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Maria_1 (Crónica)

Se a alva e meiga Senhora que, há cerca de noventa e três anos, poisou numa azinheira, vestida com um manto de luz, para gáudio de três inocentes pastorinhos, por erro de navegação celeste houvesse poisado numa azinheira errada e encontrado um só pastor, mancebo de vinte e tantos anos; se a falta de energia lhe tivesse apagado o manto, sendo a beleza tanta quanto dela disseram as criancinhas, e entre o manto e o corpo nada houvesse, como é de crer, por ser a luz que resplandecia o único vestido que a cobria, poderia o dito pastor chamar-se José, como o humilde e humilhado carpinteiro de Nazaré, e a história seria outra.

Se o dito pastor, mancebo de vinte e tantos anos, na flor da idade e do desejo, impelido pelos sentidos, fosse tão rápido e eficaz a tomar a dita Senhora como o era a conduzir o rebanho, não seria o papa, muitos anos depois, a entrar em êxtase; seria ele, pastor, ali e então.

E, em vez de serem criancinhas a ouvir “eu sou a Nossa Senhora”, pitoresca apresentação que só ouvi a um Sargento, apresentando-se aos soldados, “eu sou o nosso primeiro Vieira”, em vez dessa apresentação que os exegetas atribuem à Virgem Maria, teria ouvido o pastor, mancebo de vinte e tantos anos, mais afeito ao rebanho do que ao corpo feminino, à guisa de apresentação e despedida, com voz lânguida e conformada, eu sou Maria.

Tudo leva a crer que a referida Senhora, de tão rara beleza, teria esquecido a conversão da Rússia, poupado o dito pastor à oração e, em vez de duas ou três aparições, poderia tentar outras, sabendo embora que não era a azinheira certa aquela em que poisava, mas adivinhando à sua sombra o pastor, mancebo de vinte e tantos anos.

Diz-me um amigo que o País devia duplicar o número de azinheiras para igualmente duplicar as probabilidades de novas aparições. Tenho a esse respeito opinião diferente, tese igualmente respeitável, embora nestas questões pouco valha a dialéctica, impossível que é formular a antítese, pois a ciência certa nunca a teremos. Penso que o caminho, o caminho correcto, está em duplicar o número de crianças que prefiram à escola a oração e se dediquem à pastorícia, de preferência longe dali, que os milagres raramente se repetem perto, e se acontecem, como há sobejas provas na Ladeira e noutros sítios, nunca são reconhecidos, por se desconfiar da abundância e se temer a concorrência.

E se no futuro apenas houver pastores crianças, com joelhos no chão e olhos no Céu, nunca mais haverá qualquer pastor na flor da idade e do desejo, mancebo de vinte e tantos anos, a ofender a virtude e a mudar o sítio às azinheiras, a perturbar a circulação celeste e os milagres.

31 thoughts on “Maria_1 (Crónica)”

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  • Jairo Entrecosto

    As idealizações do Carlos Esperança sobre mancebos de vinte e poucos anos( curioso ele ter tantas vezes repetido a expressão), não nos dizem nada sobre ateísmo.

    1.No diário Ateísta, o Esperança escreve sobre mancebos de vinte e poucos anos.
    2.Mas num diário chamado “ateísta”, por definição, escreve-se é sobre ateísmo.
    3.Ah, mas num diário ateísta verdadeiro o Carlos Esperança expressa os seus pensamentos sobre jovens mancebos.

    Se pretendem que isto seja realmente um diário ateísta,falácia do verdadeiro escocês detectada! O meu comentário a este seu texto está feito. Aguardo pelo próximo.

    • Anónimo

      O JAIRO ENTRECOSTO( NO CHURRASCO )

      QUER QUE O PRESIDENTE CARLOS ESPERANÇA ESCREVA SOBRE COISAS QUE DEPOIS ELE POSSA LEVAR PARA O SEU BLOGUE.(BLOGUE DO CHURRASCO , É CLARO).
      GRANDE SALAFRÁRIO…

  • Anónimo

    Caríssimo Jairo Entrecosto:

    E se o Diário Ateísta tivesse outro título, por exemplo ‘Ervilhas com Paio’, os colaboradores já poderiam escrever o que quisessem à vontade sem qualquer tipo de apontamento direccionista? Isto independentemente da existência de uma ressalva que contenha explicitamente a menção que os textos dos colaboradores são da sua responsabilidade e não espelham necessariamente as posições da AAP, como existe para todos lerem na homepage do espaço que actualmente escrevo este comentário?

