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  • 26 de Outubro, 2011
  • Por Raul Pereira
  • Livros

A melhor publicidade vem de borla…

basta provocar a ira das sotainas. Foi o que fez José Rodrigues dos Santos com o seu novo romance, intitulado O Último Segredo.

Como não li o livro (nem tenciono ler), transcrevo, sem mais comentários, a resposta dada pelo jornalista/escritor à nota publicada pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura:

 

«O Secretariado da Pastoral de Cultura da Igreja emitiu um comunicado a criticar em termos violentos o meu romance O Último Segredo. O mais interessante nessa crítica da Igreja é que não é negada uma única das afirmações sobre Jesus e a Bíblia que eu faço nesse romance. Em vez de negar a substância do livro, a Pastoral de Cultura prefere concentrar-se em questões laterais. Fá-lo, claro, porque não pode negar o essencial da obra.

José Rodrigues dos SantosVejamos as questões laterais que são levantadas:

Diz o Secretariado da Pastoral de Cultura que “José Rodrigues dos Santos propõe-se, com grande estrondo, arrombar uma porta que há muito está aberta.” Esta afirmação é interessante, porque se trata de um reconhecimento implícito de que as afirmações que constam no livro são verdadeiras. De facto, no livro nada é dito de novo – para o mundo académico, claro. Porque a verdade é que o cidadão comum nunca ouviu ninguém dizer que Cristo não era cristão, que há indícios no Novo Testamento que questionam seriamente a virgindade de Maria e que existem textos fraudulentos na Bíblia. Os académicos sabem disto, a Igreja também. O público é que não. De facto não arrombei nenhuma porta. Limitei-me a trazer esta informação para o grande público.

Diz o Secretariado da Pastoral de Cultura que “A quantidade de incorrecções produzidas em apenas três linhas, que o autor dedica a falar da tradução que usa, são esclarecedoras quanto à indigência do seu estado de arte.

Importa esclarecer que isto não é uma afirmação sobre o conteúdo do livro, que é verdadeiro, mas sobre uma gralha numa mera nota bibliográfica. Escrevi nas referências bibliográficas que “recorri à Bíblia Sagrada, edição lançada pela Verbo em 1976 e reimpressa em 1982 para comemorar a visita do Papa João Paulo II a Portugal nesse ano”, mas um erro na revisão eliminou a expressão “e reimpressa em 1982”, fazendo com que a referência ficasse absurda – João Paulo II não podia ter visitado Portugal em 1976 porque nem sequer era papa nessa altura. Como a Igreja não encontrou mais nenhum erro em todo o livro, agarrou-se pelos vistos a esta gralha na bibliografia para tentar desacreditar todo o texto. Esta tentativa mostra que realmente não tem muito por onde pegar no essencial da obra.

Diz o Secretariado da Pastoral de Cultura que “Confunde datas e factos, promete o que não tem, fala do que não sabe.” A não ser a gralha referente à nota bibliográfica, que datas e factos são confundidos? Nada é apontado. O que prometi que não tinha? Nada é dito. Do que falei exactamente que não sabia? Nada se clarifica.

Diz o Secretariado da Pastoral de Cultura que “Rodrigues dos Santos faz de Bart D. Ehrman o seu teleponto“. Não é difícil descobrir que li Bart Ehrman porque cito vários livros dele na Nota Final do romance. Se o cito é porque o li – isso é uma verdade de La Palisse. Mas li também E. P. Sanders, Bruce Metzger, Robert Wright, Burton Mack, Anthony Buzzard, Amy-Jill Levine, John Dominic Crossan, Craig Blomberg, Ed Komoszewski, James Sawyer, Daniel Wallace, Craig Evans, Timothy Paul Jones e traduções para inglês dos grandes clássicos alemães de análise bíblica, como Albert Schweitzer, Hans von Campemhausen e Walter Bauer. Teria sido útil que a nota do Secretariado da Pastoral de Cultura tivesse também citado estas minhas fontes. Mas como o objectivo era pelos vistos tentar descredibilizar a obra, optou pelo silêncio.

Agora que lidei com as questões laterais, vamos ao essencial.

