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  • 28 de Dezembro, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • Catolicismo

A China mente

Papa age mais como político ocidental do que como líder religioso

Um jornal chinês exortou hoje o Vaticano a “deixar de interferir nos assuntos internos da China” e acusou o Papa Bento XVI de agir “mais como um político ocidental do que como líder religioso”.

Nota: Os políticos ocidentais são eleitos democraticamente e respeitam a liberdade religiosa. O Papa é mais parecido com os governantes chineses.

33 thoughts on “A China mente”
  • D Quixote

    “Papa age mais como político ocidental do que como líder religioso” – e as duas coisas lhe são lícitas, dependendo das circunstâncias. Porém, não é licito ao sr. Jintao armar-se em líder religioso católico em situação alguma.

    Não é lícito ao governo Chinês interferir em assuntos internos da religião.

    “deixar de interferir nos assuntos internos da China” – Tratando-se de comunistas ateus, gente sem qualquer tipo de dignidade e que deveria ter tanto direito à vida como têm os muitos milhões de crianças abortadas por nascimento parcial a mando destes carrascos, até pode parecer que o Papa está intervir em algo para o qual não tenha toda a legitimidade.
    As questões da organização interna e doutrinal da Igreja Católica são competência exclusiva do Papa e não de um comunista assassino, dum dos maiores sanguinários dos últimos 50 anos.

    Neste blogue fala-se de Franco como um grande sanguinário. Mas, este sr. Jintao já matou muitas vezes mais do que Franco e ninguém o acusa.
    Onde está um Garzon para o mandar prender pró violação sistemática dos Direitos Humanos, por invasão de território internacional, por genocídio. Para isso o Garzon não tem tomates.

    Quanto à questão do Papa, é estupidez de uma camada de ignorantes que governam um país de escravos, repartidos entre o feudalismo e a servidão dos primeiros anos da industrialização.

  • antoniofernando

    ” Os políticos ocidentais são eleitos democraticamente”

    Carlos Esperança

    Bento XVI é eleito pelos cardeais que compõem o conclave. Dalai Lama não é ocidental mas foi a China que invadiu o Tibete.Quanto à dama que chefia a Igreja Anglicana e que toma o Dawkins como seu fiel súbdito subserviente,foi eleita por quem ?…

    • Anonimal

      ” Os políticos ocidentais são eleitos democraticamente” – quais?
      Os primeiro-ministros; os ministros, comissários europeus…?

    • Molochbaal

      Ou seja, o papa não é eleito pelo conjunto dos fiéis mas por um grupo restrito que não foi eleito mas nomeado pelo papa anterior.

      Por outro lado não é a rainha de Inglaterra que governa o país mas o governo inglês eleito pelo povo. A rainha é apenas um símbolo, ao contrário do papa que faz o que quer da igreja apesar de também não ter sido eleito pela comunidade que governa.

      Po tudo isto se confirma o escroquezinho mentiroso que és.

      • Joao Mourinho

        O Papa tem todo o direito de governar a Igreja. Esse poder foi-lhe concedido por Jesus Cristo, através do apóstolo Pedro. E quem está na Igreja sabe disso, e aceita. E em assuntos da Igreja Católica, é à Igreja Católica que cabe tratar, não é a qualquer regime, seja ele chinês ou argelino.

        Caro Molochbaal, não sei porque se dá ao trabalho sequer de comentar estas notícias… se não pertence à Igreja Católica, isto incomoda-o? A Igreja é apenas para quem quer. Para quem não quer, como deve ser certamente o seu caso, há muita coisa neste mundo com que se entreter e gastar a sua existência.

      • Zeca-portuga

        E a República “ateísta” da Coreia do Norte é hereditária; nenhum país do Ocidente elege o seu governo (e escolhido entre os amigos dos gajos que mandam e duma cáfila de maçons que tenta dominar o mundo ); etc, etc, etc, etc.

        O Vaticano tem um “lider” eleito por consenso entre os representantes da igreja de todos os países que se encontram em igualdade de eleição, o que não acontece no meu Portugal onde, na prática, nem todos os eleitores podem candidatar-se – que o diga quem já tenta há muitos anos e nunca conseguiu.

