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  • 22 de Maio, 2012
  • Por Carlos Esperança
  • Livros

José, filho de Jacob e Raquel

Por

Leopoldo Pereira

Se leem a Bíblia, o que não me canso de recomendar, sabem que o casal só teve este filho depois de Deus interferir, pois até aí afirmava-se que Raquel era estéril. Entretanto Jacob não esteve parado e teve 10 filhos de outras mulheres, incluindo a cunhada. Escusado será dizer que o menino passou a ser o mais novo dos irmãos (meios-irmãos), mas também o mais querido dos pais. Pode parecer que isso nada tivesse de estranho, mas tinha! Lá na terra os mais novos deviam respeito e obediência aos mais velhos (hábito que nalgumas aldeias do concelho de Pinhel, por exemplo, ainda há pouco era observado). Ao que consta o José, protegido pelos pais, cedo provocou ciúmes nos irmãos; mais, ele gabava-se de ter sonhos onde aparecia sempre em posição cimeira relativamente aos manos.

Claro, foi a gota de água!

Interpretações fidedignas apontam para várias versões sobre a forma como os irmãos, que eram pastores, se desfizeram do maninho. Uma diz que o atiraram a um poço, indo de seguida lastimar-se junto dos pais, que uma fera o tinha devorado. Imagine-se a dor do casal perante tal desgraça, dor que jamais passou, ainda que tivessem tido outro filho: Benjamim.

José deve ter tido a sorte de haver pouca água no poço, ou a de se agarrar ao balde, que puxavam para as pessoas e animais beberem. Pouco depois desta cena horrorosa, passou no sítio a caravana de um ministro, de seu nome Putifar. Pararam para matar a sede e ao subirem o balde… quem havia de aparecer? Um belo rapazinho, que logo a sr.ª Putifar quis adotar, com a anuência do marido. O rapaz saiu atilado e dizem que chegou a obter o diploma das “velhas oportunidades”; a par disso cresceu tão ou mais belo do que era, levando a sr.ª Putifar a perder a cabeça. José não alinhou e lixou-se: A ofendida fez queixa ao marido, que José se tinha metido com ela, e o pobre foi parar à prisão. Podia ter sido pior…

Já na cadeia, o moço voltou aos sonhos, mas agora (com uma razoável formação intelectual), quis ir mais além e dedicou-se a interpretá-los. Foi tão bem sucedido, que a fama chegou aos ouvidos do Faraó. Este, supersticioso até dizer basta, teve uns sonhos esquisitos e quis pôr à prova os conhecimentos de José. O Faraó ficou a saber que a região ia ter uns anos agrícolas bons, mas que a seguir viriam uns maus! A confiança no rapaz foi tanta, que o hospedou no palácio e a breve trecho já era José quem superentendia nos celeiros. Ou seja, na hierarquia dirigente egípcia passou a ser a 2.ª figura. Casou com a filha de Putifar e teve dois filhos.

Como levou a sério a interpretação dos sonhos, encheu os celeiros enquanto pôde. Vieram os anos maus e, tanto os egípcios como os habitantes dos países vizinhos, iam aos celeiros comprar cereais (pão), que era vendido a dinheiro. Foi nesta fase que os malvados dos irmãos apareceram, também a comprar pão. José reconheceu-os, mas só da segunda vez lhes disse quem era. Então soube que tinha um irmão, que a mãe falecera e que o pai ainda estava vivo. Exigiu que lhe trouxessem Benjamim e ao vê-lo comoveu-se, tendo perdoado aos irmãos.

Depois pediu ao Faraó que autorizasse a família a fixar-se no Egipto (pedido logo deferido); o pai e os irmãos passaram a residir no Egipto, tendo sido bem aceites pela população local.

A certa altura os pobres camponeses já nem dinheiro tinham; então José aceitava, em troca do pão, animais domésticos. Depois já não tinham animais domésticos e José aceitava-lhes as terras, outrora de cultivo. Desta forma conseguiu encher os cofres do Faraó e torná-lo dono de praticamente tudo, inclusive das pessoas (suas escravas).

Esta história bíblica, como a maioria delas, apesar de “fidedigna” tem muito de fantasiosa. De qualquer modo e numa primeira fase, fiquei fã de José, pois me pareceu representar um final à altura do imortalizado amor que os pais protagonizaram. Mas depois desconfiei que José fosse mesmo o que à primeira vista supus ser. E não é.

Foi fiel ao Faraó e a Putifar, amigo da família, revelou ser inteligente e até admito que não ia à bola com os deuses egípcios, mas foi ESPECULADOR.

Viveu 110 anos (alimentação à base de cereais…) e foi sepultado num sarcófago egípcio.

