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  • 28 de Novembro, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • AAP

Carta de um leitor

Concordo totalmente com o teor do comunicado.

Há anos fui obrigado pelos meus médicos a fazer duas operações num hospital de uma ordem religiosa. Em ambos os casos fui assediado por padres, monges e freiras quando, antes e depois das intervenções, me achava mais fragilizado e dependente e sem capacidade de recusar o “serviço”.

Numa ocasião, já tonto dos medicamentos, tive de aturar a ladainha melosa duma freira, falsamente caridosa, no momento da perda de consciência! A mulher injectava-me enquanto praticava o seu autoritarismo religoso intolerável. Para todos é desleal e destrutivo. mas o que será para idosos e pessoas muito doentes, em grande desespero, religiosas ou não…?

Há dias fui fazer exames a mais um desses hospitais. A qualidade dos serviços foi péssima, nas relações humanas, na pontualidade e na eficácia dos serviços prestados! Tudo o menos “cristão” possível!

Além disso as instalações, de qualidade arquitectónica (funcionalidade e estética) mais ou menos aceitáveis, continham por todo o lado “obras de arte” (feitas por curiosos) e reproduções de imagens religiosas totalmente descabidas e do mais baixo nível artístico!
Que pensarão os crentes de outras religiosas e os ateus obrigados a utilizarem este “serviço público”?

Localiza-se no centro de Lisboa. O que será nos hospitais “religiosos” da província?

É tempo de o Estado deixar de subsidiar e dar lucro à Igreja Católica alienando-lhe parte do serviço público de saúde, só porque na nossa História passada os descobrimentos, o colonialismo e a pobreza do país deram origem a ordens religiosas de caridade que prestavam, com utilidade nas épocas passadas, os serviços de saúde.

O Estado não deve apoiar a extrema riqueza da Igreja Católica, um dos maiores ou o maior proprietário fundiário  e empresário do país!
Assiste-se à paulatina destruição da organização moderna da sociedade que a revolução liberal de há dois séculos e as reformas do Estado Novo (até esse!) e da democracia do 25 de Abril proporcionaram ao povo português à custa de muita luta e perda de vidas!
Em todos os sectores, em especial no ensino e na saúde a um grave retrocesso civilizacional, muitas vezes da responsabilidade de pessoas que se dizem “socialistas” e que praticam, aproveitando-se do desnorte dos partidos políticos com ideologias de progresso, para praticar a mais vergonhosa política conservadora e de regresso ao passado!

É o caso do últimos ministros da Saúde e da Educação (no caso das mulheres-ministro ainda é mais grave!).

Saudações ateístas,

a) leitor devidamente identificado. (cf)

39 thoughts on “Carta de um leitor”
  • antoniofernando

    “Há anos fui obrigado pelos meus médicos a fazer duas operações num hospital de uma ordem religiosa. ”

    E apontaram-lhe uma arma à cabeça ?…

  • Danielbeato

    Os amigos do avental não fundam hospitais é? Coitadinhos….não tem dinheiro?

  • B806033

    De facto, é de uma incoerência grosseira. Obrigado porquê? Se acha a abordagem ofensiva não ia lá na segunda operação. Ou será que os seus ideais são colocados de lado em horas de aperto?
    E quanto à riqueza… triste é ver um Estado que recebe o nosso dinheiro e o gasta em coisas que nã olembram a ninguém. Falam em austeridade e logo a seguir renovam a frota de carros ou decretam dispensas para não serem afectados pelos cortes salariais. Ao invés, a “poderosa e rica” Igreja tem feito imensas campanhas de ajuda aos mais necessitados e muitos cristão dão o corpo ao manifesto (basta ver o trabalho da Caritas). Ou então os “chorudos” ordenados dos padres, entre 600-900 euros, que são oferecidos, em conjunto com tantos outros donativos, para ajuda dos mais necessitados. Quem daqui já doou um salário levante a mão! Não ver o que é óbvio é sinal de pouca inteligência.

