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  • 5 de Fevereiro, 2011
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

Como se fabricam santos

Quando João Paulo II for declarado “beato”, em 1º de maio, esse evento representará a mais rápida beatificação dos tempos modernos, superando por pouco Madre Teresa. Ambos, é claro, foram celebridades globais, cujas mortes movimentaram campanhas populares para canonização imediata e permanecem os únicos dois casos recentes em que o período normal de espera para iniciar uma causa foi dispensado.

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23 thoughts on “Como se fabricam santos”
  • jmc

    realmente nunca pensei nisto, mas já houve canonizações de pessoas quando elas estavam ainda vivas? se não, porque não se faz?

    • Anónimo

      Esta beatificação é, a meu ver, meramente burocrática. As beatificações não são infalíveis e, recentemente, até as canonizações (algumas) bastante questionáveis de infalibilidade. Principalmente estas a jacto, que não deviam acontecer! E Deus permita que não passe disso mesmo e que a canonização não aconteça, para bem das almas e da Igreja Católica.

      Em vivos, a canonização é impossível, porque é na batalha final que se ganham os méritos. Uma pessoa que fosse “santa em vida”, que fugisse do pecado e vivesse em estado de graça toda a vida e, no momento final, revolta-se e vira as costas a Deus, condena-se a ela própria. Assim como qualquer pecador, grande pecador que mate, roube, etc, consciente do mal que faz durante a vida toda e, por alguma graça especial ou não, se converta de coração (pelo menos) no momento final é salvo, ainda que passe tempo no Purgatório, claro.

      Portanto, ninguém é santo até passar pela “prova de fogo”, pela batalha final e decisiva que acontece no momento da morte em que a pessoa, no seu livre arbítrio, escolhe o Bem e se salva, ou Mal e condena-se.

      Obviamente que um pecador que se converta e receba os Sacramentos e tudo o mais, quase que garantidamente está salvo. Mas como ninguém pode afirmar com certeza que X está salvo, outro está condenado, esse não se pode canonizar, porque além de assegurar que aquela alma está junto de Deus e opede por nós, a canonização oferece à Igreja aquele santo como modelo de santidade. Com João Paulo II, a beatificação assume que ele estará na glória de Deus ( e eu acredito que sim, só não concordo nem aceito que ele seja tido como modelo). A canonização dar-lhe -ia um “estatuto” de modelo de santidade, de testemunha da Fé da Igreja. Coisa que o Santo Padre anterior esteve muito longe de o ser, por motivos mais que falados aqui..

      • jmc

        Tanto a beatificação como a canonização são decisões tomadas pela igreja católica (que sim, sei que discorda da actual, mas já houve destas decisões no passado) sobre praticantes da religião.

        Sendo a crença pessoal, tal como o é essa “batalha final” que refere no momento da morte, como se dá a volta à possibilidade que alguém tenha sido canonizado em erro, por ser na realidade um descrente aparentemente crente?

        • Anónimo

          Na verdade, esse risco é bem maior nos dias de hoje que no passado. Antes, os processos de canonização e até beatificação eram sempre muito rigorosos, a vida do “candidato” muito bem estudada e fundamentada. Havia – tinha de haver, fazia parte do processo – um “advogado do Diabo” que apanhava todos os “podres”, ou argumentos sobre aspectos menos positivos a serem tidos em conta no processo, fundamentados e os apresentava à Santa Sé. Depois de discussão e análise séria, era aprovado o decreto ou não.

          Agora, esse papel de “advogado do Diabo” não existe praticamente. O próprio João Paulo II reformulou a lei da Igreja para as canonizações e beatificações. Para implementar a ideia de que qualquer um pode ser santo – ideia correctíssima! -, banalizou-se de forma imprudente todo o processo.

          Portanto, o risco de uma canonização “inválida” (a beatificação não é infalível) é bem maior actualmente do que no passado…

          • jmc

            Obrigado pelas respostas. Apenas não tinha feito a mesma questão sobre a beatificação porque para a canonização já é necessária.