Permaneço leitor assíduo do Livro Sagrado e, por via disso, porei ao dispor, dos aficionados como eu, mais histórias lá narradas, sempre que decida interpretá-las por escrito.

L. Pereira – 22/05/12

13 thoughts on “José, filho de Jacob e Raquel”
  • Athan Gene

    Cara, por mais que remexam e reinterpretem lendas antigas as mentiradas aparecem revelando o gosto do interesse da cada um.
    (Antes de continuar, uma pergunta: Não é “superintendente”, e assim: “superintendia”?).
    De certa forma não prezo que esse personagem expresse um “especulador”. Traga isso para a tal “crise” atual; há quanto tempo os “projetores de possibildades dos rumos sociais” como Alvin Tofler que palestrou no Brasil há algum tempo, têm alertado sobre iminentes modificações no comportamento social?
    Alguns precavidos se adiantam e tomam medidas para encarar as dificuldades, outros, como os EUA afundam-se em construir igrejas e se empanturrar de comida (ainda por cima, ruim — com toda a informação que tinham), não sabendo lidar nem com a riqueza, e nem com a própria sustentabilidade.
    Por outro lado, o Brasil de Fernando Henrique e dos Militares, andou; mas agora faz a mesma coisa que os EUA, rouba o povo e constrói igrejas, e dá cubículos de parede-meia para as pessoas pagarem para o resto da vida (e ainda se sentindo “abençoados”).
    O fundo da estória, que não é superficial, quanto à questão da inveja até entre irmãos, aponta para a questão da tradição que acarreta o arcaísmo retrógrado e inflexível sobre os indivíduos, atingindo-os social e individualmente.
    E quanto à questão dos “sonhos”, um “adivinho charlatão”, não é um sonhador que consegue analisar preocupações advindas nos sonhos. Uma escritora, acho que americana, ilustrou muito bem um livro sobre esse assunto (de como os sonhos podem nos indicar afetações e tendências internas e externas sobre nosso viver), contando que na África há uma tribo que literalmente tem o costume de os pequerruchos falarem sobre seus sonhos com os demais integrantes da tribo (se bem que tornaram isso uma liturgia “parada”; pois ficam a revolver as mesmas coisas e começam a entrar no reino da fantasia, como os videogamistas viciados).
    Acontece que nossa Sociedade, toda ela, não está até hoje, sabendo lidar com a capacidade produtiva de cada pessoa e nem ainda sabe aplicar isso educacionalmente. As diferenças não são só de fôro sexual, nem de raça (um estudo comprovou que os negros são pouco eficientes para distinguir gamas de cores que não são de acentuado contraste), mas de aptidões. Assim, empacotar cidadãos em jaulas de tradições ou crenças, ou rituais “educativos”, ou grades escolares rígidas, não faz a Sociedade progredir quanto à satisfatoriedade sócio-ambiental; e esse fracasso redunda em infelicidades que chegam ao cerne particular do índivíduo.
    Entendam como leituras manipuladas de lendas antigas com o fito de manterem um cêrco de uma Sociedade encurralada em formato de PASTO produziu esse estado nefasto de igrejas evangélicas totalmente PODRES, vidradas em dinheiro, e sem nenhum respaldo educativo que lhes justifique como serventia civil (por isso correm para se esconder atrás dos esportes, e aliciar a garotada com essa tramóia de “atividade do bem” — e aí vão como loucos atrás até do MMA, para “incentivar” os capangas fugidos de escolas que avolumam as “firmas de segurança” que têm as chaves dos apartamentos calhordamente dadas pelos “síndicos” muito “abençoados”).
    É uma tralha de problemas sociais, que só aumenta o emaranhado pérfido; pois nos perdemos da sinceridade e da disposição de melhorar MESMO o viver.
    Preferimos escutar os fingidos maléficozinhos que ficam a espreitar-nos o dia, e entregando-nos aos feitores-pulhas que tomam conta dos bairros e de localidades. lacaiados com a servidão estragada eterna.

  • HAMONBAAL

    Com tanto milagre eu acho uma profunda injustiça não incluirem o polvo Paul e o elefante bruxo, que têm previsto os resultados da bola, na bíblia.

    Podiam acrescentar uma adenda à bíblia…

  • Ateu sim, e daí ?

    Pois eu acho que todos os médicos deveriam ser incluídos.Os seus milagres podem ser comprovados cientificamente, mas a treta sempre trata por milagre os realizados por ignorantes analfabetos. Quanto mais ignorantes e analfabetos melhor.
    E vez ou outra aparece um patife afirmando que os iletrados são honestos.
    As cadeias estão lotadas de “honestos” crentes.