    • Anónimo

      Caríssimo B806033:Há um aspecto no seu comentário que exige frontalidade. Não, não doei um salário, nem posso doar. A sua comparação foi totalmente descabida, o seu raciocino imponderado e tendencioso. Tenha em atenção que os padres não pagam rendas de casa, porque moram em residências paroquiais. Alguns até têm rendimentos particulares exteriores ao seu ofício eclesiástico. Os padres não têm encargos com educação e saúde de filhos, por motivos que conhece. Normalmente não me batem à porta para me oferecerem comida que me permitiria dispensar muitas das compras que tenho de fazer no supermercado ou, também, por vezes, medicamentos para curar ou atenuar determinada maleita, etc. etc…Isto foi uma simples ressalva de uma realidade, muitas mais serão similares, mas há que ter noção, e pensar antes de escrever, porque uns dão mais à vontade quando outros não podem dar consoante a sua vontade…Cumprimentos.

      • B806033

        Caríssimo jovem.
        Tendencioso? Chamar as coisas pelo nome é ser tendencioso?
        Como claramente não conhece a realidade, vou procurar esclarecer alguns pontos.
        1. Nem todos os padres são párocos. Mesmo os que são párocos pagam uma contribuição à paróquia e pagam as suas despesas de alimentação, gasolina, etc. Muitos outros, como as paróquias são pobres, pagam do seu dinheiro para que as coisas andem para a frente (telefone, material de escritório, etc). Depois há ainda uma considerável parte que não é pároco e, portanto, paga as suas despesas todas, incluindo rendas de casa. E sendo que os têm ordenado fixo (porque a maior parte não têm) andam pelos 600-800 euros, tirando todas as despesas ainda assim dão do seu dinheiro para ajudar outros.
        2. Que eu saiba nem todos são casados ou têm filhos para cuidar.
        3. É bem possível que não lhe têm batido à parte. Mas experimente ir ao encontro deles e dizer-lhe que precisa de ajuda e verá o resultado. Certamente depois bater-lhe-ão à porta ou os muitos colaboradores voluntários.
        4. Tendencioso está a ser o senhor ao não fazer justiça ao trabalho que é feito pela igreja, pelos padres e por tantos voluntários cristãos. Fale do que quiser, mas ao nível da caridade e solidariedade social pense muito bem antes de apontar o dedo à Igreja. Penso nos lares, centros de dia, serviço ao domicilio, creches, infantários, hospitais e tanta outra coisa da Igreja. E estão a fazer um trabalho que, em primeiro lugar, pertence ao Estado.

        Cumprimentos.

        • Anónimo

          Caríssimo B806033:Vamos esclarecer algumas ideias para que não haja qualquer mal-entendido:1. Uma contribuição não é uma renda, muito menos resultado de um contrato com responsabilidades legais ou de valor fixo e indexado às taxas em vigor. Escrevi padres num sentido lato porque nem todos são párocos como bem escreveu, mas há aqueles que pertencem a congregações religiosas, os quais, volto a assinalar, como os outros, não pagam a renda de uma habitação a um senhorio ou a um banco (claro, se optar por manter uma vida particular à parte da comunidade religiosa, sujeita-se às disponibilidades da congregação ou que ter ou encontrar uma habitação própria). Não escrevi que os padres não pagavam despesas com alimentação, gasolina, etc., mas apontei que há alguns padres que beneficiam de várias doações. Importa também assinalar que há padres que dão dinheiro para ajudar outros e há padres que compram BMW’s X5 (cada padre sabe de si)…2. Eu não estava a referir-me aos padres, mas aos outros que você confrontou com o desafio “Quem daqui já doou um salário levante a mão!”. Foi esta imponderação que motivou o meu comentário, porque claramente considerou que as outras pessoas têm a vida e condições de muitos padres…3. Não percebeu, o bater à minha porta seria para oferecerem-me alimentos, medicamentos, roupas, etc., o que não acontece, como ainda acontece com alguns padres, que recebem esses elementos e não precisam de despender tanto dinheiro como outros têm de despender.4. Não seja tendencioso, a solidariedade em Portugal, bem como no mundo, não é monopólio de cristãos ou de qualquer outra ideologia religiosa ou religião. Se reparar não comentei anteriormente nada em relação a esses aspectos, foi você que agora relacionou essa ideia com a minha pessoa. Repare bem se não foi tendencioso no seu comentário, quando falou em lares, centros de dia, serviços ao domicilio, creches, infantários, hospitais e desligou essa realidade da acção do Estado e, sobretudo, do apoio financeiro que o Estado português concede anualmente às IPSS, bem como para projectos pontuais, sem esquecer as isenções fiscais que garante, possibilitando um desafogo que doutra maneira não haveria para levar a cabo muitas obras ou iniciativas. Termino o comentário destacando que em Portugal estão a realizar-se muitas acções, várias meritórias, mas o grande motor da mobilização pró-social/educativa/médica no nosso país é o Estado.Cumprimentos.