  • antoniofernando

    Aqui sim, eis um pensamento teológico profundo:

    ttp://www.youtube.com/watch?v=H5Etc95qeEo

  • carpinteiro

    Para rir:

    A Santa Sé declarou que “o persistente desejo de controlar a esfera mais íntima da vida dos cidadãos, a da sua própria consciência, e de interferir na vida interna da Igreja Católica, não faz jus à China”.

  • carpinteiro

    Quanto à Associação Patriótica da China, (Igreja Católica não controlada por Roma) O Vaticano ressalta que seus princípios de independência e autonomia, autogestão e administração democrática da Igreja são “incompatíveis com a doutrina católica”.

    • MO

      Igreja Católica não controlada por Roma

      Erro de entendimento comum. Roma não controla – mas as Igrejas ditas Católicas, estão em comunhão com Roma. Para quê? Para garantir a continuidade doutrinal, apostólica. Claro que se podem inventar igrejas e ordenar bispos – mas porquê denominá-las de Católicas quando nesse gesto se colocam fora da Igreja? Sejamos racionais. É o mesmo que abrir um curso de medicina numa universidade sem dar garantias da formação de quem ensina nem verificar se o currículo coincide com o nome do curso.

      O Governo Chinês não deve interferir na vida da Igreja, que transcende fronteiras e une cidadãos dos mais diferentes países.

      Pax et bonum

    • MO

      princípios de independência e autonomia, autogestão e administração democrática

      Já agora respondo-lhe a isto. Se as igrejas ocidentais e orientais são Católicas estão em comunhão com a Santa Sé, com a Sé de Roma – logo não podem ser independentes e autónomas, pelo contrário, formam todas uma comunidade que é a Igreja.

      Pela mesma razão, a sua gestão faz-se segundo os princípios instituídos por Cristo e passados pela tradição por escrito (o NT e os outros textos) e oralmente. Autogestão seria, portanto, uma gestão que dependeria apenas da vontade de alguém e não do que guia toda a comunidade.

      Mais uma vez, do ponto de vista doutrinal, a Igreja não é nem pode ser uma democracia: não se fazem, por exemplo, referendos sobre o dogma da Santíssima Trindade ou outros. Não se pode abrir as portas à possibilidade da subversão da fé dos primeiros apóstolos e que a Igreja guarda e transmite – o que não quer dizer que não haja muitas discussões (e mesmo os dogmas não são mais do que formas esquemáticas, abertas à reformulação, de expressar um conteúdo que toca no mistério). Mas cada um/a é livre (e só o deve fazer livremente) de se juntar a esta comunidade, com esta fé.

      Pax

    • MO

      (cont.) A hierarquia da Igreja garante a transmissão da doutrina. Mas não deve ser entendida como um exercício de poder (que o foi, é, e será em casos pontuais), mas como serviço à comunidade, trabalho amoroso.

      … et bonum

    • WS

      Esta APC não é uma associação, mas sim um departamento de propaganda ao qual pertencem, de forma coerciva, pessoas cuja actividade é planificada e controlada pelo estado (quem se recusar a algo arrisca-se a perder o pescoço).

      A ideia é impedir a liberdade religiosa das pessoas e controlar os crentes.

  • carpinteiro

    Caríssimo MO.

    Quando diz “estar em comunhão com Roma”., quer dizer: – o dízimo a verter nos cofres do Vaticano?

    • MO

      Já alguma vez foi a uma missa? Conhece a vida de uma paróquia? Talvez esteja a ser irónico, talvez seja a única saída para si…

      Não. E não se fala em dízimo na Igreja. Quem pode dá, quem não pode não dá. O dinheiro recolhido tem diversos destinos (nomeadamente recolhas para contribuições específicas, nomeadamente a paróquias com poucas pessoas que precisam de ajuda), mas é praticamente todo para pagar ajudar os necessitados, para pagar ao pároco (625 euros/mês), e para manutenção da igreja.

      Pax et bonum

  • carpinteiro

    Caríssimo MO.

    Já fui a uma missa sim senhor. Fui a missas demais até.
    Passei a minha adolescência num colégio de padres, conheço-os de ginjeira!

