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O problema não é a ironia…

Há dias o Miguel Panão escreveu um post sobre o “problema do mal”. Na apologética cristã, o problema do mal não é que as pessoas sofram. O problema é apenas compatibilizar doenças, terremotos e o sofrimento dos inocentes com a hipótese de haver um deus omnibonzinho que nos omniama a todos. A razão, sem fé, diria simplesmente para admitir o erro e deitar fora a hipótese. É o que se faz quando as hipóteses não encaixam nos dados. Mas a fé não admite tal coisa e exige o que na apologética cristã chama “reflexão”, “exegese” e “hermenêutica”, e que cá fora se chama “arranjar desculpas”. A virtude dos textos do Miguel Panão é que revelam bem como esta apologética só foge das questões em vez de as responder.

Acerca da dor, do sofrimento e da morte, o Miguel Panão pergunta se serão realmente males: «Se a dor nos torna sensíveis, [s]e o sofrimento nos torna maduros, [s]e a morte nos dá um novo olhar sobre a vida, o que é, efectivamente, um mal natural?»(1) Parece uma reflexão profunda mas, na verdade, é treta. Certamente que o Miguel não cria os seus filhos segundo estas premissas. Se queremos que as crianças desenvolvam compaixão, empatia e respeito pelos outros não lhes vamos causar sofrimento ou mostrar-lhes cenas de tortura e morte. Essa receita é para criar psicopatas. Nem é verdade que o sofrimento nos torne maduros. É o contrário. A maturidade permite-nos lidar com o sofrimento, mas o sofrimento destrói quem não consiga lidar com ele. E sofrer por sofrer não ensina nada a ninguém. Quanto à morte, deixa tristeza e saudade mas não dá nenhum “novo olhar” sobre a vida. As perguntas retóricas do Miguel ilustram bem como é inútil a resposta religiosa. A realidade é que uma criança a morrer de leucemia não aprende nada de valioso e só ensina que o universo se está a marimbar para nós. A teologia não dá resposta a isto. Apenas tenta disfarçar o problema.

Outro exemplo de fachada para esconder questões fundamentais é o “diálogo” inter-religioso. A questão mais saliente na multiplicidade inconsistente de religiões é quem tem razão. É este o problema fundamental. Mas o Miguel Panão finge que não e diz só que é «pela maior profundidade no conhecimento da experiência religiosa do outro que posso, também, aprofundar melhor a minha»(2). Ou seja, cada um ouve as descrições dos umbigos dos outros para melhor apreciar o seu, o que é muito bonito mas não esclarece nada. Por exemplo, continuamos sem saber se adorar a imagem de Jesus na cruz nos salva ou nos condena ao sofrimento eterno por idolatria. Dava jeito esclarecer estes detalhes.

Agora, a Igreja Católica está a organizar o Átrio dos Gentios para discutir com ateus «longe do ateísmo prático da banalização e da ironia»(3). Como se o problema fosse a banalização ou a ironia. Isto são desculpas para, novamente, ignorar os pontos importantes. Em vez de implicar com a forma dos argumentos ateístas ou com a natural banalização de fantasias e superstições, deviam era focar o conteúdo. Novamente, o Miguel Panão dá um bom exemplo.

«Um dos argumentos dos “novos ateus” é que acreditar em Deus é o mesmo que acreditar na Fada dos Dentes. Será? Alister McGrath […] afirmou […] que não há muita gente […] que na fase adulta da sua vida passe a acreditar na Fada dos Dentes […] enquanto que a conversão à existência de Deus não é assim»(4)

O ponto da analogia é precisamente que acreditar na Fada dos Dentes é ingénuo e incorrecto. É este fundamento consensual que mostra a necessidade de determinar porque é que é incorrecto acreditar nesse ser cuja inexistência ninguém pode provar e que faz parte da cultura humana há tanto tempo, mas ao mesmo tempo se deve acreditar num certo deus só porque ninguém pode provar a sua inexistência e muitos acreditam nele há tanto tempo. Ou o Alister McGrath não percebeu o argumento, o que é improvável, ou então finge que não o percebeu, o que é desonesto e frustrante.