        • Anónimo

          MEU CARO

          O PADRE MELÍCIAS SERVE-LHE DE EXEMPLO? SABE QUAL É A SUA REFORMA?

          JÁ AGORA… QUEM CONTROLA AS DÁDIVAS DAS ESMOLAS..O PADRE DA PARÓQUIA, NO SEU RECATO?
          PORQUE SERÁ QUE A CONTABILIDADE DA IGREJA CONTINUA A FUGIR AO FISCO?

  • Anónimo

    Estou com um inchaço numa perna, vou pedir a assistência espiritual duma freira para me tirar o inchaço.

  • antoniofernando

    a)”Há anos fui obrigado pelos meus médicos a fazer duas operações num hospital de uma ordem religiosa. Em ambos os casos fui assediado por padres, monges e freiras quando, antes e depois das intervenções, me achava mais fragilizado e dependente e sem capacidade de recusar o “serviço”;

    b)”Há dias fui fazer exames a mais um desses hospitais. A qualidade dos serviços foi péssima, nas relações humanas, na pontualidade e na eficácia dos serviços prestados! Tudo o menos “cristão” possível!”

    O homem será masoquista ?…

    http://www.youtube.com/watch?v=g0reAf0E1rA

  • antoniofernando

    “Há anos fui obrigado pelos meus médicos a fazer duas operações num hospital de uma ordem religiosa. Em ambos os casos fui assediado por padres, monges e freiras quando, antes e depois das intervenções, me achava mais fragilizado e dependente e sem capacidade de recusar o “serviço”.

    O homem foi-se pôr a jeito por duas vezes, para ser assediado,o que é que ele queria: padres,monges e freiras ?

    E ainda foi lá uma terceira,há dias, para fazer mais exames. À próstata ?

    http://www.youtube.com/watch?v=qGip0ec1haw

    • JoaoC

      Não deixando de criticar o péwssimo atendimento a que se assiste em muitas instituições de saúde – trabalho numa e sei como é – religiosas ou não…mas…

      …com muitas “vítimas” – coitadas – acontece o mesmo. Põem-se a jeito e depois vão gritar por todo o lado que lhes fizeram muito mal….

      Ora pois…

      E ainda não percebi em que rezar por uma pessoa pode ser mal-encarado! Só vejo uma coisa aí: mal-agradecidos e ponto final.

      Quem sabe um dia agradecerão. No Juízo Final.

  • MO

    Por aqui se vê como é ténue o humanismo de alguns ateus…

    A maior parte dos portugueses é crente, é cristão – embora muitos não ponham os pés na igreja. Qualquer médico de profissão sabe que a fé (e a esperança que dela nasce) é positiva e, nalguns casos decisiva, na melhoria de saúde dos crentes. Mas o Carlos e a AAP acha que os ateus não têm que pagar para que o estado garanta esse tipo de assistência benéfica. Porquê? Porque acham uma treta e um insulto contra o bom senso (juízo sobre as crenças dos outros), porque se sentem importunados (juízo demasiado pessoal), porque dizem que não há separação entre o estado e a Igreja (juízo ignorante – porque, de facto, se não houvesse separação não era necessário pagar pelo serviço). E as pessoas, os seres humanos que beneficiam desta assistência, entram nos cálculos destes ateus? Não. É de facto um humanismo estranhíssimo…

    Pax et bonum

    • Anónimo

      Sim e diga-me lá se a pessoa for judeu? O estado vai comparticipar o pagamento de um rabino para assistência espiritual? E se for um islâmico, vamos pagar um xeque para fazer a assistência espiritual? E se for um budista? Vamos pagar um monge para fazer a assistência? E se for de outra seita cristã? E se for da cientologia? E se for um africano zulu??
      E se for um animisma? Vamos pagar uns painéis para reflectir raios de Deus-sol para o paciente?