    Diz o MO, que quem pode dá quem não pode não dá. Não é nada disso e o MO sabe-o muito bem.
    Fala-me de trocos, eu falo-lhe do recado que a base de apoio do Opus Dei, mandou ao governo através do seu apaniguado, para informar que não está para custear as despesas com o proselitismo da sua seita, e que temos que financiar uma educação segundo S. Balaguer, nos seus colégios.
    E neste caso eu dou, mesmo sem estar de acordo. Percebeu?
    Quanto às despesas da igreja, deixo-o com um lindíssimo poema do nosso lúcido Manuel Maria:

    SONETO DOS DONATIVOS

    Cristo morreu há mil e tantos anos;
    Foi descido da cruz, logo enterrado;
    E ainda assim de pedir não tem cessado
    Para o sepulcro dele os franciscanos!

    Tornou a ressurgir dentre os humanos;
    Subiu da terra ao céu, lá está sentado;
    E à saúde dele sepultado
    Comem à nossa custa estes maganos:

    Cuidam os que lhes dão a sua esmola
    Que ela se gasta na função mais pia…
    Quanto vos enganais, oh gente tola!

    O altar mor com dois cotos se alumia:
    E o fradinho co’a puta, que o consola,
    Gasta de noite o que lhe dais de dia.

    Cumprimentos.

    • Andreia_i_s

      carpeiteiro:

      Gostei muito do poema 🙂

    • Joao Mourinho

      Caro Carpinteiro,

      se passou a sua adolescência num colégio de padres, deve saber que são pessoas normais. Não são deuses. Há os maus (que não são tantos quanto hoje em dia se quer fazer crer) e há os bons. Não deve confundir isto com a doutrina e os ensinamentos de Cristo. Aliás, Ele mesmo disse “ai dos pastores que se apascentam a si próprios!”.

      Também lhe digo que conheço muitos padres. Todos eles gente boa, que dedicam a sua vida a trabalhar e a rezar pelos outros. A dar de comer aos pobres. A visitar os doentes. Em missão, a ensinar na Africa, na ásia. A construir escolas. Etc etc.

      Será que você seria capaz de abdicar da sua vida, da sua família, dos seus bens, do seu tempo, do seu regalo pessoal para o dedicar aos outros? Pessoalmente, digo-lhe: eu não seria. E só por isso tenho um grande respeito e admiração por quem procede desse modo.

      Há os padres maus? Concerteza que haverá. E, da minha parte, não merecem admiração nenhuma, antes repúdio, e tenho a certeza que não estão em comunhão nem com a Igreja Católica nem com Deus.

      Quanto ao poema, enfim, nem merece comentário, dada a magnitude da sua estupidez.

  • MO

    Alhos e bugalhos como sempre. Tudo é o mesmo. A racionalidade e a precisão, que os ateus tanto advogam, desaparece sempre demasiado depressa…

    Falou-me em “dízimo”, já lhe respondi – e ao nível que toca os crentes, o da paróquia – muito longe dos “cofres do Vaticano”, como lhes chama. As fantasias que levanta são outras…

    Pax et bonum

  • Antonioporto

    Mentir é algo comum dos comunistas e ateus.
    Naõ vejo nada de estranho nesta notícia.

  • carpinteiro

    Caro João.

    O poema é uma brincadeira para descongestionar o ambiente crispado com que os crentes costumam participar aqui. Não é o seu caso.

    Diz-me: «se passou a sua adolescência num colégio de padres, deve saber que são pessoas normais.»
    – Não é bem assim:

    Nunca percebi porque se vestem de meninas, e acabam por gostar de meninos.
    Nem todos, – dir-me-à. Concordo.

    Os que gostam de mulheres e quando a pílula lhes prega uma partida e o aborto já não é possível, raramente assumem os filhos e as mães.

    Sabia que os funcionários de deus são, percentualmente, os maiores clientes das clínicas de abortos? Outrora, aqui onde moro, iam a Espanha. Era mais discreto…

    Dos padres que vêem na homossexualidade a sua preferência sexual, nunca percebi como têm coragem de subir ao púlpito para dar lições sobre a “orientação sexual” segundo os princípios cristãos, e o rebanho imbecilmente as aceita sem questionar.