A Igreja nega ou não nega que Jesus era judeu – e, consequentemente, que Cristo não era cristão? A Igreja nega ou não nega que há fortes indícios na Bíblia de que Maria não era virgem? A Igreja nega ou não nega que existem textos fraudulentos no Novo Testamento? A Igreja nega ou não nega que nenhum dos autores do Novo Testamento conheceu pessoalmente o Jesus de carne e osso?

Estas é que são as questões que preocupam os fiéis que lerem o meu romance. Ou acham mesmo que a preocupação central dos fiéis é uma gralha numa referência bibliográfica?

Na verdade não percebo bem esta reacção da Igreja. A Igreja está com medo de quê? Que os seus fiéis descubram a verdade sobre Jesus e a Bíblia? Mas faz algum sentido imaginar uma fé que se baseie em mitos e em falsidades? A verdadeira fé só se pode basear na verdade e a Igreja não deve temer a verdade. O Último Segredo abriu uma janela de oportunidade para se explicar a verdade aos crentes. Tenho leitores que me escreveram a dizer: “Li o seu romance, aprendi muita coisa sobre a minha religião mas não mudei a minha fé”. Seria inteligente a Igreja se confiasse na inteligência dos seus fiéis.»

40 thoughts on “A melhor publicidade vem de borla…”
  • Luís Grave Rodrigues

    Nm sequer estava a pensar comprar o livro.Mas agora acho que lhe vou mesmo dar uma oportunidade.Mal vá à FNAC, compro-o!
    Tao como já havia feito com o «Código da Vinci», fo de facto uma excelente publicidade ao livro, esta que a Igreja Católica lhe fez.
    Não há nada como ver uma pessoa “à rasca” para lhe descobrir os pontos fracos!

    • Nuno Silva

      É mais alguma aventura do Professor Tomás de Noronha o Indiana Jones português?
      Gostei do “A Fórmula de Deus”, mas quando li o “Codex 632” notei no entanto algumas semelhanças com a fórmula. Dei nova hipótese ao “O Sétimo Selo” mas a história era a mesma. O professor é abordado por uma secreta estrangeira que lhe faz uma proposta, apaixona-se por uma aluna do leste com grandes protuberâncias mamárias, fogem para um país do médio oriente para resolver um enigma, quando está prestes a resolver o enigma é traído por quem o contratou e descobre que a mulher foi contratada por quem o contratou para o fazer apaixonar-se por ela de modo a irem parar a um ermo distante e no último minuto são salvos por uma outra secreta estrangeira que andava a investigar a primeira secreta. E pelo meio divorcia-se, morre-lhe o pai, a mãe fica com alzheimer  e acaba por morrer. 
      Mais teoria da conspiração, as mesmas explicações sobre códigos e as mesmas fórmulas de resolução do código. Era sempre a mesma história mas com um tema diferente. Não sei se deva dar nova hipótese aos escritos do Sr. José Rodrigues dos Santos.

  • ÍCARO CRISTÃO

    Confesso que já estava a estranhar a capacidade de reacção do DA. O ódio à Igreja é tão primário neste blog que a única curiosidade é saber qual vai ser o tempo (e até a forma, ex. mais ofensivo ou mais ordinário) de reacção a cada um dos assuntos. Apenas reagem, o que é natural, porque o ateísmo apenas diz que “não” a uma proposta, nada propõe… é o vácuo. abr

    • Anónimo

      Caro Ícaro Cristão (como eu aprecio a forma como tu unes duas referências míticas!): não é a primeira vez que te referes a “ódio primário”. Ora, como eu sou um grilo algo ignorante, que se vai alimentando de alface e que não gosta de livros – são indigestos… – é capaz de me explicar, assim como se eu fosse um grilo de 5 anos, o que é que significa a expressão “ódio primário”?
      Prometo que passarei a recomendar-te nas minhas orações.

