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Um Bom Ano de 2012

«Um carabineiro com um martelo de madeira dá-me um forte golpe nos dedos mindinhos de ambas as mãos.
«A seguir, com um alicate, começa a arrancar-me as unhas.
«Nesse momento entra o sargento, que lhe tira o alicate para o utilizar a arrancar-me o bigode. Em dada altura, como resultado da grande dor e do desespero, consigo morder-lhe a mão, o que faz com que um carabineiro me dê uma coronhada na cara.
«Perco a consciência e, ao despertar, dou-me conta que sangro muito da cabeça, do nariz, da boca, e que me faltam oito dentes. Tinham-mos arrancado com o alicate ou com golpes. Não sei».

*

«Estava grávida de cinco meses.
«Obrigaram-me a ficar nua e a ter relações sexuais com a promessa de uma pronta libertação.
«Apalparam-me os seios, deram-me choques eléctricos nas costas, na vagina, no ânus.«Arrancaram-me as unhas dos pés e das mãos. Agrediram-me com bastões de plástico e com a coronha de espingardas. Drogaram-me. Simularam fuzilar-me.
«Deitada no chão, com as pernas abertas, introduziram-me ratos e aranhas na vagina e no ânus. Sentia que era mordida e acordava banhada no meu próprio sangue.
«Conduzida a lugares onde era violada vezes sem conta, chegaram a obrigar-me a engolir o sémen dos violadores.
«Enquanto me agrediam na cabeça, no pescoço, na cintura, obrigavam-me a comer excrementos».

*

Entre 35.686 testemunhas, estes são apenas dois depoimentos de vítimas de tortura da Junta Militar do Chile durante o regime de Pinochet que voluntariamente se dirigiram à “Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura”.
Esta comissão foi criada no Chile em 2003 para dar a conhecer em toda a sua extensão, aos chilenos e ao mundo, os horrores praticados pela ditadura militar e pela adopção da tortura e do horror como uma política de Estado no período compreendido entre 1973 e 1990.

*

Um terror absolutamente indescritível foi o rasto deixado ao longo da História pelos Tribunais da Inquisição.

Nem sequer é fácil imaginar as masmorras imundas onde em nome de Deus reinaram durante séculos o ódio e a insensibilidade perante o sofrimento alheio e que mais pareciam «fábricas» com os mais tenebrosos instrumentos que a imaginação humana é capaz de inventar: cadeiras com pregos afiados, ferros incandescentes, pinças, roldanas, pesados blocos de pedra, correntes, garfos enormes, chicotes com pontas de ferro, cordas, machados afiadíssimos, guilhotinas, troncos, máscaras de ferro, forquilhas, garrotes, serrotes, esmagadores de joelhos, de cabeça, de polegares e de seios; cavaletes, e outros utensílios de “trabalho”.

Com a «Roda de Despedaçar» colocava-se o herege de costas sobre uma roda de ferro, sob a qual se colocavam brasas. De seguida, a roda era girada lentamente. A vítima morria depois de longas horas de dor indescritível, com queimaduras do mais alto grau. Não havia pressa para a morte do supliciado. Pelo contrário, havia o cuidado de prolongar ao máximo a sua agonia.

A «Mesa de Evisceração» destinava-se a extrair aos poucos, mecanicamente, as vísceras dos condenados. Após a abertura da região abdominal, as vísceras eram puxadas, uma por uma, por pequenos ganchos presos a uma roldana, girada por um carrasco.

Tentemos por um momento imaginar os rostos pálidos dos torturados.
Muitos imploram para morrer; muitos dizem “peçam-me qualquer coisa e eu farei”.
Outros, que passaram para a galeria dos «heróis da fé», enfrentam a dor com resignação. Não passam de cadáveres ambulantes.

Muitos estão na terceira, quarta ou quinta sessão de tortura. Se não resistem, os seus corpos são queimados e as cinzas lançadas algures.

E as suas memórias esquecidas.

