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Treta da semana: direitos, graças a Deus.

No blog do Expresso, o Henrique Raposo escreveu esta semana que «o Direito Natural precisa de uma base religiosa, precisa de uma comunicação com a transcendência divina. [Porque] sem uma noção de transcendência, sem algo que nos liberte da prisão do aqui-e-agora, o poder político fica com as portas abertas para limitar os direitos inalienáveis dos indivíduos.» Desta premissa conclui que «os tais “direitos inalienáveis” (a base ética e constitucional das nossas vidinhas) têm uma raiz bíblica» pelo que há «necessidade de Deus (e de Cristo)»(1). Que grande confusão.

A inferência da “noção de transcendência” para “raíz bíblica” e, daí, para o Deus cristão e Cristo, apesar de costumeira neste tipo de argumentação, é obviamente inválida. Há muitas “noções de transcendência” que nada têm que ver com a Bíblia e, mesmo entre as que têm, muitos milhões de pessoas seguem aquelas que não incluem Cristo. Mesmo que os direitos naturais precisassem de uma transcendência divina, nada permitiria concluir que esta seria Cristo ou um deus como os cristãos imaginam.

Também não é preciso um deus desses para justificar direitos naturais. A ideia de que há um conjunto de direitos e deveres inerentes ao ser humano, independentes das leis que os humanos criam, é uma parte fundamental de muitas filosofias éticas que não dependem de um deus pessoal como o dos cristãos, desde as mais antigas, como o estoicismo grego e o dharma hindu, até ao libertarianismo moderno. O Henrique argumenta que é preciso essa transcendência cristã porque senão «o poder político fica com as portas abertas para limitar os direitos inalienáveis dos indivíduos.» Mas só ignorando dois mil anos de cristianismo é que se pode julgar que a crença em Cristo impede o atropelo desses direitos que consideramos inalienáveis.

Além disso, as teorias éticas mais influentes hoje em dia – utilitarismos e contractualismos – não se baseiam em direitos naturais. Nestas, os tais direitos que as leis devem respeitar são derivados de factores como a capacidade de sentir ou aquilo que agentes livres e racionais concordariam em estabelecer. A ética moderna não precisa de assumir direitos naturais. O que é uma vantagem porque, como premissa, sempre foram muito frágeis e facilmente descartados por quem estava no poder.

Se o Henrique tiver o cuidado de ler a Bíblia e a Constituição da Republica Portuguesa verá certamente que a relação entre as duas é muito mais de contraste do que de semelhança. O Novo Testamento tem pouco acerca de direitos, deveres, leis ou política. Como fundamento ético, “ama o próximo” tanto dá para lhe lavar os pés como para o queimar vivo para lhe garantir o Céu. Os Autos de Fé eram praticados no mais pio espírito de amor e compaixão. E as partes do Antigo Testamento que lidam com leis e deveres parecem um manual de ditadorismo escrito por facínoras ignorantes. Provavelmente porque são isso mesmo.

Nos primeiros dois artigos, a nossa Constituição declara que Portugal se baseia na «dignidade da pessoa humana e na vontade popular» e que «é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas». Há de me dizer o Henrique quando é que o cristianismo, ou qualquer outra religião de peso, declarou basear-se na soberania popular, no pluralismo e na democracia. Depois temos o princípio da igualdade, que manda a lei tratar todos de forma independente de «ascendência, sexo, raça, língua, […] religião, […] condição social ou orientação sexual.» Gostava que o Henrique mostrasse onde é que isso está na Bíblia, ou na prática das igrejas cristãs destes vinte séculos. Ou, por exemplo, «Em caso algum haverá pena de morte. […] A integridade moral e física das pessoas é inviolável. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos»(2). Faz-me pensar se o Henrique alguma vez leu a Bíblia, nem que fosse de relance. Ou a história da Europa cristã. Ou sequer reparou no símbolo do cristianismo. Se os direitos humanos que hoje reconhecemos nos tivessem vindo dos tempos bíblicos, Jesus nem sequer teria sido preso, quanto mais torturado e morto na cruz.