      • ÍCARO CRISTÃO

        Claro Grilo, um ódio que brota da ignorância mais do pelo conhecimento profundo. abr

        • ÍCARO CRISTÃO

          correcção: “Claro Grilo, um ódio que brota da ignorância mais do( que) pelo conhecimento profundo. abr”

          • Ateu sim, e daí ?

            agora eu também gostaria de aproveitar a sua boa vontade  para pedir-lhe que explique a explicação

          • ÍCARO CRISTÃO

            Do Evangelho segundo São Mateus: “Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”. Abr

          • Anónimo

            Caro Ícaro Cristão: para além da forma impagável como juntas duas referências pagãs para formar o teu “nick”, és um tipo educado. Por isso, vou continuar a nossa conversa.
            A tua definição de “ódio primário” está aceitável enquanto definição, mas peca desde logo pela forma como é empregue. Desde logo, o sentimento ateísta relativamente à ICAR não é ódio; poderá ser de confrontação, de intolerância, de repulsa… mas não é de ódio. De qualquer modo, parece-me ser uma atitude arrogante, essa de definir os sentimentos dos outros. Eu sei o que sinto, eu é que sei se é ódio ou não. Pela minha parte, não é. Ou seja, estás a generalizar, e olha que o Toni, respeitável Provedor do D.A. e mui beato Diácono Remédios, não gosta de generalizações.
            Depois dizes que “brota mais da ignorância do que do conhecimento profundo”. E eu julgo que este “profundo” não foi ali colocado por acaso. Mas está a mais. Porque o primarismo deriva da falta de conhecimento. Apenas. Ou seja, um indivíduo nutre, por uma entidade, um determinado sentimento, sem saber porquê. E nota que também não é por acaso que aparece a palavra “entidade”; é mais abrangente. Por exemplo, na minha meninice dizia-se que os ciganos roubavam as criancinhas. Essa afirmação foi tantas vezes repetida que acabou por desenvolver, em mim, um medo primário dos ciganos – na verdade, eu não tinha qualquer motivo para os temer. Como compreenderás, o sentimento ateísta em relação à ICAR é tudo menos primário: nós sabemos o que é essa multinacional, e temos razões para esse sentimento.
            Ou seja: é primário um sentimento por uma entidade cuja existência não está minimamente provada – por exemplo. Nutre-se esse sentimento sem se saber porquê nem para quê. Não o conheces, nunca falaste com ele – ou se falaste o gajo nunca te respondeu – mas tu continuas a venerá-lo, a adorá-lo, a fazer coisas em seu nome… Isso sim, é uma atitude primária. Não tens, pois, o direito de acusar os ateus de primarismo; e, muito menos, de “ódio primário”.

          • ÍCARO CRISTÃO

            “De qualquer modo, parece-me ser uma atitude arrogante, essa de definir os sentimentos dos outros”.  Penso que foi isso que me fizeste com a tua prosa. É aliás a marca de água que critico a este blog. Precisamente a arrogância de assumir que, por não sentires, ouvires, falares com Deus outros não o possam fazer. Sou Cristão, aceito toda a Doutrina e a Fé que a Igreja me propõe. E parte da certeza que tenho na Fé brota exactamente da experiência, da história que Deus faz comigo. Mas aceito que, pelo facto de o Ateísmo ser em si mesmo uma negação e não uma afirmação, as energias sejam todas postas em negar o que a Igreja diz e não em afirmar verdades ateias. Aceito que não odeies a Igreja. Que tu não odeies a Igreja. Mas o que notava no meu comentário é que em vez do Ateísmo se afirmar por si só passa 95% do tempo a tentar demonstrar o que outros, no caso a Igreja, afirmam. Na prática o que este blog faz é pegar numa amálgama de coisas e com elas atacar impiedosamente a Igreja. E é aqui que eu noto ódio, primário sim, porque demonstra muitas vezes ignorância ou, se quiseres, pouco conhecimento. Reparo por exemplo na arrogância dos membros do blog em “definir os sentimentos dos outros” no que à Igreja diz respeito.
            Quanto ao nick, Ícaro, é uma resposta directa à sigla com que identifica a Igreja, ICAR. É pagã? É de facto. Mas sabes que este Cristão é muito tolerante a paganismos, até a ateísmos. Ainda sobre o nick “Cristão”, mais cristão do que isto não há… enfim, não sei onde viste o paganismo. Será então apenas uma referência pagã. abr