Os Inquisidores conhecem bem o limite humano à dor. Quando algum desgraçado, acusado de heresia ou simplesmente de professar a religião errada, chega ao limite do sofrimento, é entregue aos cuidados do médico cirurgião que cuidará de suas feridas e dos ossos quebrados ou deslocados. A alegação é que a tortura não foi concluída, mas suspensa.
Após algumas semanas, são trazidos para novos interrogatórios.
Os que forem condenados à morte na fogueira terão as suas línguas arrancadas para que ninguém ouça as suas últimas “blasfémias”, e por elas não fiquem contaminados.

*

Como pode isto acontecer?
Como podem tantos seres humanos, seja em nome de um Deus seja em nome de um líder qualquer, praticar actos desta indescritível barbárie?

*

Stanley Milgram, professor de psicologia social na Universidade de Yale, levou a cabo em 1974 uma experiência com o objectivo de estudar a «Obediência à Autoridade»:

Entre pessoas comuns (operários, estudantes, secretárias, empresários, lojistas, etc.) foram recrutados voluntários a quem foi atribuído o papel de “professores”.

Esses “professores” foram instruídos a aplicar choques eléctricos de intensidade crescente (de 15 a 450 Volts) num outro indivíduo (que estava amarrado a uma cadeira com eléctrodos numa sala adjacente), e que era designado “estudante”.

Os choques seriam administrados todas as vezes que o “estudante” errava uma resposta a um questionário previamente determinado.

Milgram tinha explicado aos “professores” recrutados que o objecto daquele estudo residia precisamente nos efeitos da punição sobre a memória e sobre aprendizagem.

Como é óbvio, o “professor” não sabia que o “estudante” da pesquisa era afinal um actor, que convincentemente interpretava e manifestava desconforto e dor a cada aumento da potência dos “choques eléctricos” que lhe eram pretensamente infligidos.

O resultado da experiência foi absolutamente perturbador e mais “chocante” que qualquer voltagem aplicada:

– Nada menos do que 65% das pessoas envolvidas – os “professores” – chegaram mesmo, e sem qualquer hesitação, a administrar ao “estudante”, sob ordens do cientista (que na experiência representava a “autoridade”) os choques mais potentes, dolorosos (de 450 volts) e claramente identificados como perigosos e… potencialmente mortais!

E todos os “professores” – mas todos eles – administraram pelo menos 300 Volts!
Em muitos casos houve “professores” que a determinada altura da aplicação dos choques eléctricos se preocuparam com o bem-estar do “estudante” e até perguntaram ao cientista quem se responsabilizaria caso algum dano viesse a ocorrer.

Mas quando o cientista os descansou, afiançando-lhes que assumiria toda e qualquer responsabilidade do que acontecesse e os encorajou a continuar, todos os “professores” persistiram na aplicação dos choques com as voltagens mais elevadas, mesmo enquanto ouviam gritos de dor e súplicas dos “estudantes” para que os parassem.

*

Entretanto, foi feita uma experiência laboratorial semelhante, desta vez com macacos-rhesus.

Nessa experiência (sem dúvida absolutamente tenebrosa, diga-se de passagem), os macacos eram colocados em jaulas próprias onde só recebiam alimento se puxassem uma determinada corrente.

Contudo, sempre que puxavam essa corrente era-lhes proporcionada comida, mas simultaneamente era infligido um violento choque eléctrico a outro macaco-rhesus, cujo sofrimento poderiam então observar através de um vidro espelhado.

Passado muito pouco tempo todos os macacos se aperceberam de como tudo funcionava e de que era precisamente o seu gesto de puxar a corrente que, enquanto lhes garantia a comida que pretendiam, era também ao mesmo tempo a causa do sofrimento do outro macaco.

Acontece que logo que faziam essa associação praticamente todos os macacos deixaram de puxar a corrente e preferiam passar fome a fazer sofrer um outro macaco, com quem nem sequer estavam familiarizados e que pertencia até a uma tribo diferente.

Numa ocasião e mesmo ao fim de um longo tempo de fome, os cientistas observaram que, no máximo, somente 13% dos macacos acabavam por puxar a corrente.