É verdade que a nossa cultura é cristã, entre muitas outras coisas. Aqui em Portugal já se vendeu escravos, já se proibiu mulheres de votar, já se prendeu muita gente só por discordar de quem estava no poder e já se torturou pessoas por terem a religião errada. A “nossa” cultura é uma mistura de actos e tradições de muita gente, com coisas boas e coisas más. A nossa noção de direitos humanos universais, acima de qualquer legislação ou governo, vem no seguimento de toda esta história. Isso é inegável. Mas é um disparate dizer que surgiu por causa do cristianismo. Mais correcto será dizer que surgiu apesar do cristianismo, e de muitas outras tradições também contrárias à igualdade, à liberdade e à democracia.

1- Henrique Raposo, A necessidade de Deus (e de Cristo)
2- Parlamento, Constituição da República Portuguesa

Em simultâneo no Que Treta!

20 thoughts on “Treta da semana: direitos, graças a Deus.”
  • antoniofernando

    Ludwig

    Concordo, no essencial, consigo, embora o chamado ” Direito Natural” não seja uma categoria filosoficamente objectivável. Sobre o que seja o “Direito Natural”, múltiplas teses se podem erguer. A vida é um direito natural ? A pena de morte põe em causa um direito natural ? O aborto põe ou não em causa o direito natural de um ser vivo em gestação poder nascer ? A eutanásia é um direito natural ou não ? O suicídio é um direito natural ou não ? As uniões entre pessoas do mesmo sexo traduzem ou não um direito natural ? Um filho gerado por processo de inseminação natural tem ou não o direito natural de saber quem é ou foi o seu progenitor ? Uma pessoa tem ou não o direito natural de mudar de sexo ? Tantas outras questões aqui poderia levantar quanto ao que você considera como direito natural.
    Seja como for, discordo da posição do Henrique Raposo. Não é necessário apelar para nenhuma concepção de Deus para alguém se comportar de acordo com padrões éticos, ainda que também, na Ética, na Moral e na Justiça, haja entendimentos diversos.
    Eu acredito em Deus, numa certa e determinada concepção de Deus. Acredito na mesma concepção de Deus do físico quântico Amit Goswami, não acredito na versão demoníaca do suposto Deus do AT.
    Que importa se eu acredito em Deus e você não ? Em cada ser humano, existe latente o sentido de Justiça, do Bem, do Belo, da Ética. Tantas vezes divergimos, mas isso faz parte da nossa natural forma de vida. Contra isso nada a fazer. Cada qual irá beber a Ética onde muito bem entender. Por mim, continuo a afirmar que Jesus de Nazaré trouxe ao mundo uma proposta revolucionária de um enorme sentido de Justiça e de Ética. Se não fosse crente em Deus, se fosse ateu ou agnóstico, admito como altamente provável que me reveria nos princípios éticos apregoados por Cristo. E nem vejo que seja incompatível a alguém que seja ateu ou agnóstico não ser também cristão. Mas, quanto a todas estas questões, cada um sabe de si. Eu só sei de mim próprio.

    • HAMONBAAL

      ” Se não fosse crente em Deus, se fosse ateu ou agnóstico, admito como altamente provável que me reveria nos princípios éticos apregoados por Cristo.”

      Cristo apregoava a falsificação de identidades em larga escala para enganar as pessoas como tu costumas fazer aqui no blog ?

      Não conheço esse evangelho nem o mandamento “Vai e engana o próximo”  ou o “Crescei na aldrabice e  multiplicai os vossos nicks falsos”.

      Deve ser uma nova revelação, o mais que novo testamento, onde te baseias para a tua “certa e determinada visão de Deus”.

      Ou será falsa e aldrabada visão de deus ?

      • antoniofernando

        Vai tratar o teu complexo de inferioridade em relação a mim, que não te fica nada bem.Estou-me nas tintas para o que penses ou não penses.És uma completa nulidade e um caso típico de patetice congénita.

        • Anónimo

          Há uma coisa (pelo menos) que eu admiro em ti: tu tens-te em muito alto conceito! Acima de ti, só o teu deus.
          É dessa humildade que o B16 precisa.