          • Anónimo

            ” Precisamente a arrogância de assumir que, por não sentires, ouvires, falares com Deus outros não o possam fazer”
            Errado, mais uma vez. Tu, e toda a gente, tem inteira liberdade para acreditar no que quiser, em quem quiser, falar com quem entender, exista ou não exista, ou até falar sozinho. As crenças são, como diria o Jesus (não é esse, é o outro), “do forno íntimo de cada um”.
            ” …da história que Deus faz comigo.”Não sabes. Não sabes! Desculpa, mas não sabes. Não sabes se é Deus se é o Demónio que, como é sabido, é o “Pai da Mentira”. Tu não vês com quem falas, não lhe reconheces a voz. É arrogância, dizer que Deus fez uma história contigo. Consegues prová-lo?
            “em vez do Ateísmo se afirmar por si só passa 95% do tempo a tentar demonstrar o que outros, no caso a Igreja, afirmam.”
            Entendes, pois, que os ateus devem limitar-se a afirmar o seu ateísmo e a deixar as igrejas em paz. Onde estavas tu quando foi rezada uma missa para combater o ateísmo? Distraído, ou na própria missa?

          • ÍCARO CRISTÃO

            Grilo, mas que grande confusão. A questão mais importante que levantaste…. se quem te acompanha é Deus ou o diabo. Tens a Igreja que, ao te dar a conhecer a Doutrina e a Fé te ajuda a iluminar a vida e assim a saber precisamente onde está Deus e onde Ele não está. Também os poderá reconhecer pelos seus frutos. Enfim, são apenas pistas. Agora por favor, caso respondas, não faças o que criticas aos outros porque também a mim “parece-me ser uma atitude arrogante, essa de definir os sentimentos dos outros”. abr

  • Kavkaz

    José Rodrigues dos Santos decidiu escrever sobre os tabús da religião cristã e os bispos da Igreja Católica acham que o tema de Jesus Cristo é propriedade deles e mais ninguém terá esse direito.

    Afinam quando os contrariam… Coitados!

    • Alb

      É isso mesmo Kz, não querem ser contrariados e opinam sobre tudo, principalmente sobre religião,  ao contrário de ti que quando contrariado nem refilas pois defendes o livre pensamento.

      • Kavkaz

        Eu defendo o livre pensamento e a Igreja Católica está contra ele! O José Rodrigues dos Santos já sabe como é!

        • Alb

          Não podia estar mais de acordo contigo !!!

          Até já coloquei uma foto do Rodrigues entre as de Epicuro e de Demócrito que já lá tinha.

          Temos que nos inspirar nestas pessoas para nos esvaziarmos da escuridão da crendice!!!!

  • Alb

        Este ‘Diário´recebe comissão!!!!

      Primeiro é um grande promotor da ICAR, mas agora já se aventurou pelo negócio dos livros sérios e originais.

    Eu cá acho que este livro deve ser tão demolidor que a Igreja de Roma esté por um fio.

    Felizmente é um português a pôr fim a tudo !!!

    Em breve,  em vez de darmos o nome  Vasco da Gama às coisas cá do retângulo, vamos passar a nomeá-las Rodrigues dos Santos, num Portugal feliz e ateu.

    Sem  dúvida que devemos ir já todos à  FNAC, ainda por cima foi fundada por trotskistas do 68´

  • Alb

        Pois, afinal o Rodrigues dos Santos é fenomenal!!!!!

        Devíamos fazer-lhe  uma manif de apoio – aliás todos nós, ainda sem ler o livro, sabemos que ele tem razão. Não é por uma questão de fé! É constatação científica por antecipação !!!

  • Kavkaz

    A apresentação do livro “O Último Segredo” de José Rodrigues dos Santos esteve a cargo do padre Anselmo Borges. Querem ver que o padre está certo e os bispos errados?

