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  • 28 de Setembro, 2011
  • Por Carlos Esperança
  • Ateísmo

Desmascarando a mentira sobre a fé de Einstein

O que se segue traduz o pensamento de Einstein sobre Deus, Religião e Judaismo, em 1954, um ano antes da sua morte.
É a tradução para inglês, feita por Joan Stambaugh, do original alemão de parte de uma carta que Albert Einstein escreveu de Princeton, em Janeiro de 1954, ao filósofo alemão Eric B. Gutking, a propósito do livro Choose Life: The Biblical Call to Revolt que este filósofo havia publicado em 1952. O manuscrito foi posto a leilão pela firma Bloomsbury de Londres por £8000, tendo sido vendido por £170000!!!, em 15 de Maio de 2008.  

 

«… I read a great deal in the last days of your book, and thank you very much for sending it to me. What especially struck me about it was this. With regard to the factual attitude to life and to the human community we have a great deal in common.

The word God is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this. These subtilised interpretations are highly manifold according to their nature and have almost nothing to do with the original text. For me the Jewish religion like all other religions is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are also no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything ‘chosen’ about them.

In general I find it painful that you claim a privileged position and try to defend it by two walls of pride, an external one as a man and an internal one as a Jew. As a man you claim, so to speak, a dispensation from causality otherwise accepted, as a Jew the priviliege of monotheism. But a limited causality is no longer a causality at all, as our wonderful Spinoza recognized with all incision, probably as the first one. And the animistic interpretations of the religions of nature are in principle not annulled by monopolisation. With such walls we can only attain a certain self-deception, but our moral efforts are not furthered by them. On the contrary.

Now that I have quite openly stated our differences in intellectual convictions it is still clear to me that we are quite close to each other in essential things, ie in our evalutations of human behaviour. What separates us are only intellectual ‘props’ and ‘rationalisation’ in Freud’s language. Therefore I think that we would understand each other quite well if we talked about concrete things. With friendly thanks and best wishes

Yours, A. Einstein»

Depois disto, julgo que não ficam dúvidas sobre o que Einstein pensava, que é muito diferente daquilo que muitos comentaristas do DA gostavam que ele tivesse pensado.
25 thoughts on “Desmascarando a mentira sobre a fé de Einstein”
  • Thomashmoretti

    Muito bom. Agora dirão que ele foi mais um físico maluco.

  • Stéphanos

    Recado aos religiosos: a morte de cristãos na URSS foi culpa de Deus!!!
    Afinal… vocês dizem que Deus deu livre arbitrio ao homem!!! Que tudo que acontece no mundo é vontade d’Ele!!! Vocês dizem que nós existimos por causa de Deus… ou seja… Stalin existiu graças a Deus…
    Portanto… reclamem com Deus e não com os comunistas!!!!
    Ah;.. vocês dizem que Deus é Pai e Protetor!!! Então por que Ele permitiu os atos de Stalin ???

    • Bergamo

      Só passando para te informar que você é teísta. Impossível ter tanto ódio e medo ao mesmo tempo de algo que não acredita.

  • Luís Grave Rodrigues

    «É claro que era mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Não acredito num Deus pessoal e nunca neguei isso, e sim o manifestei claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, do modo como a nossa ciência é capaz de revelar»- A. Einstein 

    • Anónimo

      Julgas que sabes muito mas é fácil desmontar o teu jogo. Einstein nunca proferiu a primeira frase que citaste.Mas de ti já tudo é expectável . Só mesmo os papalvos é que engolem o teu panfletarismo bacoco.Einstein insurgiu-se precisamente contra aqueles aldrabões que sistematicamente tentavam caracterizá-lo como ateu. Há uma diferença abismal entre ser-se deísta, e não acreditar num Deus pessoal, e ser-se ateu.

  • Stéphanos

    Onde estava Deus , Nosso Bom Pai e Protetor….
    quando Stalin oprimia a igreja??? Por que Deus permitiu isso????

  • Catellius

    Eric B. Gutkindcom “d” e não com “g”

  • André Catelli

    É claro que a descrença de Einstein não deve ser usada como “argumentum ad verecundiam”, o apelo à autoridade – os argumentos devem sempre se bastar -, mas serve sim para reprimir um pouco a tendência ao apelo à autoridade por parte daqueles que dizem “quem é você para afirmar isso? Newton e Einstein não pensavam como você”.