Alguns chegaram ao ponto de quase morrer de fome; mas nunca mais puxaram a corrente!

*

É, de facto, perturbadora a comparação entre as duas experiências.

Porque, para já, ela demonstra que as mais básicas noções de ética são conaturais aos indivíduos, mesmo aos animais, ainda que sejam nossos «primos».

Demonstra ainda que essa ética é racional, porquanto decorre de princípios de civilização e de necessidades práticas de convívio social e também de interacção individual.

Demonstra, finalmente, que essa ética, que é racional, prática e civilizacional só cede perante princípios de irracionalidade, sejam de ordem religiosa ou de ordem política e que, quantas vezes mascarados de princípios de ordem “moral”, acabam por ser acatados e aceites por tantas pessoas, que acriticamente lhes passam a obedecer cegamente, pugnando até pela sua imposição aos demais cidadãos.

É esta “obediência”, firmada em primeiro lugar na ausência de uma consciência individual, e que é irracional e cega a qualquer noção de ética e até à mais básica dignidade humana, que leva às barbaridades praticadas pelos Homens.
Seja nas ditaduras latino americanas, na União Soviética, na Alemanha de Hitler, ou noutro país qualquer, até mesmo em Portugal.

Seja em nome de uma ideologia, de uma política ou de uma religião;
Seja em nome de abstrusas concepções de autêntico «relativismo moral» ou da cretinice de considera-ções como a que afirma que não se deve ser «demasiado racionalista».

E que, todas, acabam por conduzir ao Holocausto ou aos Gulags e ao extermínio de milhões de pessoas.
Que conduzem a uma Inquisição tenebrosa ou a um terrorismo frio e sem rosto que torturam e matam em nome de Deus.

As ditaduras podem ser instituídas por uma “Junta Militar”, por uma religião, ou por um qualquer punhado de indivíduos que assumiram num país uma tal concentração de poderes que lhes permite a prática impune de tudo o que lhes vem à ideia.

Mas isso só é possível – sejamos claros – com a inexplicável complacência e com a injustificável tolerância para com os mais imbecis critérios de irracionalidade, que mais não significam do que uma autêntica cumplicidade de toda a estrutura da sociedade.

De todos nós!

De facto, Stanley Milgram repetiu a sua famosa experiência em mais de uma dezena de outros países, de todos os continentes, sempre com resultados absolutamente idênticos.

Do Chile de Pinochet ao Cambodja de Pol Pot, passando pelo Portugal da Pide e dos Tribunais Plenários, será talvez a “obediência”, a “falta de sentido crítico” e a irracionalidade com que acatam determinações políticas ou religiosas, que explicam por que motivo pessoas comuns, colocadas em determinadas circunstâncias e sob a influência de uma autoridade – política, ideológica ou religiosa – que nem sequer se lembram de questionar (e que antes procuram até impor aos outros), sejam capazes de cometer os crimes mais hediondos.

No entanto, ouve-se dizer de alguém que se quer elogiar que é «uma pessoa de muita fé» ou que ao longo da sua vida sempre foi «coerente com os seus princípios», embora nem sequer cuidemos de saber quais foram tais… «princípios».

Mas a partir de que altura da História da Humanidade é que o prestígio e até o bom senso de uma pessoa passou a ser sinónimo ou a ser proporcional à irracionalidade que lhe é atribuída?

É até irónico que virtudes humanas como a lealdade, a solidariedade, o sacrifício próprio, a disciplina ou o amor ao próximo, e que tanto valorizamos, sejam as mesmas propriedades que também criam pessoas homofóbicas, misóginas, racistas ou xenófobas ou que as transformam em autênticas máquinas destrutivas de ódio, de guerra, de corrupção e morte, e ligam homens e mulheres a princípios, ideologias ou religiões repulsivos e perversos.