    Talvez assim já fosse possível falar das questões sobre o aborto que cada colaborador expõe como sendo suas e não de qualquer ateu, como por exemplo onde eu vi um texto de um crente (aqui sem qualquer problema de associação da sua posição com o teísmo em muitos dos seus textos…) sobre a convocação para uma manifestação contra o aborto, onde apresenta excertos de comentários tirados do contexto para construir um texto tendencioso para marcar determinada posição que pretende repassar (escrevo repassar, porque é a mesma mensagem preconceituosa que os “Teístas”, entenda-se aqui Igreja Católica (institucionalmente, não individualmente…) defende…

    Onde o Teísmo, crença em deus ou deuses, tem a ver com o aborto? Onde é que o teísmo tem a ver com os preservativos? Onde o teísmo tem a ver com a relação dos Estados com a Igreja? Onde o teísmo tem a ver com a descrença dos demais?

    Questões que não têm nada a ver com o teísmo, mas que dizem respeito à opinião de teístas, tal como o ateísmo tem a sua definição clara, e cada ateu escreve individualmente – não por directiva ateísta (pois isso não existe e muitos sabem isso, e é um argumento erróneo utilizado por muitos crentes para induzir em erro outros crentes menos informados…), por isso é responsabilizado pelo que escreve, e o mesmo por quem assuma que concorde com essa opinião e a ratifique, agora quem nada escreve não pode ser considerado a favor, isso manifesta presunção e indecência, que pode ser revisto naquela ideia do “quem cala consente” como vi construída no último post de um determinado blog que o Jairo Entrecosto conhece muito bem, mas mesmo muito bem…

  • Anónimo

    Já agora para os interessados em saber qual é esta ideia que critico no final do comentário, deixo aqui as respectivas linhas para que não hajam dúvidas:

    Sobre os princípios éticos e morais do Portal Ateu e respectivos membros, estamos definitivamente conversados. Fica aqui só mais um comentário a esse texto, de um leitor não-membro do Portal, mas que não foi censurado nem criticado por nenhum destes:

    “É óbvio que muito rejubilam quando vêm o papa a mandar com os cornos no chão tal como rejubilaram ao ver a cara ensanguentada do Berlusconi. É mais que lindo ver assassinos, burlões, corruptos, a levarem um estouro na tromba. Amén”.

    – Jairo Entrecosto, «Humanistas» in Paio com Ervilhas(http://paiocomervilhas.blogspot.com/2010/08/no-cartaz-acima-so-convocacao-da.html), publicado a 31.08.2010 [os sublinhados e o destaque da ideia que critico, no último parágrafo do meu comentário anterior, são da minha responsabilidade].

  • Jairo Entrecosto

    Jovem, teísmo não tem nada a ver com preservativos. Quando é que eu classifiquei alguma opinião minha sobre preservativos(e nunca escrevi sobre isso no meu blogue), como “teísta”. Concentre-se homem. O meu blogue chama-se “diário teísta”, é?

    Sobre o texto que gentilmente promove aqui: qual o problema? Se alguém disser na sua casa que os pretos são inferiores, e você ficar calado e não colocar o indivíduo não rua, não está a ser moralmente cúmplice a aceitar o ataque racista?

    Porque teria de ser o mesmo em relação a apologia e regozijo pela violência contra religiosos, como referi aí?

    E você é mesmo estúpido ou faz-se?
    Nesse meu texto, refiro até que os assuntos abordados pelos ateus, num dos textos, nada têm a ver com ateísmo, apesar do portal ser dito como “ateu”, logo, como é que me acusa de estar a determinar aquilo que o ateísmo defende, como seja o aborto?

