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  • 20 de Dezembro, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

A «Bula Ineffabilis Deus»

Ocorreu no passado dia 8 deste mês de Dezembro o 156.º aniversário da definição dogmática da Imaculada Conceição. Cumprindo a obra de misericórdia «ensinar os ignorantes», deixo aqui no Diário Ateísta, para consumo dos devotos, uma oportuna referência à Bula de Pio IX que, em 8 de Dezembro de 1854, declarou solenemente, fazendo apelo à autoridade suprema do seu magistério:

«A doutrina segundo a qual a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante da sua conceição, foi por especial privilégio de Deus Omnipotente, com vista aos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, preservada imune de toda a mácula do pecado original, é revelada por Deus e deve por isso ser acreditada por todos os fiéis, firmemente e com constância». (Bula Ineffabilis Deus — 08-12-1854).

Depois disso cessaram as discussões ginecológicas sobre a Virgem Maria.

57 thoughts on “A «Bula Ineffabilis Deus»”

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  • antoniofernando

    Cristo nunca falou em Pecado Original, cuja concepção foi consolidada por Agostinho de Hipona ,após o conhecido debate com o monge Pelágio da Bretanha, o qual deu azo ao aparecimento da teoria teológica cristã,conhecida por Pelagianismo, segundo a qual o Homem não nasceria maculado por qualquer primevo pecado.Agostinho manteve,porém, o entendimento que o pecado original de Adão fora herdado por toda a Humanidade.Já, nessa altura, Pelágio teve o bom senso de não incorrer no disparate teológico de Agostinho de Hipona,mas foi a tese deste que se impôs na Doutrina Católica, como elemento basilar da sua dogmática. O Pelagianismo acabou por ser duramente censurado pelo Papa Inocêncio I. Ora,o Pecado Original decorria do pressuposto de que os nossos primeiros pais foram Adão e Eva. E que a queda destes afectara toda a Humanidade. Como se os pecados dos supostos ancestrais pudessem logicamente afectar todas as posteriores gerações, mesmo em relação àqueles que nunca viessem a pecar.

    Se a Adão e Eva tivessem existido, então toda a Humanidade teria sido gerada a partir das relações incestuosas estabelecidas entre os seus hipotéticos filhos, o que não parece condizer com a dura invectiva que aqueles sofreram por apenas terem ousado provar do fruto da Árvore do Conhecimento.

    Mas esta é matéria sobre a qual Agostinho de Hipona avançou em passo apressado, tão incómoda ela poderia teologicamente mostrar-se.

    Como Adão e Eva nunca existiram e o Livro do Génesis traduz uma história meramente simbólica, o conceito de Pecado Original nunca poderia ter tido a menor validade axiomática.

    Daí decorre necessariamente que toda a lógica sacramental da Igreja Católica, quanto ao Baptismo, está inquinado de um vício de princípio:

    Não havendo Pecado Original, a suposta natureza salvífica do Baptismo não faz o menor sentido.

    E, consequentemente, e menos ainda, o dogma, teologicamente considerado, do Limbo dos Patriarcas, ou a hipótese equacionada do Limbo Infantil.

    Se o Pecado Original não faz sentido para qualquer ser humano, então também não faz para Maria de Nazaré.

    E se igualmente não determina para Maria de Nazaré nenhuma mácula concomitante, também nenhum fundamento lógico – dedutivo existe para admitir que ela tivesse sido especialmente isenta do dito Pecado Original. Porque haveria Maria de Nazaré ser isenta de um inexistente Pecado Original que a nenhum ser humano nunca atingiu ?

    Tudo isto para dizer que foi também por este conjunto de absurdas concepções dogmáticas que um dia me desvinculei ideologicamente do Catolicismo. E não estou nada arrependido, bem pelo contrário. Arrependido estaria se aceitasse conformar-me com conceptualizações teológicas que são completamente insustentáveis à luz do Evangelho de Cristo…

    • MO

      Caro António:

      O Alfredo Dinis já respondeu… mas fico triste por ter sido por razões destas que abandonou a Igreja. É que se o fez foi por um mal-entendido ou um entendimento errado. Tente ir mais ao fundo das questões.

      Ao que o Alfredo disse acrescento apenas que a “hereditariedade” do Pecado Original (que é apenas um nome, porventura pouco rigoroso, de o descrever, como escreveu o actual Papa) deve-se não à transmissão “por sangue” do pecado, mas à descrição de um mundo que já nos espera quando nascemos. Isto é, nascemos já num mundo que está longe de ser perfeito, como todos sabemos, que está em muitos aspectos corroído, manchado pelo mal. Precisamos da graça de Deus e de Cristo como guia para nos fortalecermos e resistir a esse mundo – e agir moralmente. Mas na nossa fraqueza, pecamos – mas voltamos sempre a tentar fazer melhor.

      O que a Imaculada Conceição diz é que Maria resistiu a tudo isso, imune ao pecado do mundo para onde nasceu – viveu sem mácula, sem pecar. Esse traço foi herdado pela parte humana de Jesus – que vem toda de Maria (como penso que deve concordar, António).

      Pax et bonum

      • antoniofernando

        Caro MO:

        Também já retorqui a Alfredo Dinis em termos que,se o desejar, poderá conferir.

        Cordialmente

        António Fernando

      • antoniofernando

        Caro MO:

        Também já retorqui a Alfredo Dinis em termos que,se o desejar, poderá conferir.

        Cordialmente

        António Fernando

      • antoniofernando

        Tente você também MO ir à essência das questões:

        “AO CEDER AO TENTADOR, ADÃO E EVA COMETEM UM PECADO PESSOAL, MAS ESTE PECADO AFECTA A NATUREZA HUMANA, QUE VÃO TRANSMITIR EM UM ESTADO DECAÍDO. É UM PECADO QUE SERÁ TRANSMITIDO POR PROPAGAÇÃO À HUMANIDADE INTEIRA” ( Catecismo da Igreja Católica, § 404)

        Mais claro não pode ser…

  • antoniofernando

    Onde consta:”E, consequentemente, e menos ainda, o dogma, teologicamente considerado, do Limbo dos Patriarcas, ou a hipótese equacionada do Limbo Infantil “, leia-se ” E, consequentemente,não faz igualmente sentido o dogma, teologicamente considerado, do Limbo dos Patriarcas, e menos ainda a hipótese equacionada do Limbo Infantil”.

  • antoniofernando

    Bula Ineffabilis Deus

    A Definição do Dogma

    “41. Por isto, depois de na humildade e no jejum, dirigirmos sem interrupção as Nossas preces particulares, e as públicas da Igreja, a Deus Pai, por meio de seu Filho, a fim de que se dignasse de dirigir e sustentar a Nossa mente com a virtude do Espírito Santo; depois de implorarmos com gemidos o Espírito consolador; por sua inspiração, em honra da santa e indivisível Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos:
    Doctrinam, quæ tenet, beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suæ conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Jesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpæ labe præservatam immunem, esse a Deo revelatam atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam.

    A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.

    42. Portanto, se alguém (que Deus não permita!) deliberadamente entende de pensar diversamente de quanto por Nós foi definido, conheça e saiba que está condenado pelo seu próprio juízo, que naufragou na fé, que se separou da unidade da Igreja, e que, além disso, incorreu por si, “ipso facto”, nas penas estabelecidas pelas leis contra aquele que ousa manifestar oralmente ou por escrito, ou de qualquer outro modo externo, os erros que pensa no seu coração.”

    Que Doutrina é esta tão inclemente e tirânica que quis impor a todos a adesão a um ficcionado dogma teológico, ameaçando quem a ela não aderisse com a aplicação das ” penas estabelecidas nas leis” ?

    E que serão os ” erros que pensa no seu coração”, referidos na bula, senão a afirmação sincera do livre acto de pensar ?

    E como é que foi possível chegar a esta loucura teológica a partir da história meramente simbólica e metafórica de Adão e Eva ?

    A resposta é simples: cegos a quererem conduzir todos aqueles que se recusavam a abdicar da livre faculdade de pensar…

    • Alfredodinis Facfil

      Caro António Fernando,

      O pecado original não se refere a qualquer acção cometida por Adão e Eva, ao contrário do que se pensou no cristianismo durante séculos. É preciso entender qual é a questão que se pretende esclarecer com a noção de pecado original: qual é a origem dos pecados que são realmente cometidos, isto é, das acções contra a verdade e a justiça. Para quem acredita na existência de Deus, como os judeus e os cristãos, o pecado original é a tendência que se encontra em todo o ser humano de se tornar a fonte da verdade e da justiça, voltando as costas a Deus e ignorando que é Ele a fonte da verdade e da justiça. A partir daqui todos os males acontecem. A Imaculada Conceição de Maria significa que nela nunca se verificou a tendência para se tornar o centro da verdade e da justiça, ele sempre centrou a sua vida em Deus.

      Saudações,

      Alfredo Dinis

      • Molochbaal

        Resumindo.

        O pecado original é simplesmente qualquer tentativa de pensamento independente, sendo o livre arbítrio apenas uma falácia, porque ou se faz exactamente o que os sacerdotes dizem que deus quer ou está-se em pecado grave.

        Já se conhecia essa teoria. Foi responsável por incontáveis guerras e milhões de mortes.

        • Alfredodinis Facfil

          Caro Molochbaal,

          Não conhecia essa teoria. Os cristãos acreditam que nascem livres e que perdem a sua humanidade tanto mais quanto mais prescindem dessa liberdade.

          Saudações,

          Alfredo Dinis

          • Molochbaal

            Consistindo portanto essa “liberdade” em obedecer cegamente a milhares de proibições restritivas da liberdade, que são estabelecidas por pessoas que dizem que deus assim quer, porque só elas sabem o que deus quer.

            A sua noção de liberdade é maravilhosa.

            Faz lembrar a divisa luterana Arbeit mach frei – O trabalho liberta – que os nazis punham à entrada dos campos de trabalhos forçados. O espirito é o mesmo.

      • antoniofernando

        Caro Alfredo Dinis:

        A Igreja Católica, por múltiplas vezes, procurou conciliar o inconciliável. Uma das mais inconcebíveis concepções teológicas tem a ver com a hipótese do Limbo Infantil, que repugnará certamente a consciência de qualquer pessoa eticamente bem formada.

        Mas, por ora, fico-me por aqui, quanto ao tema em debate:

        Catecismo da Igreja Católica:

        P.29.2 Narrativa do pecado original

        §390 O relato da queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que ocorreu no início da história do homem. A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente por nossos primeiros pais.

        §388 Com o progresso da Revelação, é esclarecida também a realidade do pecado. Embora o Povo de Deus do Antigo Testamento tenha conhecido a dor da condição humana à luz da história da queda narrada no Génesis, não era capaz de entender o significa do último desta história, que só se manifesta plenamente à luz da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. É preciso conhecer a Cristo como fonte da graça para conhecer Adão como fonte do pecado. E ó Espírito-Paráclito, enviado por Cristo ressuscitado que veio estabelecer “a culpabilidade do mundo a respeito do pecado” (Jo 16,8), ao revelar Aquele que é o Redentor do mundo.

        §404 De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? O género humano inteiro é em Adão “sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo de um só homem” Em virtude desta “unidade do género humano”, todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo. Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao Tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afecta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído. É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado “pecado” de maneira analógica: é um pecado “contraído” e não “cometido”, um estado e não um acto.

        Todos os homens estão implicados no pecado de Adão. São Paulo o afirma: “Pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores” (Rm 5,19). “Como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram…” (Rm 5,12). A universalidade do pecado e da morte o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo: “Assim como da falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só (a de Cristo), resultou para todos os homens justificação que traz a vida” (Rm 5,18).

