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O cardeal admoestado

Por

E – PÁ

A sagrada Congregação para a Doutrina da Fé mantêm-se atenta e vigilante.

A entrevista do cardeal Policarpo à revista da Ordem dos Advogados – em que tocou pela rama a ordenação de mulheres – fez soar as campainhas no Vaticano. Disse: “penso que não há nenhum obstáculo fundamental. É uma igualdade fundamental de todos os membros da Igreja”. link
Numa recente deslocação a Roma, por ocasião da realização do Conselho Pontifício para a Evangelização, na residência de férias do papado (Castelgandolfo), foi “chamado à pedra”…devido a recentes declarações sobre a ordenação das mulheres.
A “marca” Ratzinger ainda ensombra os claustros da Congregação pontifícia. O dogma prevalece e resume-se : Este tema pertence à doutrina da Igreja que, nestas questões, é “infalível”.
Esta atitude ultra-ortodoxa da Igreja não nos deve surpreender. Ao contrário do que pensa a alta hierarquia e os indefectíveis zeladores da “fé”, não é um problema de doutrina mas sim uma situação que deve ser resolvida à luz dos “princípios”. Aliás, a [feroz] oposição à ordenação de mulheres é essencialmente de natureza cultural. E a sua clivagem entronca-se na Reforma (Séc. XVI).
Não é possível, para a Igreja Católica, abordar questões de género no amplo terreno social e laboral quando em casa pratica a mais intolerável discriminação. Não é possível suscitar problemas de igualdade de género quando a par do imposto celibato dos seus clérigos se enxertam questões de exercício de funções (e se desvalorizam qualificações) no ministério divino, baseadas no género.
A posição de fundo aflorada pelo cardeal Policarpo nem sequer é inovadora, nem progressista. Foi uma cautelosa e tímida deriva no campo especulativo.
Bastaria, para concluir isso, recordar declarações anteriores proferidas pelo cardeal de Lisboa:
“Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal. Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.” link
O “puxão de orelhas” do Vaticano ao cardeal representa pura e simplesmente a total intolerância da Igreja sobre o mais académico e meramente especulativo exercício de liberdade de pensar e exprimir a doutrina divina, protagonizada por um dos seus atentos (ao Mundo) membros …
Julgo que ao receber a reprimenda, em Castelgandolfo, o cardeal terá ouvido algo de semelhante: “As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas devem estar sujeitas, como também o diz a lei” (I Cor. XIV, 34), como assinalou S. Paulo.
Isto é, a submissão do cardeal às múltiplas submissões das mulheres é na lógica “divina” inevitável e incontornável.
Sabe o povo, na sua intuição histórica e, desde há séculos, temente da “fogueira” de que mais vale prudência do que ciência. É o anacronismo deste aforismo que a Igreja do séc. XXI revelou praticar.
35 thoughts on “O cardeal admoestado”
  • Joao Carlos Melo de Sousa

    Falar com os deuses  não tem mal nenhum. O problema é mesmo quando eles respondem.
     É muito mais grave quando aparecem com frequência e são muito lá de casa.

  • Kavkaz

    O cardeal até estava a ser simpático e com um espírito mais moderno e democrático. Mandaram-no calar. Quem manda dita as regras… Mas o cardeal não merecia! Teve uma boa ideia reformista para a Igreja Católica não ficar empedernida. O tempo mostrará que tinha razão. A concorrência religiosa já inclui as mulheres no sacerdócio.

  • MO

    Errado. Não há dogma nenhum relativo a não-ordenação das mulheres. Os dogmas relativos ao sacramento da ordenação não especificam se se trata de um homem ou de uma mulher.

    Essa é uma questão de direito canónico e que está sob a alçada do Papa. Pode mudar.

    Pax et bonum

    • Rrrr Ttt

      Do meu ponto de vista, pode mudar, mas não deve mudar. 

      Seria um erro mudar. 
      Aliás, se o Papa começa a ceder a alguns iluminados de pacotilha, uns vindo nas Américas outras da Europa Central, será o fim da religião da credibilidade da Igreja Católica. 