  • Zeca-portuga

    Aberrações, mentiras e injurias de um ressabiado que foi corrido do seminário por ser desonesto e não ter qualidades humanas suficientes pra ser considerado um Homem, como aqui se prova:

    ” os funcionários de deus são, percentualmente, os maiores clientes das clínicas de abortos”
    (ou provas ou estás a cometer um crime de injuria)

    “Dos padres que vêem na homossexualidade a sua preferência sexual”
    (prova!)

    Estupidez magistral:

    “nunca percebi porque se vestem de meninas”
    Usam soutien?
    Colocam um laço no cabelo?
    Pintam os lábios e olhos?
    Usam salto alto?
    Mini-saia?
    Meias de likra?

    TANTA ESTUPIDEZ, MEU DEUS!!!

    Que tenha um Bom Ano Novo e que 2011 lhe traga: saúde, juízo, algum conhecimento, lhe abra os olhos e lhe mostre que vivemos numa sociedade e não na selva original… e alguma esperança, coisa que que já não sabe o que é, mas, garanto-lhe, que existe!

    • carpinteiro

      Olá Zeca.

      Nem sei porque te respondo, mas pronto, aqui vai:

      Pierre Pican foi condenado a três meses de prisão, com pena suspensa, por ter silenciado os actos pedófilos praticados por um padre durante três anos, mais precisamente entre 1996 e 1998.

      Quem é Pierre Pican? Bispo francês que foi condenado por não revelar os segredos do confessionário às autoridades judiciais. E o padre em referência é o pedófilo René Bissey, condenado, no ano passado, a 18 anos de prisão por abuso sexual e maus tratos físicos contra crianças com menos de 15 anos, actos cometidos ao longo de 10 anos, de 1987 a 1996.

      A pena de dezoito anos foi considerada severa porque o réu em causa não mostrou qualquer compaixão pelas suas vítimas durante o julgamento. A pena de três meses a que foi condenado, por sua vez, o seu superior hierárquico e protector não primou pela severidade mas pelo seu objectivo pedagógico. Esta condenação é considerada importante pelos diversos meios sociais franceses porque foi a primeira vez, desde a Revolução Francesa, que um bispo é condenado – a última condenação foi em 1791!

      Quem teve a oportunidade de ouvir as declarações de algumas figuras de proa da Igreja Católica portuguesa sobre esta condenação não terá com certeza ficado surpreso com as mesmas, conhecendo-se as posições geralmente retrógradas e seguidistas com as posições oficiais do Vaticano. Tanto D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, bem como Vaz Pinto, padre jesuíta, saíram a terreiro defendo a inviolabilidade do segredo da confissão.

      Vaz Pinto, para fazer jus aos pergaminhos da ordem a que pertence, teorizou largamente sobre a questão, defendendo os segredos do confessionário, mesmo que tivesse em causa crimes graves e com a destruição da vida humana. Refinada hipocrisia, sabendo-se de como a Igreja Católica se serve da confissão para dominar as pessoas e para arrancar segredos a fim de os utilizar em seu proveito, basta conhecer um pouco de história.

    • carpinteiro

      Olá Zeca.

      Nem sei porque te respondo, mas pronto, aqui vai:

      Pierre Pican foi condenado a três meses de prisão, com pena suspensa, por ter silenciado os actos pedófilos praticados por um padre durante três anos, mais precisamente entre 1996 e 1998.

      Quem é Pierre Pican? Bispo francês que foi condenado por não revelar os segredos do confessionário às autoridades judiciais. E o padre em referência é o pedófilo René Bissey, condenado, no ano passado, a 18 anos de prisão por abuso sexual e maus tratos físicos contra crianças com menos de 15 anos, actos cometidos ao longo de 10 anos, de 1987 a 1996.

      A pena de dezoito anos foi considerada severa porque o réu em causa não mostrou qualquer compaixão pelas suas vítimas durante o julgamento. A pena de três meses a que foi condenado, por sua vez, o seu superior hierárquico e protector não primou pela severidade mas pelo seu objectivo pedagógico. Esta condenação é considerada importante pelos diversos meios sociais franceses porque foi a primeira vez, desde a Revolução Francesa, que um bispo é condenado – a última condenação foi em 1791!