        403 Na linha de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens e sua inclinação para o mal e para a morte são incompreensíveis, a não ser referindo-se ao pecado de Adão e sem o fato de que este nos transmitiu um pecado que por nascença nos afecta a todos e é “morte da alma”. Em razão desta certeza de fé, a Igreja ministra o baptismo para a remissão dos pecados mesmo às crianças que não cometeram pecado pessoal.

        §404 De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? O género humano inteiro é em Adão “sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo de um só homem” Em virtude desta “unidade do género humano”, todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo. Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao Tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afecta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído. É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado “pecado” de maneira analógica: é um pecado “contraído” e não “cometido”, um estado e não um ato.

        §405 Embora próprio a cada um, o pecado original não tem, em nenhum descendente de Adão, um carácter de falta pessoal. É a privação da santidade e da justiça originais, mas a natureza humana não é totalmente corrompida: ela é lesada em suas próprias forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (esta propensão ao mal é chamada “concupiscência”). O Baptismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e faz o homem voltar para Deus. Porém, as consequências de tal pecado sobre a natureza, enfraquecida e inclinada ao mal, permanecem no homem e o incitam ao combate espiritual.”

        Mais palavras para quê ?

        Cordialmente

        António Fernando

      • antoniofernando

        “AO CEDER AO TENTADOR, ADÃO E EVA COMETEM UM PECADO PESSOAL, MAS ESTE PECADO AFECTA A NATUREZA HUMANA, QUE VÃO TRANSMITIR EM UM ESTADO DECAÍDO. É UM PECADO QUE SERÁ TRANSMITIDO POR PROPAGAÇÃO À HUMANIDADE INTEIRA” ( Catecismo da Igreja Católica, § 404)

        Mais claro não pode ser…

        Mais claro não pode ser

        • MO

          Lamento, António, mas não percebo. Adão e Eva são a imagem dos nossos antepassados comuns, aqueles que primeiro tiveram consciência moral. Desde essa altura que o Homem tem virado as costas a Deus, ou seja, ao seu próprio potencial como ser completamente humano (mostrando a sua relutância em ser realmente humano). O António vê isto no mundo? Quando abre os livros de História, não o vê geração após geração?

          E já agora, não confunda o principal com o secundário: nunca houve nenhum dogma relativo ao “Limbo infantil”. Mas digo-lhe que se não crê na Queda coloca-se fora da Fé Cristã – porque sem isso não há necessidade de redenção nem de Cristo.

          Pax et bonum

  • José Gonçalves Cravinho

    Que a gente da Plebe,especialmente a mais ignorante e supersticiosa acredite nestas lendas fabulosas,ainda se admite,mas que os intelectuais,as pessoas letradas acreditem nisto,é que não se admite.
    E então eu tiro a conclusão que os letrados,os estudiosos,os que se
    arvoram em teólogos e se atrevem a definir Deus e a dizer que êle quer
    que façamos assim ou assado,são afinal uns trafulhas,uns velhacos que
    sòmente pretendem vigarizar o Povo e em nome dum Deus inventado pelo
    Homem,manter êsse mesmo Povo na submissão e ajoelhado,E esta minha opinião refere-se não só à Religião judaico-cristã mas a toda e qualquer Religião,pois todas as Religiões foram inventadas para submeter e oprimir os Povos em nome dum Deus pelo Homem inventado.

    • Alfredodinis Facfil

      Caro José Cravinho,

      Sou padre católico, letrado, tenho duas licenciaturas, um mestrado e um doutoramento, mas não me reconheço em nada do que afirma acerca da Igreja Católica e dos Padres. Se o que diz tivesse alguma coisa a ver com a minha condição de padre e letrado católico já há muito teria abandonado o cristianismo.

      Saudações,

      Alfredo Dinis

      • jmc

        tendo visto a sua formação em filosofia gostaria de saber se me poderia responder a uma questão que me tem intrigado:

        existe algum argumento filosófico a favor da existência de deus para o qual não exista um contra-argumento de igual ou superior validade?

        já agora, uma outra questão, embora pessoalmente de menor importância que a primeira: na sua entrevista que encontrei no link em anexo (espero não estar a confundir as pessoas 🙂 refere ter feito a sua escolha perante todas as ordens religiosas que existiam. Explorou outras religiões como o hinduismo, judaismo, islamismo, budismo, etc, ou limitou-se às variantes do cristianismo?

        cumprimentos,
        jmc

        http://www.abarca.com.pt/arquivo/em_discurso_directo/padre_alfredo.html

        • Alfredodinis Facfil

          Caro JMC,

          No livro que publiquei recentemente na Gradiva juntamente com João Paiva (Educação, Ciência e Religião) deixei bem claro que não existe qualquer prova, filosófica ou outra, que prove sem margem para dúvidas que Deus existe.
          Quando me decidi pela Companhia de Jesus era cristão e estava, como estou, convencido de que o cristianismo tem mais fundamentos que todas as demais religiões. Isto não equivale a dizer, como muitas vezes pensam os não crentes, que para os cristãos nada há que se aproveite nas outras religiões. Foi sempre posição da Igreja católica que em todas as religiões se encontra alguma elemento de revelação do único Deus criador, elemento designado tradicionalmente por ‘sementes do Verbo’, isto é, em palavras mais pobres, ‘indícios de Cristo’.

          Saudações,

          Alfredo Dinis,sj

          • jmc

            obrigado pela resposta. não li o livro. estava a pensar que não estava a pedir uma “prova” mas realmente agora que penso um argumento irrefutável é uma forma bastante clara de prova, e não havendo nenhuma prova de deus o mesmo se pode dizer sobre argumentos irrefutáveis.
            em qualquer caso, porque optou por ser crente, isto é, porque escolheu acreditar em algo sobre o qual não existe nenhuma evidência favorável?

            relativamente ao segundo tema, argumenta que “o cristianismo tem mais fundamentos que todas as demais religiões”. o que se entende aqui por fundamentos? e, pode dar-me um exemplo de um fundamento, ou conjunto de fundamentos, exclusivo(s) ao cristianismo? sei que todas as religiões existem para o bem e para o mal. sei também que a maior parte partilha os mesmos valores e morais base. a pergunta será, portanto, que razões particulares o levam a ver o cristianismo como sendo uma religião “melhor” que as outras?

          • jmc

            obrigado pela resposta. não li o livro. estava a pensar que não estava a pedir uma “prova” mas realmente agora que penso um argumento irrefutável é uma forma bastante clara de prova, e não havendo nenhuma prova de deus o mesmo se pode dizer sobre argumentos irrefutáveis.
            em qualquer caso, porque optou por ser crente, isto é, porque escolheu acreditar em algo sobre o qual não existe nenhuma evidência favorável?

            relativamente ao segundo tema, argumenta que “o cristianismo tem mais fundamentos que todas as demais religiões”. o que se entende aqui por fundamentos? e, pode dar-me um exemplo de um fundamento, ou conjunto de fundamentos, exclusivo(s) ao cristianismo? sei que todas as religiões existem para o bem e para o mal. sei também que a maior parte partilha os mesmos valores e morais base. a pergunta será, portanto, que razões particulares o levam a ver o cristianismo como sendo uma religião “melhor” que as outras?

  • José Gonçalves Cravinho

    Que a gente da Plebe,especialmente a mais ignorante e supersticiosa acredite nestas lendas fabulosas,ainda se admite,mas que os intelectuais,as pessoas letradas acreditem nisto,é que não se admite.
    E então eu tiro a conclusão que os letrados,os estudiosos,os que se
    arvoram em teólogos e se atrevem a definir Deus e a dizer que êle quer
    que façamos assim ou assado,são afinal uns trafulhas,uns velhacos que
    sòmente pretendem vigarizar o Povo e em nome dum Deus inventado pelo
    Homem,manter êsse mesmo Povo na submissão e ajoelhado,E esta minha opinião refere-se não só à Religião judaico-cristã mas a toda e qualquer Religião,pois todas as Religiões foram inventadas para submeter e oprimir os Povos em nome dum Deus pelo Homem inventado.

  • Oiced Mocam

    A origem de Jesus Cristo foi assim – Maria morava na pequena vila de Nazaré, província da Galiléia. Sobre sua descendência seus pais seriam Joaquim e Ana e não existe nenhum documento importante do século I. A própria genealogia de Cristo que aparece em S. Lucas é apenas de S. José . Quando chegou à idade núbil (idade de casar), com 14 (ou 16) anos, os sacerdotes do Templo procuraram-lhe não um esposo, mas um guardião para sua virgindade, dentre os vivos de Israel. José foi o indicado por um “sinal Divino”.

    Quando depois da anunciação do anjo, Maria se viu “grávida” pela ação de um “sopro’ do anjo, um murmúrio, um silêncio, entrou em seu ventre. Pela ação do Divino Espírito Santo.
    Enviou ao planeta um filho feito com os seus próprios espermatozóides (há quem afirme que deus não é matéria mas isso fica para os biólogos explicarem). Como não havia deusa lá no céu, “emprenhou” uma mulher comprometida, corrompendo os nºs. 7 e 10 do seu código de honra (bonito exemplo para as gerações vindouras). Pensando e repensando, conclui-se haver falta de virgens sem dono. Quem sabe a pedofilia já era regra nessa era!

    José teve suas dúvidas dissipadas por uma revelação de que o arcanjo Gabriel, lhe apareceu. Pedindo que esse compreendesse o que iria ocorrer e se acalmasse quando a visse grávida, uma vez que não haviam tido relações sexuais para que tal acontecesse. Foram divulgados muitos pormenores fantásticos, imaginosos e improváveis, (para não dizer cômicos) a respeito do nascimento de Jesus (Buda e outros…).

    Hoje sabemos que “Deus não dorme”, e estamos em condições de saber porquê não dorme. Ele não dorme porque cometeu uma falta grave que nem a homem é perdoável. Existe a visão histórica de que Jesus nasceu num estábulo conforme a lei judaica da época. Do ponto de vista da fé, o fato ocorre na manjedoura como prova de humildade.
    Da infância de Maria nada se sabe, apareceu em cena quando Jesus tinha 12 anos, numa visita ao Templo de Jerusalém. Maria não morreu como todo mundo, (a mãe de Buda morreu uma semana depois de dar à luz).
    Maria adormeceu e seu corpo elevou-se ao céu, (chamam seu sono de “dormição” e sua subida ao céu de “assunção”, o que significa “elevação”), não houve decomposição do corpo. Não havia sido contaminada pelo pecado de sua mãe Eva. Seus pais a conceberam imaculada.

    Contudo as lacunas existentes a respeito da vida de Maria foram logo preenchidas pela tradição popular e pela doutrina oficial da Igreja, cujos principais pontos são:

    Perpétua Virgindade.

    Não é explanada pelos quatro evangelistas, nem por nenhum escrito importante dos três primeiros séculos do Catolicismo. Para Tertuliano, o fato do casamento de Maria antes do nascimento de Cristo é um bom argumento para provar a realidade da encarnação (de que Deus se fêz homem efetivamente).
    O teólogo Orígenes apela para o argumento dos irmãos de Jesus na controvérsia contra aqueles que afirmavam ter Cristo, apenas, um corpo humano fantástico e não real.