    • HAMONBAAL

      Não pescas nada de milagrologia.

      O que a ciência prova não pode ser milagre, porque é feito pelo médico.

      Milagre é quando a ciência não pode explicar, o que dá ensejo a que a igreja se aproprie do facto reclamando-o como seu – ninguém sabe como aconteceu esta coisa boa ?  Fixe, então posso dizer que fui eu, que ninguém pode provar o contrário.

      É o chamado milagre do aproveitamento abusivo da ignorância humana para fins de manipulação.  É um grande milagre.

      Agora, sou obrigado a insistir no polvo Paul e no elefante bruxo.

      Se a igreja reclama tudo o que de bom aconteça que a ciência não pode explicar, grande espertalhona, acho que o polvo e o elefante estão a ser subestimados na sua santice comprovada.

      Tudo o que não possa ser provado pela ciência é fair game para os abusos apropriativos de qualquer seita, visto que as seitas aproveitam TUDO o que a ciência não pode explicar aproveitando para meter a colher jurando a pés juntos que foi o santarrão X ou Y.

       Ora obviamente que a ciência não pode provar como o elefante bruxo adivinha os resultados dos jogos.

      Logo, é mais do que evidente que é S. patrício que adivinha os jogos e transmite os resultados às claques através do elefante bruxo.

      Por sua vez, santa Errmengarda, que torce pro clube diferente, faz o mesmo atravês de Paul, o polvo adivinho.

      Seja como for está fora de dúvida que estes animais são santérrimos.

      PS

      Podem-se inscrever na lista on line para receberem, por uma módica quantia, as santas reliqúias destes novos santarrões.  A saber, caganitas do polvo e baldes de bosta do elefante.

      Com essas sagradas reliquías poderão fazer mezinhas e rezas, atraindo a proteção de santa ermengarda e são patrício.

      • GriloFalante

        Está tudo muito certo, mas há uma coisa que nem as seitas religiosas explicam: e se a “coisa” que acontece for má? Aí, dá para chutar a bola para canto e berrar que foi o demónio.
        O desgraçado tem as costas largas; além de ter de guardar o Inferno, ainda tem tempo de andar cá por fora a fazer malandrices. Ou será que, à semelhança do seu criador, o gajo também está em toda a parte (o Mário Soares já lá esteve)?

    • Zemano

      Os ” perfeitamente” são muitos poucos. Tive a felicidade de encontrar muito próximo ser crente mas não consegue superar as suas objecções intelectuais, tal como o meu estimado e fraternal amigo. 
      * TONY (José para os amigos)

  • Athan Gene

    “Está em toda parte? Não me digas que o diabo é o tõezinho”?  Essa foi de rir … às vezes, a gente ri. 
    E lá vai o fakebook, vendedor de privacidade alheia, descendo ladeira abaixo …
    http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/243589_acionistas_processam_zuckerberg_e_bancos_sobre_informacoes_de_ipo.html 

  • Carlos

    No texto do Carlos Esperança há algo que não bate certo. A moeda apenas foi introduzida no Egipto no período ptolemaico, ou seja, após ter sido conquistado por Alexandre. Um pouquinho mais de veracidade histórica, se não se importa.

    • Leopoldo Pereira42

      Caro Amigo

      Nunca assumi a veleidade de me considerar muito versado nestas matérias,
      algumas (como sabe) deveras transcendentes. Mas acredite que interpretei
      o que li; na minha Bíblia (comprei-a) fala-se realmente de dinheiro. Se isso
      está escrito no sentido figurado (como muitas vezes nos dizem), não imagino.
      Já agora vou dizer-lhe qual a edição (às tantas não seja obra de Satanás):
      Bíblia Sagrada (edição pastoral), editada primeiramente pela Pia Sociedade
      de S. Paulo. Em Portugal foi revista por Frei Raimundo de Oliveira e pelo padre João Gomes Filipe. A Editora chama-se: Rotabook, (10/2/1993).
      De qualquer modo agradeço a lição que me deu sobre numismática, outro
      campo onde os meus conhecimentos são exíguos.
      Finalmente espero que não duvide do que lhe disse e como dei a cara, faça
      V. Ex.ª outro tanto, inclusive para me dar a oportunidade de lhe mostrar o
      Livro Sagrado que possuo.
      Cumprimenta respeitosamente
      Leopoldo Pereira 
       

      • Carlos

        Caro amigo

        Claro que não duvido da sua palavra. A Bíblia (também comprei uma, eheheh) é fértil nesse tipo de imprecisões. Não acredite em tudo o que lá vem escrito, eheheheh.

  • Carpinteiro

    No meu tempo o vinho de missa era o “Lágrima”. Quando eu era sacristão, bebia-o

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