          • HAMONBAAL

            Iap.  O tipo está MESMO convencido de que é um exemplo para todos nós.

            O maluco falsificador de nicks que até os outros crentes desprezam como aldrabão, acha que é por fazer grandes tiradas em prol da moral que nos vamos todos esquecer do seu comportamento aberrante de louco falsificador.

            Aliás esta postura está de acordo com toda a incoerência do auto-nomeado “intelectual” dos posts.

            Aliás ele já se autonomeou de tudo um pouco.  Já passou por judeu que ignora completamente as criticas judaicas a Piu XII, católico moderado mas que defende ferozmente todas as posições ultraconservadoras dos catolicos radicais, ateu que reconhece a superioridade do pensamento religioso (!), até já se nomeou com o meu próprio nick.

        • HAMONBAAL

          Em matéria de falsificação de nicks reconheço que sou TOTALMENTE inferior a ti e verdadeiramente uma nulidade, porque nunca falsifiquei nenhum.

          Reconheço que és um verdadeiro génio em matéria de aldrabice, tanto em quantidade como em qualidade.

          O que torna pertinente a questão de, se os evangelhos foram escritos por gente como tu, se haverá neles ao menos um pinguinho de verdade ou serão mesmo totalmente falsificados do princípio ao fim, como as tuas falsas identidades ?

          Podes responder com grandes passagens de Nitzchsce, mesmo não tenham nada a ver, que eu gosto.

      • Anónimo

        Palavras do papa Leão X: “Quantum nobis prodeste haec fabula Christi!” (“Quanto nos é útil esta FÁBULA de Cristo!”)

        “A fabula de cristo é de tal modo lucrativa que seria loucura advertir os ignorantes de seu erro” – papa Leão X

        “Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja”. São palavras de Sto. Agostinho.

    • Anónimo


      Eu acredito em Deus, numa certa e determinada concepção de Deus. Acredito na mesma concepção de Deus do físico quântico Amit Goswami, não acredito na versão demoníaca do suposto Deus do AT.”
      Pois. Mas qual delas, afinal,é a verdadeira? A tua, ou a do AT?
      Ou nenhuma?

      • HAMONBAAL

        Ora.

        A concepção verdadeira é SEMPRE a do crente com quem estamos a falar.

        Daí que hajam literalmente milhões de concepções “verdadeiras” e contraditórias, que se excluem todas umas às outras.

        O método deles de aferir a “verdadeira” concepção de deus é muito simples e eficaz.  

        A concepção de deus que se adaptar completamente aos seus próprios gostos, tendências, anseios e necessidades é que é a verdadeira.  Só pode.

        Como seria possível que deus, sendo omnisapiente, pudesse estar em desacordo com eles ?  Impossível !

        E dizem que não são relativistas.

        O que seria se fossem !

    • João Pedro Moura

      ANTONIOFERNANDO disse:

      “Por mim, continuo a afirmar que Jesus de Nazaré trouxe ao mundo uma proposta revolucionária de um enorme sentido de Justiça e de Ética.”

      1- Qual “proposta revolucionária”?!

      2- Renovo a pergunta que lhe fiz, num artigo abaixo, mas a que ainda não me respondeu:
      Diga-me 3, 4… 6 ideias/práticas importantes da personagem bíblica “Jesus Cristo”, que interessem para a Humanidade.

      • Anónimo

        O XPTO é muito bom a assobiar para o lado. Também, sete anos no Conservatório de Música sempre haveriam de dar um bom proveiro, certo?

      • CarpeDiem

        Sabem o pior disto tudo? É estarem a criticar Deus e tudo o que pensam que lhe está directamente relacionado. Falam de exemplos como o da igreja que permitia que pessoas morressem queimadas… falam da igreja que usava o (suposto) poder que têm e a ignorância das pessoas que lhes pagavam para perdoar os pecados por terem medo de irem parar ao inferno… falam da igreja que acrescentou livros à biblia passando esta a deixar de ter o seu ‘formato original’…

        “Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja”.