    É interessante notar-se que essa doutrina – a da virgindade perene, em grego (aceiparthenia) – foi inicialmente heterodoxa, herética. Foi divulgada num escrito proibido pelos primeiros papas, sobretudo pelo Papa Gelásio I, no Protevangelium Jacobi (“Primeiro Evangelho de Jacó”), escrito como geralmente se admite, no século II.
    Baseado nesse, surgiram dois outros pseudo-evangelhos. S. Jerônimo confessa que, num escrito da adolescência (383), aventara a hipótese da virgindade perpétua por ocasião de uma veemente disputa com Helvídio, reunida depois num longo tratado apologético. Afirma que depois disso, essa doutrina ganhou terreno rapidamente. Chega também a dizer que os irmãos de Jesus nem eram filhos de Maria com José, nem de José em casamento anterior, mas de uma outra Maria, irmã da Virgem e esposa de um Cléofas ou Alfeu. Essa doutrina foi aceita oficialmente pela Igreja no Concílio de Calcedônia, 451. Encontra-se, desse modo, incorporada à dos ortodoxos e católicos romanos. Além disso é defendida por muitos anglicanos, alguns luteranos e ainda certos teólogos protestantes.

    Imaculada Conceição.

    È aquela doutrina que afirma a ausência total do pecado em Maria, até mesmo daquele que, segundo a Igreja, é transmitido por herança de Adão. Apesar de hoje um dogma católico, não fez parte da tradição primitiva.

    S. Agostinho afirma que ela nasceu com o pecado original, mas defende sua imunidade contra qualquer outro pecado. O mesmo defende S. Anselmo na sua homília: Cur Deus Homo II,16 (Porque Deus se fez homem”). A doutrina atual começou no século XII, quando foi criada a festa da Imaculada Conceição. A doutrina da Imaculada foi anunciada por Roma em 1852.

    Mãe de Deus.

    O título de “Mãe de Deus” foi-lhe dado, pela primeira vez , por teólogos de Alexandria, no séc. IV. No século III, Nestório refuta essa doutrina como atentatória à dignidade de Deus, mas a reação da cristandade foi unânime e enérgica, até violenta. A fim de que não se expusesse mais tarde essa parte vulnerável da fé popular.
    O concílio convocado para debater a questão foi o de ´Éfeso (431). Por essa ocasião surgiu a oração que completa a Ave-Maria: “Santa Maria, mãe de Deus, etc.”. Igualmente data daí o costume de se ostentar a imagem da Virgem com o Menino, como símbolo de ortodoxia. Desse atributo, nasce o seu poder de intercessão junto a Deus em favor dos homens. Por isso, é cognominada de “onipotência suplicante”.
    As primeiras representações cristãs da Virgem com seu filho estão calcadas em imagens mais antigas da deusa egípcia Ísis, a Irmã-Noiva de Osíris, trazendo ao colo seu filho sagrado Hórus, Deus da Luz.
    Os poemas rituais de culto de Ísis e Osíris guardam semelhanças com o Cântico dos Cânticos, às vezes palavra por palavra. Nos rituais pagãos que cercam os mitos antigos, a deusa (a Irema-Noiva) vai ao túmulo no jardim para lamentar a morte de seu Noivo e se rejubila ao vê-lo ressuscitado.

    O Papa Pio XII oficializou em 1950 o dogma de que “a imaculada mãe de Deus, a sempre santa Virgem Maria, no término do curso de sua vida terrena, ascendeu à glória celeste, em corpo e alma”. De lá para os nossos tempos, não faltaram milagres onde as estátuas da Virgem , começaram a derramar lágrimas muitas vezes de sangue.

    E as escrituras e a Igreja Católica afirma e confirma em dogma sua VIRGINDADE antes, durante e depois do nascimento.

    “Era preciso que uma virgem, constituindo-se advogada (de todos que pecaram) de uma virgem (Eva), destruísse a desobediência de uma virgem pela obediência de uma virgem”. Entenderam? Esses milagres e crenças são um insulto a inteligência do ser humano. É para acreditar no Pai que decide, no Filho que salva e no Espírito Santo que inspira.
    Ou como perguntava o fundador da ética o filósofo Sócrates:
    “Que é isso?” “Que entendeis?”
    Para ele uma pessoa só pratica um ato amoral por ignorância, assim como erra um cálculo por desconhecer suas regras e seu método de tratamento. O conhecimento claro e correto seria suficiente para sempre orientar a conduta humana às ações lícitas e boas.

  • antoniofernando

    Quem desejar saber o que exactamente sustenta, de forma dogmática, a Igreja Católica sobre um conjunto diversificado de temáticas teológicas, nomeadamente àcerca do Pecado Original, Baptismo, Imaculada Conceição e Pena de Morte, pode directamente consultar o Catecismo da ICAR e retirar as suas próprias conclusões:

    “75.Em que consiste o primeiro pecado do homem?

    O homem, tentado pelo diabo, deixou apagar no seu coração a confiança em relação ao seu Criador e, desobedecendo-lhe, quis tornar-se «como Deus», sem Deus e não segundo Deus (Gn 3, 5). Assim, Adão e Eva perderam imediatamente, para si e para todos os seus descendentes, a graça da santidade e da justiça originais.

    76.O que é o pecado original?

    O pecado original, no qual todos os homens nascem, é o estado de privação da santidade e da justiça originais. É um pecado por nós «contraído» e não «cometido»; é uma condição de nascimento e não um acto pessoal. Por causa da unidade de origem de todos os homens, ele transmite-se aos descendentes de Adão com a natureza humana, «não por imitação mas por propagação». Esta transmissão permanece um mistério que não podemos compreender plenamente.

    77.Que outras consequências provoca o pecado original?

    Em consequência do pecado original, a natureza humana, sem ser totalmente corrompida, fica ferida nas suas forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte, e inclinada ao pecado. Tal inclinação é chamada concupiscência.

    96.O que significa «Imaculada Conceição»?

    Deus escolheu gratuitamente Maria desde toda a eternidade para que fosse a Mãe de seu Filho: para cumprir tal missão, foi concebida imaculada. Isto significa que, pela graça de Deus e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Maria foi preservada do pecado original desde a sua concepção.

    258.Porque é que a Igreja baptiza as crianças?

    Porque tendo nascido com o pecado original, elas têm necessidade de ser libertadas do poder do Maligno e de ser transferidas para o reino da liberdade dos filhos de Deus.

    262.É possível ser salvo sem o Baptismo?

    Porque Cristo morreu para a salvação de todos, podem ser salvos mesmo sem o Baptismo os que morrem por causa da fé (Baptismo de sangue), os catecúmenos, e todos os que sob o impulso da graça, sem conhecer Cristo e a Igreja, procuram sinceramente a Deus e se esforçam por cumprir a sua vontade (Baptismo de desejo). Quanto às crianças, mortas sem Baptismo, a Igreja na sua liturgia confia-as à misericórdia de Deus.

    496.Que pena se pode aplicar?
    A pena infligida deve ser proporcionada à gravidade do delito. Hoje, na sequência das possibilidades do Estado para reprimir o crime tornando inofensivo o culpado, os casos de absoluta necessidade da pena de morte «são agora muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes» (Evangelium vitae). Quando forem suficientes os meios incruentos, a autoridade deve limitar-se ao seu uso, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum, são mais conformes à dignidade da pessoa humana e não retiram definitivamente ao culpado a possibilidade de se redimir”

    http://www.ecclesia.pt/catecismo/

  • antoniofernando

    As citações anteriores são do compêndio do catecismo da ICAR. Estas são do próprio Catecismo, no que respeita ao Pecado Original. Estão redigidas em espanhol mas podem usar o tradutor do google para traduzi-las para português:

    http://www.vatican.va/archive/catechism_sp/p1s2c1p7_sp.html

  • antoniofernando

    As citações anteriores são do compêndio do catecismo da ICAR. Estas são do próprio Catecismo, no que respeita ao Pecado Original. Estão redigidas em espanhol mas podem usar o tradutor do google para traduzi-las para português:

    http://www.vatican.va/archive/catechism_sp/p1s2c1p7_sp.html

  • antoniofernando

    O Catecismo da Igreja Católica é o que é.Não vale a pena tentar tapar o Sol com uma peneira:

    1- Ainda na actualidade, depois de a Teoria Evolucionista se ter consolidado, a Igreja Católica mantém que “AO CEDER AO TENTADOR, ADÃO E EVA COMETEM UM PECADO PESSOAL, MAS ESTE PECADO AFECTA A NATUREZA HUMANA, QUE VÃO TRANSMITIR EM UM ESTADO DECAÍDO. É UM PECADO QUE SERÁ TRANSMITIDO POR PROPAGAÇÃO À HUMANIDADE INTEIRA” ( Catecismo da Igreja Católica, § 404);

    2-” Pecado pessoal”, note-se, sem margem para quaisquer dúvidas de imprecisão de redacção ou de eventual lapso de escrita;

    3-Ou seja, ainda em 2010, a Igreja Católica permanece a sustentar que Adão e Eva foram pessoas reais e os nossos primeiros antepassados, pois,de outra forma, não se entenderiam os termos em que exactamente se encontra redigido o mencionado passo do § 404 do seu Catecismo;

    4- E depois assevera que esse ” pecado pessoal” se propagou a toda a Humanidade, exceptuando Maria de Nazaré.

    5-Por via desse errado pressuposto, surgiu o dogma da Imaculada Conceição,assente na isenção de Maria de Nazaré quanto ao Pecado Original, cometido pelos nossos primevos antepassados, Adão e Eva;

    6- Como é por demais evidente, se Adão e Eva nunca existiram, antes foram meras personagens figuradas de uma história mítica ou metafórica, nunca poderiam ter cometido qualquer pecado, tal como a personagem ficcionada do Príncipe Hamlet nunca poderia ser condenado por ter “assassinado” uma mera figura teatral;

    7- Assim sendo, é completamente absurdo equacionar que Maria de Nazaré pudesse ser isenta de um suposto Pecado Original, que nunca as figuras literárias de Adão e Eva igualmente poderiam ter cometido;

    😯 dogma da Imaculada Conceição assenta, portanto, num postulado completamente falso: a aventada realidade humana das imaginárias figura de Adão e Eva;

    9- Se o Pecado Original não faz o menor sentido teológico, porque assenta numa premissa de mera efabulação literária,então também não faz consequente sentido o sacramento do Baptismo, pelos menos enquanto perspectivado na sua função salvífica;

    10- E, nessa medida, igualmente não possui sentido a equação teológica do Limbo Infantil, para as crianças que tivessem morrido sem Baptismo;

    11- Se o dogma da Imaculada Conceição não faz sentido, pela razões atrás expostas, então também soçobra o suposto Dogma da Infalibilidade Papal em matéria de Fé, pois, pelo menos no caso do dogma da Imaculada Conceição, é manifesto o desacerto teológico deste dogma, solenemente definido pelo Papa Pio IX.

    Os factos são inequívocos e só não vê quem quiser continuar a querer conciliar o inconciliável.

    A verdade é que Adão e Eva nunca existiram e não cometeram nenhum Pecado Original.

    Tudo o mais que dessa mistificação deriva, esboroa-se como um castelo de cartas.

    O ” jogo” teológico, acima enunciado, sempre esteve viciado desde o princípio e não resiste a uma reflexão medianamente atenta.

    Premissas erradas conduzem a silogismos inconsequentes. Foi exactamente o que aconteceu nos casos do Pecado Original, Baptismo, Imaculada Conceição e Infalibilidade Papal…

    • MO

      Caro António:

      Má fé a sua que não quer entender. As imagens do Génesis (como o catecismo descreve) dão acesso a uma verdade espiritual. Acha que não houve alguém que pecou primeiro (isto é, que teve consciência de que estava a fazer mal ao fazê-lo)? Acha que esse pecado não foi pessoal (como pode não o ser?)? Não vê o efeito do pecado na História, atravessando gerações? É disto que fala o Catecismo.

      Por favor, não acuse a Igreja de ser literalista. É o António que o é.

      Pax et bonum

      • antoniofernando

        “Se quiseres a Paz, respeita a consciência de cada um ”

        “Acima do papa, como expressão da autoridade eclesial, existe ainda a consciência de cada um, à qual é preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretensões das autoridades da Igreja.”