  • Kavkaz

    O tal Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) da Igreja Católica que ataca a Cultura portuguesa e o livro de José Rodrigues dos Santos emitiu um comunicado no próprio sábado, o dia do lançamento do romance O Último Segredo”. Como o livro tem 564 páginas é evidente que não o leram! Fazem críticas gerais, mas nada apontam em concreto, pois não sabem o que dizer perante os factos apontados no livro sobre a vida de Jesus Cristo.

    http://www.snpcultura.org/romance_o_ultimo_segredo_e_imitacao_requentada_superficial_macuda.html

  • Kavkaz

    O que o “Deus” da Bíblia não sabia e a s religiões não relatam…
     
     
    A Pré-História dos Humanos
     
    Os primatas compreendem aproximadamente 200 espécies de macacos, lémures e símios. Quase todos foram arborícolas e desenvolveram uma grande capacidade de sobrevivência: possuíam um cérebro superior, conseguiam coordenar a visão e o movimento das mãos. O s humanos, enquanto hominídeos, fazem parte da sua família. Os primeiros primatas surgiram pouco depois da extinção dos dinossáurios e rapidamente se diversificaram. Dentro da família dos hominóideos incluem-se os humanos e os grandes símios, como o gorila, o chimpanzé, os gibões e os orangotangos, bem como muitas outras espécies hoje extintas. O registo fóssil sugere que os primeiros hominóideos terão aparecido em África há aproximadamente 25 milhões de anos. Por seu lado, os hominóideos dividem-se em três grupos principais: os hominídeos, os pongídeos (orangotangos) e os hilobatídeos (gibões), Os hominídeos, por sua vez, compreendem dois grupos principais: os Gorillini (gorilas e chimpanzés) e os Hominini, primatas que se deslocam apoiando-se em dois membros. As técnicas de datação molecular sugerem que a linha dos Hominini se separou dos Gorillini há 5 a 7 milhões de anos. É então que começa a nossa história. Não éramos os únicos, mas, presentemente, estamos sozinhos no domínio da Terra.

    • Alb

       Podíamos imprimir este lindo texto e propor à conferência episcopal que fosse lido nas missas!

      E ainda podemos juntar os outros cristãos (é verdade Kz, existem mais que os católicos) e  isso já dava uma grande edição !

  • Kavkaz

    O que o “Deus” da Bíblia não sabia e a s religiões não relatam…
    Os primatas
     
    O facto de os primatas serem arborícolas favoreceu o desenvolvimento das extremidades com dedos preênseis e polegar oponível, permitindo-lhes agarrarem-se aos ramos das árvores. Esta característica permitiu aos humanos uma grande mobilidade e precisão na manipulação de objectos.  Não mudámos muito em relação a variadíssimos aspectos, na medida em que continuamos a possuir cinco dedos tanto nas mãos como nos pés. São caracterísitcas que partilhamos com todos os primatas e que constituem adaptações para um tipo especial de vida nas árvores. Além disso, a visão é estereoscópica, com olhos frontais, o que permite calcular as distâncias com exactidão. Perdemos amplitude panorâmica, mas ganhámos uma visão a três dimensões.
     
    A maior parte dos primatas viveu em grupos de pequenas dimensões mas de uma grande complexidade, o que foi fundamental para a sua sobrevivência, dado que a vida em grupo possibilita uma melhor defesa face a eventuais inimigos predadores e economiza recursos no que respeita à recolha de alimentos. Esta complexa comunidade, característica distintiva dos primatas, favoreceu o desenvolvimento significativo da sua inteligência.

  • Kavkaz

    O que o “Deus” da Bíblia não sabia e a s religiões não relatam…

    O mesmo antepassado
     
    Os humanos pertencem a um grupo específico da super-família dos primatas: os hominóideos, mas partilhamos um antepassado comum exclusivo, com aproximadamente 24 milhões de anos: o Proconsul, que viveu no período chamado Mioceno Antigo, entre 24 e 15 milhões de anos antes de nós. Foram encontrados fósseis do Proconsul no Quénia, na estação arqueológica de Rusinga. Há cerca de 20 milhões de anos, os gibões separaram-se do tronco comum. Muito embora os primeiros vestígios tenham aparecido em África, há em toda a Eurásia fósseis que datam de há 18 milhões de anos. Seguidamente, separaram-se os orangotangos, há aproximadamente 14 milhões de anos. O último antepassado comum exclusivo dos hominóideos africanos viveu há cerca de 7 milhões de anos, momento em que surgiu a linhagem do gorila. Por último, os chimpanzés, os nossos parentes mais próximos, e os humanos separaram-se há pouco mais de 5 milhões de anos. Portanto, os chimpanzés não são nossos antepassados, já que as duas espécies coexistiram. Os hominídeos englobam os nossos antepassados e hoje sabe-se que a sua história começa no período de transição do Mioceno para o Pleistoceno, há 5 a 6 milhões de anos.