  • Anónimo

    ” Tem um sentido a minha vida ? A vida de um homem tem
    sentido ? Posso responder a tais perguntas se tenho espírito religioso. Mas
    ” fazer tais perguntas tem sentido”?

    Respondo: ” Aquele que considera a sua vida e a dos outros sem qualquer
    sentido é fundamentalmente infeliz, pois não tem motivo algum para viver”

    ” Se se separa o judaísmo dos profetas, e o cristianismo tal como foi
    ensinado por Jesus Cristo de todos os acréscimos posteriores, em particulares
    aqueles dos padres, subsiste uma doutrina capaz de curar a humanidade de todas
    as moléstias sociais”

    Albert Einstein, ” Como Vejo o Mundo”, Editora Nova Fronteira, página 50

    Deveras interessante, não acham ?

    • ateu sim, e dai ?

      Leu mas não entendeu nada.
      O que acha ? que os ateus desejam a morte dos religiosos ? espero pelo fim da religião – por desnecessária e inútil.
      o que interessa o que Einstein disse ou  não disse ? não sou ateu por seguir alguma pessoa. meu pensamento é livre. religião é que precisa de seguidores.
      acha que somos contra a bondade, a caridade e o respeito ao próximo ? que cooptamos seguidores com promessas ? quais promessas? a de que quando você morrer, acabou. já era.
      será que tomo dinheiro de alguem com essa promessa ? 
      ateus = não deus. Significa que não é válida a hipótese de deus. ponto. acabou.
      Agora, isso não significa que vamos escutar calados todas essas tolices religiosas: deu$, céu, je$u$, inferno, cura$ pela fé,a $anta igreja, $anto padre, $anto pastor e todos os outros $antos.

  • Anónimo

    Quem não apreciou, tem aqui mais para não gostar:

    “De início, portanto, em vez de perguntar o que é religião, eu preferiria indagar o que caracteriza as aspirações de uma pessoa que me dá a impressão de ser religiosa: uma pessoa religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto quanto lhe foi possível, ibertou-se dos grilhões, dos seus desejos egoístas e está preocupada com
    pensamentos, sentimentos e aspirações a que se apega em razão do seu valor supra
    pessoal. Parece-me que o que importa é a força desse conteúdo supra pessoal, e
    a profundidade da convicção na superioridade do seu significado, quer se faça
    ou não alguma tentativa de unir esse conteúdo com um Ser divino, pois, de outro
    modo, não poderíamos considerar Buda e Espinosa como personalidades religiosas.
    Assim, uma pessoa religiosa é devota no sentido de não ter nenhuma dúvida
    quanto ao valor e eminência dos objectivos e metas supra pessoais que não
    exigem nem admitem fundamentação racional. Eles existem, tão necessária e
    corriqueiramente quanto ela própria.

    Nesse sentido, a religião é o antiquíssimo esforço da humanidade para atingir uma clara e completa consciência desses valores e metas e reforçar e ampliar incessantemente o seu efeito. Quando concebemos a religião e a ciência segundo estas definições, um
    conflito entre elas parece impossível. Pois a ciência pode apenas determinar o
    que é, não o que deve ser, isso está fora do seu domínio, logo todos os tipos
    de juízos de valor continuam a ser necessários. A religião, por outro lado,
    lida somente com avaliações do pensamento e da acção humanos: não lhe é lícito
    falar de factos e das relações entre os factos. Segundo esta interpretação, os
    famosos conflitos ocorridos entre religião e ciência no passado devem ser todos
    atribuídos a uma apreensão equivocada da situação descrita”
    Albert Einstein, in ‘Ciência e Religião’ (Out Of My Later Years)

    O rabino Herbert S. Goldstein, da Sinagoga Institucional de Nova York, reagiu enviando um telegrama a Einstein pedindo que ele respondesse à simples pergunta: “O senhor acredita em Deus?” A resposta foi: “Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia ordeira daquilo que existe, e não num Deus que se interesse pelo destino e pelos actos dos seres humanos.

    Max Jammer alerta para o fato de que Einstein sempre estabeleceu uma distinção nítida entre sua descrença num Deus pessoal, de um lado, e o ateísmo, de outro. Num texto em que comentava um livro que negava a existência de Deus, Einstein disse: “Nós, seguidores de Espinosa, vemos nosso Deus na maravilhosa ordem e submissão às leis de tudo o que existe, e também na alma disso, tal como se revela nos seres humanos e nos animais. Saber se a crença em um Deus pessoal deve ser contestada é outra questão. Freud endossou essa visão em seu livro mais recente. Pessoalmente, eu nunca empreenderia tal tarefa, pois essa crença me parece preferível à falta de qualquer visão
    transcendental da vida. Pergunto-me se algum dia se poderá entregar à maioria
    da humanidade, com sucesso, um meio mais sublime de satisfazer suas
    necessidades metafísicas”.