      OU somos um estado de Direito, laico e democrático onde todos são iguais ou não somos?

      Mas não os ateus é que são os insensíveis, os culpados da crise, os infiéis, os renegados, os extremistas….

      • JoaoC

        “Mas não os ateus é que são os insensíveis, os culpados da crise, os infiéis, os renegados, os extremistas….”

        Basicamente disseste tudo em poucas palavras…

        • JoaoC

          Corrigindo: Não os ateus, mas o ateísmo. Sendo o maior mal da Humanidade, o mais perto de diabólico que a Humanidade conseguiu inventar e, assim, a causa de todos os outros males – naturais e sobrenaturais, como não ver nele uma culpa?

          “Tempos virão em que os homens não suportarão ouvir a Doutrina da Salvação” (São Paulo)

          Eis os tempos.

          Eis o vosso curto tempo.

          • Anónimo

            Se o ateísmo é o maior mal da humanidade porque andas constantemente no D.A?

          • JoaoC

            Deves ter perto os amigos e os inimigos ainda mais perto.”

            Já ouviste dizer?

      • JoaoC

        Isto era muito simples…

        Deve sim, haver uma religião oficial., no nosso caso, a Religião Católica, por muito que doesse e fizesse espumar os grupinhos minoritários que fazem as birrinhas e o (pouco) barulho do costume.

        Quem não a professar paciência….ou a recusa ou terá que arranjar por conta própria…

        Ou agora temos de agradar a gregos e a troianos??

        basta de serem as minorias a ditarem o que se deve ou não implementar (já chega a vitória demoníaca recente da aprovação para que se chame “casamento” aos emparelhamentos gays…)

        • Anónimo

          Vai dizer isso aos cristãos que moram no Iraque…

          • JoaoC

            O Iraque, bem como muitos países, tem de ser evangelizado. Ponto.

            É a Cristandade que deve prevalecer no mundo, ou seja, a Verdade. É Cristo que tem de reinar e não o pedófilo guardador de camelos ou os deuses presentes na natureza.

            É a verdade que tem de ser anunciada ao mundo.

            E a mentira do Islão tem de ser denunciada, tal como essa falsa religião satânica, para que esses povos se convertam e sejam salvos.

            Até lá…Até haver Cristãos com tomates para evangelizarem esses povos e defenderem o que é seu – leia-se Europa e particularmente Portugal – da influência maligna islamita… Infelizmente muitos terão que sofrer…

          • Anónimo

            Nunca mais perderei o meu tempo a responder aos seus comentários pois você é um atrasado mental, sem nenhuma coerência de discurso e com ideias extremistas de séculos passados.

            Não me leve mal não o insultei apenas disse o que parece ser verdade…

          • MO

            Em português:

            NOSTRA AETATE

            Duas citações:

            “A Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia, reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens.” (2)

            “Não podemos, porém, invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem. De tal maneira estão ligadas a relação do homem a Deus Pai e a sua relação aos outros homens seus irmãos, que a Escritura afirma: «quem não ama, não conhece a Deus» (1 Jo. 4,8).
            Carece, portanto, de fundamento toda a teoria ou modo de proceder que introduza entre homem e homem ou entre povo e povo qualquer discriminação quanto à dignidade humana e aos direitos que dela derivam.
            A Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito de Cristo, toda e qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor, condição ou religião. Consequentemente, o sagrado Concílio, seguindo os exemplos dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, pede ardentemente aos cristãos que, «observando uma boa conduta no meio dos homens. (1 Ped. 2,12), se ‚ possível, tenham paz com todos os homens (14), quanto deles depende, de modo que sejam na verdade filhos do Pai que está nos céus (15).” (5)

            Pax et bonum

          • MO

            Já leu “Nostra Aetate”, acerca do modo como a Igreja olha para as outras grandes religiões fora do Cristianismo (Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, e Islão) – e também para a verdade dessas tradições religiosas.

