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Humor de Verão – O “livre-arbítrio”

Quando acontece uma catástrofe natural – um violento e mortífero terramoto, por exemplo – é vulgar que alguns ateus, algumas vezes em jeito de provocação, perguntem aos crentes: “onde está o seu Deus?” tentando, dessa forma, argumentar que se Deus existisse e amasse os chamados “seus filhos”, certamente não permitiria que eles morressem daquela forma. As contra-argumentações dos crentes podem variar de estilo, mas a ideia permanece: Deus não interfere com o que se passa na Terra, pois deu-nos o “livre-arbítrio”, embora não se consiga perceber o que tem o “livre-arbítrio” a ver com os terramotos. Alguns crentes, mais evoluídos e mais cultos, asseguram que os terramotos são causados pela extracção de petróleo, o que é aceitável, porque esta coisa de mexer nas entranhas da terra há-de ter os seus custos. O que me leva a ter inveja de quem viveu até 1846, data em que foi instalado o primeiro poço de petróleo moderno. Mas também me leva a suspeitar de que em 1755 já alguém andava a escarafunchar o planeta… Mas não vamos por aí…
A maioria dos crentes entende que o “livre-arbítrio” é a faculdade de escolhermos entre o Bem e o Mal. É uma visão convenientemente redutora, mas não é verdadeira. O livre-arbítrio é, segundo o Dicionário da Porto-Editora, “o poder de escolher ou não escolher um acto ou uma atitude, quando não temos razão para nos inclinarmos mais para um lado do que para o outro.” Por outras palavras, é o poder de decidirmos o que nos der na real gana.
Se perguntarmos a um ateu e a um crente aonde é que vão passar férias no próximo ano, as respostas, diferentes e prováveis, serão: Ateu – “ainda não decidi”; “estou a hesitar entre as Seychelles e a Costa da Caparica”; “depende das «massas» ”. Crente – “Deus sabe se lá chegarei”; “sei lá, Deus é que sabe”; “olhe, vou para onde Deus quiser”. Ou seja: quem, verdadeiramente, tem o “livre-arbítrio” é o ateu, e não o crente. Porque o crente pensará, sempre, que a sua decisão dependerá, inevitavelmente, da vontade de Deus; enquanto o ateu estará, quando muito, dependente do dinheiro, da concordância da sogra, ou de outros percalços perfeitamente terrenos e, quase sempre resolúveis. Mas sempre com hipóteses alternativas, que o ateu pode escolher a seu bel-prazer.
De acordo com as crenças religiosas, Deus sabe tudo. Ou seja, também sabe aonde o crente vai passar as férias no próximo ano. O crente ainda não sabe, mas “Deus é que sabe”. Ou seja: o crente pode correr e saltar, que tudo o que fizer para passar as férias – pedir dinheiro emprestado, consultar mapas, escolher a roupa para levar – vai conduzi-lo, inevitavelmente… ao lugar que “Deus é que sabe”. Porque é para aí que vai, queira ou não, e por muito que pense que planeou sozinho. Ele apenas se limitou a cumprir os “desígnios de Deus”.
Livre-arbítrio, isto?

40 thoughts on “Humor de Verão – O “livre-arbítrio””
  • Anónimo

    Só mesmo para a risota…

  • Paulo Calvo

    E afinal que é que deus disse?

    • Zemano

      Deus não sei mas seu filho disse: – deixai vir a mim as criançinhas.
      Os senhores bispos levam esta muito a sério!

  • Anónimo

    O moreirinha também não dá mesmo para mais…:)

    • Zemano

      Ó TONY, e a tua “adorável esposa ateia” como está ?

      És mesmo o produto de uma partogénese… he eh eh eh

      • Anónimo

        Se calhar está com o falso “Baal” crente ou com o novo “ateu” que está preocupadíssimo com que as pessoas possam pensar que o ateísmo está a ganhar adeptos.