        Pois é meus caros… não se lembram de uma coisa: Deus não constitui a igreja mas sim o Homem! O Homem que inveja, o Homem que mata, o Homem que por natureza (e se não tiver Deus na sua vida) é capaz de fazer tudo até mesmo matar para se sentir bem! O Homem a quem Deus diz “Não faças” mas ele faz! O Homem que é imperfeito pela sua desobediência!…

        Jesus Cristo trouxe sim uma grande ou imensa proposta revolucionária… proposta essa que sem duvida traria mudança para TODO o mundo mas sabem? Nem todo o mundo a aceitou… nem todo mundo viu e ouviu tudo aquilo que Ele quis mostrar e dizer…

        Dizer que Deus é religião é a mesma coisa que dizer que alguém que é cego não tem nenhuma visão… A religião pode pregar falar de graça e de amor mas falar não é a mesma coisa que praticar… A religião mantém as aparências por fora mas por dentro… é como que uma múmia que se põe dentro de um caixão e por dentro das ligaduras está um corpo a apodrecer… A religião faz te cego mas Jesus faz-te ver… A religião diz-te escravo e Jesus diz-te “Filho”…
        Deus não é religião!

      • CarpeDiem

        Sabem o pior disto tudo? É estarem a criticar Deus e tudo o que pensam que lhe está directamente relacionado. Falam de exemplos como o da igreja que permitia que pessoas morressem queimadas… falam da igreja que usava o (suposto) poder que têm e a ignorância das pessoas que lhes pagavam para perdoar os pecados por terem medo de irem parar ao inferno… falam da igreja que acrescentou livros à biblia passando esta a deixar de ter o seu ‘formato original’…

        “Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja”.

        Pois é meus caros… não se lembram de uma coisa: Deus não constitui a igreja mas sim o Homem! O Homem que inveja, o Homem que mata, o Homem que por natureza (e se não tiver Deus na sua vida) é capaz de fazer tudo até mesmo matar para se sentir bem! O Homem a quem Deus diz “Não faças” mas ele faz! O Homem que é imperfeito pela sua desobediência!…

        Jesus Cristo trouxe sim uma grande ou imensa proposta revolucionária… proposta essa que sem duvida traria mudança para TODO o mundo mas sabem? Nem todo o mundo a aceitou… nem todo mundo viu e ouviu tudo aquilo que Ele quis mostrar e dizer…

        Dizer que Deus é religião é a mesma coisa que dizer que alguém que é cego não tem nenhuma visão… A religião pode pregar falar de graça e de amor mas falar não é a mesma coisa que praticar… A religião mantém as aparências por fora mas por dentro… é como que uma múmia que se põe dentro de um caixão e por dentro das ligaduras está um corpo a apodrecer… A religião faz te cego mas Jesus faz-te ver… A religião diz-te escravo e Jesus diz-te “Filho”…
        Deus não é religião!

  • antoniofernando

    “Um filho gerado por processo de inseminação natural tem ou não o direito natural de saber quem é ou foi o seu progenitor”, queria dizer:

    ” Um filho gerado por um processo de inseminação em banco de esperma tem ou não o direito natural de saber quem é ou foi o seu progenitor”