            Penso que devia ler, para abandonar esse discurso que fere Cristo:

            NOSTRA AETATE

            Pax tt bonum

          • JoaoC

            MO. Sim já li.

            Só uma pergunta:

            Jesus – sim O mesmo que disse “amai-vos uns aos outros como Eu vou amei” – disse “Ide e ensinai todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”?

            Ou disse:

            “Ide e dialogai, respeitai cada crença, e não se importem com a conversão dos homens à Minha Igreja”?

            Agora fiquei com dúvidas…

            Acha que ofendo Cristo, quando desejo que todos os povos se convertam à Sua Igreja e abandonem a iniquidade das falsas religiões?

            O que há de “bom” nessas “religiões” é pura e simplesmente humano. É o respeito humano, é a paz humana, é a compreensão…sem dúvida que é bom, mas..até um ateu consegue ser assim!

            O que há de “bom” na Igreja Católica é humano e divino, porque divina é a sua origem.

            Como queremos ser pescadores de homens, fiéis à Barca de Pedro, se deixamos o ardume fugir para outras barcas que, apesar de “boas”, apenas o são humanamente? É óbvio que não é preciso um documento oficial da Igreja a dizer que nos devemos respeitar, que não devemos ferir a dignidade humana e individual de qualquer um. fazer isso é ser humano.

            E agora? Por causa disso, vou deixar de desejar a conversão dos pecadores, dos infiéis ou dos afastados? É desejar-lhes mal?

            Como podemos ser discípulos de Jesus se não chamamos os homens a Si, à Sua Igreja?

            Acha que desejar a conversão dos povos a Cristo é uma ofensa a Ele?

            Sinceramente…não percebo onde quer chegar com essa da NOSTRA AETATE!

            (Já agora…essa declaração invalida todo o magistério da Igreja de há 2.000 anos, inclusive o dogma “Fora da Igreja não há salvação”?

          • MO

            Está um pouco confuso. O que é “bom” nessas religiões é meramente humano? Mas então não acredita que o ser humano entregue a ele próprio, sem aceitar a graça de Deus, está condenado ao pecado e à auto-destruição?

            Os termos em fala (e tem falado…) do Islão são incompatíveis com “Nostra Aetate”, uma declaração de um Santo Concílio. Tão simples como isto.

            A conversão não se força (como muito aconteceu ao longo da história da Igreja, infelizmente) ou não é verdadeira conversão. Tem de ser desejada por quem se converte. Evangelizar deve ser apenas isto: dar o melhor testemunho possível do que é ser cristão. Pense nisto e no modo como age.

            Quanto ao “extra Ecclesiam nulla salus” (fora da Igreja não há salvação) é uma doutrina importante, porque tem a ver com a centralidade da Igreja, mas tem sido articulada hoje de uma forma não exclusiva, mas inclusiva (a Igreja está onde não parece visível, tal como Cristo). É por isso possível ler em “Dominus Iesus”, declaração publicada em 2000: “Para aqueles que não são formal e visivelmente membros da Igreja, «a salvação de Cristo torna-se acessível em virtude de uma graça que, embora dotada de uma misteriosa relação com a Igreja, todavia não os introduz formalmente nela, mas ilumina convenientemente a sua situação interior e ambiental. Esta graça provém de Cristo, é fruto do seu sacrifício e é comunicada pelo Espírito Santo ».” (20)

            Pax et bonum

          • JoaoC

            “Mas então não acredita que o ser humano entregue a ele próprio, sem aceitar a graça de Deus, está condenado ao pecado e à auto-destruição?”

            Não, não acredito. O Homem nada pode por si mesmo. Muito menos salvar-se. A salvação não se conquista por méritos pessoais, mas pela graça de Deus.

            E claro, a conversão não se força, obviamente. Nunca disse isso.

