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Feriados religiosos

Por

Onofre Varela

O governo julga ter descoberto uma poção mágica para ajudar a desenvolver a economia, suprimindo três ou quatro feriados ao calendário laboral!… É uma ideia que não passa de uma “ideinha”!
A retoma da economia não se alcança com a eliminação de três ou quatro feriados, nem com ataques aos direitos dos trabalhadores, mas sim com resoluções a nível do financiamento das empresas, criação de postos de trabalho, de alguns ajustes nas leis laborais (mas também na formação cívica, moral e humanística da maioria dos empresários) e na eliminação das dificuldades burocráticas para o estabelecimento de novas empresas, fábricas e lojas, na redução de impostos e na descida drástica (no mínimo na ordem dos 50%) dos preços dos combustíveis e da energia… e aumentando ordenados!
Não me perguntem como é que isto se faz… porque eu não sei. Não faço a mínima ideia, nem sou mágico!
Mas sei que quem se arvóra em mago é Passos Coelho… que pretende, com o aumento do desemprego, com a fuga do capital e dos profissionais (técnica e cientificamente mais válidos) para o estrangeiro, e com o estrangulamento da economia empresarial e familiar (falências, desmembramento de famílias e suicídios), promover o crescimento económico do país e a felicidade dos cidadãos!…
Relativamente aos feriados, e fingindo que a supressão de alguns deles resolveria alguma coisa (por si só não resolve, nem que se eliminassem todos os feriados), decidi fazer um exercício de passar o tempo (que é o mesmo que o governo faz nesta matéria).
Nesse fingimento peguei no calendário que tenho na parede da cozinha e constatei o seguinte:
Portugal tem, neste ano de 2012, 13 feriados, sendo sete religiosos, cinco históricos e um híbrido. A saber:

FERIADOS RELIGIOSOS (seta dias):
1 de Janeiro – Solenidade da Santa Mãe de Deus,
6 de Abril – Sexta-feira Santa,
7 de Junho – Corpo de Deus,
15 de Agosto – Assumpção de Nossa Senhora,
1 de Novembro – Dia de Todos os Santos,
8 de Dezembro – Imaculada Conceição,
25 de Dezembro – Natal.

FERIADOS HISTÓRICOS (cinco dias):
25 de Abril – Dia da Liberdade,
1 de Maio – Dia do Trabalhador,
10 de Junho – Dia de Portugal,
5 de Outubro – Implantação da República,
1 de Dezembro – Restauração da Independência.

FERIADO HÍBRIDO (um dia):
21 de Fevereiro – Carnaval.

OUTROS DIAS NÃO FERIADOS, MAS CELEBRADOS PELA IGREJA CATÓLICA E SUSCEPTÍVEIS DE CAUSAREM ALGUM ABSTENCIONISMO (13 dias):
8 de Janeiro – Epifania,
2 de Fevereiro – Apresentação do Senhor,
19 de Março – S. José Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria.
1 de Abril – Dia de Ramos,
8 de Abril – Páscoa,
20 de Abril – Ascensão,
27 de Abril – Pentecostes,
3 de Junho – Santíssima Trindade,
15 de Junho – Coração de Jesus,
29 de Junho – Apóstolos S. Pedro e S. Paulo,
25 de Novembro – Cristo Rei,
2 de Dezembro – Primeiro Domingo do Advento,
30 de Dezembro – Sagrada Família.