  • Hunig

    Temos sido enganados, demais, demais, demais. Temos de desgraçadamente ver o que já suspeitávamos há muito tempo. Somos parasitados por troços que se impuseram sobre nós forjando uma FARSA. O que vão se estarrrecer de ver vai lembrar-nos duas das mais hediondas falsidades engendradas pela crença: a confissão e o exorcismo. Imaginem uma criança ficar à mercê de um “embusteiro” que de fato é um troço desses que vêem na imagem, fantasiado de padre, pastor, ou o raio que o parta. A mãe e o pai como bocós ao ver o terror nos olhos da criança, ainda a deixam trancada dentro do quarto com isso; e a criança vê estarrecida o que a desgraça, e os pais bem próximos à porta totalmente enganados pelo parasita; e a criança é estoporada por isso que vêem aí na imagem sem ter a mínima defesa, com o consentimento dos próprios pais. Isso está na pulhítica em nossa Sociedade hoje, isso está na economia, isso é todo o rol de podridão que nos engana com crenças “divinas”.
    Para se chegar a esse resultado, que se constata na imagem, vinha-se pesquisando várias, em que indícios levavam a uma mesma maquiagem de tecido. Então, ontem, ao verificar uma foto da Kirschner que qualquer pessoa pode ver na Internet; o resultado da varredura eletrônica deu isso aí. Ao comparar-se várias outras imagens foi visto como esse troço esquisito se camufla, onde se localiza nos revestimentos falsos com que nos enganam. Seja lá o que for isso, tem feito crianças de comida, e ao ter forjado as várias crenças divinas, impôs em nós a farsa de “deus”, de coisas “etéreas”, dos “espíritos”; e nos tornou escravos, e pasto.
    Nessa imagem postada neste comentário logo se vê o engendramento de como isso está em toda a nossa desgraça sócio-econômica.
    O nome da imagem é: O pescoço de Cristina Kirschner, pois foi com estupefactação que a varredura antes focada nas caras, verificou isso no pescoço, com todos os traços,, o que antes só se via disfarçado em hologramas ou revestimentos (possivelmente com texturas com características de siliconados) compondo “caras”; um carnatal de horrores.
    Interessante é que hoje expediu-se uma lista com pessoas “siliconadas”; nunca ninguém se dá conta de que tais pessoas seriam notificadas de problemas de saúde particularmente, e não publicamente; e também se vê a notícia de um submarino sendo afundado em chamas, na RÚSSIA; que “recados” estão dando entre si bem na nossa frente? O mesmo que a Galarde deu ao ver a população Russa reagir?
    Ficamos aterrorizados de ver que as imagens do malafaia, putin, lula, dilma, a Kirscner, e entrevistadoras de TV, o papa, xico xavier, aline barros, luan santana, datena, os canibais risonhos degustadores de cérebro e nádegas vistos na TV, um monstro vestido de preto que também explorou a farsa da enfermeira “espancando” cachorrinho( que serviu para abafar a notiícia das Dezenas de Milhares de crianças estoporadas e mortas dentro de igrejas de 1945 a 2010), tudo isso como um bolo de parasitas que nos destrói implacavelmente; tudo com os fiéis-crentes completamente moribundos tragados pelas mentiras das crenças com que eles aferrolham e cegam.
    Já vimos isso antes em nossa História, o Povo Inca se rebelou, viu e acabou com esses troços; nossa história toda mostra rebeliões dos povos, mas como desgraçaram o nosso estado psicológico, essa praga vem nos parasitando sem pena, e hoje está como vemos; Temos de sobreviver sem dar condições de isso estropiar nossa Civilização novamente; temos de nos livrar disso sem nos arrebentarmos no desgraceiro de mentiras e desespêro que vão alastrar. Temos de ser humanos, e conseguir.

  • mathias

    a gente critica o cristianismo, mas acho que qualquer religião que tomasse o poder no tempo de constantino não daria à humanidade melhor sorte. a religião em si é um atrasado danado para as mais diferentes áreas que tentam melhorar a condição das pessoas

  • Manuel Vicente Galvao

    Quem enaltece o primado da razão ou a excelência do espírito cientifico, tem que admitir que as religiões sobreviveram até hoje pela mesma razão que a roda nunca mais deixou de se usada desde o dia em que foi descoberta. Istó é, porque ambas funcionam na perfeição… E primeira combate efiscazmente a angústia existêncial do homem perante a consciência de que não é eterno, a segunda porque se mantem até hoje como a forma mais eficaz de diminuir o atrito de um corpo que se desloca ao longo numa superfície.

    A Religião e a Roda são ideias boas porque resolvem problemas difíceis.