    APESAR DE TANTAS DEMONSTRAÇÕES DE QUE NÃO ERA ATEU, mas que
    via a religiosidade de uma forma particular, até recentemente Einstein era
    citado como um ateu. Numa conversa como príncipe Hubertus de Löwenstein, disse
    que o que realmente o aborrecia era que as pessoas que não acreditam em Deus
    viviam citando-o para corroborar suas idéias. Jammer cita um livro popular
    sobre a vida do cientista, publicado em 1998, em que surge a frase “ele
    (Einstein) foi ateu a vida inteira”, apesar de uma citação de Einstein no mesmo
    livro contradizer essa afirmação: “O Divino se revela no mundo físico”.

     

    Jammer cita outra frase importante de Einstein, numa
    entrevista concedida ao escritor James Murphy e ao matemático John William
    Navin Sullivan (1886-1937), em 1930:

     

    “Todas as especulações mais refinadas no campo da ciência”,
    disse Einstein, “provêm de um profundo sentimento religioso; sem esse
    sentimento, elas seriam infrutíferas”.

     

    Einstein sempre protestou contra o fato de ser visto como
    ateu. Numa conversa com o príncipe Hubertus de Lowenstein, ele declarou que
    ficava zangado com pessoas que não acreditavam em Deus e o citavam para
    corroborar suas idéias. Einstein repudiou o ateísmo porque nunca viu sua
    negação de um deus personificado como uma negação de Deus” (Einstein e a
    religião; física e teologia, de Max Jammer)

    • olho

      interessante a fonte.^^
      mas ainda que einstein além de teísta fosse um carola, deveria eu considerar suas palavras exteriores à física como mandamento? incorporá-lo-ia aos rodapés das bíblias?
      é incrível que citações fora de contexto que permitem distorções, só faltam ser colocadas em bandeiras.
      quando ele fala especificamente sobre deus e religião, e mais, apenas um ano antes da morte, o que normalmente indica um acúmulo de sabedoria de vida [não estamos falando de física aqui], ele é simplesmente rechaçado. 
       
      esta citação não é tão moderna, mas deve mostrar alguma coisa:
      “Desde o ponto de vista de um padre jesuíta eu sou, claro, e sempre tenho sido, um ateu. Eu tenho dito repetidamente que a idéia de um Deus pessoal é infantil. Você pode me chamar de agnóstico, mas eu não compartilho o espírito de cruzada (crusading spirit) dos ateus profissionais cujo fervor é principalmente devido a um doloroso ato de liberação dos grilhões da doutrinação religiosa que eles receberam na sua juventude. Eu prefiro uma atitude de humildade correspondente com a fraqueza de nossa compreensão intelectual sobre a natureza e nosso ser.”

  • Anónimo

    Para remate final, deixo aqui, para aqueles que, a estas horas já estão furibundos com o desmascaramento do texto do sr. Esperança, mais umas emblemáticas frases do deísta Einstein. Divirtam-se, não se irritem, que ficam com a tensão arterial mais alta do que já têm. Eu prometo voltar:

    “Deus é a lei e o legislador do Universo”

    “Deus não joga aos dados”

    “A religião cósmica é o móvel mais poderoso e mais
    generoso da pesquisa científica”

    “Existem apenas duas maneiras de ver a vida; Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre”

    “A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada”

    “A luz é a sombra de Deus”

    “Eu quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado neste ou naquele fenómeno, no espectro deste ou daquele elemento. Eu quero conhecer os pensamentos Dele, o resto são detalhes”

    “Deus não joga dados

  • Anónimo

    Esta é especialmente dirigida ao sr. Esperança, para ver se ele consegue perceber o que Einstein queria dizer quando afirmou: ” não sou ateu…”