        Joseph Ratzinger

        Má fé a sua de usar reprovável “argumento ad hominem” contra a minha liberdade de consciência. Lamentável que você se arvore nessa prosápia intelectualmente insuportável de achar que tudo na dogmática católica é intocável.Todos os demais estão enganados e “relativistas”. Você e a Igreja Católica são os únicos que detêm a verdade absoluta. E, como não tem contra-argumentos para refutar o que deriva do próprio Catecismo da Igreja Católica, agora,em desespero de causa, desafivelou a sua farisaica máscara de falso polimento para partir para a ofensa. Mas eu sei do que a sua ” casa ” gasta. E também já estou habituado a lidar com várias confrarias ideologicamente espartilhadas. A dogmática da Igreja Católica, do meu ponto de vista, goste ou não você de ler, é a maior e insuportável ficção teológica que existe no âmbito do Cristianismo e a que mais relativizadamente se afastou da Doutrina de Jesus de Nazaré. E não apenas nos pontos que já censurei. Também nessa inconcebível mistificação da Virgindade Perpétua de Maria. E ainda na inane confirmação eclesiástica que conferiu à adulteração fatimista e idólatra da Cova da Iria.Ao longo da sua História, as sucessivas hierarquias da Igreja Católica, com algumas honrosas excepções, caucionaram as maiores bizarrias conceptuais, contra a essência da Doutrina de Cristo, tal como deriva de uma leitura intelectualmente séria do Evangelho. Dou-lhe alguns exemplos: era preciso sustentar a aberrante tese da Virgindade Perpétua de Maria ? Era. E, portanto, transformaram os irmãos de Jesus de Nazaré em ” primos”, pouco importando que o próprio Paulo de Tarso tenha referenciado Tiago como o ” irmão do Senhor”. É importante retirar de Flávio Josefo alguma adicional fundamentação probatória da historicidade de Jesus de Nazaré ? E por isso se invoca o Testimonium Flavianum quando interessa ? Sim. Mas porque também não interessa pôr em causa o dogma da Virgindade Perpétua de Maria, que fazem os católicos mais ” absolutistas” ? Pois passam apressadamente pela parte em que, no mesmíssimo documento, Flávio Josefo, tal como Paulo de Tarso, alude à morte de Tiago, enquanto irmão biológico de Jesus. Mateus refere que José não conheceu Maria enquanto ela não deu à luz o primogénito ? Sim ( Mt,1,24-25)
        Mas, como era preciso continuar a distorcer a verdade racionalmente admissível dessa passagem evangélica, em nome da ficção teológica ” Virgindade Perpétua de Maria”, que fez a hierarquia da Igreja Católica ? Adultera a sua interpretação para além do logicamente razoável e transforma essa clara passagem no sentido de que Maria e José nunca chegarem a estabelecer completa relação matrimonial. Essa passagem só pode querer dizer que,na concepção de Jesus, não ocorreu intimidade sexual entre Maria e José, nada mais. Qualquer mediano exegeta vê isso. Só a Igreja Católica faz de conta que não vê o que não se encaixa na sua dogmática ficcionada. Depois, como sempre estigmatizou a sexualidade humana e a ela atribuiu o ” pecaminoso” estigma da concupiscência, os apologetas relativistas da Igreja Católica teriam fatalmente que esconjurá-la da normal convivência marital de José e Maria, retirando-lhe toda a dimensão sagrada que a sexualidade humana também incorpora.Jesus de Nazaré bem merecia mais do que os constantes preconceitos ideológicos da ICAR, normalmente assentes na mesma ” matriz fundacional”: o estigma da intimidade carnal dos esposos, que gera a ” concupiscência” do ” Pecado Original” e que não poderia afectar Maria na sua suposta Virgindade Perpétua. Que paupérrima visão do Sagrado. Que renitente ofensa ao Criador, que a todos nos dotou da dimensão humana, bela e sagrada, da sexualidade. Por último a fenomenologia de Fátima, totalmente contrária à Doutrina de Cristo em aspectos totalmente inconciliáveis: quando,nas sucessivas aparições marianas, a Senhora aparece a ameaçar constantemente com a aplicação de castigos divinos indiscriminados, na revisitação ideológica dos péssimos tempos do Levítico e do Deuterónimo, em que um demiurgo despótico, louco e cruel , fazia desaparecer Sodoma e Godorra ,mesmo à custa das crianças inocentes que lá vivessem. E que chegou ao ponto de fazer desaparecer da face da Terra todos os seus filhos, exceptuando o felizardo Noé.O mesmo demiurgo que, em nome de uma absurdo critério de obediência divina, instigou Abraão a sacrificar o seu próprio filho Isac. E que a Igreja Católica chegou ao desplante de invocar essa iniquidade conceptual como exemplo a seguir pelos seus obedientes e cegos adeptos. Felizmente que tudo isso foi irreal. Apenas um variado conjunto de medíocres antropomorfizações humanas, que de Sagrado não têm nada e de perverso têm tudo. Fátima reedita esse pavor: ameaças de novos castigos colectivos para censurar os pecados de alguns, quando, da sua própria dogmática, a seguir ao falecimento de cada pessoa se segue o julgamento particular,de acordo com as boas ou más obras individuais. E depois aquele autêntico festival de deprimente superstição pagã, com rezas obsessivas de terços e rosários, exactamente ao contrário do que ensinou Jesus de Nazaré:” nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. ( Mateus 6:7).Por fim, que dizer do deplorável Papa Pio IX,o autor da encíclica Quanta Cura-Syllabus, fortemente contrário à liberdade religiosa e de manifestação de livre pensamento ? E que chegou à crueldade de se opor à restituição a seus pais da criança judia, raptada,Edgardo Mortara ? Sim, que dizer de um papa tão menor, que se opunha a toda e qualquer forma de pensamento, que não fosse o que ele representava,e que incentivou ao seguimento acrítico da teologia de Tomás de Aquino, esse mesmo que na sua Suma Teológica se assumiu como instigador moral da morte de todos os hereges ? Cristo merece bem melhor.Felizmente que há muito mais e melhor Cristianismo para além da ICAR…

        • MO

          Calma. Não houve “ad hominem”. Limitei-me a descrever o que está a fazer. Repete-o neste texto.

          Compreendo a sua revolta – mais do que entende, porque também eu, antes de ler mais e entender mais, fiz semelhantes generalizações, cometi os mesmos erros. Só para lhe dar um exemplo: não há dogma nenhum da Virgindade Perpétua de Maria como refere. Idem para Fátima (mais ainda) – mostre-me um documento da Santa Sé a fazer declarações, não só sobre estas, mas sobre quaisquer aparições Marianas. (E já agora, também o actual Papa muito escreveu sobre isto no sentido de que as aparições podem ser vistas como experiências interiores, místicas. Vale a pena ler.)

          Cristo merece bem melhor.Felizmente que há muito mais e melhor Cristianismo para além da ICAR…

          Não comento o que diz da obra gigante de S. Tomás, porque parece conhecê-la muito mal. Mas como lhe disse, tudo isto me toca – porque me reconheço nestas palavras. Talvez um dia perceba que o mal dentro da Igreja, o sofrimento que ela provoca, a sua sombra, faz parte da mesma luta pela virtude e contra o pecado que é profundamente humana. Não foi Jesus que acompanhava os pecadores, os que precisavam dele. A Igreja é o lugar onde podemos encontrar a Luz, mas é também por isso o sítio dos pecadores, o sítio onde nos reconhecemos como pecadores – e onde percebemos o que temos que fazer para ser virtuosos. A Igreja limpa, imaculada que gostava de ter (que nunca existiu – leia o NT e as descrições da fraqueza de Pedro, por exemplo) é demasiado parecida como a instituição religiosa governada pelos Fariseus que Jesus tanto criticou. Encontra-a, na aparência, nalgumas comunidades protestantes – prontas a dar palmadinhas nas costas dos fiéis. Sim, a Igreja teve muitos Judas, mas contra tudo isso, permanece na sua missão. Vá ao essencial, sem tomar o que não o é como desculpa.

          Pax et bonum

          • antoniofernando

            “Compreendo a sua revolta – mais do que entende, porque também eu, antes de ler mais e entender mais, fiz semelhantes generalizações, cometi os mesmos erros. Só para lhe dar um exemplo: não há dogma nenhum da Virgindade Perpétua de Maria como refere. Idem para Fátima (mais ainda) – mostre-me um documento da Santa Sé a fazer declarações, não só sobre estas, mas sobre quaisquer aparições Marianas. (E já agora, também o actual Papa muito escreveu sobre isto no sentido de que as aparições podem ser vistas como experiências interiores, místicas. Vale a pena ler.)”

            1- Você não compreende coisa alguma àcerca de mim, para se permitir vir aqui fazer de psicólogo da minha consciência e dos meus sentires. Fica-lhe mal. Dê-se ao respeito e leia mais do Catecismo da ICAR que, pelos vistos ignora:

            99-“Em que sentido Maria é «sempre Virgem»?

            No sentido de que Maria «permaneceu Virgem na concepção do seu Filho, Virgem no parto, Virgem grávida, Virgem mãe, Virgem perpétua» (Santo Agostinho). Portanto, quando os Evangelhos falam de «irmãos e irmãs de Jesus», trata-se de parentes próximos de Jesus, segundo uma expressão usual na Sagrada Escritura.”

            tem aqui mais para se entreter:

            MARIA – «SEMPRE VIRGEM»

            499. O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria (162), mesmo no parto do Filho de Deus feito homem (163). Com efeito, o nascimento de Cristo «não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal» da sua Mãe (164).

            A Liturgia da Igreja celebra Maria “Aeiparthenos” como a «sempre Virgem»(165)

            500. A isso objecta-se, por vezes, que a Escritura menciona irmãos e irmãs de Jesus (166). A Igreja entendeu sempre estas passagens como não designando outros filhos da Virgem Maria. Com efeito, Tiago e José, «irmãos de Jesus» (Mt 13, 55), são filhos duma Maria discípula de Cristo (167) designada significativamente como «a outra Maria» (Mt 28, 1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, segundo uma expressão conhecida do Antigo Testamento (168).

            501. Jesus é o filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria (169) estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: «Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como “primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe» (170).

            A MATERNIDADE VIRGINAL DE MARIA NO PLANO DE DEUS

            502. O olhar da fé pode descobrir, em ligação com o conjunto da Revelação, as razões misteriosas pelas quais Deus, no seu desígnio salvífico, quis que o seu Filho nascesse duma virgem. Tais razões dizem respeito tanto à pessoa e missão redentora de Cristo como ao acolhimento dessa missão por Maria, para bem de todos os homens:

            503. A virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus na Encarnação. Jesus só tem Deus por Pai (171). «A natureza humana, que Ele assumiu, nunca O afastou do Pai […]. Naturalmente Filho do seu Pai segundo a divindade, naturalmente Filho da sua Mãe segundo a humanidade, mas propriamente Filho de Deus nas suas duas naturezas» (172).

            504. Jesus é concebido pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, porque Ele é o Novo Adão (173), que inaugura a criação nova: «O primeiro homem veio da terra e do pó: o segundo homem veio do céu» (1 Cor 15, 47). A humanidade de Cristo é, desde a sua conceição, cheia do Espírito Santo, porque Deus «não dá o Espírito por medida» (Jo 3, 34). É da «sua plenitude», que Lhe é própria enquanto cabeça da humanidade resgatada que «nós recebemos graça sobre graça» (Jo 1, 16).