O problema não é a ironia, nem o sarcasmo nem o gozo. O problema é fugirem sistematicamente às questões fundamentais. Vejam, por exemplo, o contraste entre as respostas do Sam Harris e do William Lane Craig. Ao Sam Harris um espectador pergunta como se pode explicar milagres como a hóstia na eucaristia se transformar mesmo em carne, com veias e sangue. Harris explica pacientemente que há muitas histórias assim em muitas religiões e não se pode confirmar nenhuma adequadamente. Ao William Lane Craig outro espectador diz que Deus falou com ele e lhe disse que o amor homossexual é tão belo e legítimo como qualquer outro, e pergunta como explicar isso aos crentes que não aceitam essa revelação divina. Vejam como um dos apologistas católicos mais reputados responde a uma questão sobre o problema fundamental de determinar se uma revelação divina é genuína (5).

1- Miguel Panão, O problema DSM…
2- Miguel Panão, Reciprocidade no Diálogo Inter-religioso: um exemplo a seguir
3- Zénite, Átrio dos Gentios: longe do ateísmo prático da banalização e da ironia
4- Miguel Panão, Acreditar em Deus ou na Fada dos Dentes …
5- Obrigado ao Pedro Amaral Couto pela ligação do vídeo.

Em simultâneo no Que Treta!

23 thoughts on “O problema não é a ironia…”
  • Athan3

    O jéórsuis é rápido para conferir os dízimos com os pastrófilos e padrerastas, mas quando os sacrificadores de crianças estão atirando ele sempre está cagando, e joga os papéis com que se limpa nas mãos dos fiéis que “oram”.
    O atirador de Realengo matou covardemente os que não tinham nada a ver; um verdadeiro “irmão” de igrejas .. Um verdadeiro seguidor da doutrina da Menina Pastora Louca; “Si êrli num derxá tu passá, tu pássa pu cima da cabeça dele”; “discirrêba a cabeça dele” … Esse é um discípulo capataz-fiel, um crápula seguidor das crenças pregadas pelos parasitas-mandantes-chefetas-de-crenças sacrificadores de crianças pra lotar igrejas, desesperar, vigiar, e dominar a Sociedade em senzalas-fiéis.
    o atirador de Realengo no RJ, Brasil, deve ter se inspirado no filme “O livro de Eli”; e se tornou um “varão fogo-puro”.

  • Alfredo Dinis

    Caro Ludwig,
    Se bem entendo o que dizes no teu texto, pensas que para os cristãos se uma óstia consagrada cair ao chão há o perigo de Cristo partir um braço. É assim?

    Um abraço,

    Alfredo

    17/04/11 01:

  • amilton cardoso

    Talvez a minha escassa escolaridade me impeça de perceber o alcance de algumas palavras tipo”apologética,hermeneutica,exegese,etc”.
    Pra mim basta saber que determinada mentira é mentira.
    Não tenho necessidade de investigar pra descobrir que não existe nenhum deus onipotente,onisciente e onipresente. Essa é uma descoberta pessoal e me basta, ninguém vai conseguir me convencer do contrário.
    Por isso me parece perda de tempo tanto estudo pra chegar a lugar nenhum.

  • Ricardodabo

    Se muitos acreditam em Deus e ninguém acredita na Fada dos Dentes, não é porque a primeira hipótese seja mais respeitável que a segunda. É que a Fada dos Dentes não oferece o mesmo pacote de “benefícios” que Deus. Se dissermos às crianças que a Fada dos Dentes nos protege, ouve nossas orações e nos poupa da morte, haverá tanta gente para acreditar nesta fábula quanto as há para acreditar na outra.

    Quanto ao argumento do Panão que descaracteriza o mal, ou seja, que transforma o mal num bem (só um religioso para fazer isso!), prefiro mil vezes a sabedoria do The Smiths.
    Vejam a letra de Please, please, please let me get what i want. Lá pelas tantas deparamos com os versos: See, the life I’ve had/ Can make a good man/ Turn bad. É isso aí. O mal é quase sempre um pretexto para a barbárie, uma justificativa para delitos, uma concessão àquilo de que geralmente nos abstemos.

  • Anónimo

    “Na apologética cristã, o problema do mal não é que as pessoas sofram. O problema é apenas compatibilizar doenças, terremotos e o sofrimento dos inocentes com a hipótese de haver um deus omnibonzinho que nos omniama a todos. A razão, sem fé, diria simplesmente para admitir o erro e deitar fora a hipótese. É o que se faz quando as hipóteses não encaixam nos dados. Mas a fé não admite tal coisa e exige o que na apologética cristã chama “reflexão”, “exegese” e “hermenêutica”, e que cá fora se chama “arranjar desculpas”.