      Quem teve a oportunidade de ouvir as declarações de algumas figuras de proa da Igreja Católica portuguesa sobre esta condenação não terá com certeza ficado surpreso com as mesmas, conhecendo-se as posições geralmente retrógradas e seguidistas com as posições oficiais do Vaticano. Tanto D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, bem como Vaz Pinto, padre jesuíta, saíram a terreiro defendo a inviolabilidade do segredo da confissão.

      Vaz Pinto, para fazer jus aos pergaminhos da ordem a que pertence, teorizou largamente sobre a questão, defendendo os segredos do confessionário, mesmo que tivesse em causa crimes graves e com a destruição da vida humana. Refinada hipocrisia, sabendo-se de como a Igreja Católica se serve da confissão para dominar as pessoas e para arrancar segredos a fim de os utilizar em seu proveito, basta conhecer um pouco de história.

      • carpinteiro

        Pela mesma altura, Abril de 2009, a Igreja Católica inglesa e do País de Gales dá a conhecer um relatório sobre a pedofilia praticada intramuros, relatório esse que propõe 50 recomendações a fim de combater o flagelo, uma das quais será a realização de inspecções policiais a todos os clérigos, pessoal religioso auxiliar e voluntários da Igreja. Revelando-se cada vez mais igual a si própria, a Igreja preconiza o cacete para a repressão sexual dos seus membros, já não chega a sua doutrina obscurantista e por natureza repressiva.

        Esta iniciativa é despoletada pelo grande número de padres condenados por pedofilia – vinte um clérigos, em apenas cinco anos (1995-99)! – e com o objectivo de “transformar a Igreja Católica no mais seguro dos lugares para as crianças” (segundo o noticiado pela imprensa) – é mesmo para se dizer: a Igreja Católica é um local perigoso para as criancinhas!

        A pedofilia é que está a dar, a prostituição já passou de moda, quase que seríamos obrigados a afirmar, a fazer fé nos casos que têm surgido e saindo dos sítios e de quem menos seria de esperar, pelo menos na aparência. Até os padres, com longa tradição de fama de mulherengos e de pais “incógnitos” já descambaram em práticas sexuais, unanimemente condenadas em palavras, mas, na prática, nem por isso. Talvez, contradições de um sistema (o capitalismo, do qual a Igreja Católica é um dos pilares fundamentais) que já não tem mais nada para globalizar (só faltaria o sexo) e de uma classe dominante, hipócrita, medularmente corrupta até desaparecer de vez da história.

        • carpinteiro

          Segundo o Washington Post, que cita peritos religiosos, só na terra do Tio Sam e num período de menos de vinte anos, foram condenados perto de dois mil padres (numa população de 51 mil, é obra!), e as indemnizações às vítimas já atingiram os 148 milhões de contos (em moeda antiga).

          Mas, cá entre nós, temos também os nossos casos: o padre Frederico, pedófilo confesso, secretário e amante do bispo do Funchal, será uma pequena amostra do que, e do que foi, neste país à beira mar plantado – país, segundo a opinião de alguns estudiosos, terá sido um projecto da Igreja na luta contra o infiel, em tempos do Afonso Henriques. Ler o nosso maior historiador, talvez possamos compreender o que por aí se passa quanto a esta matéria.

          • carpinteiro

            Diz-nos Alexandre Herculano, na sua obra História da Origem e Estabelecimento da inquisição em Portugal: “… A imoralidade pululava por toda a parte, sobretudo entre o clero, e especialmente entre o regular… Os eclesiásticos, por exemplo, da vasta diocese de Braga eram um tipo acabado de dissolução….Os mosteiros ofereciam os mesmos documentos de profunda corrupção, distinguindo-se entre eles o de Longovares, da Ordem de Santo Agostinho, e os de Seiça e Tarouca, da Ordem de Cister, ou antes nenhum dos mosteiros cistercienses se distinguia, porque em todos eles os abusos eram intoleráveis”. Assim se referia Alexandre Herculano ao estado moral dos monges em pleno século XVI, mas quanto aos conventos das freiras a situação não era melhor: “Os conventos de freiras não se achavam em melhor estado, sendo o de Chelas, o de Semide e outros teatro de contínuos escândalos.