    A questão é que não é preciso acreditar-s em Deus para se compreender duas coisas; pode-se ser mesmo ateu:

    1. Os tipos que citei do Portal Ateu, tal como fazem os do Diário Ateísta, passam o tempo a escrever coisas que nada têm a ver com ateísmo, promovendo a ideia que tem; pois chama “ateu” e “ateísta” aos respectivos espaços.
    2. Qualquer ateu sério tem o direito de se sentir ofendido pelo facto de energúmenos meterem o adjectivo ateu no mesmo espaço onde regozijam pela vioência contra o Papa.

    Ao contrário do que possa pensar, eu sempre soube que há ateus sérios. O problema são os ateístas militantes fanáticos, que tomam conta do conceito e metem dentro dele as suas opiniões antirreligiosas e políticas, normalmente de esquerda, que nada tem a ver com o até natural e compreensível pensamento humano de que Deus não existe,isso sim o ateísmo.

    Repare que podíamos ter aqui interessantes conversas, se vocês fossem realmente ateus. Mas não, são anticatólicos, antirreligiosos, anti-Ratzinger, anti-conservadorismo, etc, etc.

    São incapazes, a começar no Esperança e a acabar no Krippahl, passando pelo Grave Rodrigues, de expor um argumento com tronco e membros para defender o ateísmo. E isto não quer dizer que não hajam ateus que o consigam; motivando debates interessantíssismos, apenas que essa não é a vossa ( autores e comentadores ateus do diário) praia.

  • Jairo Entrecosto

    Errata:

    “Porque NÃO teria de ser o mesmo em relação a apologia e regozijo pela violência contra religiosos, como referi aí?”

    Sobre a censura. A palavra e o verbo existe. Vocês é que têm papões na cabeça: o que é um código penal que não uma extensa censura de comportamentos inadmissíveis?

    Atrevam-se a insultar religiosos no meu blogue ou a manifestarem alegria pela violência contra estes, ou contra qualquer outra pessoa; e estejam certos: eu censuro, apago, esses comentários. Se não o fizesse, estaria a ser cúmplice com os insultos.

    O que o jovem fez ao destacar a palavra “censura” dando-lhe uma importância pidesca; é desonestidade intelectual. Até porque eu não exigo que esse Portal Ateu apague coisa alguma. Coisa diferente é não os poder responsabilizar por aquilo que eles publicam. Se permitem que esse espaço expresse alegria pelo sofrimento de religiosos; logicamente, não têm moral para criticar os que causam sofrimento a mulheres no Irão.

    Da mesma forma, os da Esquerda Republicana, que publicam regozijo e louvor ao apredejamento de Berlusconi, não podem criticar depois os apedrejamento de uma iraniana. Pedras, são pedras. Achar graça e ter prazer no que fizeram ao italiano, é achar graça ao que farão à iraniana; pois esta também só morrerá, levando uma pedra arremessada de cada vez.

  • Carpinteiro

    Fétiche por escocês é lixado…

  • Anónimo

    Caríssimo Jairo Entrecosto:

    A promoção do texto é discutível, a indicação sobre o conteúdo do mesmo e onde o retirei é mais adequado à honestidade e seriedade que pretendo que os meus comentários demonstrem, pois reflectem as minhas ideias.

    Nunca escrevi que o seu blog se chamava “diário teísta”, e se porventura fosse esse o título do mesmo e tivesse a ressalva que o Diário Ateísta tem para todos lerem, que separa a opinião dos autores da AAP, e evidentemente do ateísmo, não teria nada a apontar, visto que a posição é clara e está assumida. Se fosse esse o caso e estivesse a alegar o que você constantemente menciona aqui estaria então a negar uma evidência…

    A diferença entre um espaço público na internet aberto às contribuições dos demais em relação a um espaço privado é tão evidente que não é necessário clarificar a falácia do seu exemplo. Num espaço público que não censura (sim, censura as opiniões dos demais, mesmo que essas não sejam as mais agradáveis não deixam de ser as suas opiniões e são por essas responsabilizados…) é evidente que aparecem coisas que não agradarão a muitos, isto chama-se manter patente a liberdade de expressão. Se em espaços com estas características se adoptassem os filtros que encontro em muitos outros blogs, sobretudo facciosos e que apenas pretendem manifestar aquilo em que estão comprometidos ideologicamente, certamente não estaria aqui a comentar…