Tudo somado, temos dias religiosamente festivos em número de 20, sete dos quais feriados. Cinco dias feriados comemorativos de factos históricos, e um feriado híbrido: o Carnaval (do latim carne vale), que começou por festejar a fertilidade, no ano 600 aC, com origem na Grécia, e foi adaptado pela Igreja Católica no ano 590 dC, marcado pelo “adeus à carne”.
Dos feriados históricos pretende a inteligência governamental eliminar o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro. Sobre isso, diz o Movimento Liberal Social (MLS):
“São duas datas cruciais da história nacional, que continuam hoje plenas de significado.
“O Primeiro de Dezembro, dia da Restauração, marca o início de uma revolta que congregou o povo português contra o domínio espanhol e que garantiu, após décadas de resistência, a existência do próprio estado português que hoje temos.
“O cinco de Outubro, dia da implantação da República, marca o início do actual regime republicano, pondo fim à monarquia, regime fundado na desigualdade dos cidadãos perante a lei, e na hereditariedade de transmissão do poder.
“Estes feriados são essenciais para a compreensão do moderno Estado português. De tal forma que nem a ditadura Salazarista os pôs em causa.
“O MLS compreende que a supressão de feriados pode ser necessária, mas entende que, assim sendo, a supressão deverá ser feita primordialmente nos feriados que ferem o princípio da separação entre Estado e religião. De entre esse, há três feriados que não têm, hoje, qualquer significado para a esmagadora maioria da população: Corpo de Deus (feriado móvel numa quinta-feira de Maio ou Junho), Assumpção de Maria (15 de Agosto) e Imaculada Conceição (8 de Dezembro).
“O Movimento Liberal Social não aceita que a supressão destes feriados possa depender de negociações com a Igreja Católica nem de quaisquer ‘contrapartidas’ eventualmente a oferecer a essa confissão religiosa. A Igreja é uma organização social sem poderes políticos e não pode arrogar-se qualquer legitimidade para definir como deverá o Estado português (que é o Estado de todos os portugueses, e não apenas dos portugueses católicos) actuar”.
Subscrevo totalmente esta opinião do MLS, e digo mais isto: Nos feriados religiosos celebrados em 1 de Janeiro e 25 de Dezembro, encontro forte carga fraterna laica, para além do significado religioso que os marca.
O primeiro é considerado o Dia da Paz, e a Humanidade precisa tanto dela como de pão. Paz universal é necessária já, agora e sempre. Por isso faz todo o sentido dedicar-lhe um dia de reflexão e promover acções concretas que levem os homens a guerrear menos e a respeitarem-se mais na igualdade e nas diferenças que os caracterizam.
O segundo é reconhecido como o dia da confraternização das famílias, quer cumpram, ou não, rituais cristãos. Ter um dia anual para reunir familiares distantes numa refeição comum e conciliadora do que houver para conciliar, é ideia a apoiar e facto a cimentar.
Eliminados os três dias propostos pelo MLS, e considerados feriados com carga laica estes dois que refiro, restam dois feriados religiosos: a Sexta-feira Santa e o Dia de Todos os Santos… que dispenso.
Mas fico com a certeza de que o caminho para salvar a economia portuguesa não passa por aí. O governo deve manter todos os feriados (religiosos e históricos. Até, mesmo, o híbrido…) no respeito por todas as sensibilidades (mormente por razões da História e da Cultura que identificam um Povo. Um Povo sem História e sem Cultura, não existe), e, em vez disso, reduzir as despesas do Estado em 50%, sem prejudicar (antes, optimizando) o bom funcionamento dos estabelecimentos de ensino, de saúde e de Justiça (que deve estar mais atenta a acções corruptas ou pouco transparentes, aos favores partidários que fazem a filosofia do “são sempre os mesmos”, e que arranjam lugares dourados para os ex-governantes). Deve melhorar a segurança pública, e o corte de verbas deve incidir, especialmente, nas despesas com Fundações e perpétuos subsídios a ex-presidentes. Deve rever os custos do Parlamento, reduzindo o número de deputados para metade (sem artimanhas para extinguir a voz dos pequenos partidos), reduzir significativamente as imensas despesas do governo, cortar nas mordomias dos políticos, nos carros de gama alta, nas pontes do Parlamento (que deve trabalhar seis dias por semana, oito horas por dia, e com especial rigor na fiscalização das faltas dos deputados que ficariam impedidos de fazer pontes), eliminar o subsídio para aluguer de casa aos ministros e deputados que estão fora das suas terras (os professores também não o têm), cortar nos ordenados e reformas (que não devem ultrapassar os 4.000 € mensais) quer em cargos públicos, quer no privado, onde, actualmente, se auferem vencimentos tão altos que são um insulto para quem trabalha de sol-a-sol e recebe o ordenado mínimo de miséria máxima. As acções desonestas dos políticos e autarcas devem ser punidas com prisão (em julgamento rápido sem lugar a longos recursos), e com penas superiores (o dobro) às que seriam aplicadas a um cidadão comum por crime semelhante.
Como se faz isto?!… Não faço a mínima ideia!… O mago não sou eu, é Passos Coelho!
E se ele também não souber, que pergunte a Cavaco, o seu mestre… que também não sabe (foi, até, um obreiro desta desgraça, já que governou… e continua a demonstrar falta de saber com a alusão às vacas que sorriem de felicidade nos Açores, e com outras declarações infelizes).
Em alternativa… que pergunte aos Islandeses. Eles sabem.