    LK

    Ludwig

    Em minha opinião, o que acima alega são meras frases panfletárias, desprovidas de consistente fundamentação. Se quiser sustentá-las criteriosamente, pede-se-lhe um “esforçozinho” mais. Se não, não passa de mais um monólogo de treta…

  • Anónimo

    1)” Nem é verdade que o sofrimento nos torne maduros.”

    Não é verdade porquê ? Porque razão o nosso sofrimento ou o alheio não nos pode tornar mais generosos e sensíveis e por isso mais maduros ?

    2)”Quanto à morte, deixa tristeza e saudade mas não dá nenhum “novo olhar” sobre a vida”

    Parece uma tirada ” científica” mas também não tem nenhum valor universalizante. Trata-se apenas da sua opinião Ludwig, nada mais. Para mim, uma profunda reflexão sobre a morte, a tristeza,a saudade e os afectos, podem sim apontar para a crença na perpetuidade da vida para além da morte física, tudo depende do olhar de quem assim sente.
    Por mais que você teime em insistir que esta ou aquela atitude ” não dá nenhum novo olhar sobre a vida”, a verdade é que cada um de nós dará ou não à vida o sentido que intimamente lhe entender atribuir, quer você concorde ou não.
    Você pode gastar milhões de frases a repetir o seu postulado, mas ele só se aplica a si.

    3) “Ou seja, cada um ouve as descrições dos umbigos dos outros para melhor apreciar o seu, o que é muito bonito mas não esclarece nada. ”

    Você pode cuidar muito bem do seu umbigo e estar-se a marimbar para os demais, mas , se escutar os outros, é, para si, algo desinteressante e intelectualmente improdutivo, porque vem aqui editar os seus textos ? Será só para afagar o seu umbigo ?

    4)” Igreja Católica está a organizar o Átrio dos Gentios para discutir com ateus «longe do ateísmo prático da banalização e da ironia»

    Acho muito bem. Só adere quem quer. Os grunhos ateus não vão lá de certeza e também é só o que se lhes pede e espera. Para despejarem os seus habituais vómitos, LGR e similares têm aqui no “D.A.” o seu terreiro,

    5)”O ponto da analogia é precisamente que acreditar na Fada dos Dentes é ingénuo e incorrecto”

    O argumento da Fada dos Dentes, para tentar contrariar o Arquétipo Maior, de Deus, é tão caricato, que nenhum ateu intelectualmente evoluído o invocará. Se você quer ir por aí, vá, mas não lhe fica nada bem e só consegue tombar no ridículo.

    6) “Ao Sam Harris um espectador pergunta como se pode explicar milagres como a hóstia na eucaristia se transformar mesmo em carne, com veias e sangue. Harris explica pacientemente que há muitas histórias assim em muitas religiões e não se pode confirmar nenhuma adequadamente”

    Você devia perguntar ao Sam Harris porque é que ele, sendo, além do mais, neurocientista, diverge da visão fisicalista do Dennet e do Dawkis quanto à temática da Consciência nestes claros termos:

    ” O problema, todavia, é que nada acerca do cérebro, quando examinado enquanto sistema físico, nos indica que este seja o portador daquela dimensão interior peculiar que cada um de nós, do seu ponto de vista, experimenta como consciência

    ” A consciência pode ser um fenómeno bem mais rudimentar do que as criaturas vivas ou do que os seus cérebros.” ( Sam Harris, The End Of Faith, 2004, pp- 208- 209)”

    Seria uma óptica ocasião para alguém ter perguntado ao Sam Harris onde vem então esse ” fenóme-
    no rudimentar” e qual a sua natureza.

    Se a Consciência preceder as próprias criaturas vivas ou os seus cérebros, então a teoria fisicalista do Dennet entra claramente em crise.

    E, se assim for, se a Consciência ou a Mente precederem os próprios seres vivos, então de onde proveio essa realidade imaterial ?