    Lá está você a prescrever comportamentos/condutas ideais, não é preciso acreditar-s em Deus para se compreender duas coisas, isso é condescendência da sua parte, e Qualquer ateu sério tem o direito de se sentir ofendido. Cada qual tem a sua interpretação e é por essa que responde individualmente, não precisa de enunciar direccionismos/condutas, cada comentário tem o valor que tem pelo seu conteúdo e o comentador/colaborador responde exclusivamente pelo mesmo. Recupero neste sentido o que você me endereçou pela pertinência que aqui se aplica: “você é mesmo estúpido ou faz-se?”

    Os responsáveis pelo Diário Ateísta, privado, aberto ao público e a diferentes contribuições, repito, tem salvaguardados os objectivos e responsabilidades do mesmo, para quê andar à volta e contornar esta evidência?

    Repare que podíamos ter aqui interessantes conversas, se vocês fossem realmente ateus (…)“, aqui está presente mais uma prescrição ideal do que é um ateu, isto é incrível, você não tem a noção?

    Incapazes? Certamente não está atento a muitos comentários que aparecem neste espaço, apenas alega o que alega por tendencionalismo e preconceito, de forma a marcar novamente a sua posição. Leio frequentemente os posts e comentários que surgem neste espaço, quer de crentes e descrentes, sobre vários assuntos que tem relação com as questões que derivam do teísmo/ateísmo, e desminto o que acabou de escrever. É o seu testemunho contra o meu, já viu…, qual será que tem maior validade? Deixe-se dessas coisas que só contribuirá para a seriedade, pois cada leitor fará a sua avaliação por si, pelo que lê, não pela opinião dos demais. Essas leituras enviesadas de propósitos, intenções e direcções, nem sequer pertencem ao enquadramento assumido no Diário Ateísta, e de muitos dos seus comentadores, quer sejam crentes ou descrentes, mas sim a expressão da sua opinião, quer seja a favor, contra, ou o direito a abster-se perante qualquer comentário se assim for a vontade, sem o prejuízo de qualquer consideração pactuária com os mesmos…

    Para terminar este comentário, sobre a questão do teísmo e os preservativos era simples, você por acaso queixa-se perante as diferentes religiões qualquer coisa que resvale para além das questões directamente relacionadas com o teísmo, isto é, simplesmente, a crença em determinado deus ou deuses? Que tal ir pregar o que aqui prega (não estou a escrever para se ir embora de vez, porque não actuo através de censuras e defesas de censuras, acredito que os argumentos valem por si…) para essa praia? O que me escreve sobre esta sugestão de reviravolta de intenções?

  • antoniofernando

    Caro Carlos Esperança:

    Você quando quer elevar o seu nível de escrita consegue escrever primorosamente. Eis um texto talentosamente escrito, com figuras de estilo equilibradamente geridas. A ironia e o sarcasmos no ponto certo. Não acredito que Maria de Nazaré tenha aparecido em Fátima pelas razões que, já aqui, no D.A., desenvolvidamente sustentei.As aparições marianas estão eivadas de contradições discursivas graves e, teologicamente, as supostas mensagens de Fátima conflituam claramente com principios básicos da Doutrina de Cristo. A ideia de um demiurgo colérico vir distribuir indiscriminadamente múltiplos castigos caso os pecadores não se convertessem, não rezassem incontáveis terços e rosários, é o que há de mais absurdo e deprimente à luz da Mensagem do Nazareno. Só possível porque um conjunto de personalidades criou uma inconcebível mistificação, tomando por base as ditas aparições marianas. Nelas, há muito pouco de Jesus de Nazaré e imenso de uma teologia ficcionada, completamente contrária a um princípio basilar do Cristianismo, tal como evocado por Cristo:
    A noção de “pecado colectivo” é intrinsecamente contrária a qualquer elementar cartilha catequética cristã. E foi, contrariando este postulado estruturante do Cristianismo, que teria aparecido em Fátima, em 1917, a menina de vestido pelos joelhos, soquetes brancos e uma estranha medalha aos bicos ao pescoço.Do que disse ou não disse, não sabemos.Sabe-se que a imagem da menina não mexia sequer os lábios, o que seria obviamente desmerecedor de uma aparição mariana que,genuinamente, tivesse ocorrido. Que a Senhora de Fátima foi uma criação abusiva do santeiro de Thedim, basta comparar as iniciais declarações de Lúcia sobre o aspecto da dita menina adolescente com a criação artística de mestre Thedim, canonicamente aprovada.
    A conversão da Rússia e a a revelação de que a II Grande Guerra Mundial iria começar no ” reinado” de Pio XI só foi feita depois dessa guerra ter ocorrido e se saber o nome do referido papa.Tudo demasiado ostensivamente falso, iníquo e caricato.Infelizmente, no meio católico, há muito poucos que se atrevem a denunciar esta farsa. Honra seja, por isso, feita à voz agreste e profética do Padre Mário de Oliveira, que tive o prazer de conhecer pessoalmente. E que considero um homem íntegro e humanamente afável, mas frontal. Durante muitos anos, esteve a pregar sozinho no deserto desta enorme deturpação, com sólidos argumentos teológicos e muitas orelhas moucas clericais a não o quererem ouvir. Quando sabem muito bem que a tese do Padre Mário de Oliveira entra pelos olhos dentro de quem não se eximir à livre faculdade do pensamento crítico e não queira permitir que, em nome de Cristo, se construa uma teologia fatimista completamente contrária e adversa aos seus ensinamentos…

  • Anónimo

    Caríssimo Jairo Entrecosto:

    Agora em relação a este seu comentário, eu não tenho nenhum papão na cabeça em relação à censura, muito menos um importância pidesca que identifica como “desonestidade intelectual”. Defendo um ideal, e esse ideal é a Liberdade de Expressão, resultado de reflexão e expressão de honestidade intelectual, e logo a censura (entendida neste caso particular como o exame crítico de comentários segundo critérios morais e religiosos, através do exercício de um poder tendencioso de autorizar ou não autorizar determinada exposição segundo esses mesmos critérios…), atenta em muitos aspectos contra esse ideal de Liberdade de Expressão que defendo.

    Sobre o que cada um escreve, por mais que cause embaraço, desagrado, reprovação em relação a outros, cada comentador será responsável pelo que escreve, tanto mais que quem o quiser é também livre para criticar a sua posição. Como balançar as disparidades daí resultantes, o sentido crítico dos indivíduos que lêem os comentários, a noção base que o comentador susceptível de crítica por uma opinião tida como “incomoda” por outros é responsável pelo mesmo, o argumento ou ausência de argumento que enforma esse comentário, os fundamentos do mesmo, etc., tudo isto é susceptível de uma avaliação e ponderação pelos restantes leitores, eu faço isto, não me fico pela “rama” dos comentários e não deixo os meus desagrados imporem-se aos demais, pois não vivo sozinho no mundo, não tenho pretensões totalitárias, tenho a minha opinião e outros a respectiva.

    Você tem o seu blog, tem as suas regras, e assume que qualquer pessoa que assim agisse, assim o faria: expulsar o dito. Repare que você está nesse momento a responsabilizar uma pessoa pelo que escreve, não acha que essa respectiva identificação perante tantos outros contextos, que não impliquem necessariamente essa sua reprovação, não respeitariam o direito individual à divergência, e essa divergência apenas seria identificada em exclusivo com o sujeito da dita opinião/ideia?

    Note, eu nunca escrevi que você exigiu que o Portal Ateu ou outro espaço qualquer apagasse o que fosse, verifiquei a sua posição, a qual citei anteriormente, que menciona que “não foi censurado nem criticado por nenhum destes[neste caso responsáveis pelo Portal Ateu]”, que pretendeu apontar a conclusão errónea que retirou, que os mesmos pactuaram, quando alguns nem sequer escreveram um comentário sobre o mesmo…
    Desta frase, e de outras que escreveu no seu blog, e a atitude que assumiu aqui que faria, o recurso à censura não seria para si um problema, é a sua opção, tem o seu direito – não estou a dizer que censurasse tudo o que não lhe fosse de feição, atenção não retire essa ilação – tal como os outros responsáveis têm o direito de manter o comentário pelo qual o respectivo comentador é responsável…