      Esse assunto interessa, como podemos ver neste blog, a uma certa facção de anti-católicos que normalmente se dizem “sem religião”. Essa facção anti-clerical moderna, formada por gente de ideias e propósitos agrestes, é composta por falsos progressistas, alguns ressabiados e recalcados da derrota das ideias anti-clericais e do anticatolicismos do bloco comunista.  Não são muito instruídos nem inteligentes,  mas têm cargos  e ocupam funções de pessoas instruídas, desde poder político-económico até universidades.   Alguns estão ligados a um ramo muito perigoso da maçonaria, cuja máxima é “uma sociedade desarticulada é uma sociedade facilmente dominada”. 
      Pretendem os ideólogos deste “movimento” em articulação com os Bidelberg, desarticular as “instituições sócio-culturais” (casamento, família, parentalidade…) e as “entidades socio-culturais” (a que também chamam “estabilizadores sociais e consolidadores de cultura”, nomeadamente a Igreja). 
      Alguns dos membros deste “movimento” são operacionais que estão à religião (católica e não só).
      Desde há cerca de 10 anos que se sabe que um dos ideólogos deste movimento é Peter Sutherland, o que levou alguns estudiosos a predizer (à cerca de 8 anos) os actuais acontecimentos da Irlanda. 
      O mesmo se passa com um austríaco conhecido apenas por “devatsat” ( vinte, em russo), defensor impenhorável da “lei anti cristianismo”. Há indícios de que a ideia será consumar a referida  lei até o ano 150 do Clendário de Nietzche (2038 da Era Cristã).

      As leis anti-islâmicas da Europa enquadram-se neste tipo de ideologia. Os acontecimentos da Noruega  já são tidos como uma divergência ou cisão neste projecto ambicioso. 

      No Vaticano conhecem-se alguns dos pormenores. 

      Assim que, caro MO, não conte com cedências da Igreja, muito menos que,  quem está esclarecido  sobre estes assuntos, concorde com elas. 

      Pax I N Crxts

      • MO

        Rrrr Ttt:

        Não disse que devia mudar. Não defendi nada. Limitei-me a expor.

        Mas não adianta erguer de fantasmas e conspirações, quando este é um debate interno na própria Igreja. 

        Eis a minha contribuição.

        Tenho dúvidas que uma mulher possa ser ordenada para o presbiteriado (2.º grau) e para o episcopado (3.º grau). Poucos têm dúvidas em relação ao primeiro, o diaconato – segundo consta, nem JPII, mas tinha receio que isso abrisse as portas aos outros graus, portanto não tocou no assunto, infelizmente por medo… As minhas duvidas têm a escolha de Jesus. Porque é que ele escolhe só homens, ele que deu tanta importância às mulheres e que não tinha receio do escândalo? Há quem diga que se tivesse escolhido mulheres, elas não teriam autoridade dado o contexto social – e como vivemos noutro contexto, felizmente mais igualitário, então as mulheres podem ser ordenadas hoje. A verdade é que as religiões pagãs da época estavam cheias de sacerdotizas, portanto esse argumento não cola.

        Pax et bonum 

      • MO

        Rrrr Ttt:

        Não disse que devia mudar. Não defendi nada. Limitei-me a expor.

        Mas não adianta erguer de fantasmas e conspirações, quando este é um debate interno na própria Igreja. 

        Eis a minha contribuição.

        Tenho dúvidas que uma mulher possa ser ordenada para o presbiteriado (2.º grau) e para o episcopado (3.º grau). Poucos têm dúvidas em relação ao primeiro, o diaconato – segundo consta, nem JPII, mas tinha receio que isso abrisse as portas aos outros graus, portanto não tocou no assunto, infelizmente por medo… As minhas duvidas têm a escolha de Jesus. Porque é que ele escolhe só homens, ele que deu tanta importância às mulheres e que não tinha receio do escândalo? Há quem diga que se tivesse escolhido mulheres, elas não teriam autoridade dado o contexto social – e como vivemos noutro contexto, felizmente mais igualitário, então as mulheres podem ser ordenadas hoje. A verdade é que as religiões pagãs da época estavam cheias de sacerdotizas, portanto esse argumento não cola.