            Mas volto a perguntar: Jesus disse “Ide e ensinai todas as nações” ou disse “Ide e conversai uns com os outros, troquem impressões e aproveitem o que há de bom nas restantes crenças”?

            (já sei que não vamos passar disto, mas pronto…:))

          • MO

            Cada vez que algum ateu do DA, tão desconhecedores da fé cristã e da Igreja, escreve e dialoga consigo, mantenha a elevação, mantenha o amor a TODA a humanidade (chama-se a isso caridade, o conceito de amor cristão, como sabe). Com esse gesto ensina muito… Muito mais do que agindo de outra forma.

            Penso que se refere ao “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,” (na tradução correcta) que é um dos versículos fecha S. Mateus. A isso se chama Missão Universal. Jesus não quer dizer que todos serão seus discípulos, mas que de todos os povos podem vir discípulos e futuros baptizados. O que se afirma aqui é a universalidade do Cristianismo (o carácter católico do Cristianismo, se quiser!), que não está limitado a um povo como acontece no Judaísmo.

            Pax et bonum

          • JoaoC

            “Cada vez que algum ateu do DA, tão desconhecedores da fé cristã e da Igreja, escreve e dialoga consigo, mantenha a elevação”.

            Mantenho, quando devo. Quando,de facto, é só ignorância. O que, na maior parte das vezes, não é o caso, e lamento se não consigo engolir o que leio. Não suporto de todo a ideia de pessoas menos esclarecidas caírem na esparrela da mentira, pq como sabe, “os filhos das trevas são maus espertos que os da luz”.

            É certo que me excedo ás vezes. Lamento, mas não consigo. Prefiro que me chamem os piores nomes, que me excluam dos comentários, que me batam à porta, do que blasfemem contra Deus ou contra Sua Mãe ou contra o Sagrado.

            “Jesus não quer dizer que todos serão seus discípulos, mas que de todos os povos podem vir discípulos e futuros baptizados.”

            Claro que nem todos serão Seus discípulos. Mas como serão, se não O conhecem? Nem a Ele nem à Sua Igreja? Se continuamos, em nome de respeitos humanos, a não O anunciar, a não O fazer conhecer? Haverá maior bem que ser filho da Igreja, que ser filho de Deus? Haverá maior bem que o Céu? Haverá portanto, maior bem a desejar que não seja a conversão à Igreja de Cristo?

            E como, se não evangelizamos, por palavras e, sobretudo, por testemunhos?

            Mas é testemunho exclusivo de um cristão apenas o “amar”? (nos moldes românticos que o mundo apresenta o amor hoje em dia). Simples de mais. qualquer pessoa o faz.

            É testemunho exclusivo de um cristão o “perdoar sempre”? Não necessariamente.

            Há uma série de atitudes que são como que deveres humanos só. O amar o outro, o respeitar, etc etc etc…

            Isso são méritos nossos. Suficientes para nos salvar-mos? Não.

            Como disse, ninguém é auto-suficiente. Ninguém se salva a si mesmo, só pelo amor ou pela caridade puramente humana.
            É Deus que nos salva quando servimos a Deus primeiro e, por Ele, aos outros.
            É Deus que nos conhece e que nos há-de julgar.
            É Ele que o Sumo Bem.
            É o que continuo a desejar de todo o meu coração – para bem – para o maior bem dos povos – a conversão de todos eles à Igreja Católica, Apostólica e Romana.

            Não gerada pela força. Mas rezando e dando testemunho através das obras e da Fé (uma sem a outra não serve para nada), anunciando Deus e a Sua Igreja a TODOS os povos.

          • MO

            Parece-me estranha a diferenciação que faz entre o que é humano e o que vem de Deus (já por duas vezes). Amar, perdoar, tudo isso são actos próprios de Deus, antes de mais, que nós não podemos fazer mais do que imitar – pelo menos enquanto não crescemos o suficiente na fé, ou seja, na amizade com Deus (“Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos” Jo 15:15).

            Somos chamados à santidade e isso não é mais do que sermos chamados a ser plenamente humanos. Jesus foi mais humano do que nós alguma vez seremos, exactamente porque havia nele uma sintonia com o Pai à qual nós tendemos a resistir. Nele e em Maria (a Santa dos Santos) podemos ver como somos verdadeiramente feitos à imagem e semelhança de Deus.