        Este Tony é um verdadeiro génio, ultrapassa de longe Shakespeare na criação de personagens.

        Um dia será reconhecido como um génio da arte dramática.

  • Fabiano Honorato

    Desculpe comentar, mesmo não entendendo perfeitamente a sua língua, mas, eu acho que vocês estão generalizando demais, e sim, acredite, existem pessoas que crêem em Deus e não vêem o livre árbitrio dessa forma, e comentando sobre o terremoto, em minha opinião, morrer na Terra não é algo assim tão gritante, pois nossa alma é imortal, e vamos poder continuar seguindo em frente e aprendendo mesmo sem um corpo físico. Acho que existem várias formas de se ver o livre arbítrio, mas em minha opinião a mais correta é exatamente esta que você disse, e aquela pessoa que sabe o que quer não vai pensar que Deus irá escolher por ela. Existem crentes, que sabem discernir o que Deus fará por nós, e o que não fará, e eu acredito que ele jamais escolherá para nós bens materiais ou esse tipo de coisa. A única coisa que está errada em seu post, é você tentar comparar a vontade de Deus com algo material, no céu (ou no plano astral, ou no universo, escolha o que quiser), não existe material, não existem férias no Hawaii ou coisas do tipo.

    • Anónimo

      “em minha opinião, morrer na Terra não é algo assim tão gritante,”
      Portanto, uma criança de 4 anos ser lentamente asfixida e esmagada num terramoto não é “tão gritante”.

      Mas quando um doente terminal em estado de extremo sofrimento e degradação pede a eutanásia como forma de morte digna, de repente, a morte na terra torna-se extremamente “gritante” pelo menos pela gritaria que hipócritas como vocês fazem contra o direito a uma morte digna.

      • Fabiano Honorato

        Caro, eu entendo sua revolta sobre o assunto, mas me chamar de hipócrita não vai resolver, você muito menos sabe a minha opinião sobre o assunto, entenda, o corpo físico que temos é algo que pode ser facilmente reposto, mas nossa alma é imortal, por isso que eu disse que não seria algo tão gritante.

        No caso da eutanásia, eu realmente não concordo, e não faria, mas não tenho nada contra alguém querer, entenda, devemos amar o próximo mesmo quando ele faz uma escolha ruim (E devemos entender que talvez na realidade o próximo possa estar certo, e nós errados).

        Eu acredito que o sofrimento do corpo DEVE ser evitado, mas o sofrimento corpóreo no mesmo caso não lhe fará mal a alma, e você irá ir para o céu (ou plano astral, ou qualquer outra área que você queira denominar).

        • Anónimo

          …mas nossa alma é imortal,
          Como é que sabe? Já viu alguma?

          • Fabiano Honorato

            Talvez… Existem coisas que quando vemos mudam nossa opinião.

          • Anónimo

            Tem razão. Quando EU vir uma alma, eu juro que mudo de opinião.

  • Anónimo

    De facto, se deus repeitasse minimamente o livre arbítrio não poderiam existir terramotos, porque, podendo escolher a forma de morte, ninguém escolhe livremente uma morte dessas.

    Ora, se deus criou um mundo cruel em que o livre arbítrio é totalmente desrespeitado, das duas uma, ou deus não respeita o livre arbítrio ou deus não criou o mundo.

    Por outro lado, se os crentes acreditam mesmo que deus existe e que respeita o livre arbítrio, também têm de respeitar o direito a quem opta pela eutanásia.

    Porque dizer que “não é tão gritante” uma criança morrer queimada viva num incêndio, morte horrível sem qualquer escolha possível, só porque “deus quis” e depois bramar contra os que pretendem acabar com o sofrimento, exercendo o livre arbítrio, optando de livre escolha pela eutanásia, ao mesmo tempo que se enaltece o “livre arbítrio” dado por deus é de uma incoerência demencial.