            A história de Lorvão e da sua abadessa, D. Filipa de Eça, é um dos quadros mais característicos daquela época … Das freiras então actuais uma parte nascera no mosteiro; suas mães não só não se envergonhavam de as criar no claustro e para o claustro, mas aí mantinham também seus filhos do sexo masculino”.

            A devassidão misturava-se com o grande número de sacerdotes, como os proventos eram imensos assim as “vocações” não faltavam: “Um dos males que mais afligiam o reino era a excessiva multidão de sacerdotes. Havia pequena aldeia onde viviam até quarenta, do que resultava andarem sempre em competências, disputando uns aos outros as missas, enterros e solenidades do culto, com altíssimo escândalo do povo”. E mais adiante o nosso historiador não se cansa de apontar: “Um dos abusos frequentes que estes tais cometiam era casarem clandestinamente, podendo assim delinquir sem perigo, porque, se os processavam por algum crime de morte, declinavam a competência dos tribunais seculares, e suas mulheres, para os salvarem, não hesitavam em se envilecerem a si próprias perante os magistrados, declarando-se concubinas.”

            Mas esta situação de casamentos clandestinos entre os padres levava ao surgimento de um outro fenómeno, o da bigamia, tudo sob a benção da Santa Madre Igreja, e continuando com Alexandre Herculano: “Os casamentos clandestinos que facilitavam tais horrores, e que eram vulgaríssimos, produziam ainda outros resultados não menos deploráveis. Negava-se não raro, depois, a existência de um facto que se não podia provar, e o receio do rigor dos pais fazia com que muitas filhas aceitassem segundas núpcias pertencendo já a outro homem”. Os casamentos clandestinos não tinham como resultado apenas a bigamia, mas conduziam ao aborto em escala alargada: “Ainda quando não chegavam a esta situação extrema, a vergonha e o temor produziam infanticídios em larga cópia”.

            Como se pode constatar já não é nada como antigamente em que os conventos e mosteiros pouco se distinguiam de vulgares bordéis, onde freiras e abadessas recebiam os seus amantes, na maioria padres, aí tinham os filhos e os criavam, como no célebre convento do Lorvão, nas proximidades de Coimbra, cuja abadessa ficou na História por ter sido encontrada em alegre ménage à quatre com uma outra freira, o bispo de Coimbra e a sua amante (é o mesmo Alexandre Herculano que nos elucida).

          • carpinteiro

            Mas é alguém, que vem de dentro da própria Igreja Católica, que pretende dar uma explicação para isto. É o teólogo e médico psiquiatra alemão Eugene Drewermann – atacado e marginalizado por razões óbvias – que, numa perspectiva psicanalítica, vê os “desvios sexuais do homem da igreja” como resultado da repressão sobre a consciência e a sexualidade humanas; nas suas palavras: «o menosprezo do ego, a “mortificação” da pulsão sexual e a submissão do indivíduo ao grupo (isto é, hierarquia da Igreja)» – para a Igreja, a sexualidade humana é ainda considerada como uma “sobrevivência pagã”, posição reiterada em 1975 pela Sagrada Congregação da Fé quanto a questões de sexo e de castidade.

            O mesmo autor reconhece, fruto da sua experiência de psicoterapeuta, que a percentagem de homossexuais dentro da Igreja católica é grande, como consequência principal da sua moral repressiva e da atitude quanto ao celibato, quer entre religiosos de sexo masculino como do sexo feminino, chegando aos 25% os jovens seminaristas que, de forma permanente ou esporádica, se dedicam a práticas homossexuais. Homossexualidade que era considerada pela Igreja como uma das formas mais graves de pecado, os acusados pelo “crime nefando” eram sentenciados à fogueira pela Santa Inquisição – se fosse agora, muito havia que queimar!

          • carpinteiro

            Pronto Zeca, já chega.

            Deixo-te com uma frase à tua medida:

            Felizes os pobres de espírito que deles é o reino dos céus.

            Um bom ano para também para ti.

          • Pois Sim!

            Pois sim, Carpinteiro!