    “Não sou ateu, e não creio que possa me chamar panteísta. Estamos na
    situação de uma criancinha que entra em uma imensa biblioteca, repleta
    de livros em muitas línguas. A criança sabe que alguém deve ter escrito
    aqueles livros, mas não sabe como. Não compreende as línguas em que
    foram escritos. Tem uma pálida suspeita de que a disposição dos livros
    obedece a uma ordem misteriosa, mas não sabe qual ela é. Essa, ao que me
    parece, é a atitude até mesmo do mais inteligente dos seres humanos
    diante de Deus. Vemos o Universo, maravilhosamente disposto e obedecendo
    a certas leis, mas temos apenas uma pálida compreensão delas. Nossa
    mente limitada capta a força misteriosa que move as constelações. Sou
    fascinado pelo panteísmo de Espinosa, mas admiro ainda mais sua
    contribuição para o pensamento moderno, por ele ter sido o primeiro
    filósofo a lidar com a alma e o corpo como uma coisa só, e não como duas
    coisas separadas”.

    Einstein

    • Stéphanos

      fernandoi… os comunistas nao tem culpa pela morte de religiosos… a culpa é de Deus…
      a igreja diz que tudo que ocorre no mundo é vontade de Deus….. e que Deus deu livre arbitrio…
      ah… Deus é o maior culpado por que não impediu essas mortes…..

      • Bergamo

        Deus continua existindo independente de você crer ou não nele. Guarde sua opinião para si, porque ninguém se importa com ela.

  • carpinteiro

     Existe uma biografia: – Einstein: sua vida, seu universo. Escrita por Walter Isaacson em 2007. De forma magistral o autor expõe e desmistifica a vida e a personalidade de um dos maiores génios da humanidade
    .
    Talvez aqueles que não estejam tão familiarizados com a trajectória do cientista se surpreendam com as diferenças marcantes em relação à imagem tida pelo senso comum, por exemplo, o clássico “nabo” em matemática que,  na verdade, nunca o foi.

    Uma dessas questões é a sua relação com a fé. As frases “religiosas” de Einstein percorreram o mundo e são usadas por muitos religiosos. Algumas das mais famosas são:

    “Sem a religião a ciência é coxa; sem a ciência a religião é cega”.
    “Sou um descrente profundamente religioso. Isso é, de certa forma, um novo tipo de religião.”
    “Deus é subtil, mas não é malicioso”.
    “Deus não joga dados”.
    “Ter a sensação de que por detrás de tudo que pode ser vivido há alguma coisa que a nossa mente não consegue captar, e cujas belezas e sublimidade só nos atingem indirectamente, na forma de um débil reflexo, isso é religiosidade. Nesse sentido, sou religioso”.

    Essas frases parecem sustentar uma posição religiosa do cientista, porém, estão muito distantes da sua opinião. Elas são tão fortes e estão tão impregnadas no imaginário popular que é difícil afirmar o ateísmo de Einstein, mesmo tendo-o ele defendido publicamente inúmeras vezes.

    • Bergamo

      Esse livro só é uma interpretação, não tem mais peso que outras, provavelmente Einstein se fazia de Ateu para não ser perseguido pelos colegas de profissão, é meio que comum um intelectual ser perseguido por ser o único “crentelho” em meio aos colegas ateus.

  • carpinteiro

     Einstein sabia que as suas palavras estavam a ser mal interpretadas e isso incomodava-o. Tentou “esclarecer” o seu pensamento sobre Deus, com citações:

    “É claro que era mentira o que você leu sobre as minhas convicções religiosas, uma mentira que está a ser sistematicamente repetida. Não acredito num Deus pessoal e nunca neguei isso, e sim , manifestei-o claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, do modo como a nossa ciência é capaz de revelar”.
    “A ideia de um Deus pessoal é-me bastante estranha, e parece-me até ingénua.”

    No entanto, estas frases “contra” uma posição de crença religiosa, não foram tão divulgadas como as aparentemente religiosas, e muitos entusiastas religiosos continuaram a repeti-las fora do contexto, sem compreenderem o que ele entendia por religião, criando assim uma imagem deformada.

    Já os religiosos mais sérios, entenderam muito bem a mensagem do cientista.
    Isso ocasionou uma quantidade enorme de críticas ao ateísmo de Einstein:

    “É triste ver um homem que descende da raça do Velho Testamento e dos seus ensinamentos, negar a grande tradição dessa raça”.
    “Não há nenhum outro Deus que não um Deus pessoal […]”
    “Einstein não sabe do que fala. […] Alguns homens acham que só porque atingiram um alto nível de especialidade em determinada área, são qualificados para manifestar suas opiniões em todas”.