        Pax et bonum 

      • MO

        Rrrr Ttt:

        Não disse que devia mudar. Não defendi nada. Limitei-me a expor.

        Mas não adianta erguer de fantasmas e conspirações, quando este é um debate interno na própria Igreja. 

        Eis a minha contribuição.

        Tenho dúvidas que uma mulher possa ser ordenada para o presbiteriado (2.º grau) e para o episcopado (3.º grau). Poucos têm dúvidas em relação ao primeiro, o diaconato – segundo consta, nem JPII, mas tinha receio que isso abrisse as portas aos outros graus, portanto não tocou no assunto, infelizmente por medo… As minhas duvidas têm a escolha de Jesus. Porque é que ele escolhe só homens, ele que deu tanta importância às mulheres e que não tinha receio do escândalo? Há quem diga que se tivesse escolhido mulheres, elas não teriam autoridade dado o contexto social – e como vivemos noutro contexto, felizmente mais igualitário, então as mulheres podem ser ordenadas hoje. A verdade é que as religiões pagãs da época estavam cheias de sacerdotizas, portanto esse argumento não cola.

        Pax et bonum 

      • Anónimo

        Nunca li tantos disparates num só texto. Que salgalhada. Outro para ir ao psiquiatra!

  • JoaoC

    DA CARTA APOSTÓLICA ORDINATIO SACERDOTALIS DO PAPA
    JOÃO PAULO II SOBRE A ORDENAÇÃO SACERDOTAL RESERVADA SOMENTE AOS HOMENS:
    ” De resto, o facto de Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não ter recebido a missão própria dos Apóstolos nem o sacerdócio ministerial, mostra claramente que a não admissão das mulheres à ordenação sacerdotal não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito, mas a observância fiel de uma disposição que se deve atribuir à sabedoria do Senhor do universo.(…)Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal.

    Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como DEFINITIVA por todos os fiéis da Igreja.”

    http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_letters/documents/hf_jp-ii_apl_22051994_ordinatio-sacerdotalis_po.html
    Ordenação de mulheres é CRIME CONTRA A FÉ:”Artigo 5 º A Congregação para a Doutrina da Fé também se reserva o crime mais grave da tentativa de Ordenação Sagrada de uma mulher: Respeitando 1E, como prescrita pelo can. 1.378 do Código de DireitoCanônico, alguém que tenta conferir ordens sacras a uma mulher e a mulher que tenta receber a ordem sagrada, incorre em excomunhão lataesententiae reservada à Sé Apostólica;”http://press.catholica.va/news_services/bulletin/news/25863.php?index=25863&lang=po#TESTO UFFICIALE IN LINGUA LATINAIndependentemente de eu concordar ou não – evidentemente que não – o facto é que uma mulher NUNCA poderá ser legitimamente ordenada Sacerdote. Leis da Igreja… Como Cristo, não agradam a todos… Quem está mal e não concorda com estas doutrinas, saia dela. Quem não está nela… who cares?? Fácil!

    • Anónimo

      Hipócrita e reles. Atacas pelas costas,mas andas a oferecer-te ao Baal, que já te insultou do piorio, só porque queres sossego para poderes destilar o teu bacoco reaccionarismo. Tu, por um lado, a pretender justificar as ignóbeis cruzadas e a satânica inquisição, e o o outro taralhoco a defender a lapidação de mulheres iranianas, estão bem um para o outro.Já faltou mais tempo para tu e ele estarem aos beiinhos.Costumavas levar dele das suas habituais ofensas e agora até lhe vens dar o flanco.Que vergonha.

    • Anónimo

      Hipócrita e reles. Atacas pelas costas,mas andas a oferecer-te ao Baal, que já te insultou do piorio, só porque queres sossego para poderes destilar o teu bacoco reaccionarismo. Tu, por um lado, a pretender justificar as ignóbeis cruzadas e a satânica inquisição, e o o outro taralhoco a defender a lapidação de mulheres iranianas, estão bem um para o outro.Já faltou mais tempo para tu e ele estarem aos beiinhos.Costumavas levar dele das suas habituais ofensas e agora até lhe vens dar o flanco.Que vergonha.