  • Anónimo

    “Ao Sam Harris um espectador pergunta como se pode explicar milagres como a hóstia na eucaristia se transformar mesmo em carne, com veias e sangue. Harris explica pacientemente que há muitas histórias assim em muitas religiões e não se pode confirmar nenhuma adequadamente”

    A Transubstanciação é ou não aceite entre as várias igrejas cristãs. Por mim, respeito a interpretação católica mas, enquanto cristão não católico, não a subscrevo:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Transubstancia%C3%A7%C3%A3o

  • Alfredo Dinis

    Caro Ludwig,

    Continuo à espera que me digas de que estás a falar quando ironizas sobre a crença cristã de que a hóstia consagrada é o corpo de Cristo.

    No que se refere à questão de, da minha parte, ignorar as perguntas que colocas e que consideras fundamentais, também não sei a que te referes, pelo menos no meu caso, uma vez que sempre procurei responder às questões que me colocam se é que sei responder, o que nem sempre acontece.

    Já disse por diversas vezes que apesar de ter estudado cinco anos de filosofia e cinco de teologia, sei muito pouco sobre Deus embora o pouco que sei me baste para viver uma vida cheia de sentido. Talvez queiras que eu diga mais do que aquilo que realmente julgo saber, e a minha ignorância te desiluda e te leve a pensar que eu rodeio as perguntas.

    Dou muita razão a Thomas Kuhn e ao que diz sobre os paradigmas na sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas. O termo ‘paradigma’ tem nesta obra cerca de 22 sentidos diferentes, mas há um aspecto que me parece muito interessante: é com base no paradigma que uma pessoa ou uma comunidade decide quais são as perguntas que fazem sentido e quais as respostas que são admissíveis para as perguntas com sentido. Quer em ciência, quer em qualquer outro domínio, as pessoas tomam decisões sobre o sentido ou não sentido de determinadas perguntas e correspondentes respostas com base na coerência que lhes é ‘imposta’ pelo paradigma. Se eu dissesse que tinha acabado de assistir a uma reunião de extraterrestres no Chiado, duvido que a maior parte das pessoas me perguntasse sequer como podia eu provar a verdade da minha afirmação. Pelo menos do ponto de vista científico, essa afirmação não está em coerência com o paradigma científico actual. Não quer dizer que não possa haver extraterrestres, mas não é concebível que possam chegar ao planeta Terra.

    Segundo Thomas Kuhn, as pessoas que ‘vivem’ em paradigmas diferentes dificilmente ou mesmo nunca estão de acordo com o sentido e a legitimidade das questões que se colocam umas às outras. Por isso mesmo, as perguntas que colocas e as respostas que esperas exigiriam um atravessar de fronteiras paradigmáticas que é, segundo Kuhn, quase sempre impossível. É o que acontece, por exemplo, com a questão da transubstanciação.

    No que se refere à questão que o jovem colocou a Craig, o elemento central aqui não tem a ver com o assunto da ‘revelação’ de Cristo ao mesmo jovem, neste caso a questão da homossexualidade. Tem a ver com o critério com base no qual decidir se a revelação foi ‘autêntica’ ou não. Na Igreja Católica, a questão da autenticidade das revelações resolve-se pelo princípio da coerência a que me referi acima. Não creio que haja outra possibilidade. Se o jovem que se dirige a Craig tivesse dito que Cristo lhe revelara que afinal não ressuscitara, ao contrário do que os Cristãos pensam, isso seria um motivo para não aceitar como autêntica a revelação. Tal como no caso da reunião de extraterrestres acima referida, o critério da coerência é fundamental.
    É evidente que me dirás que a ciência quebra por vezes os paradigmas dominantes, como quando se passou do paradigma geocêntrico para o paradigma heliocêntrico, ou do paradigma newtonianio para o paradigma einsteiniano com base em evidências empíricas, provas, demonstrações lógicas e objectivas, o que não acontece com a religião. De facto, a religião não é ciência. Por outro lado, há questões fundamentais que a ciência não põe em causa, como a existência das mesmas leis da natureza em todo o universo, ou até mesmo a existência do próprio universo, quando teoricamente, como afirmou o filósofo Hilary Putnam, não seria contraditório acreditar que somos apenas cérebros manipulados por alguma inteligência que cria artificialmente na nossa mente o conhecimento de um mundo que poderá não existir. Esta hipótese, empiricamente indemonstrável, não será nunca aceite pela ciência, por muito que mudem os paradigmas científicos. Algo de semelhante se passa com a religião.