Onofre Varela
Jornalista / Cartunista
Carteira Profissional Nº 1971

25 thoughts on “Feriados religiosos”
  • OP

    Caro Onofre: 

    Há diversas festas religiosas que aponta como OUTROS DIAS NÃO FERIADOS, MAS CELEBRADOS PELA IGREJA CATÓLICA E SUSCEPTÍVEIS DE CAUSAREM ALGUM ABSTENCIONISMO que não festas de preceito.

    Depois, mesmo para as que são: abstencionismo por que razão? Por acaso uma missa dura o dia todo?

    De resto, por mim (e não estou só na minha ordem) acabavam todos os feriados religiosos, que não faz sentido num país laico. Quem quer celebrar nunca precisou de faltar ao emprego para o fazer.

    Cumprimentos

  • Luciano

    Hhahahahahahaahahaha. Esses crentes são uma comédia.
    19 de Março – S. José Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria .                                                           

    • Ícaro Cristão

      “OUTROS DIAS NÃO FERIADOS, MAS CELEBRADOS PELA IGREJA CATÓLICA E SUSCEPTÍVEIS DE CAUSAREM ALGUM ABSTENCIONISMO (13 dias)”
      hahahahhahaahahhaahahahahahahahahahhaahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahhaahahahahahahahahahahhahahahahahhhaahahahahahahhahahahahahhahahahhahahahahahahahahahhahahaha (respiro, limpo as lágrimas e prossigo) hahahahahahahahahahhaahhahahahahhahahahahhahahahhahahahahahhahahahahhahahahahahahhahahahahahahhahahahahhahahahahahahhahahahhahahaahahahhahahahhahahahahhahahahahhahahahahhahahahahhahahahahhahahahahahahhahahah

      O blog Religioso e Espiritual DA bateu no fundo. Obrigado pelo momento lúdico.

  • António Rodrigues

    Caro Onofre,,
    Esqueceu o dia de Fernando Bulhóes, que fizeram dele  santo, e usou o nme artistico igual ao meu..
    13 de junho é feriado municipal em muitos concelhos, como no meu, Lisboa e muitos mais.

    • Anónimo

      Tiveram azar com o Porto; apesar de travestido de S. João, continuamos a celebrar o solstício de Verão a 24 de Junho. O Porto transformou o S. João na mais pagã das festas religiosas.

  • Kavkaz

    Os feriados são retiros espirituais.

    Quantos menos feriadoshouver menos retiros espirituais se podem fazer.

    Querem um exemplo de retiro espiritual luuoso?

    Padre em ‘retiro espiritual’ estava no ‘Costa Concordia’

    Um padre italiano disse aos seus paroquianos que se iria ausentar para realizar um retiro espiritual. Até aqui tudo bem, não fosse o pároco ser um dos passageiros do navio cruzeiro ‘Costa Concordia’, que há duas semanas naufragou ao largo da ilha italiana de Giglio.

    O padre Massimo Donghi foi desmascarado pela sobrinha, que, poucas horas após a tragédia, publicou uma mensagem no Facebook, dizendo que ela, o tio e a avó tinham sobrevivido e estavam bem.
    A sobrinha explicou ainda que os três familiares conseguiram alcançar um salva-vidas, que os levou até terra.
    Os paroquianos de Besana Brianza, uma localidade com cerca de 15 mil habitantes, ficaram então a saber que o padre estava num retiro espiritual… com 17 andares de luxo, casino, hidromassagem e até piscinas!

    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/padre-em-retiro-espiritual-estava-no-costa-concordia

    • HAMONBAAL

      Não digas essas coisas que eu converto-me já ao catolicismo.

      • Anónimo

        A França se f**** economicamente quando expulsou os huguenotes. Pois estes eram o sistema nervoso da economia francesa. Resultado… os paises (protestesntes) que os acolheram cresceram economicamente. (Inglaterra, EUA, Holanda, Alemanha…)…
        Algumas das figuras mais importantes da historia dos EUA tem ascendencia huguenote.

        • HAMONBAAL

          Tens de dizer isso ao fifi.