  • Kavkaz

    Os crentes falam de um “Deus” que leram no “Génesis” e que já reconhecem que é um mito, não existiu nesses 6 dias, foi inventado. E Jesus é filho dessa invenção e uma cópia do comportamento de personagens míticas anteriores. Tudo inventado em nome da subjugação das populações aos oportunistas e mentirosos chefes religiosos!

    Acreditam no que não existe! E falam sozinhos, mas pensam que estão a falar com “Deus”!

  • carpinteiro

    Mas afinal, como podemos interpretar as frases de Einstein, tidas como religiosas e conciliá-las com a sua descrença sobre a existência de um Deus pessoal?
    Afinal, o que entendia Einstein por religião?
    Afirmar que Einstein era ateu, poderá ser incorrecto, há um termo mais específico para a sua posição sobre religião.
    Mais adequado seria afirmar que ele era panteísta. Vamos entender o que isso significa:

    Existem teístas, deístas e panteístas. Qual a diferença?
    Os teístas acreditam numa inteligência sobrenatural que criou tudo que existe e que ainda cuida da sua criação, estando envolvida com as questões humanas. Essa posição é a adoptada por quase todas as religiões, como o cristianismo, islamismo, judaísmo e muitas outras.

    Os deístas também acreditam numa inteligência sobrenatural, mas esta não se envolve de forma específica nas questões humanas ou qualquer outra. Esse Deus é responsável apenas por estabelecer as leis que governam o universo. Não faz a menor diferença entre quem, reza, presta homenagen ou usa outra forma de manifestação. Os franco-maçons são deístas.

    Os panteístas não acreditam em nenhuma inteligência sobrenatural. Para eles Deus é uma palavra que funciona como sinónimo da natureza e da ordem que governa o seu funcionamento. Alguns cientistas, de uma forma ou outra, adoptam essa posição.

    Sendo assim, é possível notar que o panteísmo mais parece um ateísmo travestido, já que o uso da palavra Deus não remete a um Deus pessoal ou a qualquer presença sobrenatural ou espiritual. Por isso não é errado simplificar e afirmar que Einstein era de facto ateu.

  • carpinteiro

      Quando Einstein fala de Deus ou quando se refere à religião, quer dizer algo diferente.
    Sobre isso, Richard Dawkins comenta:
    “Einstein usou Deus num sentido puramente metafórico, poético. Assim como Stephen Hawking, e como a maioria dos físicos que ocasionalmente escorrega e cai na terminologia da metáfora religiosa. […] Carl Sagan disse bem: ‘[…] se por Deus se quer dizer o conjunto de leis físicas que governam o universo, então é claro que esse Deus existe. É um Deus emocionalmente insatisfatório […] não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade'”.
     
    Os religiosos não deixaram de criticar esse uso panteísta da palavra Deus. Veja-se o que disse o reverendo dr. Fulton J. Shee:
    “[…] gostaria que os físicos evitassem usar a palavra Deus no seu sentido metafórico. O Deus metafórico ou panteísta dos físicos está a anos-luz de distância do Deus intervencionista, milagreiro, telepata, castigador de pecados e atendedor de preces da Bíblia, […] e do linguajar do dia-a-dia”.
     
    Então, seja você religioso ou não, e caso venha a citar Einstein, é bom que verifique antes, se de facto usa as palavras adequadas, e não transmite uma imagem errada das opiniões “religiosas” do cientista.

  • ateu sim, e dai ?

    Para os que acham que cientistas são religiosos ( um contra-senso ):
    Quando perguntado como poderíamos acabar com as religiões do mundo, a resposta de Richard Daw­kins é bem clara: dando uma boa educação a todo mundo. Ele explica que o número de pessoas praticantes de religiões entre os mais educados é menor do que entre os menos educados. E cita uma pesquisa publicada pela revista Nature, mostrando que, entre os cientistas da Academia de Ciências dos EUA, mais de 90% são ateus ou agnósticos e apenas 7% acreditam em deus.

  • Kavkaz

    “Jamais imputei à natureza um propósito ou um objetivo, nem nada que possa ser entendido como antropomórfico. O que vejo na natureza é uma estrutura magnífica que só compreendemos de modo muito imperfeito, e que não tem como não encher uma pessoa racional de um sentimento de humildade. É um sentimento genuinamente religioso, que não tem nada a ver com misticismo. A idéia de um Deus pessoal me é bastante estranha, e me parece até ingênua.”
    – Albert Einstein

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