  • João Pedro Moura

    LUDWIG KRIPPAHL disse:

    “É verdade que a nossa cultura é cristã”

    1- Não é bem assim…
    A nossa “cultura” teve uma matriz cristã… mas evoluiu…
    Isso de dizer que “a nossa cultura é cristã” é um chavão “cultural”. “Cristã” em quê?! Há, evidentemente, elementos culturais do cristianismo, mas daí a tomá-lo pela totalidade da cultura, a ponto de a classificar como “cristã”, vai (cada vez mais…) uma grande distância…

    2- Alguém dizer-se “cristão” é como dizer-se “católico”: implica uma definição que, provavelmente, a maior parte dos autointitulados teriam dificuldade em definir…

    3- Há muito “cristão” e, sobretudo “católico” da treta, que nem sabem bem caracterizar-se enquanto tal…
    … E então, quando se dizem “praticantes” ou “não-praticantes” é que se percebe logo a patetice em que laboram…
    … Como se um “católico” ou coisa parecida não tivesse necessariamente que praticar a sua doutrina…
    … E como se ir à missa fosse a totalidade da prática…

    • HAMONBAAL

      Pois. 

      Essa da nossa cultura ser cristã é uma treta que pegou bem.

      Na verdade o cristianismo é apenas mais um elemento, entre muitos, da nossa verdadeira matriz cultural que é compósita e muito anterior ao cristianismo.

      O único período em que o elemento cristão predominou foi na idade média.  E mesmo aí, que vemos ?

      Até ao ano mil a maior parte da Europa ainda era pagâ, o grande norte, o leste e mesmo zonas periféricas da Europa ocidental eram ainda predominantemente pagãs.

      E mesmo a cultura “cristã” medieval, o mais puro cristianismo que a história da Europa pode oferecer é tudo menos puro.

      Os doutores da igreja, Agostinho – platónico, Tomás – aristotélico, são de matriz cultural pré-cristã.   A cultura popular e a da baixa igreja estavam completamente “infectadas” pelas tradições pré-cristãs.   

      Mesmo a organização, a disciplina e a hierarquia da igreja é de matriz romana clássica, pré-cristã.  

      No período das reformas cristãs vemos ainda mais o ressurgir das matrizes clássicas pré-cristãs e modernas pós-cristãs que começam a por em causa a autoridade das igrejas.

      E isto foram os periodos cristãos mais coerentes, logo no Séc XVIII começa o salto em força para uma nova cultura fora dos contextos cristãos que levou ao mundo actual, do qual as igrejas tanto se queixam que vive fora dos padrões cristãos.

      Ora, se se queixam que vivemos fora dos padrões cristãos, se sabemos historicamente que toda a nossa matriz cultural, incluindo a da própria igreja, tem raíz na antiguidade clássica, “bárbara” e até pré-clássica, dizer que simplesmente que a matriz cultural europeia é simplesmente cristã é mais do que uma incorreção.   É uma fraude.

  • Anónimo

    Sabem o pior disto tudo? É estarem a criticar Deus e tudo o que pensam que lhe está directamente relacionado. Falam de exemplos como o da igreja que permitia que pessoas morressem queimadas… falam da igreja que usava o (suposto) poder que tem e a ignorância das pessoas que lhe pagavam para perdoar os pecados por terem medo de irem parar ao inferno… falam da igreja que acrescentou livros à biblia passando esta a deixar de ter o seu ‘formato original’…

    “Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja”.

    Pois é meus caros… não se lembram de uma coisa: Deus não constitui a igreja mas sim o Homem! O Homem que inveja, o Homem que mata, o Homem que por natureza (e se não tiver Deus na sua vida) é capaz de fazer tudo até mesmo matar para se sentir bem! O Homem a quem Deus diz “Não faças” mas ele faz! O Homem que é imperfeito pela sua desobediência!…

    Jesus Cristo trouxe sim uma grande ou imensa proposta revolucionária… proposta essa que sem duvida traria mudança para TODO o mundo mas sabem? Nem todo o mundo a aceitou… nem todo mundo viu e ouviu tudo aquilo que Ele quis mostrar e dizer…

    Dizer que Deus é religião é a mesma coisa que dizer que alguém que é cego não tem nenhuma visão… A religião pode pregar falar de graça e de amor mas falar não é a mesma coisa que praticar… A religião mantém as aparências por fora mas por dentro… é como que uma múmia que se põe dentro de um caixão e por dentro das ligaduras está um corpo a apodrecer… A religião faz te cego mas Jesus faz-te ver… A religião diz-te escravo e Jesus diz-te “Filho”…
    Deus não é religião!

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