      • JoaoC

        Alguém te perguntou alguma coisa, ó beata bisbilhoteira da esquina?

        E que é que uma conversa entre mim e outro interveniente tem a ver com este tema, ó animalzinho? Ficaste chateado por te chamar aquilo que eles? Mentirosos, desequilibrado e cobarde?

        Se fosses inteligente – coisa que estás muito longe de ser – vias que não quero nenhum “estratégico silêncio”. Felizmente, não sou tão merdoso como tu…

        E não, não levo em conta as “ofensas” dele, porque simplesmente mostra ser uma pessoa transparente enquanto tu não passas de uma fraude e vives num mundinho criado por ti e pelas tuas dezenas de pseudónimos, através dos quais comentas porque nem VIDA tens para fazer mais nada. Nem vida, nem tomates para assumires o ser odioso que és.

        Topo-te a léguas, meu menino. 

        • Anónimo

          Grunho, covarde e lambe-botas. Tu agora andas a dar o flanco ao Baal porque, no fundo, és um grande covardolas. Querias terreno livre para passares as tuas habituais bacoradas e não encontraste melhor do que lhe baixares as calças e ofereceres-te como prostituta barata. Que merdoso me saíste,fariseu. Tanto paleio pseudo-católico, mas tu não és católico, não és cristão, não és nada.És um estupor do mais baixo gabarito. Peco de inteligência já toda a gente topou que és. Inculto e ignorante também. Agora deste em submisso do agnóstico Baal. Que nojo.

          • JoaoC

            Xanax 0,5 mg, faxabore!

          • Anónimo

            Engole o xanax pela tua garganta funda abaixo, grunho nojento.

          • JoaoC

            Tch! É tão chato quando nos dizem verdades que tentamos esconder, não é?… Mas há tratamentos para isso. Agora para a merdinha de “pessoa” que és, lamento, nada a fazer…

            Dás pena. E gozo! 🙂

          • Anónimo

            Aqui o pessoal não te devia poupar. Tu és do piorio. E agora vieste mostrar a tua verdadeira face: merdoso e medroso.

          • JoaoC

            E tomares os comprimidos e contribuíres – dentro de todas as limitações que sofres e com as tuas habituais contradições, mentiras (até sobre a tua ranhosa pessoa), desonestidade e pobreza intelectual – para o tema do post, em vires de disparares insultos sobre conversas e discussões que NÃO TE DIZEM RESPEITO?

            Tadito..

          • Anónimo

            Já te disse e repito:tu és um estupor do mais baixo gabarito. Apunhalas pelas costas. Mas agora levas com o que não gostavas de ler. És do mais reles que se pode conceber. Um daqueles que anda sempre com o credo ortodoxo na boca, mas que depois vai tendo as suas constantes derivas comportamentais. Tu não és católico não és nada e aqui o pessoal nunca te devia poupar. Se há pessoas que objectivamente causam danos à Igreja Católica é gentalha reles como tu, covardolas de meia tigela.

          • JoaoC

            Correu-te mal o fim-de-semana, desequilibrado mental?

            Bem, mas eu tenho tanto a ver com isso como tu com a minha discussão com o Baal. E não sou como tu, meu grandessíssimo cobarde mentiroso e demente, nem preciso de me “aliar” a ninguém para ter o caminho livre de comentar o que me apetecer. Primeiro porque toda a gente pode comentar – por enquanto – livremente aqui. Segundo porque nunca me foi mandado calar. Terceiro, haveria de ter medo de quê? De que me serviria ter “um aliado” aqui?

            Cabecinhas paranóides como a tua acham que isto é um filme de perseguição real e não distinguem que isto é um espaço de debate de ideias. É uma psicopatia que se cura 😉

            Mas cabecinhas delirantes e doentes como a tua não percebem que quando se diz asneiras, pede-se desculpas. Dei a razão ao Baal pela maneira como falei, mantendo a minha firme opinião de oposição ao reconhecimento do “casamento” gay.