    Um abraço,

    Alfredo

  • Anónimo

    1) “O problema é apenas compatibilizar doenças, terremotos e o sofrimento dos inocentes com a hipótese de haver um deus omnibonzinho que nos omniama a todos. A razão, sem fé, diria simplesmente para admitir o erro e deitar fora a hipótese”

    Ludwig Krippahl

    2)” Um Deus que viesse ao encontro das pessoas em trajes onipotentes chegaria para se impor e reivindicar obediência irrestrita, impressionando pela sua majestade e força sem iguais. Jung Mo Sung adverte que “a contrapartida do poder é a obediência, enquanto a contrapartida do amor é a
    liberdade”

    Edrené Kivitz

    http://edrenekivitz.com/blog/2011/01/teodiceia/

    • amilton cardoso

      Alfredo Dinis,

      Como eu disse, essa é uma questão pessoal, não me interessa convencer ninguém da minha convicção.
      Não acho que valha a pena eu ficar querendo que as pessoas acreditem no que eu acredito.
      Até acho que, pela questão cultural,é mais fácil convencer alguém que tem dúvida, da existência de um deus do que da inexistência, pois, desde que nascemos somos bombardeados com a fé alheia e isso fica entranhado em nossos cérebros.
      Por isso,na minha opinião, para chegar a conclusão de que isso é uma grande mentira é necessário que a pessoa precise muito desse deus e ele não compareça, ou seja, que algo que só um deus poderia fazer e que a pessoa tem certeza de que merecia que fosse feito e não foi feito.Uma decepção total com a fé.
      Mesmo assim em muitos casos as pessoas não se consideram merecedoras de coisas “negadas” por deus.

      • Alfredodinis Facfil

        Caro Amilton,

        Afirma:

        “para chegar a conclusão de que isso é uma grande mentira é necessário que a pessoa precise muito desse deus e ele não compareça, ou seja, que algo que só um deus poderia fazer e que a pessoa tem certeza de que merecia que fosse feito e não foi feito.Uma decepção total com a fé.”

        Há muitas coisas que esperamos que as pessoas nos façam, favores, e que elas acabam por não fazer. Poderão ter as suas razões, e poderão pensar que será melhor para nós não nos facilitarem demasiado a vida, por exemplo, para não nos habituarmos a que alguém venha sempre resolver os problemas que nós próprios podemos resolver. Nada disto implica que essas pessoas não existem.

        Cordiais saudações,

        Alfredo Dinis

  • Alfredo Dinis

    Caro Amilton,

    Gostaria de saber como chegou à certeza de que Deus não existe. Há pessoas que têm a certeza de que Deus existe. Como podemos saber quem tem razão?
    Obrigado.
    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  • Kavkaz

    Alfredo Dinis,

    Para ter a certeza de que Deus não existe terá de ir às fontes que afirmam que ele existe, ler a argumentação apresentada, avaliar a época, saber se a argumentação é válida e se apresenta ou não contradições. Depois compara essa informação com o Conhecimento de hoje. A conclusão desse estudo feito é para mim inequívoco: é uma bela invenção para um negócio milionário! É isto que sustenta a religião!

    • Alfredo Dinis

      Caro Kavkaz,
      Duvido que a sua posição seja o resultado de um estudo aprofundado sobre os inícios do cristianismo. Os estudos que até hoje me foram apresentados e que conduzem à conclusão de que o Cristianismo não tem fundamento já partiram desse pressuposto, seleccionaram os factos que iam nesta direcção e ignoraram os factos que iam numa direcção oposta. Com esta metodologia, seguida hoje pelo ateísmo, pode-se provar e desprovar seja o que for. Basta escolher os factos que estão de acordo com a nossa posição e ignorar os que a contradizem. Não se pode tomar a sério esta metodologia, seja em que domínio for. Não lhe parece?

      Saudações,

      Alfredo Dinis

      • Kavkaz

        Alfredo Dinis

        Você duvida do meu estudo aprofundado sobre a religião. Está no seu direito de duvidar… Mas eu estou integralmente satisfeito com o que sei e não tenho qualquer dúvida sobre o que escrevi. E isso basta-me. Não se importa que eu tenha o direito de ser ateu e escrever abertamente que “Deus” não existe e foi inventado pelos seres humanos?

        Há medida que escrevo irei apresentando alguns dos meus argumentos. Pode ter a certeza que nunca escreverei tudo o que sei e já vivi.