            Tu não respondeste a nenhuma das observações do Zeca-Portuga. Limitaste-te a fazer uma associação entre a homossexualidade dos padres e a pedofilia.
            É impressão minha ou já um representante do Vaticano tinha dito isso e vós fizestes um escândalo, capazes de crucificar o homem?

            Pois sim!
            Tu até sabes que mais de 90% do que se imputa aos padres é aldrabice de gente como tu e como os membros deste clube. Mania que já vem de longa data e que teve o seu epílogo mais recente há um século atrás, com os republicanos a perseguir os padres e a difundir estupidez, como: “a raça jesuítica”!

            Pois sim!
            Tu mesmo sabes que estás a mentir, invocando um relato histórico que é absurdamente exagerado e estupidamente falacioso, feito por alguém que tinha às tuas ideias e fazia jus ao seu problema de formação/educação/honestidade/personalidade. Nada que não exista em quantidades soberbas neste clube.

            Pois sim!
            Tu sabes que a grande maioria dos conventos eram compostos pelas “acompanhantes privativas do harém” da nobreza. E, se as havia (sim havia), do clero, era uma reduzida percentagem. Tu até sabes que as concubinas dos nobres que chegavam ao convento, ou os filhos que não chegavam à roda, eram, impiedosamente, mortos.

            Pois é!
            Tu até sabes que, em matéria de liberdades e justiça, a França nunca foi um grande exemplo. Não foi nem é. Que o digam os pobres ciganos que, racista e xenofobamente, foram de lá escorraçados, estes dias. Que o digam os descendentes dos perderam o pescoço em nome de uma espécie de liberdade que não deixa muito a dever a Hitler.

            E tu até sabes que, neste Portugal em que vives as leis estão bem mais evoluídas do que na tal França ou USA, na maioria dos aspectos que abordas. Por exemplo: um padre não pode nem é obrigado a revelar segredos da confissão (a lei protege). E, todo o estado que assim não faz é criminoso e deveria ser responsabilizado nos tribunais internacionais. O mesmo se passa com os segredos de estados, com as informações de segurança interna, etc.

            Pois…
            Tu até padeces de pobreza matemática, fazendo contas que, além de viciadas, estão completamente erradas.

            Tu…
            Continuas com os olhos tapados e com uma grave perturbação de personalidade.
            Aproveita o Ano Novo e dá uma prenda a ti mesmo: uma consulta de psiqueatria.

          • carpinteiro

            «Aproveita o Ano Novo e dá uma prenda a ti mesmo: uma consulta de psiqueatria. »

            psiqueatria??? . . . Pois sim! . . .

      • carpinteiro

        Pela mesma altura, Abril de 2009, a Igreja Católica inglesa e do País de Gales dá a conhecer um relatório sobre a pedofilia praticada intramuros, relatório esse que propõe 50 recomendações a fim de combater o flagelo, uma das quais será a realização de inspecções policiais a todos os clérigos, pessoal religioso auxiliar e voluntários da Igreja. Revelando-se cada vez mais igual a si própria, a Igreja preconiza o cacete para a repressão sexual dos seus membros, já não chega a sua doutrina obscurantista e por natureza repressiva.

        Esta iniciativa é despoletada pelo grande número de padres condenados por pedofilia – vinte um clérigos, em apenas cinco anos (1995-99)! – e com o objectivo de “transformar a Igreja Católica no mais seguro dos lugares para as crianças” (segundo o noticiado pela imprensa) – é mesmo para se dizer: a Igreja Católica é um local perigoso para as criancinhas!

        A pedofilia é que está a dar, a prostituição já passou de moda, quase que seríamos obrigados a afirmar, a fazer fé nos casos que têm surgido e saindo dos sítios e de quem menos seria de esperar, pelo menos na aparência. Até os padres, com longa tradição de fama de mulherengos e de pais “incógnitos” já descambaram em práticas sexuais, unanimemente condenadas em palavras, mas, na prática, nem por isso. Talvez, contradições de um sistema (o capitalismo, do qual a Igreja Católica é um dos pilares fundamentais) que já não tem mais nada para globalizar (só faltaria o sexo) e de uma classe dominante, hipócrita, medularmente corrupta até desaparecer de vez da história.

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