            O que Jesus veio proclamar foi o amor incondicional de Deus por nós. E isso é espantoso – e muito diferente do Deus remoto do Judaísmo e do Islão, as outras grandes religiões cuja história começa em Abraão. Como responder a isso? Com um amor semelhante, intenso, por Deus e pela sua criação.

            Pax et bonum

          • MO

            Já agora, leia Joseph Ratzinger (actual Papa Bento XVI):

            Regarding the future, it seems likely that, in global terms, the influence of the Church over the world will constantly diminish. The numeric triumph of Catholicism over other religions, which today can still be admitted, probably will not continue.(….)
            In this state of things, one should no longer be concerned with the salvation of ‘the others,’ who for some time now have become ‘our brothers.’ Above all, the central question is to have an intuition of the Church’s position and mission in History under a positive new point-of-view. This new point-of-view should allow one to believe in the universal offer of the grace of salvation as well as the essential part that the Church plays in this. Therefore, in this sense the problem changed.(…)
            What concerns us is no longer how ‘the others’ will be saved. Certainly we know, by our faith in divine mercy, that they can be saved. How this happens, we leave to God. The point that does concern us is principally this: Why, despite the wider possibility of salvation, is the Church still necessary? Why should faith and life still continue to come through her? In other words, the present day Christians no longer question if their non-believer brothers can reach salvation. Overall, they desire to know what is the meaning of their union with the universal embrace of Christ and their union with the Church
            (“Necessita della missione della Chiesa nel mondo”)

            Pax et bonum

          • Resisten Antifa

            Ahhh… Retiro o outro comentário porque afinal é mesmo fascista.
            Venham de lá as cruzadas.

        • Resistente Antifa

          Um comentário puramente fascista.
          Pense nisso… se não o for.

      • MO

        E se… É esse o problema? Não haver “igualdade”? Não diga…

        Vamos ser práticos e racionais. Por princípio, a regra deve ser o que nos preocupa – e a regra em Portugal é o Cristianismo (tal como a regra em Israel é o Judaísmo, e na Jordânia é o Islão, etc.).

        Para as excepções deve haver forma de as conseguir colmatar, possivelmente chamando alguém dessa religião (excepcional, no nosso contexto). O que se passa a maior parte das vezes (e sei do que falo) é que essas comunidades religiosas são tão pequenas que as pessoas são acompanhadas por alguém logo à partida (vindo de fora do Hospital) – e por isso a questão a maior parte das vezes, e sendo pragmático, nem se põe…

        Pax et bonum

        • Anónimo

          Eu compreendo o seu ponto de vista e é realmente o que se passa em Portugal e em outros países mas se é assim não somos um país laico nem um estado de direito de igualdade. Minoria ou não as pessoas têm o direito de ter as crenças que quiser e por isso uma assistência espiritual respectiva à sua crença. Pois se comparticipada à uns deve ser comparticipada para outros. Essa medida vai em certa maneira contra os direitos humanos e contra os princípios da União europeia que lhes estão adjacentes.

  • antoniofernando

    Esta é a última, prometo, mas não resisti.

    É a ANEDOTA DO ANO:

    ” O QUEIXINHAS”:

    1- O homem foi fazer uma operação a um hospital de uma ordem religiosa e não gostou;
    2- Como não gostou, foi lá fazer uma segunda operação e passou a detestar;
    3- Das duas vezes foi assediado por padres, monges e freiras;
    4- Mas o que o chocou mais foi esse hospital, dirigido por uma ordem religiosa, ter lá colocadas imagens religiosas, imagine-se o desplante;
    5- Passados uns anos, o homem quis certificar-se, pela terceira vez, que o dito hospital estava tão mal como das duas vezes anteriores;
    6- Não satisfeito, vem para aqui fazer queixinhas

    Merece, portanto, mais um adequado vídeo dos ” Gatos Fedorentos”:

    http://www.youtube.com/watch?v=U8J4Yb7Tw48

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