    • BBB

      «Por outro lado, se os crentes acreditam mesmo que deus existe e que respeita o livre arbítrio, também têm de respeitar o direito a quem opta pela eutanásia.»

      E é tudo. Um ateu de qualidade, este Hamonbaal.

      • Anónimo

        Pode não ser tudo.

        Mas é a única resposta que se pode dar à tese demente que a morte de uma criança em sofrimento atroz “não é tão gritante”.  Só porque ela se deve ao funcionamento de um mundo criado assim mesmo por um suposto deus.   

        Isto é, “não é tão gritante” só para dar graxa a esse suposto deus “perfeito” que criou um mundo totalmente imperfeito.

        Por isso é melhor ficar por aqui que a vossa conversa não dá para mais.

    • Fabiano Honorato

      Entenda… Eu disse “não tão gritante” tanto para a criança pegando fogo, tanto para o doente em estado terminal tanto para qualquer um.

      E eu particularmente não sou contra a eutanásia, e não critico quem faz, entenda que Deus JAMAIS impediu ninguém de se matar, você por acaso viu alguma “mão divina” descendo dos céus e impedindo alguém de colocar veneno nas veias? Não, quem reclama da eutanásia são os próprios humanos.

      E entenda, que sofrimento do corpo não é algo que devemos levar tão em conta, se apegar muito ao físico e pouco a alma pode nos trazer problemas.

      • Anónimo

        Tem toda a razão. Eu também nunca vi uma “mão divina” a proteger as crianças dos padres pedófilos… Vai ver que, provavelmente, Deus não existe.

        • PUTZ-

          ???

        • Fabiano Honorato

          Eu nunca vi as células do meu corpo, nunca vi as doenças que tive, meu próprio cérebro, eu nunca vi o maior número que existe. Eu não peço para que acredite na Igreja católica, protestante, nem em seus dogmas e crenças, mas acredite que Deus existe pelo fato de existirem coisas que sabemos que existem mas que não vemos.

          • Anónimo

            Pois, mas tirando o maior número que existe – que não existe -, se você quiser pode perfeitamente ver o restante. Um microscópio para as células e microorganismos e eventualmente um TAC ou RM já lhe poderão dar uma boa imagem do seu cerebero.

            Quanto ao seu deus, tem alguma ideia de como o podemos ver?

          • Anónimo

            Dificilmente se pode ser mais falacioso. Aliás, igualar a sua falácia já é um processo complicado. Sem falar na ingenuidade. Vamos por partes:
            “Eu nunca vi as células do meu corpo” – experimente um microscópio. Sabe o que é? 
            “nunca vi as doenças que tive” – mas sentiu as consequências e foi ao médico ou à farmácia. Ou será que foi à missa?
            “meu próprio cérebro, ” – espere pela autópsia. Vai vê-.lo todinho. Eu já vi alguns, e posso garantir que cérebro existe mesmo. O problema é o uso que se lhe dá.
            “eu nunca vi o maior número que existe” – procure bem na Internet.
            “mas acredite que Deus existe pelo fato de existirem coisas que sabemos que existem mas que não vemos.” – Concordo consigo. Eu sei que existem elefantes cor de rosa – mas eu nunca vi nenhum. 

          • Anónimo

            Que sabemos que existem ?

            Está a comparar a existência de micróbios, completamente comprovada, com a presumível existência de deuses, anjos, demónios que só é referida em obras literárias ?

            Como é que sabemos que existem para além da palavra de pessoas como tu ?

            Pessoas que apenas nos garantem que existem porque… elas próprias NUNCA VIRAM NADA !!

            Como argumento para acreditar em algo é um bocado fraco.

      • Anónimo

        “E eu particularmente não sou contra a eutanásia”
        Estou  a ver que não pertences ao grupo dos crentes medievais que costumam frequentar este blog.  Deves ser o primeiro crente “evoluído” a aparecer por aqui.  Eu referi esse exemplo porque a quase totalidade dos crentes que aqui aparece deve ter saído da máquina do tempo, directamente do ano mil, para o Séc XXI e não está muito ambientado à nossa civilização.  Ele é mais templários…

        Posto isto, pondo o meu exemplo de eutanásia de parte, o problema mantém-se.

