A ICAR e as excomunhões
Durante séculos os frades falsificaram os evangelhos, obras literárias usadas no negócio da fé, sempre com a atribuição a um autor imaginário que designaram por Deus.
Os crentes, por mais respeito que mereçam – e merecem –, não podem ser abandonados às crenças ridículas e às fraudes com que os funcionários de Deus procuram embrutecê-los.
Se é verdade que nunca a justiça, ou seja, o seu simulacro foi levado tão longe na abjeta crueldade, como na Inquisição, também é verdade que as sentenças pias se destacaram pelo ridículo.
Retiro de «Leituras Escolares, pág. 100», de José Nunes da Graça, alguns divertidos exemplos de excomunhões e crueldades que tiveram por vítimas réus cuja inteligência era inferior à dos juízes e, talvez por isso, incapazes de semelhantes crueldades:
– Em 1120, o bispo de Leon excomungou as toupeiras e os lagartos;
– Em 1394 foi enforcado numa paróquia italiana, um porco, por ter matado uma criança;
– Em 1488, alguns vigários do Este da França ordenam aos curas das freguesias circunvizinhas que notifiquem aos gorgulhos que deixem de fazer estragos durante os ofícios e procissões, sob pena de excomunhão;
– Em 1499, foi um touro condenado à forca, na abadia de Beaupré, por ter matado um mancebo;
– Em princípios do século XVI, também em Milière, foi proferida uma sentença contra os gorgulhos e os gafanhotos;
Em 1654, o bispo de Lausanne, excomungou as sanguessugas, por destruírem os peixes.
Os pios juízes não eram santas bestas porque não está provada a santidade.
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