Ideologias e princípios, quer políticos quer também religiosos que são, ainda hoje, cega, acrítica e incondicionalmente apoiados e irracionalmente seguidos por tantas e tantas pessoas que da forma mais indigna e abjecta nem a si próprias se respeitam.

É pois a este planeta, habitado pelos humanos, que desejo:

– Um bom ano de 2012!

22 thoughts on “Um Bom Ano de 2012”
  • Anónimo

    Faltou falar de “democracias” que impoem coitadismo e sacanagem desde 2001… tudo por causa de avioes em NY… (caso mal contado)

  • Anónimo

    e esses anjinhos?? Que dizer??
    http://www.youtube.com/watch?v=pF5MhzFdBsU

  • Luciana

    Nossa! Bom 2012, pensando nesses aspectos da humanidade, soa bem com um “boa sorte”!
    Muito pertinente a reflexão. Gostaria de saber a fonte das pesquisas – tens para compartilhar?

  • HAMONBAAL

    Essa experiência é muito gira mas não explica tudo.

    Começa logo que a “autoridade” não é exterior ao homem, visto que os seus detentores são tão humanos como os outros.

    Quem escreveu o Mein Kampf ou o antigo testamento era tão humano como nós.  E muitos dos que não detêm autoridade seriam ainda piores do que muitas das actuais autoridades se a viessem a possuir.  

    Aliás, muitos do que não possuem poder passam a vida a tentar prejudicar o próximo, por iniciativa própia, pelo que não se pode responsabilizar o conceito de autoridade de todos os males do mundo.

    • Anónimo

      Por que Iran e Coreia N. são mais linchados  na midia do que a China e A.Saudita?? Pelo visto o mundo tem “boas” e “más” ditaduras.
      a ONU é uma ditadura… pois tem 200 membros e apenas 5 ditam as ordens.
      a UE é uma ditadura pois só uma minoria dita.

      • HAMONBAAL

        Bem vistas as coisas, todas as democracias são ditaduras.

        Vejamos como funciona o sistema eleitoral.

        Um partido é eleito (já de si excepcionalmente) com maioria absoluta.  Digamos, 51% dos votos.

        O que significa isto ?  Que 49% votaram CONTRA o governo.

        Mas o pior não é isso, é que nesta conta nunca entra a abstenção, que, normalmente, ronda os 30%.

        Resumindo, a dita maioria rés-vès só conta com os que votaram, na realidade, se a asbtenção fosse levada em conta, como devia, uma maioria de “51%” normalmente significa que apenas uns 25% – 30% votaram realmente no partido da teórica “maioria absoluta”.

        Se a isto juntarmos que mesmo essas supostas maiorias absolutas são raras, podemos concluir que, muitas vezes, em governos de maioria relativa chegamos a ser governados por partidos que apenas tiveram o apoio de uns 15% da população.

        Se pensarmos ainda que na maior parte das vezes mesmos os que votaram o fizeram enganados por falsas promessas eleitorais etc, coisa que acontece sistematicamente, temos um problema ainda maior.

        Ou seja, na realidade somos governados em ditadura.

        Apesar disso, temos de reconhecer que os regimes ocidentais, ditos democráticos, são os únicos onde podemos estar a teclar destas coisas sem medo de ir parar a uma vala comum.

        • Anónimo

          existe um jeito bem cruel de certas “democracias” acabarem com os cidadãos… simplesmente se omitem na questão de segurança, saude etc. o cidadão terá ke rezar pra ser não ser roubado e morto por ladrões…

        • Anónimo

          A India não é ocidental mas é considerada democracia… apesar da maioria do povo passar fome.

        • Anónimo

          Veja que ironico… Dubai (EAU) é idolatrado no Ocidente… nunca vi uma midia oficial do ocidente falar mal do sistema politico local … sabemos que lá a teocracia é iminente. mas… como se trata de um parceiro comercial….
          http://www.youtube.com/watch?v=_BNwkqTVyMw

        • Anónimo

          outra contradição… por que o vaticano… estado teocratico e ke vive as custas da Italia (e de outros paises) é tão bem visto pela midia… apesar dos pesares?