        Sim, eu levo MUITO em conta o sofrimento físico.   Sim, considero ESCABROSO alguém que não está a sofrer, sentado em casa tranquilamente a teclar por-se em condição de superioridade em relação a quem está a sofrer o inferno na Terra.   Quer ver como leva o sofrimento físico em conta ?   Levante-se, regue-se com ácool e deite-se fogo a si mesmo. 

        Depois, quando estiver a berrar com dores, volte a escrever que o sofrimento físico não é para ter em conta.

          Ou é o só o sofrimento dos outros que não se leva em conta ?

        Um pouco de humildade e respeito por quem sofre só lhe ficava bem.

        Sim, morrem crianças queimadas, afogadas esmagadas, etc etc, todos os dias.  Sim, isso é para levar em MUITA conta.

        Sabe porque é que você não leva ?

        Porque isso prova que as vossas teses acerca de de um deus omnipotente, omnipresente e totalmente bom são uma TRETA pegada.   Porque isso prova que as vossas teses acerca do livre arbitrio são uma treta pegada.  

        Ninguém escolhe viver ou morrer em sofrimento, mas não é por isso que deixa de sofrer.

        Ninguém escolhe morrer queimado vivo, mas não é por isso que deixa de morrer dessa forma.

        Então onde é que está o livre arbitrio ? ?

  • João Pedro Moura

       
            Muito bom, José Moreira!
            Seguidamente, vai um complemento, que me parece que já publiquei aqui há uns anos, com que pretendo destruir essa ideia maluca do pretenso livre-arbítrio, concedido por “deus” à Humanidade…

         No dia 14 de Janeiro de 2005, o jornal Público publicou um artigo, com o título “ONDE ESTAVA DEUS NAQUELE DIA?”, da autoria de António Sala, através do qual o autor procurou conciliar o conceito dum deus todo-poderoso e infinitamente bom com o problema do mal. Isto a propósito da catástrofe do tsunami na Ásia, ocorrida em 26 de Dezembro de 2004.
        Enfim, o Público divulgou a perspectiva dum crente.
       Se este jornal fosse equânime, também divulgaria a perspectiva dum incréu, que servisse de contraponto ao artigo crédulo do Sala.
        Mas não! O Público pôs-se, defectivelmente, do lado dos crédulos e intentou tacitamente, mesmo que involuntariamente, coadunar a suposta bondade divina com o cataclismo asiático.
        Eu enviei ao Público um texto, que está mais abaixo, pelo qual desmontei, demoli e cilindrei o argumentário do Sala, mas tal jornal não publicou o meu texto…
    Claro. Eu não sou ninguém para o Público…    
                Mas o Sala também não! Este “animador de rádio” é algum articulista daquele jornal? Não! Então, por que é que o Público teria publicado o seu artigo laudatório de ”Deus”?! Será que o autor foi convidado e pago?! António Sala é algum especialista em “Deus”?!
                O Público até poderia ter aproveitado o meu texto/artigo, ainda por cima de graça, pois que servia bem de contraponto à credulidade articulista e promotora da “bondade divina”, de Sala…
                Essa falta dum artigo equiparável ao de Sala, mas denunciador da palhaçada divinal, foi também uma razão para eu deixar de ler, totalmente, o diário Público…
                … É que só me interessa o melhor, incluindo a honestidade… e o Público não é o melhor… é, apenas, o segundo melhor diário generalista português…
                Peço, então, a vossa atenção para a carta/artigo/texto, que revelo seguidamente, e que enviara ao Público, artigo este que elaborei logo no dia seguinte, 15, ao da publicação do artigo daquele radialista…  .    
     