          Os papas tradicionalmente deram sempre cabo dos cristãos não católicos.  
          Expulsaram-nos, mataram-nos, hoje só perseguem aqueles que podem, os católicos que discordem minimamente com algum capricho papal são tratados animalescamente com uma falta de respeito total, proibidos de falar, de publicar etc.

           Mas como o fifi, que se diz não católico, (será?) passa o tempo todo  à frente do espelho a armar-se em grande intelectual, não tem tempo para se intruir e continua imbecil e obtusamente a lamber as botas aos papas que, se pudessem, lhe davam cabo da vida. 

          Coitadinho do fifi.  É triste ser um pobre de espirito.

          • Anónimo

            verdade.. curiosidade. o cardeal Richelieu era mais tolerante com os protestantes se o compararmos com Luis XIV que ordenou a expulsão dos protestantes com o fim do Edito de Nantes.
            Richelieu chegou a se aliar com paises protestantes na guerra dos 30 anos.
            Dizem que Richelieu era mais politico do que prelado.

          • Anónimo

            a igreja deu cabo de milhoes de pessoas e ainda por cima quer condenar um Stalin da vida…
            é brincadeira!

  • Nuno Almeida

    O 25 de dezembro e ano novo NÃO são religiosos, lá porque a igreja se apropriou deles não os faz religiosos, eu no natal celebro o juntar da família e a troca de prendas (a celebração original que foi posta por cima o nascimento de jesus) e no ano novo isso mesmo nem sabia e aposto que ninguém sabe que tb é religiosos

    • Anónimo

      Peço desculpa, mas admito que a memória é curta. Quando eu era criança, festejava-se a “circuncisão do Senhor” a 1 de Janeiro.
      A internet está cheia de referências a esse feriado.

      • HAMONBAAL

        Pois.

        Não há festa tradicional a que a igreja não lhe tenha colado um santinho por cima, a ver se o pessoal se esquece da origem da tradições.  

        Para eles poderem aldrabar a dizer que são a matriz cultural da Europa…

        • HAMONBAAL

          Aliás, a própria afirmação da igreja ser a matriz cultural da Europa  é em si mesmo uma contradição.

          O nome Europa pertence ao paganismo pré-cássico.

          Europa era uma princesa Fenícia, portanto uma adoradora de Baal, e é referido numa lenda da mitologia grega pagâ.

          Pretender ser a matriz cultural de um continente cujas referências culturais começam mihares de anos antes do cristianismo e a própria designação tem origem em religiões e tradições culturais anteriores ao cristianismo é CHARLATANISMO puro.

          • Anónimo

            o carnaval é fruto do paganismo

          • antoniofernando

            És mesmo um grande tótó. Pela tua lógica taralhoca, como antes de cada tradição houve outra tradição anterior, chegar-se-ia à ” brilhante” conclusão que a matriz cultural dos europeus foram os trogloditas. Como é que é possível ser-se tão estúpido ?

          • HAMONBAAL

             
            Caro fifi.
             
            Se alguma tradição nos chegou dos “trogloditas” não sei.
             
            Mas se tivesse chegado, teria de o admitir e não fingir que era de outros quaisquer, só porque me dá mais jeito, como vocês fazem.
             
            Isto chama-se HONESTIDADE e RESPEITO PELA VERDADE coisa que vocês não fazem ideia do que seja.
             
            Se a civilização europeia actual é culturalmente compósita.  Se aglutina tradições neolíticas, celtas, fenícias, etruscas, gregas, romanas, germanas, todas elas pagãs e mais as cristãs e posteriormente as  laicas modernas, porque carga de água é que temos de ignorar 90% da nossa matriz cultural só para vocês poderem dizer que é toda vossa ?
             
            A vossa pretensão à exclusividade cultural europeia é CHARLATANICE PURA.

          • HAMONBAAL

            Caro fifi.

            Pela tua “moral” distorcida de charlatão, então, como actualmente a cultura é essencialmente laica, como o laicismo veio depois, também eu poderia dizer que a matriz cultural europeia é laica e o cristianismo não existe em termos culturais.

            Não o digo porque não sou mentiroso como vocês.

          • HAMONBAAL

            Caro fifi.

            Gostei também da maneira como mais uma vez demonstraste que és um grande intelectual, um vulto do pensamento, ao tartar de “trogloditas” sem importância nenhuma tradições como a greco-romana clássica etc.

