Depende da interpretação. E já agora, porque é que a concordata (que em si já é uma interferência no estado porque subtrai ao estado proventos) apenas existe para a religião católica? Não terão as outras o mesmo direito?… Portugal é um país cheio de católicos e de igrejas vazias. Sobram os velhotes, coitados, os emigrantes, uma vez por ano, os casamentos, e por tradição, e pouco mais. E porque não aceitar o estado o conselho dos tarólogos? E dos adivinhos? E dos mágicos? A Maia podia ser uma boa aposta… As igrejas representam milhões de pessoas batizadas. Não de praticantes. E tem muito mais descrentes ou agnósticos do que você pensa. E o ateísmo não tem pretensões nenhumas. Ninguém quer impôr nada. Apenas, quando muito, dizer às pessoas: pensem por vós próprios, pensem com o cérebro e não com o coração. A bondade está lá sempre presente, a ilusão de uma crença só está presente porque é imposta pela educação à força. Apenas isso. Deixem de ter medo do julgamento, do inferno, do pecado e dessas parvoíces e vivam a vida que é curta. Se quiserem continuar a acreditar, maravilha. Amigos na mesma, para o que der e vier. Sim, eu sou uma unidade. Assim como você. Apenas pensamos diferente. Mas eu não ando porta a porta a endoutrinar ninguém para o ateísmo. Ao contrário de alguém que eu conheço, mesmo que pense que está a agir corretamente. Vivamos apenas, cada um na sua.

  • manny

    Outro que mistura religiao com politica,o socialismo,comunismo so apareceram depois das injustiças do capitalismo selvajem,da realeza cèga !O ateismo è uma recusa da aceitaçao de um ser superior que nao existe,so na mentalidade d’alguns para vigarisarem outros!!Sejam eles deuses gregos, ejpycios astècas,maias,etc,etc cristaos ,e todas as sucursais por eles inventadas:nos u.s.a existem 128 igrejas que tem o deus comum ,e onde os prègadores ,sim,sim le o times mais de 50 foram condenados por burlas…ainda nenhum ateu foi condenado,nem por abuso de criança como os teus amigos padres cardeais rabins cheikes e passo.A igreja anglicana foi inventada por um rei (assacino) è uma comèdia a rainha chefe da igreja anglicana!!!Tens medo de perder o tacho …nao è verdade?

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