            505. Jesus, o novo Adão, inaugura, pela sua conceição virginal, o novo nascimento dos filhos de adopção, no Espírito Santo, pela fé, «Como será isso?» (Lc 1, 34) (175). A parti­cipação na vida divina não procede «do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1, 13). A recepção desta vida é virginal, porque inteiramente dada ao homem pelo Espírito. O sentido esponsal da vocação humana, em relação a Deus (176), foi perfeitamente realizado na maternidade virginal de Maria.

            506. Maria é virgem, porque a virgindade é nela o sinal da sua fé, «sem a mais leve sombra de dúvida» (177) e da sua entrega sem reservas à vontade de Deus (178). É graças à sua fé que ela vem a ser a Mãe do Salvador: «Beatior est Maria percipiendo fïdem Christi quam concipiendo carnem Christi – Maria é mais feliz por receber a fé de Cristo do que por conceber a carne de Cristo» (179).

            507. Maria é, ao mesmo tempo, virgem e mãe, porque é a figura e a mais perfeita realização da Igreja (180): «Por sua vez, a Igreja, que contempla a sua santidade misteriosa e imita a sua caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai, torna-se também, ela própria, mãe, pela fiel recepção da Palavra de Deus: efectivamente, pela pregação e pelo Baptismo, gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos por acção do Espírito Santo e nascidos de Deus. E também ela é virgem, pois guarda fidelidade total e pura ao seu esposo» (181).

            Resumindo:

            508. Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe do seu Filho. «Cheia de graça», ela é «o mais excelso fruto da Redenção» (182). Desde o primeiro instante da sua conceição, ela foi totalmente preservada imune da mancha do pecado original, e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo da vida.

            509. Maria é verdadeiramente «Mãe de Deus», pois é a Mãe do Filho eterno de Deus feito homem que, Ele próprio, é Deus.

            510. Maria permaneceu «Virgem ao conceber o seu Filho, Virgem ao dá-Lo à luz, Virgem grávida, Virgem fecunda, Virgem perpétua» (183); com todo o seu ser; ela é a «serva do Senhor» (Lc 1, 38).

            511. A Virgem Maria «cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens» (184). Pronunciou o seu «fiat» – faça-se – «loco totius humanae naturae – em vez de toda a humanidade» (185): pela sua obediência, tornou-se a nova Eva, mãe dos vivos.

            Veja aqui:

            http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/465/48/

            2-Sobre a aceitação de Fátima,pela Igreja Católica você quer brincar ? Sobre o anúncio doa parte em falta do Segredo pelo Cardeal Sodano, as diversas visitas papais de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI você anda distraído ? Quer brincar ?…

            Então tome:

            3-“Garabandal é a obra mais maravilhosa da humanidade, depois do nascimento de Jesus. É a segunda vida da Santíssima Virgem nesta terra. É importantíssimo dar a conhecer ao mundo estas mensagens” ( Paulo VI)

            “A Mensagem, dada por Nossa Senhora, em Garabandal, é a mesma que Ela deu em Fátima, mas actualizada e apropriada aos nossos tempos”. (D. João Pereira Venâncio, Bispo de Leiria e Fátima)

            Aqui, sobre João Paulo II:

            http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=15230

            4- Ainda tem dúvidas ?

            Então confira aqui:

            http://pt.wikipedia.org/wiki/Apari%C3%A7%C3%B5es_marianas

            5- Ainda quer brincar mais com assuntos sérios ?…

          • MO

            Nada disto é brincadeira.

            Não me importaria de discutir consigo o significado espiritual (ah!) da “virgindade perpétua” de Maria (que estando no Catecismo não é dogma), nem a interpretação (confirmada por estudiosos católicos, ortodoxos, protestantes), baseado no uso da expressão noutros contextos do NT, de que “irmãos de Jesus” não designa irmãos de sangue. Mas o que nos trouxe aqui foi a Imaculada Conceição.

            Sobre as aparições… – mostre-me os documentos da Santa Sé sobre isso, em vez da devoção particular de membros da Igreja.

            Pax et bonum

          • antoniofernando

            Você não sabe do que fala. Aprenda:

            1- PERPÉTUA VIRGINDADE DE MARIA

            Ensinamentos dogmáticos da Igreja Católica
            Perpétua Virgindade de Maria

            A Perpétua Virgindade de Maria ensina que Maria é virgem antes, durante e depois do parto. Este dogma mariano é o mais antigo da Igreja Católica e Oriental Ortodoxa, que afirma a “real e perpétua virgindade mesmo no ato de dar à luz o Filho de Deus feito homem.” Assim Maria foi sempre Virgem pelo resto de sua vida, sendo o nascimento de Jesus como seu filho biológico, uma concepção milagrosa.

            No ano 107, Inácio de Antioquia já descrevia a virgindade de Maria. São Tomás de Aquino também ensinou esta doutrina (Summa theologiae III.28.2) que Maria deu o nascimento miraculoso sem abertura do útero, e sem prejuízo para o hímen. Esta doutrina já era um dogma desde o cristianismo primitivo, tendo sido declarada por notáveis escritores como São Justino Mártir e Orígenes. O Papa Paulo IV o reconfirmou no Cum quorundam de 7 de Agosto de 1555, no Concílio de Trento

            http://pt.wikipedia.org/wiki/Dogmas_e_doutrinas_marianas_da_Igreja_Cat%C3%B3lica

            2-APARIÇÕES MARIANAS

            “Sobre as aparições… – mostre-me os documentos da Santa Sé sobre isso, em vez da devoção particular de membros da Igreja.”

            Você quer hipocritamente mistificar a temática das alegadas Aparições Marianas, quando bem sabe que uma parte significativa delas foi reconhecida pela ICAR como sendo aparições de ” Nossa Senhora”, ou seja de Maria de Nazaré. Isso é absoluto farisaísmo da sua parte, porque, quanto a Fátima, o que interessa saber, do meu ponto de vista, é se essa dita aparição, nos termos em que ela discursivamente é veiculada pela própria Igreja Católica, é ou não compatível com a Doutrina de Cristo. E claramente não é. Aquilo, pelas razões que já desenvolvi, é total idolatria e superstição pagã e nada de essência do Cristianismo

            3- IMACULADA CONCEIÇÃO

            Já lhe disse o que penso sobre essa matéria. A ” Imaculada Conceição” tem como contraponto a bizarria conceptual do ” Pecado Original”. Já também lhe demonstrei que a dogmática da ICAR sobre essa absurdez assenta claramente no pressuposto da existência real de Adão e de Eva e da história mítica relatada no Génesis, igualmente tomada por real E mesmo que não assentasse nessa falácia, só alguém muito longe de Deus é que será capaz de admitir que Ele maculasse os Seus próprios filhos com o estigma de um ” Pecado Original”. Isso é claramente repulsivo e essa vergonha ainda aumenta mais com a hipótese teológica do Limbo Infantil para as crianças falecidas sem Baptismo.Imaculadas são todas as concepções.E Maria de Nazaré não foi excepção.

          • MO

            1 – Não quero ser técnico, mas não há nenhuma fórmula dogmática que declare a virgindade perpétua de Maria. O que se fez foi combinar diversos dogmas para chegar a essa doutrina (que, de facto, tem raízes profundas na tradição). Mas isto talvez tenha pouca importância para esta discussão…

            2 – Repito: as devoções particulares de membros da Igreja (mesmo Papas) são uma coisa, a existência de documentos que façam declarações sobre alegadas aparições são outra. Nesse aspecto, a Igreja é muito cautelosa.

            3 – O Homem não peca (originalmente) porque Deus lhe deu esse estigma, mas simplesmente porque usou mal a sua liberdade (usou-a sem se ver como responsável pelas consequências dos seus actos, não saindo da prisão da irresponsabilidade. logo, não sendo plenamente livre).

            Pax et bonum

          • antoniofernando

            Um pouco mais de ” VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA”, dogmaticamente aprovada pela Igreja Católica:

            Virgindade Perpétua de Maria

            A Fé da Igreja manifesta-se nos Símbolos que desde o princípio chamaram a Maria Santíssima “Virgem”, “Sempre Virgem”.
            No século V, o Papa S. Leão Magno na carta dogmática de 13 de Junho de 449, a Flaviano, Patriarca de Constantinópola, declara: “A Virgindade inviolada ignorou a concupiscência e subministrou a matéria da carne. Tomou (Deus) da Mãe do Senhor a natureza não a culpa”.
            Os Padres do primeiro Concílio de Calcedónia acolheram esta carta com gritos : “Pedro falou pela boca do Leão”.
            Definição clara e completa da Virgindade de Maria, antes do parto, no parto e depois do parto, já a temos no Primeiro Concilio de Latrão celebrado em 649 no Pontificado de S. Martinho I:
            “De acordo com os Santos Padres, se alguém não confessar propriamente e segundo a verdade por Mãe de Deus, a Santa e sempre Virgem Maria, pois concebeu própria e verdadeiramente, nos últimos tempos sem sémen, por obra do Espírito Santo o mesmo Verbo Deus, que antes de todos os séculos nasceu de Deus Pai e incorruptivelmente o gerou, permanecendo Ela, mesmo depois do parto, na sua Virgindade indissolúvel, seja condenado”.
            O Papa Paulo IV a 7 de Agosto de 1555, na Constituição Cum Quorundam condena a opinião daqueles que negam que a “Beatíssima Virgem Maria permaneceu sempre na integridade da Virgindade a saber, antes do parto, no parto e perpetuamente depois do parto”.
            É a fé que o Credo amplo de Santo Epifânio expressava com o termo “sempre Virgem” e que o Papa Paulo IV articulava na forma ternária de virgem “antes do parto, no parto, e perpetuamente depois do parto” (Ib 1880). E a mesma que ensina Paulo VI : “Cremos que Maria é Mãe sempre Virgem do Verbo encarnado”

        • MO

          Repito: não houve “ad hominem” da minha parte. Confirmando o que disse, repare que não responde às minhas perguntas. Nem sequer as considera. O que o António faz é levantar outros assuntos e multiplicar os mal-entendidos.

          Pax et bonum

          • antoniofernando

            Seja ao menos honesto que,pior ainda do que a sua ofensa, é a sua hipocrisia. Você deve estar habituado àquela habitual estratégia de querer sempre conciliar o inconciliável e que transformou a dogmática da Igreja Católica, na mais destemperada e absurda teologia esquizofrénica…

          • MO

            Porque não responde? Recoloco as perguntas: Acha que não houve alguém que pecou primeiro (isto é, que teve consciência de que estava a fazer mal ao fazê-lo)? Acha que esse pecado não foi pessoal (como pode não o ser?)? Não vê o efeito do pecado na História, atravessando gerações?

            Pax et bonum

          • antoniofernando

            Não respondo a quê ? Eu sou bombardeado neste blogue dos mais diversos lados de todas as confrarias, raramente com perguntas sérias, as mais das vezes com ofensas ou grosserias. Tenho mais que fazer do que andar a ver todos os comentários. E se algum seu deixei passar sem resposta foi simplesmente porque não vi.

            Mas já que desta questão me apercebi, obviamente que não vou deixá-lo sem resposta:

            1-Quem pecou pecou, quem não pecou, não pecou.Eu não andei a investigar toda a Humanidade desde que os hominídeos chegaram, nas etapas evolutivas mais recentes ,para saber quem incorreu ou não em qualquer pecado, teologicamente considerado.

            Presumo que você também não tenha feito essa investigação. Deixe com Deus que Ele é que sabe.

            2-” Acha que esse pecado não foi pessoal” ? Você agora quer desconversar. Sabe tão bem como eu que o pecado tem natureza absolutamente individual. Por isso é que, na dogmática católica, ao falecimento de um indivíduo se segue o suposto Julgamento Particular.