    “ONDE ESTAVA DEUS NAQUELE DIA?”
     
                1- O conhecido “animador de rádio”, António Sala, publicou neste jornal, em 14 de Janeiro passado, um artigo com o título em epígrafe, intentando conciliar o conceito dum deus todo-poderoso e infinitamente bom com o problema do mal. Concretamente, tentou coadunar aqueles atributos divinos com a recente desgraça asiática em que um tsunami matou mais de 200 mil pessoas.
        Sala dividiu, informalmente, o seu artigo em duas partes: na primeira, procurou discernir onde estava Deus no momento das vagas catastróficas, interrogando-se constantemente, mas sem resposta; na segunda, após o desencadeamento da ajuda internacional, Sala afirmou que sabia onde Deus estava, que era no acompanhamento das “gentes que voam meio mundo para enterrar, construir, ajudar, fazer, apoiar, alimentar e curar gentes que nem conhecem.”
        Acrescidamente, A. Sala afirma que “Como os homens têm a liberdade de escolher e desobedecer a Ele, também a natureza e o planeta têm as suas próprias leis.”
     
    2- Isto é, António Sala subentende o seguinte silogismo, de resto, apanágio da mentalidade normal dos religionários:
        1ª premissa – Existe um Deus omnisciente, omnipotente e omnipresente, criador, governador e justiceiro, atributos imanentes à condição de Deus;
        2ª premissa – Apesar de todo-poderoso, Deus dá livre-arbítrio às pessoas e indeterminismo aos movimentos da natureza;
        Conclusão – Deus está, concomitantemente, ilibado de responsabilidades no decurso dos fenómenos humanos e naturais.
        Afora o facto de A. Sala afirmar que “naquele dia e naquela hora, não sei onde Ele estava”, mas afirmar, logo a seguir, “Mas agora, neste momento, sei onde Ele está.”, sem que aduzisse quaisquer factos demonstrativos da presença desse deus, tenho a afirmar que o silogismo de Sala está intrinsecamente contraditório.
     
     3-  O silogismo é um argumento de 3 proposições, a maior, a menor e a consequência, dividido em duas partes: as premissas (duas, a maior e a menor) e a conclusão (consequência).
        Para o silogismo estar correcto, têm que ser exactas as duas premissas e a conclusão tem que decorrer logicamente dessas primeiras proposições.
        Ora, a primeira premissa, a maior, enuncia o todo-poderio do absolutismo divino. Seja, para tentarmos compreender o raciocínio de quem assim pensa.
        Mas a segunda premissa, a menor, enuncia uma manifesta contradição antitética com a primeira, pois que um deus, de óbvio poder absoluto, não pode dar livre-arbítrio a uma sua criação, desconhecendo e alheando-se, assim, do futuro da sua obra, como se deus não tivesse criado  todas as liberdades desse arbítrio, bem como todas “as suas próprias leis” da “natureza” e do “planeta”.
     
        4- O “livre-arbítrio” decorre logicamente das condições que deus criou. Senão, deus estaria a ser constantemente surpreendido com actos e ditos imprevistos. Portanto, deus já sabe o que vai acontecer, porque tudo está previsto e comandado por ele… há biliões de séculos…
        O suposto indeterminismo da natureza decorre logicamente das condições propiciadas pelo tal deus criador, que, obviamente, também já sabe o que vai acontecer e o que vai comandar… há biliões de séculos…
        Não se pode atribuir a deus a criação do passado, ilibando-o da construção do futuro, porque, então, a pretexto do livre-arbítrio humano, deus desconheceria o futuro, o que contrariaria logo a condição omnisciente desse mesmo deus.
        Como é que um criador absoluto – deus – poderia dar livre-arbítrio à sua criação humana ou outra???!!!
     