            Relativamente ao “advogado do diabo” que menciona, penso que hoje em dia não é necessário haver um apontado pela igreja. Com a velocidade e facilidade de partilha de informação dos dias de hoje, praticamente nada que não seja fechado a 7 chaves (como o conclave, por exemplo) escapa à publicação, pelo que qualquer um que recolha esta informação pública pode ser este “advogado”, tal como JoaoC o é, e certamente, sobre JP2.

            Mas como é a igreja que determina quem são os seus advogados, a mensagem não passará e será certamente canonizado.

            Em qualquer caso, uma última pergunta: no fundo no fundo, de que serve a canonização? Não é Deus que acaba por determinar o destino de todos? Porque nos preocupamos com esta “novela” de determinar se as pessoas realmente foram para o paraíso ou não, quando Deus é que decide e não nós?

          • Anónimo

            A canonização não é uma confirmação ou declaração ou, como disse, determinação da Igreja de que certa pessoa está no Céu ou que foi salva. É um processo em que a Igreja propõe – primeiro ais católicos, mas a todos em geral – tais pessoas como modelos de conduta, pela sua Fé e exemplo de vida e, por isso, baseando-se nos factos e nos documentos analisados, acredita-se que mereceram alcançar o Céu, a santidade e lá pedem por nós.

            Não é por a Igreja declarar alguém Santo que alguém o é. Nem todas as almas que estão no Céu são conhecidas pelo seu nome. Não foram todas canonizadas. No entanto, são tão Santos como os reconhecidos pela Igreja Católica formalmente.

            Os que a Igreja canoniza e são apresentados como Santos, não é pela canonização que se tornam santos. Mas é por serem sinal e testemunho de santidade, no exemplo de vida e de fé que levaram, que a Igreja os reconhece.

          • MO

            Exacto. Um santo ou uma santa revelam-se como tal no modo como vivem, como dão testemunho no seu serviço, como exemplares no modo como seguem o Evangelho. É essa a medida – todas estas questões de milagres e relatórios médicos são menores ou irrelevantes (embora o modo como estas questões são explicadas pela Santa Sé sejam mais complexas do que a imprensa e o DA querem fazer crer). Não se trata de considerar toda uma vida, mas o modo como uma conversão profunda produziu frutos. S. António, por exemplo, revelou-se como santo em Pádua e não em Lisboa – foi a pessoa mais rapidamente canonizada na história da Igreja; o Papa foi inundado com cartas de pessoas que com ele tinham convivido ou com quem se cruzou.

            Pax et bonum

      • antoniofernando

        O teu voto fica registado…

      • Cuscardolas

        na verdade segundo as crenças catolicas é bem possivel para a santa sé declarar quem quiser como santo…o papa é o successor do apostolo Pedro a quem Jesus terá dado as chaves do céu dizendo “o que aberires na terra será aberto nos céus, e o que fechares na terra será fechado nos céus”…a meu ver uma ferramenta bastante poderosa nas mãos da santa sé e do seu mais alto representante de dogmatica infalibilidade…o papa

  • jmc

    realmente nunca pensei nisto, mas já houve canonizações de pessoas quando elas estavam ainda vivas? se não, porque não se faz?

  • Anónimo

    “Com João Paulo II, a beatificação assume que ele estará na glória de Deus ( e eu acredito que sim, só não concordo nem aceito que ele seja tido como modelo). A canonização dar-lhe -ia um “estatuto” de modelo de santidade, de testemunha da Fé da Igreja. Coisa que o Santo Padre anterior esteve muito longe de o ser, por motivos mais que falados aqui..”

    Mas afinal, para ti, ele era “bom” ou “mau”?

    Ainda não percebi a tua opinião.

    Espera que eu vou ler um livro que tenho ali na biblioteca, que nunca li, e que se chama: “De Karol a João Paulo”.

    Depois falamos.

    • Anónimo

      Não é uma questão de ser “bom” ou “mau”. É uma questão de justiça. Nem todas as pessoas pura e só HUMANAMENTE boas são santas. Um Santo é, não só mas também, modelo de santidade para os que cá andam ainda, pelo exemplo de Fé e Caridade. João Paulo II ofendeu a memória dos seus antecessores e dos Santos Mártires que morreram pela Fé ao promover o falso Ecumenismo, por exemplo, beijando o Corão. Além de graves abusos litúrgicos que deixou acontecerem nas Missas por ele próprio celebradas. Felizmente que o actual Papa tem vindo a corrigir alguns deles.