            O que eu digo e reafirmo, à luz da Doutrina de Cristo, é que os pecados pessoais obviamente não se transmitem, não se propagam de geração em geração.

            Quando uma criança nasce, ela pode vir a propender para o Bem ou para o Mal,mas não por causa de nenhum suposto ” Pecado Original”,apenas porque, dentro das margens do seu livre arbítrio, pode seguir um ou outro dos caminhos.

            Porém,essa criança não traz consigo nenhuma mácula. É filha de Deus como todos os seres.E Deus não estigmatiza nenhum dos Seus filhos.Se assim não fosse, não seria Deus mas um louco demiurgo.Você acredita nesse insano demiurgo. Eu acredito em Deus.

            E até chega a ser ignóbil conceber que Deus tivesse colocado na História Humana um ” Pecado Original” que se fosse propagando de geração em geração. E que só o Baptismo fosse apto a erradicá-lo em cada indivíduo. Depois a bizarria ainda fica mais confusa, se virmos que um baptizado, segundo a ICAR, afinal continuará a propagar o ” Pecado Original” aos seus filhos, depois de,supostamente, ter ficado dele ” perdoado”.

            Isto é o reino da total esquizofrenia teológica da ICAR.Mas Deus está muito acima destes absurdos conceptuais…

          • MO

            Não confunda física com metafísica. Que a humanidade tem pecado ao longo dos século, que demonstrou ter essa inclinação, é óbvio para quem olha para o mundo e a sua história. Também Pelágio aceitava na doutrina do Pecado Original (como se costuma chamar). Mas acreditava também que nós podemos, por nós próprios e sem a graça de Deus, superar essa inclinação de usar mal a nossa liberdade. É uma doutrina difícil de sustentar para um cristão, como demonstrou Santo Agostinho.

            Ser pessoa é ser “em relação”. Não somos ilhas. Aquilo que faço em consequências para as pessoas à minha volta. Aquilo que quem veio atrás de mim fez, teve consequências para mim (e não só). Quando uma criança nasce vem para este mundo, não parte da estaca zero, nasce já num mundo que a vai moldar e afectar. Precisa de armas para resistir, precisa da graça de Deus – que é confirmada no Baptismo – mas também da sua vontade.

            Pax et bonum

          • antoniofernando

            Você continua a distorcer quando afirma que também Pelágio aceitava a doutrina do Pecado Original, pois esta pressupõe a propagação do Pecado de Adão e Eva às gerações seguintes, sendo, portanto, perfeitamente irrelevante, para a crítica a essa dogmática teológica, que Pelágio acreditasse ou não na História Mítica do Génesis. Ele não aceitava sim, e esse é que é o ponto fundamental da sua refutação, que o Pecado Original se propagasse às gerações seguintes,como ainda hoje sustenta a Igreja Católica.
            Pelágio acreditava no que eu também acredito, pois não imagino Deus a intervir casuística e parcialmente na realidade humana. Deus está na consciência de cada um e cada um de nós só tem que decidir se opta pelo Bem ou pelo Mal.

            Doutrina difícil de sustentar para um cristão, eu que enquanto tal me reconheço, é admitir toda e qualquer aberração teológica que conste na Bíblia.O mesmo Deus que nos dotou com a Voz da Consciência é o mesmo Deus que a todos conferiu o pensamento crítico, para avaliarmos ponderadamente o que é divino e o que seja mera transposição escrita de medíocres antropomorfizações, de que vários livros do AT são relatos deploráveis, mesquinhos e anti-sagrados.

            Uma criança não precisa de nenhum Baptismo, pois não está maculada por nenhum inexistente Pecado Original. E Deus teria que ser, não Deus, mas um demiurgo muito pérfido se caucionasse essa absurda concepção teológica.

            Aliás, Cristo também foi baptizado no Rio Jordão e não é suposto que tivesse qualquer Pecado Original.

            E que dizer de todos os filhos de Deus, existentes em todos os pontos do globo, que viveram nos mais diversas épocas históricas, pertencentes aos mais distintos credos ? Também eles foram parar direitinhos às chamas do ” pavoroso Inferno” , pelo mero facto de não terem sido baptizados ?

            Não brinquemos com assuntos humanamente muito sérios.

            Como a Igreja Católica gosta de conciliar tudo, até o inconciliável,o que é que ela faz quando as temáticas doutrinárias não “jogam” umas com as outras ?

            Faz “remendos”. E um desses remendos foi o dogma do ” Limbo dos Patriarcas”,”para onde iam os justos do Antigo Testamento “que creram no Messias, tendo feito a contrição de seus pecados, mas ainda possuindo a marca do pecado original”, porque a “missão salvífica” de Jesus ainda não foi realizada na Terra. Neste limbo, chamado também de Sheol (ou Hades ou o Seio de Abraão), os justos que o habitam “aguardavam […] o momento de serem levados à presença de Deus, pela redenção completa operada pelo Cristo” através da sua morte na cruz

            Depois da sua morte redentora, Jesus Cristo, o Messias, desceu à mansão dos mortos, ou seja, ao Limbo dos Patriarcas para conceder às almas que o habitam, mortas antes de Jesus morrer na cruz, “os benefícios do seu sacrifício expiatório; estas almas foram, então, alcançadas pelo sangue do Cordeiro (Romanos 3.25)”, podendo assim serem salvas. De seguida, Jesus transportou todas estas almas santas para o Céu, desfazendo assim o Limbo dos Patriarcas ”

            Está a ver ? Tudo na Igreja Católica se remenda e costura à medida da constante justificação das suas absurdas concepções.

            Já as crianças falecidas sem baptismo não tiveram o merecimento da dogmatização formal que colheu o Limbo dos Patriarcas. Para elas, a Igreja Católica foi deixando em aberto a hipótese teológica do Limbo Infantil, ao jeito do ” pode ser que sim e pode ser que não”.

            Há matérias, quase todas, onde a Igreja Católica nunca hesita e afirma, com o maior desplante, as mais diversas bizarrias dogmáticas.

            Mas no caso das inocentes crianças, embatucou, ao estilo de ” Deus na Sua Misericórdia lá sabe…”

            Que teologia tão deprimente e tão mesquinha. Se havia matéria onde a Igreja Católica não poderia nem deveria tergiversar era mesmo no caso das inocentes crianças.

            Qualquer pessoa que sinta Deus no seu coração, sabe que elas vão direitinhas para o Céu, com baptismo ou sem baptismo.

            O que também chega e sobra obviamente para destronar o carácter salvífico do Baptismo.

            Como vê, Pecado Original, Baptismo,Imaculada Conceição, Virgindade Perpétua de Maria e Limbo Infantil são concepções de tal forma obsoletas, que só podem ser rejeitadas por todo quele não queira ficar cativo do aprisionamento da sensibilidade e da razão.

            Mas há mais ainda, que repugnam a uma concepção bondosa de Deus e que a Igreja Católica também permanece a aceitar em termos literais:

            O pavoroso Inferno:

            “Depois da vida presente há outra, ou eternamente feliz para os eleitos no Paraíso, ou eternamente desgraçada para os condenados no Inferno” (Cat. S.Pio X, 245)

            “A desgraça dos condenados consiste em serem para sempre privados da visão de Deus, e punidos com tormentos eternos no Inferno.” (Cat. S.Pio X, 248)

            “Os bens do Paraíso e os males do Inferno, por ora, são só para as almas porque por enquanto só as almas estão no Paraíso, ou no Inferno; mas depois da ressurreição da carne, os homens, na plenitude da sua natureza, isto é, em corpo e alma, serão ou felizes ou infelizes para sempre.” (Cat. S. Pio X, 249)

            “Os bens do Paraíso para os eleitos, e os males do Inferno para os condenados, serão iguais na substância e na duração eterna; mas na medida, isto é, no grau, serão maiores ou menores, segundo os méritos ou deméritos de cada um.” ( Cat. S.Pio X, 250)

            “Sim, todos somos obrigados a observar os Mandamentos, porque todos devemos viver segundo a vontade de Deus que nos criou; e basta transgredirmos gravemente um só deles para merecermos o Inferno.” (Cat. S.Pio X, 347)”

            Basta uma só transgressão grave para lá irmos parar, já viu ?

            Como foi possível chegar a este descalabro escatológico de admitir que um Deus bondoso permitisse que Seus filhos se auto-condenassem a um horroroso Inferno Perpétuo ?

            A resposta só pode ser esta: mentes humanas pervertidas e cegas a quererem conduzir todos os cegos que neles confiam…

            Por último a execrável pena de morte, que a sua Igreja Católica continua a aceitar no respectivo Catecismo, desonrando completamente a condenação à morte do Crucificado Jesus de Nazaré.

            Felizmente, que na modernidade, já não existe a satânica Inquisição, e nenhuma inanidade teológica fica sem refutação…

            Fique muito feliz com a sua Igreja Católica que eu fico muito feliz com a Doutrina de Cristo…

          • MO

            Donde tirou a ideia de que a Igreja defende que quem não for baptizado está destinado ao Inferno? Como pode dizer que segue a doutrina de Cristo se rejeita o Inferno, de que ele falou? Sabe a que é que corresponde o conceito teológico de Inferno?

            Fico perplexo. O António acha que os pecados dos nossos antepassados não nos moldam, não nos afectam, que somos naturalmente imunes a eles, que não nascemos no meio da história humana, com muito para trás. É espantosa a sua cegueira. Esqueça os dogmas, esqueça a Igreja – olhe apenas à sua volta, abra um livro de História – não vê ainda os efeitos dos pecados das gerações anteriores, não os vê repetidos nas gerações contemporâneas?

            Pax et bonum

  • antoniofernando

    Rectificação:

    Onde consta “5-Por via desse errado pressuposto, surgiu o dogma da Imaculada Conceição,assente na isenção de Maria de Nazaré quanto ao Pecado Original, cometido pelos nossos primevos antepassados, Adão e Eva” deve ler-se “…alegadamente cometido pelos nossos supostos e primevos antepassados Adão e Eva”

  • antoniofernando

    “Donde tirou a ideia de que a Igreja defende que quem não for baptizado está destinado ao Inferno? Como pode dizer que segue a doutrina de Cristo se rejeita o Inferno, de que ele falou? Sabe a que é que corresponde o conceito teológico de Inferno?

    “Fico perplexo. O António acha que os pecados dos nossos antepassados não nos moldam, não nos afectam, que somos naturalmente imunes a eles, que não nascemos no meio da história humana, com muito para trás. É espantosa a sua cegueira. Esqueça os dogmas, esqueça a Igreja – olhe apenas à sua volta, abra um livro de História – não vê ainda os efeitos dos pecados das gerações anteriores, não os vê repetidos nas gerações contemporâneas?”

    MO

    Pode ficar perplexo à vontade que eu também fiquei perplexo e escandalizado quando me apercebi que a Igreja Católica admitia, como ainda acontece, embora em circunstâncias excepcionais, a ignóbil pena de morte, no seu catecismo. Para a ICAR a vida é só semi-sagrada. No caso do aborto é sagrada. No caso da pena de morte, já não é sagrada. A mesma esquizofrenia teológica a dar cartas.

    Tudo o que exactamente não tem a ver com o mandamento de Deus “ Não Matarás” e a Doutrina bondosa de Cristo.

    “Donde tirou a ideia de que a Igreja defende que quem não for baptizado está destinado ao Inferno? Como pode dizer que segue a doutrina de Cristo se rejeita o Inferno, de que ele falou? Sabe a que é que corresponde o conceito teológico de Inferno?”