    Para terminar, comparar o arremesso de uma réplica do Doumo (acto que escrevo já que condeno para que não haja confusão, e não simpatizo com o dito indivíduo pelas suas acções…) com a pena de morte por lapidação, convenhamos, não é bem bem a mesma coisa…

  • Anónimo

    Caríssimo Jairo Entrecosto:

    Agora em relação a este seu comentário, eu não tenho nenhum papão na cabeça em relação à censura, muito menos um importância pidesca que identifica como “desonestidade intelectual”. Defendo um ideal, e esse ideal é a Liberdade de Expressão, resultado de reflexão e expressão de honestidade intelectual, e logo a censura (entendida neste caso particular como o exame crítico de comentários segundo critérios morais e religiosos, através do exercício de um poder tendencioso de autorizar ou não autorizar determinada exposição segundo esses mesmos critérios…), atenta em muitos aspectos contra esse ideal de Liberdade de Expressão que defendo.

    Sobre o que cada um escreve, por mais que cause embaraço, desagrado, reprovação em relação a outros, cada comentador será responsável pelo que escreve, tanto mais que quem o quiser é também livre para criticar a sua posição. Como balançar as disparidades daí resultantes, o sentido crítico dos indivíduos que lêem os comentários, a noção base que o comentador susceptível de crítica por uma opinião tida como “incomoda” por outros é responsável pelo mesmo, o argumento ou ausência de argumento que enforma esse comentário, os fundamentos do mesmo, etc., tudo isto é susceptível de uma avaliação e ponderação pelos restantes leitores, eu faço isto, não me fico pela “rama” dos comentários e não deixo os meus desagrados imporem-se aos demais, pois não vivo sozinho no mundo, não tenho pretensões totalitárias, tenho a minha opinião e outros a respectiva.

    Você tem o seu blog, tem as suas regras, e assume que qualquer pessoa que assim agisse, assim o faria: expulsar o dito. Repare que você está nesse momento a responsabilizar uma pessoa pelo que escreve, não acha que essa respectiva identificação perante tantos outros contextos, que não impliquem necessariamente essa sua reprovação, não respeitariam o direito individual à divergência, e essa divergência apenas seria identificada em exclusivo com o sujeito da dita opinião/ideia?

    Note, eu nunca escrevi que você exigiu que o Portal Ateu ou outro espaço qualquer apagasse o que fosse, verifiquei a sua posição, a qual citei anteriormente, que menciona que “não foi censurado nem criticado por nenhum destes[neste caso responsáveis pelo Portal Ateu]”, que pretendeu apontar a conclusão errónea que retirou, que os mesmos pactuaram, quando alguns nem sequer escreveram um comentário sobre o mesmo…
    Desta frase, e de outras que escreveu no seu blog, e a atitude que assumiu aqui que faria, o recurso à censura não seria para si um problema, é a sua opção, tem o seu direito – não estou a dizer que censurasse tudo o que não lhe fosse de feição, atenção não retire essa ilação – tal como os outros responsáveis têm o direito de manter o comentário pelo qual o respectivo comentador é responsável…

    Para terminar, comparar o arremesso de uma réplica do Doumo (acto que escrevo já que condeno para que não haja confusão, e não simpatizo com o dito indivíduo pelas suas acções…) com a pena de morte por lapidação, convenhamos, não é bem bem a mesma coisa…

  • Carlos Esperança

    António Fernando:

    Quem sabe se um dia não nos encontramos num qualquer espaço sem nome nem preconceitos a dissertar sobre a liberdade?!

    Há quem tenha da democracia e do livre-pensamento o preconceito de Maomé pelo presunto!

    Abraço.

  • JoaoC

    Um texto senil, simplesmente NOJENTO.

  • JoaoC

    “e construa uma teologia fatimista completamente contrária e adversa aos seus ensinamentos…”

    Claro que não percebe. Toda a gente tem as suas limitações.

    Tanta imbecilidade em tão poucas linhas..e obra!