        • Anónimo

          Alguém disse (Churchill, se a memória não me atraiçoa) que a democracia ainda é o menor dos males. O que não faz dela uma coisa boa.

  • Athan3

    Esses são dados mostrados no livro Mente e Cérebro de Lauren Slater; SUMIDO de qualquer livraria. Mas temos um fato que explica o que tem ocorrido conosco: Quase por acidente, no finalzinho de 2011, ao verificar a osmose no caule de uma planta, utilizando varredura eletrônica, chegou-se a resultados inimagináveis quando alguns pesquisadores por curiosidade resolveram aplicar o procedimento em imagens aleatórias buscadas na mídia; alguns ficaram algumas noites muito preocupados; descobrir que temos sido infeccionados por um microquimerismo semelhante ao que ocorre`em  nossa pele quando ficamos expostos em muito contato com cachorros, foi terrível. Tem um verme que nos assola psicológica e fisicamente; precisamos aplicar uma pesquisa científica nos que estão aí nas imagens, e precisamos conseguir livrar a espécie humana disso. 

  • antoniofernando

    “ideologias e princípios, quer políticos quer também
    religiosos que são, ainda hoje, cega, acrítica e incondicionalmente apoiados e
    irracionalmente seguidos por tantas e tantas pessoas que da forma mais indigna
    e abjecta nem a si próprias se respeitam.”

    LGR

    “Eu não quero alienar os muçulmanos, quero eliminá-los”

    Christopher Hitchens

    “Algumas ideias são tão perigosas que seria até mesmo
    ético matar pessoas por acreditar nelas. Isso pode parecer uma afirmação
    extraordinária, mas meramente enuncia um facto ordinário sobre o mundo no qual
    vivemos. Isso é o que os Estados Unidos tentaram no
    Afeganistão e o que nós e
    outras potências ocidentais estamos obrigados a tentar, mesmo a custo maior
    para nós e para inocentes no exterior, em todos os lugares do mundo
    muçulmano”

    Sam Harris

    • Anónimo

      §2267
      O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de com provadas cabalmente a identidade e a responsabilidade de culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto.Catecismo da Igreja Católica

      • antoniofernando

        Pois eu fico indignado com esse ponto do Catecismo da ICAR . Mais uma vez falhaste o alvo. Mas tu é que silencias os ditos reaccionários e nazis dos teus coleguinhas Hitchens e Harris. Andas com muito azar comigo, insecto falante.

    • Anónimo

      Sam Harris é adepto da teocracia israelense. Nada de novo. Ele detesta a concorrencia.

  • Kim_necas

    Vi aqui excelentes ideias para aplicar a contra ladrões, violadores, políticos corruptos, caluniadores, escravizadores do povo, escarnecedores de gente honesta e séria, parasitas de passam a vida a injuriar e a difamar pessoas decentes, libertinos que querem transformar a sociedade numa estrumeira social e cultural, e outros relacionados.

    Bem haja que usou tais técnicas contra tão nojentos animais humanos, bem haja que hoje use e continue a usar no futuro, tais técnicas contras os citados e todos os profissionais do mal-estar social.  

    Houve gente corajosa ao longo da Historia, hoje é que estamos a fracassar e a tornar o mundo um lugar inabitável. 

    Tenham um Bom Ano. 

  • Kim_necas

    “As ditaduras podem ser instituídas por uma “Junta Militar”, por uma religião…”
    Isto cheira a analfabetismo ou pouca capacidade.

    As piores ditaduras do Mundo nasceram com lideres eleitos  por sufrágio directo ou com ideias anti-religiosas.

    Há afirmações falsas que descredibilizam definitivamente o autor de uma opinião.

    • Anónimo

      e por ironia do destino um Obama(ou Bush) da vida é conivente com um rei saudita da vida(que decapita “bruxas”)

  • Jj Junqueira

    Por estas e outras que alguns estudiosos estão dizendo que o mundo já foi mais violento.
    Feliz de quem está nascendo agora.