    Você mostra desconhecer pontos basilares da sua própria Igreja, ignorando que a Fé Católica Romana professa ser indispensável o baptismo para a salvação. E, pelos vistos, também ignora que a hipótese teológica Limbo Infantil visava precisamente não tornar ainda mais infame a suposta ida das crianças não baptizadas para o Inferno. Mas para uma ” zona celestial intermédia” chamada Limbo. Quando se trata de remendar a sua teologia, a ICAR mostra ser deveras inventiva. Liga tudo até as temáticas mais inconciliáveis.

    Veja aqui:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Batismo

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Limbo

    Veja também aqui se ainda tiver dúvidas:

    “O Baptismo é necessário para a salvação daqueles a quem foi anunciado o Evangelho e que têm a possibilidade de pedir este sacramento.” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, nº 261)

    Ainda tem dúvidas?

    Espantosa a minha suposta ” cegueira” quando lhe respondo com argumentos solidamente sustentados?

    A si lhe digo: pior cego é aquele que, como você, não quer ver.

    Sobre o ” Pecado Original” estamos conversados: Você acredita. Para mim é total obscenidade teológica.

    Quanto ao Inferno, Cristo falou quase sempre por parábolas, alegorias e metáforas.

    Também disse que, quem fizesse mal a uma criança, melhor seria que lhe atassem uma pedra ao pescoço e o deitassem ao fundo do mar. Aqui você também vai sustentar o quê? Que, segundo a Doutrina de Cristo, os pedófilos devem ser deitados ao fundo do mar?

    Sobre o Inferno, não acredito na sua literalidade, mas mero uso de imagem metafórica. Presumo que você tenha opinião alinhada pela Igreja Católica. Mas eu penso por mim, não sou refém do dogmatismo da ICAR. E não concebo um Deus bondoso a permitir que Seus próprios filhos ficassem eternamente num lugar infernal.

    Àcerca do Inferno, é preciso entender porque é que Cristo usou essa metáfora:

    “Geena refere-se ao vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém. Este vale era usado como depósito de lixo, onde se lançavam os cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais, e toda outra espécie de imundície. Usava-se enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. Jesus usou este vale como símbolo da destruição eterna.”

    Veja aqui:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Geena

    Cristo usou essa simbologia como usou muitas mais. E, sobre elas, seja na questão do Pecado Original, seja na de qualquer outra questão teológica, cada qual é livre de extrair interpretativamente as suas próprias ou alheias conclusões…

    Eu fico-me pelas minhas conclusões. Não abdico da minha liberdade de consciência…

    • MO

      Caro António,

      Ainda bem que citou o actual Papa mais atrás. A primazia da consciência é basilar na Igreja – mas trata-se de uma consciência cristã. A Igreja não lhe diz o que pensar, mas não pode pensar o que lhe apetecer – contrário à fé cristã, dos apóstolos – e fazer parte da Igreja, uma comunidade com laços.

      Respondo-lhe primeiro à questão do Inferno. Quer dizer, que acha que o que a Igreja defende é que o Inferno é um “lugar real”? Onde leu isso? O Inferno é uma condição: a do afastamento de Deus. Não é uma punição (mas pode ser vista como tal por nós, pelo menos no nosso estado actual). Somos nós que nos atiramos para essa situação, não Deus. E estamos sempre a tempo de a rectificar, de nos reconciliarmos com Cristo, através da comunidade que é a Igreja, através dos seus sacramentos.

      Fazendo eu parte duma ordem religiosa, é estranho que pense que não conheço a minha Igreja (que também é sua, quer queira quer não). Prefere ficar com as suas ideias feitas. Assim seja. Porque não continuou a ler em relação ao Baptismo? A Igreja não ensina que quem não foi baptizado não será salvo. Quem, por exemplo, sob o impulso da graça, sem conhecer Cristo e a Igreja (e poucos conhecem, mesmo baptizados, como o António exemplifica ao tomar como dogmáticas, essenciais, todas as frases do Catecismo…), e procure sinceramente a Deus e cumpra a sua vontade está a caminho da salvação – é o baptismo de desejo. O baptismo não é mágico, é um sinal sacramental no qual o celebrante (diácono, padre, bispo) reconhece a acção da graça e/ou os meios para o seu desenvolvimento (por si ou pelos pais). Acha que Deus está ao serviço da Igreja? A Igreja é que está ao serviço de Deus! Deus não precisa de autorização da Igreja para agir. A Igreja guia, ensina, transmite a Palavra, e celebra os Sacramentos. A Igreja aconselha/ensina o Baptismo como necessário porque abre um caminho seguro. Todas as outras situações, sejam não-baptizados adultos, sejam crianças estão entregues a Deus. Como todos estaremos, no limite.

      Quanto ao Pecado Original, não me respondeu… é que a sua concepção de pessoa e de passagem do pecado de geração para geração é inadequado (e não-cristão, lamento dizê-lo). Estamos todos ligados, em relação, como pessoas. O que fazemos tem impacto e gera efeitos nos outros. Tão simples como isso.

      Pax et bonum

      • antoniofernando

        Tentarei responder-lhe de forma esquematizada sintética porque hoje ainda não jantei. E nem só de debates teológicos vive o homem:

        1- Dê por adquirido que na minha consciência mando só eu. Não sou católico, não reconheço a autoridade papal. Dogmaticamente, encontro-me mais próximo do protestantismo, mas não em todos os pontos. Não me encontro adstrito a nenhuma igreja cristã. Reivindico-me cristão no sentido de que me reconheço na Doutrina de Cristo, tal como a interpreto autonomamente, sem estar dependente do critério final de outros mediadores. Isso não significa que não esteja atento ao que pensam os mais variados teólogos católicos e cristãos. Tenho em Agostinho da Silva e Teilhard de Chardin grandes referenciais do pensamento filosófico e religioso.Mas nada de nada em indivíduos mesquinhos como Tomás de Aquino,João Crisóstomo, Martinho Lutero ou Calvino. Todos eles homens tirânicos e instigadores da morte de hereges ou judeus.

        2- Nunca afirmei que o Inferno é um local físico, e conheço, a esse propósito, a posição equilibrada e sensata de João Paulo II. Não distorça as minhas palavras. Você deve saber que a Igreja Católica também afirma que o Céu é um local real. Não no sentido de um lugar físico mas de um local espiritualmente real. Não desconverse. Seja como for, a Igreja Católica tem sido complacente com as mais diversas evocações do Inferno como local físico, seja no caucionamento da suposta visão de irmã Lúcia, ou de irmã Faustina, ou de João Bosco ou de Afonso Maria de Ligório.

        Pode ver aqui:

        http://catholicatraditio.wordpress.com/tag/inferno/

        3- Quer você queira quer não, a Igreja Católica não é a minha igreja. É bom que se habitue a respeitar as decisões autónomas de quem ,como eu, segue o seu livre alvedrio.

        4- Quanto ao Baptismo, reconheço-lhe todo o humano direito de continuar a evocar e perfilhar o que entende. Mas eu não reconheço a menor validade no que,a esse propósito, afirma. O ecumenismo cristão faz-se na assunção das naturais divergências dogmáticas, não se faz certamente na unanimidade de entendimentos.

        5- Relativamente ao Pecado Original, estou farto de lhe responder, mas provavelmente não lê o que escrevo. Porém, renovo-lhe o que já disse, voltando a responder à sua questão:

        O Pecado Original é um disparate teológico, a acrescentar a tantos outros disparates que a Igreja Católica vem debitando, pensando que está a proclamar dogmas para imbecis. E o paroxismo desses disparates está precisamente no absurdo e caricato dogma de Virgindade Perpétua de Maria.

        Já disse e volto a reafirmar: a concepção do Pecado Original, tal como ela se firmou na Igreja Católica, emergiu de um pressuposto falso. Ou seja, da suposta realidade histórica de Adão e Eva enquanto nossos primeiros antepassados. Por isso é que , no catecismo da Igreja Católica, se fala em ” pecado pessoal” de Adão e Eva que, segundo a ICAR, teriam propagado a toda a Humanidade. Isto é uma inanidade em termos de conceptualização religiosa, do pior que se possa imaginar, mas em que você acredita.

        No fundo, com o seu discurso redondo e eufemístico, você acredita em todos os postulados teológicos da sua Igreja. E, como não quer ou não consegue pensar autonomamente para além do que os cânones lhe impõem, o seu discurso não sai do seu próprio círculo vicioso.

        Além do mais, a Igreja Católica nem se dá conta de outro absurdo, associado ao aventado sacramento do Baptismo: serve,em cada indivíduo, supostamente para a remissão do Pecado Original. Mas, não obstante essa alegada remissão, continua em dinâmica disseminação ” per secula et seculorum”.

        Por favor, poupe-me a estas bizarrias esquizofrénicas,disfarçadas de teologia do mais “elevado “suporte intelectual…

  • antoniofernando

    “Donde tirou a ideia de que a Igreja defende que quem não for baptizado está destinado ao Inferno? Como pode dizer que segue a doutrina de Cristo se rejeita o Inferno, de que ele falou? Sabe a que é que corresponde o conceito teológico de Inferno?

    “Fico perplexo. O António acha que os pecados dos nossos antepassados não nos moldam, não nos afectam, que somos naturalmente imunes a eles, que não nascemos no meio da história humana, com muito para trás. É espantosa a sua cegueira. Esqueça os dogmas, esqueça a Igreja – olhe apenas à sua volta, abra um livro de História – não vê ainda os efeitos dos pecados das gerações anteriores, não os vê repetidos nas gerações contemporâneas?”

    MO

    Pode ficar perplexo à vontade que eu também fiquei perplexo e escandalizado quando me apercebi que a Igreja Católica admitia, como ainda acontece, embora em circunstâncias excepcionais, a ignóbil pena de morte, no seu catecismo. Para a ICAR a vida é só semi-sagrada. No caso do aborto é sagrada. No caso da pena de morte, já não é sagrada. A mesma esquizofrenia teológica a dar cartas.

    Tudo o que exactamente não tem a ver com o mandamento de Deus “ Não Matarás” e a Doutrina bondosa de Cristo.

    “Donde tirou a ideia de que a Igreja defende que quem não for baptizado está destinado ao Inferno? Como pode dizer que segue a doutrina de Cristo se rejeita o Inferno, de que ele falou? Sabe a que é que corresponde o conceito teológico de Inferno?”

    Você mostra desconhecer pontos basilares da sua própria Igreja, ignorando que a Fé Católica Romana professa ser indispensável o baptismo para a salvação. E, pelos vistos, também ignora que a hipótese teológica Limbo Infantil visava precisamente não tornar ainda mais infame a suposta ida das crianças não baptizadas para o Inferno. Mas para uma ” zona celestial intermédia” chamada Limbo. Quando se trata de remendar a sua teologia, a ICAR mostra ser deveras inventiva. Liga tudo até as temáticas mais inconciliáveis.

    Veja aqui:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Batismo

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Limbo

    Veja também aqui se ainda tiver dúvidas:

    “O Baptismo é necessário para a salvação daqueles a quem foi anunciado o Evangelho e que têm a possibilidade de pedir este sacramento.” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, nº 261)

    Ainda tem dúvidas?

    Espantosa a minha suposta ” cegueira” quando lhe respondo com argumentos solidamente sustentados?

    A si lhe digo: pior cego é aquele que, como você, não quer ver.

    Sobre o ” Pecado Original” estamos conversados: Você acredita. Para mim é total obscenidade teológica.

    Quanto ao Inferno, Cristo falou quase sempre por parábolas, alegorias e metáforas.

    Também disse que, quem fizesse mal a uma criança, melhor seria que lhe atassem uma pedra ao pescoço e o deitassem ao fundo do mar. Aqui você também vai sustentar o quê? Que, segundo a Doutrina de Cristo, os pedófilos devem ser deitados ao fundo do mar?