       5- Se os seres humanos fazem isto ou aquilo, se na natureza acontece aquilo ou isto, é porque tal decorreu, concomitantemente, da acção divina, que tudo sabe, tudo pode e em tudo está presente, senão não seria deus, mas sim uma entidade imperfeita…
        E mesmo que se aceitassem, vagamente, aquelas duas premissas do silogismo de Sala, ainda poríamos, em última instância, uma devastadora observação: como é que deus previu e acompanhou o momento da catástrofe, dada a sua condição de omnisciente e omnipresente, mas sem fazer nada para a evitar, e agora, no dizer de A. Sala, deus acompanhava o auxílio internacional aos desgraçados, alardeando, supostamente, comiseração pelo trágico acontecimento???!!!
        Tal afirmação do autor faz-me lembrar aquele criminoso que cometeu, secretamente, um crime monstruoso, e agora passava a ajudar a polícia a “descobrir” o facínora e a “reparar” os danos…
        Faz, também, lembrar aqueles criminosos bombeiros que provocam incêndios enormes, para depois irem ajudar os seus colegas a apagarem esses mesmos fogos…
     
       6- Temos, então, segundo esta reflexão inadvertida de António Sala, um deus perverso, cruel e assassino, que provoca as coisas, dada a sua omnipotência, mas que depois vai “ajudar”…
        Se uma pessoa causasse, de propósito, a milésima parte do que aconteceu na Ásia, e fosse capturada, apanharia, em tribunal, uma das seguintes 3 penas: morte, prisão perpétua ou 25 anos de cadeia, em qualquer país do mundo…
        Mas deus escapa sempre…
        … E escapa sempre porque não poderia ser notificado judicialmente, mesmo que para averiguações, e ainda menos para receber um mandato de captura, pois que se desconheceria, absolutamente, o modo de executar o mandato…
        É por isso que António Sala não tem razão.
        É por isto tudo que o silogismo de Sala está intrinsecamente errado!
     
        7- Parece-me que não há relação entre o nosso conceito civilizacional de autonomia e direitos humanos e o conceito de deus.
        Uma coisa exclui, necessariamente, a outra!
        Felizmente, temos livre-arbítrio para escolher…
        Escolher entre a liberdade humana e um deus cruel e destruidor, deus esse que é, afinal, absolutamente inoperante e supérfluo.
     
        8- Termino com uma citação do filósofo grego Epicuro (341-270 a.c.), obtida no livro de Tomás da Fonseca,  “Bancarrota – Exame à Escrita das Agências Divinas”, pág. 157/158, filósofo esse que, há 2300 anos, já fazia a máxima ideia sobre o assunto divino…
         Epicuro comentava, com o raciocínio seguinte, um incêndio que destruiu um templo, no seu tempo:
        “O fogo veio à casa do vosso Deus e consumiu-a. Pergunto-vos: por que razão não evitou esta calamidade se realmente é justo e bom?
        Ou ele a quis evitar, mas não pôde; ou pôde e não quis; ou não quis nem pôde, ou, enfim, quis e pôde.
        Se quis e não pôde, é impotente; se pôde e não quis é perverso; se não pôde nem quis, é perverso e impotente; se pôde e quis, é monstruoso. Assim, para que prestais culto a semelhante divindade?”
     
     

  • BBB

    Ó Moreira, lê Schopenhauer e Kant antes de escreveres inanidades absolutas. A religião é trenguisse, mas se vamos argumentar ao nível da senhora Alzira, a doméstica analfabeta…

  • Anónimo

    “Trenguisse”? É do novo Acordo Ortográfico?

    • Zemano

      Não, é o desequilibrado do TONY (como bem lhe chama o seu colega de carteira JC), quando se esqueçe de usar a fralda descartável…

      Desde que leu um artigo pimba sobre a partogénese acabou convensido que a Virgem Maria ficou prenhe por andar a dar ouvidos a uma pomba branca. Ou seria pombo?!… bom, branca era que eu já vi a fotografia, mas perguntem ao TONY que ele sabe.

