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  • 23 de Março, 2012
  • Por Carlos Esperança
  • Humor

Preocupações religiosas de uma criança católica

É das melhores descrições da confusão do que é a Páscoa

Páscoa… que grande confusão !!!!

– Pai, o que é a Páscoa?

– Ora, Páscoa é …… bem… é uma festa religiosa!

– Igual ao Natal ?

– É parecido. Só que no Natal comemora-se
o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me
engano, comemora-se a sua ressurreição.

– Ressurreição?

– É, ressurreição. Maria, vem cá!

– Sim?

– Explica lá ao puto o que é ressurreição
para eu poder ler o meu jornal descansado.

– Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?

– Mais ou menos … Mãe, Jesus era um coelho?

– Que parvoíce é essa? Estás-te a passar! Coelho? Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que foste baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensaste se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular esta criança na catequese!

– Mãe, mas o Pai do Céu não é Deus?

– É filho! Jesus e Deus são a mesma coisa. Vais estudar isso na catequese. É a Trindade.Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

– O Espírito Santo também é Deus?

– É sim.

– E Fátima?

– Sacrilégio!!!

– É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?

– Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mãe entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende.
Mas se perguntares à catequista ela explica muito bem!

– Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

– (Aos gritos no meio da casa) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

– O coelho põe ovos?

– Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!

– Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

– Era, era melhor, ou então peru.

– Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Em que dia é que ele morreu?

– Isso eu sei: na sexta-feira santa.

– Que dia e que mês?

– Gaita!!!! Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

– Um dia depois portanto!

– (Aos berros) Não, filho – três dias!

– Então morreu na quarta-feira.

– Não! Morreu na sexta-feira santa… ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ouve, já me baralhaste todo! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois!

– Como !?!? Como !?!?

– Pergunta à tua professora da catequese!

– Pai, então por que amarraram um monte de bonecos de pano na rua?

– É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

– O Judas traiu Jesus no sábado?

– Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!

– Então por que eles não lhe batem no dia certo?

– É, boa pergunta.

– Pai, qual era o sobrenome de Jesus?

– Cristo. Jesus Cristo.

– Só?

– Que eu saiba sim, por quê?

– Não sei não, mas tenho um palpite que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não achas?

– Coitada!

– Coitada de quem?

– Da tua professora da catequese !!!

(Autor desconhecido)

12 thoughts on “Preocupações religiosas de uma criança católica”
  • Triangulo Da Laranja

    uiiii!…. Esta sim. É do melhor que tenho lido sobre essas coisas da catequese…. será que a sexta-feira santa é mesmo 3 dias antes da ressurreição?… Ou a ressurreição… Oh pá. Esta cena é mesmo complicada. Ou um gajo é bué d’inteligente ou – como esses pais – jamais conseguirá educar as crianças… 
    Vou mas é embora, ou ainda sou insultado por escrever estas baboseiras aqui… boa noute  

  • antoniofernando

    A minha preocupação é outra: a partir do momento em que Richard Dawkins se assumiu como cristão cultural também irá celebrar o dia de Páscoa ?

  • Coringablack

    Eu não tive problemas na catequese. Sempre achei tudo lindo, apesar de triste. As histórias. A professora tinha um ar depressivo, eu me sentiria culpado se a desagradasse.

    Um dia eu me senti azarado e revoltado quando ela disse: “Poxa vida, vocês estão vendo? Hoje, todos nós estaríamos numa boa se eles não tivessem comido a maçã”.
    Sim, foi legal porque eu aprendi e senti medo das  coisas de deus. Na catequese é tudo fácil, não existe essa chatice de conduzir o aluno ao senso crítico.

  • José

    Esse texto foi plagiado… Era bonito dar os devidos créditos ao autor.

    • Carlos Esperança

      Tem toda a razão , José. Se souber quem é o autor agradeço que me informe mas, para já, vou colocar uma nota com «autor desconhecido». Peço desculpa pelo lapso.

  • Manuel_crato

    A cultura areia no seu melhor!

    • Triangulo Da Laranja

      Cultura areia não conheço….! Mas que o texto é giro, lá isso é. E se é plagiado – como alguém diz num comentário lá para cima – melhor ainda. 
      Viva a apropriação! 
      A apropriação é subversiva… 
      Essa treta dos direitos de autor é um bom negócio para certos lobies, muito raramente para os autores… 

      • antoniofernando

        Gostava de ver se tinhas essa garganta para aqueles que se apropriassem dos teus escritos e depois viessem cantarolar-te que ” a apropriação é subversiva”.

        • Triangulo Da Laranja

          Escritos?… Não tenho casas para alugar.
          Não percebeste…? 
          lamento… a apropriação não implica dizer que és autor do que te apropriaste… É não fazer o jogo dos que detêm direitos indevidos e que – esses sim – expropriam os autores. Ou defenderás o monopólio de Sociedades de Autores controladas por interesses obscuros?… 
          Repara; no tempo do Gil Vicente ou do Fernão Mendes Pinto não havia sociedades de autores… e quem nega a autoria da “Peregrinação” ou o “Auto das Fadas” a esses 2 senhores? Apropriar não é “atropelar” autores… 
          aconselho-te a explorar na net as leis “DIABÓLICAS” que em breve te limitarão o acesso até a consultas em navegadores web… estás de acordo?!… Ok. Fica na tua.
          Que eu fico na minha.
          Boa noite.

          • antoniofernando

            ” Essa treta dos direitos de autor”, como catalogas, é o que há de mais legítimo para os autores. Estou a falar dos autores, independentemente de quem os representa. Quem cria uma obra, deve ter toda a legitimidade para retirar proventos económicos desse seu património intelectual, exactamente como aquele que trabalha tem direito à justa retribuição da sua força laboral. Depois, se os autores entendem dever ou não fazer-se representar por sociedades de direitos de autor é com eles.

            No tempo do Camões não havia direitos de autor. É verdade. Também já houve escravatura.

          • Triangulo Da Laranja

            ok…..! 
            E sabes?… 
            Cada um na sua. Defende o que entenderes como correcto (para Ti). É problema teu. Pela parte que me toca, fico na minha… Problema meu. 
            E assim sendo… Nem valerá a pena perder tempo com coisas de somenos. Há, com efeito, coisas mais importantes que a questão dos autores – eles que se amanhem. Este tipo de polémica não resolve coisa nenhuma para além de poder vir a engordar o ego dos actores em diálogo. 
            Não é do meu interesse. 
            Logo…. Não há mais a dizer. Não mesmo.
            Fim.

      • Manuel_crato

        Nunca ouviste falar na areia que algumas pessoas têm na cabeça?

        Neste caso é um adulto a falar como se fosse uma criança. Ou melhor: neste caso é um adulto cujo desenvolvimento não ultrapassa o de uma criança, a fazer perguntas cuja inocência não lhe permite responder.  

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