            Além disso, uma coisa que me agrada nele é o facto de não ser como tu, ladrão, mentiroso e cobarde, que se esconde doentiamente debaixo de 300.000 nicks para se fazer ouvir.

            Coisa mais reles. mais reles do que eu “baixar as calcinhas” ao Baal. Para ti baixar as calcinhas é assumir que se teve uma postura menos p´ropria? Pois bem, se assim é, baixei sim. Chama-se humildade, ó merdoso.

            Não percebes isso porque és um doente. Um coitado…

            Apesar de toda a bosta poder comentar aqui (como tu), nem todos fazem joguinhos de personalidades como tu. Também é a única maneira de te lerem e de te fazeres ser ouvido. Porque de outra maneira, serias ignorado, tal como és ignorado na vida real…  Por isso e em compensação, “vives” aqui. 

            Só aqui és “ouvido” – ainda que sempre criticado, porque não há alma ateia ou crente que seja séria e que te leve a sério – e à custa do teu desequilíbrio mental de múltipla personalidade…

            Meninos como tu, topo-os à légua…

      • Anónimo

        Porra Impertinente, quem ler o teu texto diz que estás com ciumes do João C. Não me digas que te apaixonaste?

    • MO

      João:

      O documento ORDINATIO SACERDOTALIS não pertence à esfera do magistério papal extraordinário, não é uma declaração ex cathedra, não é dogmático – como João Paulo II sabia muito bem. O assunto está longe de estar encerrado, até porque a Igreja sabe que houve mulheres que foram ordenadas para o diaconato (1.º grau da ordenação) nos primórdios e por isso é que o documento do Papa não vai por aí – e, já agora, daí que os Ortodoxos ordenem mulheres para esse grau (tal como também não obriguem ao celibato dos padres, que Roma aceita nas igrejas orientais da comunhão católica), estando mais próximos da tradição, e não sendo guiadas pelo espírito regulador do mundo latino.

      Pax et bonum

  • JoaoC

    Gostava de saber então, o que entende por:
    “declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como DEFINITIVA (!) por todos os fiéis da Igreja.”

    E também o que entende  pelo facto de uma ordenação de mulheres ser considerada  – e na minha opinião, muito bem – um crime contra a Fé. (NORMAE DE GRAVIORIBUS DELICTIS , 15.07.2010).  A Fé Católica não muda, logo o que é contra a Fé também não pode deixar de o ser. Portanto, os exemplos de Ortodoxos, cismáticos que não se submetendo à autoridade do Santo Padre, não são exemplo para justificar uma coisa deste género.

    • Kavkaz

      JoaoC, o dogmatismo de Ratzinger na ordenação de mulheres é uma fezada dele! O Vaticano vive de dogmas e fezadas…

      Quando os ateus dizem que a Igreja discrimina as mulheres e não lhes permite a igualdade no acesso ao posto de trabalho do sacerdócio é baseado nestes (maus) exemplos do Vaticano e de Ratzinger.

      O Sr. Policarpo é mais inteligente. Ele explicou que não haverá, em teoria, argumentação para proibir o acesso das mulheres ao sacerdócio e tenta adaptar a religião católica a uma sociedade democrática, o que não é hábito do alemão, para não perderem influência no mundo concorrencial dos serviços religiosos. Passará o tempo e terão de pedir “perdão” às mulheres pela discriminação milenar. Já o fizeram por outras (más) coisas!

      • MO

        Kavkaz:

        A questão não pode ser colocada ao nível da discriminação. A ordenação não é um direito.

        E mulheres tão extraordinárias como Santa Catarina de Sena não precisaram de ser ordenadas para marcarem a Igreja de forma decisiva – ela, que era ouvida por multidões, que a Igreja considera “Doutora da Igreja”, e que foi a responsável pelo regresso do Papa de Avinhão para Roma (imagine: um Papa a ouvir uma mulher e a decidir com base no que ela lhe disse… em pleno séc. XIV). O mundo é sempre mais complexo do que pensamos.