  • André de Deus Berger

    Toda fé se baseia em mitos. Se não há mitos, não há fé.

  • Kavkaz

    O que o “Deus” da Bíblia não sabia e as religiões não relatam…

    Ardipithecus Ramidus
     
    A aspiração de qualquer paleontólogo é encontrar vestígios da espécie da qual descendem os chimpanzés e os humanos. Todos os anos são encontrados novos vestígios fósseis. Há trinta anos procurava-se um vestígio fóssil; actualmente, o importante é encontrar vestígios que revelem os elos da cadeia evolutiva até ao ser humano moderno, e a sua ligação com os achados anteriores. Tim White é um dos felizardos que conseguiram acertar no alvo.
     
    No Outono de 1992, a equipa do Professor Tim White, da Universidade de Berkeley, trabalhava nuns sedimentos com cerca de 4,4 milhões de anos, que pertenciam à região do país dos Afar, na Etiópia, conhecida por Aramis, quando encontrou um conjunto de vestígios de um hominídeo que era tão primitivo que mereceu ser designado não só como uma nova espécie, mas também como um novo género: Ardipithecus ramidus. Todavia, estes fósseis pareciam trazer elementos de controvérsia, já que houve quem os não considerasse conclusivos. Tratou-se de uma descoberta de 125 peças, um verdadeiro tesouro, na medida em que o habitual é encontrar-se apenas um dente, um osso ou partes muito incompletas. Depois, não se falou mais do assunto, Durante dezoito anos as equipas de investigadores foram reconstruindo o quebra-cabeças silenciosamente. Finalmente, em Outubro de 2009, os relatórios estavam concluídos. Então, Ardi, um fóssil que incluia a maior parte de um crânio e dentes, a pélvis, as mãos, os braços, as pernas e os pés de uma mulher com 1,20 m de estatura e com cerca de 50 Kg de peso, foi apresentada à sociedade. Ardi significa “solo” e ramid, “raiz” na língua falada no local onde foram encontrados os primeiros vestígios, enquanto pithecus signfica em grego “macaco”. É considerado pela maioria dos investigadores como o antepassado mais antigo do ser humano, embora concorra com outros fósseis que foram descobertos e que alimentaram o debate, nomeadamente o Orrorin tugenensis.

  • Xpto

    “De facto não arrombei nenhuma porta”
    JRS

    Pois,pois,sabes muito. O que tu escreveste roda na Net há vários anos . Eu quero é ver-te a demonstrar o raciocínio lógico e as fontes que citas, em contraposição com as que são contrárias.

    Mas comecemos por aqui quanto a uma específica desmontagem do tipo de teses em que JRS se baseou:

    http://www.youtube.com/watch?v=3Ye4RgezQ48

  • Kavkaz

    O que o “Deus” da Bíblia não sabia e as religiões não relatam…

    O Homem do Milénio
     
    No ano 2000, um grupo de invesigadores provenientes do Quénia e da França, liderados por Martin Pickford e Briggite Senut, anunciaram a descoberta de um hominídeo com aproximadamente 6 milhões de anos, o Orrorin tugenensis, baptizado como “O Homem do Milénio”. Foi encontrado no vale do Rift, no Quénia, um verdadeiro paraíso paleontológico que não pára de surpreender pelos achados aí encontrados. O Orrorin era do tamanho de um chimpanzé e caminhava erguido, embora conservasse uma grande capacidade para a vida nas árvores. Segundo os seus autores, a descoberta pode obrigar a rever alguns aspectos da evolução humana, dado que, para eles, não só é mais antigo do que qualquer vestígio conhecido, como, além disso, se encontra numa fase mais avançada da evolução. O “Homem do Milénio” é 1,5 milhões de anos anterior ao considerado (até ao momento) o primeiro dos hominídeos, o Ardipithecus ramidus, que Tim White encontrou em Aramis em 1992. Desde então, os cientistas desenterraram seis novos exemplares do Orrorin,com um fémur que revela pernas fortes, que lhes permitiram erguer-se, e braços proporcionalmente mais longos, que lhes possibilitariam deslocar-se pelas árvores, embora não como os chimpanzés. Segundo os testes de datação realizados em 2004, têm uma idade de 6 milhões de anos. Graças às imagens de tomografia computorizada, os peritos determinaram que a estrutura óssea era mais parecida com a do Homem moderno do que com a dos macacos, devido à densidade óssea do extremo superior do colo do fémur. De acordo com os investigadores em causa, é morfologicamente mais parecido com os humanos do que o Ardipithecus, que teria seguido uma linha colateral de evolução, tendo-se posteriormente extinguido.
     
    Já aqueles que consideram que o Ardipithecus é o primeiro hominídeo consideram também que não está suficientemente demonstrado qie o Orririn seja um hominídeo e que pode perfeitamente tratar-se de um dos últimos hominóideos.
     

  • Kavkaz

    O que o “Deus” da Bíblia não sabia e as religiões não relatam…O bipedismo Nos dias de hoje, é consensual entre a maioria dos paleontólogos que a característica decisiva que diferencia os hominídeos dos grandes símios é o bipedismo. Mas ninguém sabe ao certo po que razão aqueles surgiram e quando começaram a caminhar sobre duas patas. A explicação mais fundamentada centra-se nas alterações climáticas. Há 20 milhões de anos, a África era plana e as suas regiões equatoriais encontravam-se cobertas de florestas tropicais. Mas há aproximadamente 15 milhões de anos, a placa tectónica começou a partir-se ao meio. A actividade tectónica criou uma longa cadeia de montanhas e fendas, o que actualmente se designa por Rift. As montanhas impedem que chova no sector oriental, que, por esse motivo, é mais seco do que o ocidental. Para Yves Coppens, a aridez obrigou algumas espécies a deslocar-se para terrenos com vegetação menos densa, onde obter alimentos era uma tarefa mais árdua e onde a distância entre as árvores era maior. Estes longos percursos conduzem à postura erguida, que é mais cómoda para a deslocação do que apoiar-se sobre os nós dos dedos. No entanto, foram também encontrados fósseis hominídeos em locais da floresta. É possível que a postura erguida lhes permitisse ver de longe os inimigos ou que lhes facilitasse a tarefa de procurar alimentos em zonas mais vastas, foram perdendo pêlo. As comparações com os chimpanzés são inevitáveis. Estes tentam manter uma postura erguida, em três circunstâncias: para ver mais longe, para se defender e atacar, já que isso lhes permite arremessar pedras, e para levar comida à prole.

    • Xpto

      As comparações com os chimpanzés são inevitáveis ? Também me palpita que és muito parecido com eles. A diferença é que os chimpanzés são muito mais inteligentes do que tu.

      • Kavkaz

        A educação religiosa e a dos teus pais tornaram-te arruaceiro. Compara os textos acima com os relatos do Génesis na Bíblia que te ensinaram na catequese e na Igreja e tens a diferença entre Verdade e Mentira.

        É tão fácil de entender!

        • Alb

          Kz, agora és fundamentalista evolucionista !!!!

          Sempre julguei que devíamos rejeitar qualquer forma de crença…

          …A não ser que tenhas, apoiado em fatos, chegado a estas conclusões sózinho.

           Não posso crer que te tenhas apoiado em autoridades externas a ti próprio – isso até poderia fazer lembrar os crentes a invocar as suas autoridades de crença.

          Está tudo tão lindo, tão escorreito que até pode ombrear com os relatos míticos sempre também tão tranquilamente esclarecedores!

  • Joaoc

    Esse livro merece só um lugar: FOGUEIRA.

  • Ateu sim, e daí ?

    Esse povo tem uma obsessão por fogueiras…

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