      Portanto e como disse, não é uma questão de ser bom ou mau. Boa pessoa? Sem dúvida, e por isso acredito que esteja na glória de Deus. Bom Papa? Discutível e questionável, como tal, não merece ser elevado às honras dos altares, a par dos Santos e Mártires que preferiram morrer a trair ou igualar a sua Fé com outras falsas crenças.

      • antoniofernando

        ” Bom Papa ? Discutível e questionável como tal”,

        Claro que tens toda a razão. Tu, Ali Acga e o facho do Juan Krohn já formam uma profana trindade…

        • Anónimo

          E quem és tu para opinares seja o que for nesta matéria? Avaliador de Papas? Nem sabes o que é um Papa, quanto mais mandares aí o teu mísero e desprezível bitaite, ó ateu disfarçado, aldabrão, ladrão e cobardolas?

          • antoniofernando

            És tão ” católico” . Olha que insultar os outros pode dar-te acesso directo ao Inferno de chamas ardentes. Não te confesses já a seguir, não, que vais ficar a estorricar com uma tocha de pau carunchoso.

            Põe-te a pau se não ainda ficas a arder junto do facho Juan Krohn de que tanto gostas…

  • Anónimo

    “Com João Paulo II, a beatificação assume que ele estará na glória de Deus ( e eu acredito que sim, só não concordo nem aceito que ele seja tido como modelo). A canonização dar-lhe -ia um “estatuto” de modelo de santidade, de testemunha da Fé da Igreja. Coisa que o Santo Padre anterior esteve muito longe de o ser, por motivos mais que falados aqui..”

    Mas afinal, para ti, ele era “bom” ou “mau”?

    Ainda não percebi a tua opinião.

    Espera que eu vou ler um livro que tenho ali na biblioteca, que nunca li, e que se chama: “De Karol a João Paulo”.

    Depois falamos.

  • Comboio_correio

    Sinceramente… Estou espantado.
    Adoro o comentário do JoãoC. A sério. É preciso vir a um espaço ateu para se ler isto. Aquilo… Pois bem. Estou rendido (não convertido), há quem acredite no que diz e, o João acredita piamente.
    Certo.
    Está certo. Parabéns!…
    Pela coerência e pela forma… Ainda que não consiga acreditar em nada daquilo que diz, há seriedade.
    Se usasse chapéu, tirava-o (para fazer justiça à expressão – “Tiro o chapéu a este senhor”).

    • Comboio_correio

      corrijo – onde se lê: Ainda que não consiga acreditar em nada daquilo que diz, há seriedade.
      deve ser lido: Ainda que eu não consiga acreditar em nada daquilo que ele diz, reconheço que há seriedade.

  • Andreia_i_s

    Se deixassem as pessoas mortas nos eu lugar era melhor.

    • antoniofernando

      O problema é que as pessoas mortas acabam por ser pasto de minhocas.Não é portanto possível deixá-las nos seus lugares.

      Porém, existe sempre a hipótese de cremação. Aí fintam-se as minhocas…

      • jmc

        Não é a única maneira de fintar as minhocas. Os abutres também têm de comer, e os funerais tibetanos são esta forma alternativa de devolver o corpo à natureza.

        Aviso: imagens bastante gráficas: http://mbvtravel.com/burials-in-tibet-not-for-sensitive-souls

        • antoniofernando

          É verdade e é uma bela atitude. Mas há uma outra forma hipotética de fintar as minhocas e não remete para questões de natureza corporal. Cada um de nós, quando estiver do lado de lá, apurará se ela se confirma ou não…

  • Anónimo

    OS SANTOS, FABRICAM-SE DE ACORDO COM OS INTERESSES DA IGREJA NO MOMENTO.
    NISSO A ICAR É ESPECIALISTA … APROVEITA-OS TODOS. ATÉ AQUELES QUE DEVIAM TER SIDO JULGADOS E PRESOS EM VIDA…

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