        Pax et bonum

        • Anónimo

          “A ordenação não é um direito”.
          Mas é um sacramento. Ou não?

          • MO

            É. Mais uma razão para as mulheres poderem aceder a ele. Os sacramento são sinais católicos, universais, abertos a todos os que tenham a disposição adequada.

            Pax et bonum

    • MO

      João:

      Repare nas palavras. O que está escrito é que a Igreja não acha que tem a faculdade de decidir por si nesta matéria. limita-se a fazer o que Jesus fez, escolhendo 12 discípulos. Mas então a questão passa pelo entendimento dessa escolha. É uma questão teológica. A sentença é considerada como definitiva tendo em conta esta dimensão primária da escolha. A verdade é que o Cardeal-Patriarca não escorregou (acha possível numa matéria destas?) e a opinião generalizada é que não há razões teológicas para a não ordenação das mulheres, apenas de tradição (e é isso que o documento reafirma, não querendo entrar na discussão teológica…) – e todos sabemos o que Jesus disse sobre a tradição que é imposta e não segue o desenvolvimento espiritual (isto é, teológico): «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado.» (Mc 2,27). Porque é que acha que JPII não tornou o documento num pronunciamento dogmático? Pense nisso.

      O direito canónico vai mudando como sabe. 

      A Fé não muda, tem razão – a nossa fé é a mesma dos primeiros apóstolos, mas a não ordenação das mulheres não se inclui nela, como penso que sabe – se não mostre-me a declaração dogmática relativa ao sacramento da ordenação que fala da ordenação apenas de homens.

      É verdade que os Ortodoxos não estão unidos na comunhão católica, mas para a Igreja Católica a única coisa que falta é mesmo a inserção na comunidade que tem o centro em Roma – é apenas o passo de querer pertencer, não é preciso mais nada. Para a Igreja Católica não há questões teológicas e disciplinares que impeçam essa comunhão (ao contrário dos Anglicanos e dos Protestantes). Nenhuma. Daí as igrejas sui juris, que fazem parte da comunidade católica como a Igreja Católica Siro-Malancar, a Igreja Greco-Católica Romena unida com Roma, e a
      Igreja Greco-Católica Ucraniana, nas quais os padres podem ser casados.Pax et bonum

  • JoaoC

    A minha opinião aqui é irrelevante. Estou apenas a limitar-me à Doutrina católica e aos factos. E a apresentá-los.
    “O que está escrito é que a Igreja não acha (?!?!) que tem a faculdade de decidir por si nesta matéria. ” Não seja desonesto nem leia o que quer. E não, a Igreja não “acha” nada. O que está escrito é que “declaro que a Igreja NÃO TEM ABSOLUTAMENTE a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres”.
    “Porque é que acha que JPII não tornou o documento num pronunciamento dogmático?”Porque lhe faltou coragem e pulso firme. Porque hoje mandam todos, menos o Papa. Porque tudo opina, tudo tem opinião, a tudo se obedece. Menos ao Papa. E porque é o próprio Vaticano a “temer” os que devem ser seus obedientes. O Vaticano “temia que D. José pudesse reagir mal a uma advertência severa. Foi tratado nas palminhas – Jornal Público. http://www.publico.pt/Sociedade/patriarca-chamado-ao-vaticano-para-se-explicar-sobre-ordenacao-de-mulheres_1505640Uma “Igreja” que teme uma má reacção dos seis indisciplinados seguidores é VERGONHOSA. É como u pai não pôr o filho de castigo com medo da sua reacção.Medo de desagradar ao mundo e os últimos Papas chegam a roçar a traição à Fé. É por isso que os últimos Papas têm alergia a declarar-se infalíveis e a pronunciar-se dogmaticamente.Infelizmente, hoje há uma aversão a tudo o que seja dogma. Dogma é quase tabu. Até por parte dos Papas.Frutos do relativismo… ou sei lá do quê. E começa tudo assim, como o seu discurso ambíguo. Lembre-se de quem no Génesis tinha a língua bífida – a Serpente, o Demónio. E não leve isto como uma acusação, mas lembre-se também do serviço que frequentemente presta, como agora,  à malta anti-católica, ao assumir posições como as que está a tomar.Independentemente do que “achamos”, devemos apresentar as coisas como elas são. Agrade-nos ou não…Ser crítico é uma coisa. Tentar deturpar factos, documentos e frases é outra. E desonesto.”Seja o vosso falar sim, sim e não, não. Tudo o que passar disto vem do Maligno” ( Mt 5,37)Ordenação de mulheres? Resposta de um simples leigo, à luz da Doutrina Católica: NÃO.Não por discriminação. Nossa Senhora NUNCA Se sentiu discriminada por não lhe ser copnferido o Sacramento da Ordem. E Ela seria a primeira – e talvez única – pessoa Digna de o receber, pois além de ser a criatura mais perfeita e Imaculada, ofereceu ao mundo o mesmo corpo de Cristo que o Sacerdote oferece no Altar.Pense também nisso!