      • Anónimo

        Estas pombas são muito matreiras.  

        Hoje em dia é um perigo dormir de janela aberta, pode entrar uma pomba sabe-se lá com que intenções.

        • BBB

          Colegas, mas vós sois estúpidos?
          Eu gosto dos templos gregos, não gosto de um coitadinho espetado numa cruz… cheirou-me sempre à morte… à morte imbecil…

          Não sou um personagem da fofinha António Fernando; o que escrevi, escrevi com direito legítimo: o texto do Moreira nem para confetes serve, enquanto mais para servir o ateísmo com a dignidade que merece.

          • Anónimo

            Claro, claro, Tony, oh, desculpa, BBB, todos sabemos que estás aqui para servir o ateísmo.  

            Tu e a tua mulher “ateia”, o teu amigo “ateu”, o capitão américa, o incrível Hulk e todos os outros personagens de ficção.

            Se a Marvell te apanha contrata-te como argumentista principal.   

            Apesar de os teus personagens serem pouco convincentes mesmo para uma revista de banda desenhada, a tua pletórica e demencial imaginação dá para encher milhões de números com super-heróis da treta.

          • BBB

            LOL. Deixa-te de ser cromo, rapaz.

          • Anónimo

            Está bem Tony.

            Em todas as tuas identidades falsas tu és o maior Tony.

  • carpinteiro

    Belo texto Moreira. Parabéns.
     
    Embora façamos homenagens verbais ao livre-arbítrio, na hora da verdade agarramo-nos ao determinismo com unhas e dentes. Que o digam os criminosos que utilizam a defesa de insanidade ou o político que culpa as condições sociais pela criminalidade da zona.

    Já agora, Deus tem livre arbítrio?

  • Elwis Almeida

    Acho interessante as opniões de todos, realmente Deus não existe, mas onde ta escrito isso? ou em que momento isso foi revelado? Tb acho que Deus exite, mas tb onde ta escrito isso? na biblia? putssss, outros livros? É gente é uma discursão inutil, pois os que não acreditam um dia acreditaram e em algm momento aconteceu algo terrivel, e logo desacreditaram, e aqueles que acreditam, não sabem explicar o que é Deus. Realmete o homem não pode adorar uma abstração, pois isso é impossivel, o ser humano quer algo tangivel, por isso os descrente não acredita em Deus pq não o ver, e os que acreditam, sabe que existe pq o sentiu. Então os descrente acaha que o Deus não existe pq não o sentiu, e tb não dá a oportunidade de sentir, pois sabe que no fundo ele existe e vai cair por terra o que ele acreditava ou melho no que não acreditava.
    Com relação a livre arbitrio todos temos e nem mesmo Deus e capaz de intervir nisso, ou quando vcs escolhem algo é Deus que tá mandando escolher? Se fosse assim não haveria guerra no mundo, não acha?
    E a coisa mais interressante nisso tudo é que, quando o homem faz algo de ruim Deus e o cara ruim pois deixo, e quando o cara e bom, Deus não existe fui merito do cara e que se foda o resto. Pra vcs verem que o ser humano e estupido, ele atribuiu algo ruim a Deus e falando assim que não existe, mas se vc reparar bem ele atribui algo ruim a algo que ele não acredita ou fica perguntando onde ta esse Deus, e ele não que os atributos que saõ da terra não saem da terra, ou seja, o que o ser umano faz ele tem que pagar, lei de causa e efeito, isso ta na física e isso rege o universo, agora só falta um animal falar que ta errado que isso não existe, ae tenho que falar pra ele estudar e debater com um fisico, e tb vejo que a pessoas que falam que não creem, falam por falar. pois não estuda nada , não tem embasamento teorico pra falar que Deus não existe, tipo se esse cara fosse algo da area medica ou fisica, quimica (na area da ciencia) ele teria recursos pra falar algo contra, mas so fala por falar, ae vc ve a estupides humana.
    Agora faço uma pergunta maneira facil de responder: Como um pessoa pode criticar a mais bela sinfonia se nem ao menos ele tem estudo em musica e ouvidos bem apurados para tal?
    E isso que acontece nesse mundo, o ser humano mal acabou o 2 grau e tá questionando que ta fazendo mestrado ou dotorado.