  • José Gonçalves

    Democracia do Grego é o Poder do Demo ou seja do Populo ou Povo.Mas na Grécia Antiga era a Élite que exercia o Poder.O Demo não tinha voto na matéria.Depois os Latinos traduziram o termo Demo para Demónio e o Povo é o Diabo.De modo que são as Élites com destaque para os Vigários de Cristo que continuam vigarizando o Demo que
    na sua maioria faz parte do rebanho do Senhor e assim alienado,enganado e confiante,
    delega nas Élites a defesa dos seus interêsses.E a maioria dêstes Vigários de Cristo é oriunda do Povo,assim como muita gente da pequena e média Burguesia que conseguíu por vários modos,subir na escala social,renegando depois a sua origem e até mesmo
    tornando-se inimigos mortais da classe popular ou plebeia.E assim foi adulterada a Democracia. 

  • Almeida

    Uma das experiências aparece no filme “I comme Icaro”, em Português “I de Ícaro”. Um dos ingredientes, além de outra pessoa assumir a responsabilidade, é o fato de o torturador ser também colocado na condição de autoridade. Ele é uma autoridade que não precisa se responsabilizar por seus atos porque “o sistema” já o faz. “Esse é o seu papel. Seu dever é esse!” O cumprimento desse “dever” é a condição para que mantenha sua condição de autoridade. Provavelmente, o professor que aparece no vídeo que o Maurício nos mandou sobre um professor islâmico de uma escola de crianças se enquandra em princípios análogos ao que o articulista denuncia. É onde a construção pseudo-racional de uma determinada cultura consegue alterar o significado de sinais que poderiam levar a uma reflexão e à transformação. Por exemplo, as crianças gritam de medo e dor, espancadas com vareta pelo professor, mas estes sinais não movem sua empatia ou compaixão porque foram ressignificados. No entender da ideologia, a criança berra por efeito da relutância que o mal apresenta em abandonar a pessoa. O professor juraria que está evitando que as crianças sigam o mau caminho. Algo semelhante acontece quando, em nome de uma religião, é utilizado o medo para silenciar a razão, mediante a criação de ameaças inverificáveis e, por isso, não sujeitas ao teste de realidade. Toda uma teia é construída para manter essa “verdade inverificável” como verdade inquestionável: Uma sociedade que oferece apoio mútuo a seus membros, uma valorização mútua dos integrantes do mesmo clã cultural, acompanhada pela demonização de quaisquer outros que ousem fazer questionamentos… No campo da política, os regimes autoritários valem-se exatamente dos mesmos procedimentos. Isto significa que a causa não está na dimensão religiosa do ser humano, nem em sua dimensão política. Está na nesse jogo de “obediência que confere autoridade” descrito numa das experiências. O que regimes políticos e organizações religiosas fazem, quando caem em tais aberrações, é adaptar o mesmo jogo perverso às circunstâncias especiais de cada situação. Lavagens cerebrais, projeção do medo sobre um suposto inimigo, oferta de segurança dentro do grupo escolhido (político ou religioso), reforços à avaliação de que “nós somos melhores do que eles”, “nós estamos com o bem e eles com o mal” e – item extremamente importante em qualquer lavagem cerebral – vacina. A vacina, neste caso, significa pôr em guarda o fiel (a crença ou ao partido) contra qualquer coisa que possa questionar “as verdades de base”. O diabo utilizará os artifícios da razão, usará mesmo as pessoas mais queridas para tirar a pessoa da “senda da salvação”. Os argumentos políticos contrários são apresentados numa leitura deformada (“os outros, além de maus, são também burros”), demonstrando mais uma vez a superioridade do nosso sistema. O exercício político precisa estar no contexto de uma organização social que reavalie constantemente suas práticas, a fim de discernir o que merece ser mantido e identificar o que precisa ser transformado. A dimensão espiritual faz parte do ser humano e o impele a descobrir cada vez mais o seu potencial. Somente quando forçada a caber dentro de mecanismos de dominação é que se torna alienante.

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