    • MO

      João:

      “Acha” – sim. Pensa. Admite. Como escrevia Fr. José Augusto Mourão, OP, “A Igreja é um corpo a caminho, uma construção. Como um organismo vivo.” 

      Se não vive isso e acha que tudo se mantém imóvel então não conhece a história da Igreja – basta pensar na mudança para o celibato obrigatório no séc. XI. (Uso a sua fórmula. Antes dessa data, se perguntasse: Celibato obrigatório? Resposta de um simples leigo, à luz da Doutrina Católica nesse contexto: NÃO. O João agora diria: SIM.) Entendo que queira segurança, mas a Igreja existe exactamente como comunidade que procura (!) fazer sentido, mesmo que às apalpadelas, da revelação de Deus em Cristo. O mal que gerou os abusos da inquisição e das cruzadas (e…) mostram bem como a Igreja como comunidade humana reflecte (e até amplia) a nossa luta interior entre o moral e o imoral. Mas a Igreja é um sacramento, um sinal sagrado, com uma missão divina, explicada por Jesus. Entendendo isso e voltando ao princípio (é sempre preciso!), esquecendo todas as regras instituídas, o labirinto do direito canónico, é a própria ideia de instituição que se esvai – e ainda bem. 

      Que pense no Papa como alguém que manda, demonstra que vê a Igreja como contendo uma estrutura de poder (logo desigual) em vez de autoridade (sendo a autoridade reconhecida, não imposta), de guerra permanente em vez de amor. O Papa é um símbolo de união, o seu centro – mas não manda por ele próprio, antes reflecte a Fé da comunidade de crentes que é a Igreja.

      Pax et bonum

      • JoaoC

        Mais palavras para quê?… Esse comentário mais parece um manifesto maçónico, com a treta da liberdade, igualdade e fraternidade…

        É por essas e por outras que, para mim, as pesudo-teorias-teologias moderninhas está em vias de acabar e felizmente que é assim.

        Se bem que já me preocupei mais com essas guerrilhas mesquinhas internas da Igreja…

        • MO

          João:

          Preocupe-se mais com a sua alma. E veja a Igreja como comunidade que é (leia o LUMEN GENTIUM), una mas não uniforme.

          Não sou da maçonaria – nem quero ser, visto que contradiz princípios do cristianismo que guia a minha vida. Sou franciscano leigo. E com tal acho que o ser humano só se realiza em liberdade (e com a responsabilidade que daí advém), em igualdade (somos todos iguais aos olhos de Deus) e fraternidade (somos todos irmãos porque partilhamos a mesma origem). 

          Pax et bonum

          • JoaoC

            “Sou franciscano leigo”. Bem… Agrava ainda mais a minha preocupação.
            Já li esse documento há uns tempos. Demasiado “humano”. Não gosto.

          • MO

            João:

            Tente a caridade. O seu deus é demasiado pequeno. E Deus só pode ser maior do que aquilo que qualquer um de nós pode imaginar.

            O humano realizado – como em Jesus – é a imagem de Deus. Portanto ao afastar-se do humano afasta-se de Deus.

            Pax et bonum

          • JoaoC

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