  • Anónimo

    Tanta escrita e tão pouco conteúdo.

    Ficamos então a saber que deus existe essencialmente porque vocês acham que sim.  Obrigado mas isso já nós sabíamos e é precisamente a principal razão que nos leva a por a existência de deus em dúvida.  

    Que vocês sejam superiores a quem não acredita, só porque acreditam sem prova nenhuma, como deves perceber se o aplicares a outros casos, isso é mais um argumento pró-inferioridade do que uma demonstração de “supremacia” intelectual.

    E o problema está lá todo, sem que tenhas respondido a nada, excepto por ficarmos a saber que te consideras muito superior.  

    Como é possível haver livre arbitrio num mundo onde quase ninguém pode escolher como vive ou como morre. 

     Como é possível existir um deus omnipotente, omnipresente e absolutamente bom num mundo brutal onde abunda o sofrimento.

    A existir deus, como poderá ser absolutamente bom e ao mesmo tempo ter criado um mundo cruel ?

    PS

    “e ele não que os atributos que saõ da terra não saem da terra, ou seja, o que o ser umano faz ele tem que pagar, lei de causa e efeito,”

    Agradecia também que apresentasses desculpas por esta tua frase.

    É que é um INSULTO à inteligência dos participantes afirmares que um terremoto, um vulcão, um maremoto, um furacão, as doenças, etc etc, se devam a ação humana.  

    Podes acreditar no que quiseres, mas por favor não faças de nós estúpidos nem gozes com quem está a falar contigo.

  • Elwis Almeida

    Não foi minha intenção passar tais imagem, vejo que cada um tem seu dispertar,( “quem tiver ouvidos ouvirão, tem tiver olhos verão”), poderia escrever textos sobre Deus e suas falanges, poderia lhe dar provas de Deus no mundo, poderia provar que Deus existe, mas se vc não acreditar, Ele nunca vai existir, vai ser mera fatalidade do acaso ou construções humanas. E peço desculpa por qualquer palavra ofensiva que tenha escrito aqui, vejo que saõ muitas questões que vc faz referente a Deus e afirmações, e vejo que não tenho todas as resposta, apesar que ninguem ter. Para não causar intriga ou confusão com vcs pararei de escrever, pois vejo que não estou apto a explanar certas coisas, sem ser um pouco ofencivo. Desde de já pelo desculpa.

    • HAMONBAAL

      Fixe, ao menos não tens peneiras.

      O problema não é deixares de escrever, mas pensares um pouco antes de o fazer.

      Eu não sou responsável por nenhum terramoto, ou furacão, ou vulcão.  

      Mas se existe um deus criador, que criou o mundo assim, com terramotos, furacões e vulcões, esse deus é responsável.

    • Anónimo

      “poderia lhe dar provas de Deus no mundo…”
      Elwis,, de provas é que a gente precisa. Porque depois de apresentar provas, nós só temos um caminho: acreditar. Por isso, não desista: apresente lá essas provas. Se você provar que Deus existe, eu juro que me converto.

  • amilton cardoso

    Na minha opinião o livre arbítrio é incompatível com o conceito  que ouço falar de Deus e vice-versa.
    Segundo dizem, Deus seria onipotente, mas como ele poderia ser se não pode interferir na minha vontade?

  • Anónimo

    Amilton, p problema é que, ao que parece, Deus pode interferir na vontade, mas “não quer” (os crentes sabem perfeitamente o que é que Deus quer ou não quer, eles é que o fabricaram). Daí a minha pergunta: se não interfere, para que serve? 

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