            És mesmo um triste.

          • Anónimo

            Descobri que o papa Pio XII condenou  a invasão da URSS à Finlândia em 1939.A condenação papal foi plena… mas o Papa não condenou as invasões alemãs e italianas….
            http://en.wikipedia.org/wiki/Foreign_support_in_the_Winter_War
            http://kimel.net/pope.html

  • Jj Junqueira

    Uai, sô, somente um dia de feriado para o carnaval? Aqui na ex colônia, o carnaval dura uma semana. O feriado oficial é de um dia, mas tudo pára na quinta feira a tarde e só voltamos ao batente na quarta feira depois do meio dia. 

  • Gunter_MSZ

    Se o Autor deste artigo é jornalista, e eu duvido, demonstra
    a baixa formação e a ignorância dos jornalistas do seu país.

    Artigos como este nem merecem grandes observações, a não
    ser: cultive-se um pouco antes de escrever e seja honesto nas afirmações!

    Além de um artigo da mais boçal falta de honestidade,
    percebe-se uma certa infantilidade. Um exemplo banal: o Carnaval não é feriado,
    muito menos tem algo de religioso (em muitos países a Igreja já tentou acabar
    com esta festa e, a quarta-feira seguinte, “quarta-feira de cinzas”, é que é um
    dia de celebração religiosa).

    Um jornalista honesta deveria perguntar por que razão a “troika”
    acha muitos os feriados de Portugal e não considera muitos os da Alemanha que,
    curiosamente, também tem treze feriados.

    Seguindo a linha de raciocínio (pouco racional) do jornalista,
    podemos defender que o Estado, separado da religião, nem sequer tem legitimidade
    para decretar ou proibir feriados religiosos. Nessa linha de raciocínio, a
    Igreja decreta os “dias santos” que entender e o povo, se assim o entender,
    pode os gozar/comemorar. Seguindo o mesmo raciocínio, não pode ninguém ser
    prejudicado por exercer uma religião, nem o estado proibir o livre exercício e
    a sua prática. Então seria um rebaldaria.

    Contrariamente aos jornalistas, todos sabemos que feriados
    se inserem na dinâmica social e cultural do país e, inclusive, sabemos que o
    fim dos feriados religiosos que foram anunciados pode representar muitos
    milhares de desempregados a mais, e a ruína de muitas famílias de comerciantes,
    por exemplo no Alto Minho, onde estou a viver. Não sou português nem católico,
    mas é com grande tristeza que vejo a ignorância dos jornalistas e dos políticos
    a afundar o país que, há mais de 30 anos, escolhi para viver.

    Gunter Swichsyztie.  

    • antoniofernando

      Caro Gunther

      Sou crente e cristão, não católico, mas não me parece que tenha sido justo com Onofre Varela. Ele defendeu precisamente a manutenção de todos os feriados, como poderá confirmar nesta passagem do seu extenso texto:

      “Mas fico com a certeza de que o caminho para salvar a economia portuguesa não passa por aí. O governo deve manter todos os feriados (religiosos e históricos. Até, mesmo, o híbrido…) no respeito por todas as sensibilidades (mormente por razões da História e da Cultura que identificam um Povo. Um Povo sem História e sem Cultura, não existe)”

      Por mim, gostei do texto de Onofre Varela, embora com o defeito da sua prolixidade. Mas, no essencial, julgo que se trata de um artigo elaborado de forma cordata e serena, que devo enaltecer.

      Você tresleu esse texto de uma forma claramente injusta para a pessoa de Onofre Varela.

      • HAMONBAAL

        Caro fifi.

        mais uma vez insistes em que não és católico apesar de defenderes raivosamente  os papas e os católicos mais conservadores.

        Lembro-te mais uma vez do que os papas faziam aos “cristãos não católicos” ou até aos católicos que se desviassem um milimetro da linha imposta por eles.

        Padre Malagrida
        Entregue ao Santo Ofício de Lisboa e após um processo, criticado por vários historiadores, foi acusado de heresia e posteriormente condenado ao garrote e fogueira, penas executadas em um auto-de-fé no dia 21 de setembro de 1761, no Rossio, a praça principal de Lisboa. Na opinião do filósofo francês Voltaire na obra “Cândido”, “(…) ao excesso de absurdo, juntou-se o excesso de horror”.

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