    Sobre o Inferno, não acredito na sua literalidade, mas mero uso de imagem metafórica. Presumo que você tenha opinião alinhada pela Igreja Católica. Mas eu penso por mim, não sou refém do dogmatismo da ICAR. E não concebo um Deus bondoso a permitir que Seus próprios filhos ficassem eternamente num lugar infernal.

    Àcerca do Inferno, é preciso entender porque é que Cristo usou essa metáfora:

    “Geena refere-se ao vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém. Este vale era usado como depósito de lixo, onde se lançavam os cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais, e toda outra espécie de imundície. Usava-se enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. Jesus usou este vale como símbolo da destruição eterna.”

    Veja aqui:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Geena

    Cristo usou essa simbologia como usou muitas mais. E, sobre elas, seja na questão do Pecado Original, seja na de qualquer outra questão teológica, cada qual é livre de extrair interpretativamente as suas próprias ou alheias conclusões…

    Eu fico-me pelas minhas conclusões. Não abdico da minha liberdade de consciência…

  • antoniofernando

    Um pouco mais de Baptismo, retirado do Catecismo da Igreja Católica:

    1-Pelo Baptismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus( 1213);

    2-Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Baptismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus.Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento ( 1250)

    3-O próprio Senhor afirma que o Baptismo é necessário para a salvação ( 1257)

    4-Quanto às crianças que morrem sem Baptismo, a Igreja não pode senão confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito do respectivo funeral. De facto, a grande misericórdia de Deus, «que quer que todos os homens se salvem» (1 Tm 2, 4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que O levou a dizer: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis» (Mc 10, 14), permitem-nos esperar que haja um caminho de salvação para as crianças que morrem sem Baptismo. ( 1261)

    5-Pelo Baptismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas devidas ao pecado (61). Com efeito, naqueles que foram regenerados, nada resta que os possa impedir de entrar no Reino de Deus: nem o pecado de Adão, nem o pecado pessoal, nem as consequências do pecado, das quais a mais grave é a separação de Deus. ( 1263)

    http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1210-1419_po.html

    Ficamos assim a saber:

    a) Que, segundo a ICAR, só somos filhos de Deus se baptizados na Igreja Católica Apostólica e Romana. Se assim não for, será que ao menos somos enteados ?

    b) Que, segundo a mesma Igreja, o Baptismo é essencial para a Salvação, ou seja, para se poder alcançar o Céu;

    c) Quem morrer sem ser baptizado, não alcança o Céu. Várias hipóteses escatológicas ficam em aberto. Qual delas será ?:

    c-1) Inferno ?

    c-2) Purgatório ?

    c-3 ) Limbo Infantil

    Purgatório não poderá ser:

    “Purgatório é a condição e processo de purificação ou castigo temporário[1] em que as almas daqueles que morrem em estado de graça são preparadas para o reino dos céus.”

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Purgat%C3%B3rio

    Então que residual remanesce ?:

    O Inferno claro. E fica sempre em aberto a hipótese do Limbo Infantil.

    Que “bela” doutrina não é ?…

    • MO

      Não quer ler com atenção.

      Por exemplo: releia 1- e a) O texto fala em “regeneração como filhos de Deus” o que pressupõe que já o eram, como todos somos. O António escreve que a Igreja considera que só “somos filhos de Deus se formos baptizados”! O resto está ao mesmo nível. Enfim, apesar das nossas discordâncias (nomeadamente em relação ao uso da pena de morte como legítima defesa) esperava de si mais disponibilidade e mais rigor.

      E sim, creio em todos os dogmas da Igreja. A minha fé é a fé dos apóstolos (se conseguisse ver e ler também o veria). Diz que é “autonomamente” que interpreta textos que já nasceram dentro da Igreja (todos os dos NT), sem precisar de considerar a memória da Igreja, a sua tradição, as suas raízes. Atente na contradição.

      A Igreja estará sempre de portas abertas para si e para todos.

      Pax et bonum

      • antoniofernando

        ” uso de pena de morte como legítima defesa”

        ” Pena de morte” e ” legítima defesa” são conceitos completamente diferentes.

        Este é o ponto do Catecismo da ICAR que admite a pena de morte:

        “§2267 O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de com provadas cabalmente a identidade e a responsabilidade de culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto.

        Se os meios incruentos bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a ordem pública e a segurança das pessoas, a autoridade se limitará a esses meios, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana.”

        Pena de morte é a sanção punitiva aplicada por um estado , que nada tem a ver com a legítima defesa dos cidadãos perante ameaças sérias à sua vida.

        Mas mais uma vez, a Igreja Católica vem confundir hipocritamente conceitos para tentar justificar o injustificável.

        Uma igreja que quisesse ser digna de Cristo deveria afirmar, de forma clara e insofismavelmente,que é totalmente contrária à pena de morte, seguindo o exemplo da Comunidade de Santo Egídio:

        http://www.santegidio.org/index.php?&idLng=1066

        Mas como há muitos países ditos cristãos que ainda aplicam a pena de morte, a Igreja Católica teve que arranjar mais um ” remendo” dogmático no princípio de que toda a vida é sagrada.

        Nunca nos meus piores pesadelos de criança admiti que alguma vez,em adulto, pudesse ver uma qualquer igreja cristã a aceitar a pena de morte.

        Uma total vergonha e que desonra a morte de Cristo, sentenciado à pena capital…

        • MO

          Já falámos sobre isto… “Pena de morte” e “legítima defesa” são conceitos diferentes, mas compatíveis. Demorei algum tempo a entender. (E não, a Igreja não sanciona pura e simplesmente a aplicação desta pena, apenas distingue um caso em que é moralmente aceitável aplicá-la.)

          As ordens Franciscanas têm estado sempre à frente na luta contra a pena de morte. Como faço parte de uma (secular, OFS), perguntei uma vez a um frade o porquê desta posição contida no Catecismo. Depois de me explicar que não tinha que concordar, porque não fazia parte do núcleo da fé e da moral cristãs, continuei sem perceber se aceitava a posição. Disse-me que sim e depois explicou-me. Fiquei convencido, mas não estava… porque nunca tinha considerado tal caso. O caso excepcional tem a ver com o dever no Estado em defender os seus cidadãos e em colocá-los fora de perigo: é o caso do assaltante que está disposto a matar reféns, no qual o Estado (através de um comandante) decide dar uma ordem a um atirador para o liquidar, condenando-o assim à morte.

          Pax et bonum

      • antoniofernando

        “A minha fé é a fé dos apóstolos (se conseguisse ver e ler também o veria). Diz que é “autonomamente” que interpreta textos que já nasceram dentro da Igreja (todos os dos NT), sem precisar de considerar a memória da Igreja, a sua tradição, as suas raízes. Atente na contradição.”

        MO

        Não há contradição nenhuma. Se o Evangelho não fosse susceptível de ser interpretado de formas diferentes não existiriam outras igrejas cristãs, como é o caso da Protestante ou da Ortodoxa, que possuem dogmáticas não coincidentes com a da ICAR. A Igreja Católica Apostólica Romana é apenas mais uma entre várias igrejas cristãs e a todos os cristãos é legítimo aderir às interpretações da Bíblia ou do Evangelho que entenderem mais correctas…

        • MO

          A Igreja já existia antes dos Evangelhos terem sido escritos. É por isso que eles por si não bastam, porque eles emergiram de uma comunidade unida que permanece até hoje. Quem decide o que é mais correcto na interpretação? Como o decide? Só tomando em conta a memória da Igreja, isto é, a sua tradição.

          Não há Igreja Protestantes, há comunidades eclesiásticas protestantes. Mas há Igreja Ortodoxa, que é apostólica e tem os mesmos sacramentos que a Católica. Depois de todas as declarações que esclareceram mal-entendidos, só há discordância entre a dogmática Católica e Ortodoxa num ponto: a primazia do Bispo de Roma.

          Pax et bonum

        • MO

          A Igreja já existia antes dos Evangelhos terem sido escritos. É por isso que eles por si não bastam, porque eles emergiram de uma comunidade unida que permanece até hoje. Quem decide o que é mais correcto na interpretação? Como o decide? Só tomando em conta a memória da Igreja, isto é, a sua tradição.

          Não há Igreja Protestantes, há comunidades eclesiásticas protestantes. Mas há Igreja Ortodoxa, que é apostólica e tem os mesmos sacramentos que a Católica. Depois de todas as declarações que esclareceram mal-entendidos, só há discordância entre a dogmática Católica e Ortodoxa num ponto: a primazia do Bispo de Roma.

          Pax et bonum

  • antoniofernando

    1- Estamos nas mesmas circunstâncias. Total equanimidade analítica e avaliadora,de parte a parte. Também eu, confesso, esperava de si muita mais cultura teológica e desenvoltura intelectual. Lamentável da sua parte o desconhecimento de uma questão tão basilar, no âmbito da dogmática católica, de que o Baptismo é sacramento essencial para a Salvação. E que aqueles que morrerem sem serem baptizados, só têm um caminho escatológico certo: o Inferno. O Limbo fica como mera hipótese infantil.

    2 -“O António escreve que a Igreja considera que só “somos filhos de Deus se formos baptizados”

    Escrevo e reafirmo:

    “Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento ”

    3- Dispenso também esse seu tom altaneiro, que até considero ofensivo, depois de, repetidamente,lhe ter dito que em boa honra rompi com a Igreja Católica:

    ” a Igreja estará sempre de portas abertas para si e para todos”

    Repito-lhe: poupe-me a esse tipo de discurso proselitista.

    E não se coloque nessa prosápia discursiva de quem não se revê na dogmática da Igreja Católica está de má-fé.

    Um pouco de Humildade para quem é adepto de uma igreja cristã que tanto apregoa essa virtude não lhe ficava nada mal…

  • antoniofernando

    1- Estamos nas mesmas circunstâncias. Total equanimidade analítica e avaliadora,de parte a parte. Também eu, confesso, esperava de si muita mais cultura teológica e desenvoltura intelectual. Lamentável da sua parte o desconhecimento de uma questão tão basilar, no âmbito da dogmática católica, de que o Baptismo é sacramento essencial para a Salvação. E que aqueles que morrerem sem serem baptizados, só têm um caminho escatológico certo: o Inferno. O Limbo fica como mera hipótese infantil.

    2 -“O António escreve que a Igreja considera que só “somos filhos de Deus se formos baptizados”

    Escrevo e reafirmo:

    “Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento ”

    3- Dispenso também esse seu tom altaneiro, que até considero ofensivo, depois de, repetidamente,lhe ter dito que em boa honra rompi com a Igreja Católica:

    ” a Igreja estará sempre de portas abertas para si e para todos”

    Repito-lhe: poupe-me a esse tipo de discurso proselitista.

    E não se coloque nessa prosápia discursiva de quem não se revê na dogmática da Igreja Católica está de má-fé.

    Um pouco de Humildade para quem é adepto de uma igreja cristã que tanto apregoa essa virtude não lhe ficava nada mal…

    • MO

      Podía repetir a pergunta sendo mais explícito: Donde tirou a ideia de que a Igreja defende que quem não for baptizado (formalmente) está destinado ao Inferno? É que insiste em definir as coisas por si, ignorando o sentido do baptismo (de renascimento, nascimento para uma nova vida, conversão) que pode são ser confirmado formalmente – mais uma vez, o “baptismo de desejo”. A minha mulher não é baptizada formalmente e é uma cristã exemplar. Não temo por ela.

      É como a questão do Pecado Original. O António (numa atitude muito protestante) acha que percebe melhor a doutrina do que a Igreja. Acha que tem a ver com responsabilidade pelos pecados dos nossos antepassados quando tem a ver com o seu efeito.

      Tenha um santo Natal.

      Pax et bonum

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