        Cumprimentos

        • Anónimo

          ” Há medida que escrevo irei apresentando alguns dos meus argumentos”

          Eu por mim duvido do teu estudo aprofundado de português. À medida que vais escrevendo, topa-se bem a tua pinta de ignorante lexical.Se estiver ajustada ao teu estudo aprofundado sobre religião, não vais longe pá 🙂

          • Kavkaz

            Tens mais medo de mim que do Inferno! Ehehehe! Continua a perseguição… Eu continuarei a rir-me dos teus comentários inúteis e invejosos. Repito-te e morde de raiva, “irmão” do “amor ao próximo” falso: o teu “Deus” não existe e foi inventado pelos seres humanos!

          • Anónimo

            Ui que medinho de ti. Snif,snif…

            Bem ” Há” tua medida…:-)

          • Anónimo

            Ui que medinho de ti. Snif,snif…

            Bem ” Há” tua medida…:-)

  • Anónimo

    “Ao Sam Harris um espectador pergunta como se pode explicar milagres como a hóstia na eucaristia se transformar mesmo em carne, com veias e sangue. Harris explica pacientemente que há muitas histórias assim em muitas religiões e não se pode confirmar nenhuma adequadamente”

    LK

    Jesus disse:”Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” ( (João 6:51-71).

    O discurso evangélico do Nazareno foi sempre essencialmente simbólico, metafórico, parabólico. E, nesse sentido, penso que a Transubstanciação, tal como afirmada pela Igreja Católica, ultrapassa interpretativamente o que resulta da análise exegética dessa passagem.

    Respeito essa e outras interpretações da dogmática Católica, mas não a subscrevo.

    O alimento,de que Cristo falava,na interpretação de outras igrejas cristãos, de que partilho, era o “corpo espiritual”, não o físico.

    E, sobre esta temática, S. Paulo produziu, do meu ponto de vista, a melhor exegese, quando diferenciava o ” corpo animal” do ” corpo espiritual” , como, nomeadamente, em 1 Cor. 15:44

    Consequentemente, a referida passagem do Evangelho segundo S. João, deve ser vista à luz da dimensão espiritual da Doutrina de Cristo, tal como explicitada por S. Paulo.

    Seja como for, há eventos que merecem ser analisados com mente aberta e crítica, sem nenhuma determinação apriorística e preconceituosa, como, por exemplo, o do alegado milagre eucarístico de Lanciano:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Milagre_Eucar%C3%ADstico_de_Lanciano

    Para aqueles que, como Ludwig Krippahl, se enclausuram cientificamente numa mundividência exclusivamente materialista, tudo o que possa remeter para outras áreas eventualmente imateriais da Realidade, é, à partida, imediatamente descartado como susceptível de ponderação científica.

    Para esses, a Ciência tem os seus popperianos limites. Mas já não invocam esses mesmos limites quando se tratar de analisar eventos tidos por inexplicáveis, à luz dos parâmetros, sempre limitados, da “deusa” Ciência, assente num paradigma totalitariamente materialista.

    Também aqui, quando não lhes interessa investigar certas temáticas, preferem cegamente seguir a “política da avestruz” .

    A solução para os que divergem desse paradigma conformador passa por algo bem simples:

    Um novo e alternativo paradigma de aferição…

  • Anónimo

    No domínio científico, há ainda uma infinitude de áreas para investigar, que requer uma atitude intelectual não conformada a estritos e redutores padrões materialistas de aferição.

    Vale a pena analisar, com espírito certamente crítico e dubitativo, por exemplo,a fenomenologia da chamada ” transcomunicação instrumental”, mormente os trabalhos desenvolvidos por Friedrich Juergenson e Konstantin Raudive.

    Podem ser fraudes ? Podem, como também podem ser trabalhos intelectualmente sérios e credíveis.

    A questão aqui, como noutros ignotos domínios, não é acreditar ou desacreditar, mas investigar, aprofundar e concluir o que as premissas logicamente permitirem, dentro ou fora de um paradigma estritamente materialista e, tantas vezes, preconceituoso.

    Sobre este tipo de abordagens, que diria aprioristicamente LK ?

    “A razão, sem fé, diria simplesmente para admitir o erro e deitar fora a hipótese” ? …

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Transcomunica%C3%A7%C3%A3o_instrumental

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