    Só você e o monte de lixo vindo da Lixa…

  • JoaoC

    “e construa uma teologia fatimista completamente contrária e adversa aos seus ensinamentos…”

    Claro que não percebe. Toda a gente tem as suas limitações.

    Tanta imbecilidade em tão poucas linhas..e obra!

    Só você e o monte de lixo vindo da Lixa…

  • Confrariaalfarroba

    o humor é saudável e conveniente. parabéns!…
    mais conveniente – ainda – quando a água entra em ebulição (é o caso). daí mais uma vez parabéns (ainda que o humor não tenha resultado).

    está de ver que me refiro ao ritmo da intervenção, não à qualidade do escriba.

    um espaço de debate é um espaço de debate. e o nome a mim pouco me interessa.

    podem contar-se pelos dedos o número de vezes que entrei em igrejas. duas dessas vezes foi por motivos que se prendem com o fim…
    as outras foi por mera curiosidade e estudo estético.
    jamais (acreditem ou não) desrespeitei esses espaços.

    ao encontrar este blogue resolvi acompanha-lo e posteriormente intervir

    se a minha intervenção, a princípio, era sobre o tema focado… hoje a intervenção passou a ser sobre os próprios intervenientes.

    dou por mim a comentar comentários … por mera irritação. e isso é mau. porque estou a desrespeitar um espaço que está mais próximo de mim que qualquer igreja…

    não sou associado da AAP (porque estou em plena sintonia com o GROUXO MARX – disse ele: “recuso ser sócio de um clube que me aceita como sócio…”) mas ao participar no seu espaço tenho de o respeitar. porque um espaço associativo é aquilo que a assembleia de sócios quer que seja… por certo que não para insultar ninguém nem ser insultado…

    não sou teísta e recuso qualquer tipo de autoritarismo – a luta pela liberdade é já em si liberdade. divirtam-se.

    estas notas soltas apenas para dizer – até um dia destes

  • Confrariaalfarroba

    apenas uma nota para quem não sabe quem era Grouxo Marx – um dos irmão Marx (actores americanos, judeus e assumidamente anarquistas) um marco da história do cinema… apesar destas referências eram mesmo boas pessoas e sem dúvida dos maiores humoristas do seu tempo

  • Confrariaalfarroba

    apenas uma nota para quem não sabe quem era Grouxo Marx – um dos irmão Marx (actores americanos, judeus e assumidamente anarquistas) um marco da história do cinema… apesar destas referências eram mesmo boas pessoas e sem dúvida dos maiores humoristas do seu tempo

  • Confrariaalfarroba

    apenas uma nota para quem não sabe quem era Grouxo Marx – um dos irmão Marx (actores americanos, judeus e assumidamente anarquistas) um marco da história do cinema… apesar destas referências eram mesmo boas pessoas e sem dúvida dos maiores humoristas do seu tempo

  • antoniofernando

    ” Misericórdia quero, não sacrifício”

    ( Mateus,Mt 9:11-13 )

    Em Fátima nasceu uma superstição idólatra, mas não mais do que isso.Respeito inteiramente quem pensa que lá apareceu ” Nossa Senhora”. Mas, de facto, uma menina de cerca de 15 anos, trajando um vestido curto pelos joelhos e usando uma medalha aos bicos pendente no pescoço, que nem sequer mexia os lábios para falar, Maria de Nazaré não era de certeza. Essa foi a descrição fisionómica da menina da aparição, tal como foi inicialmente apresentada por Lúcia, logo após os supostos eventos de 1917. Quem tiver dúvidas, investigue a partir dos estudos cautelosamente documentados de Moisés Espírito Santo. Seja como for, a Mensagem de Fátima é, do meu ponto de vista, claramente atentatória da Doutrina de Cristo, tal como por ele apregoada. Nos Evangelhos não há nenhuma referência a rezinhas de terços e rosários como meios para a aventada ” salvação” das almas. Mas a ênfase nas boas práticas de comportamento ético.Por outro lado, na Mensagem de Cristo não há nenhuma alusão a obsessivas intercessões, junto de Deus, por interpostas pessoas, para que Deus viesse conferir especiais benesses a uns mas não a outros.O carácter especialmente intercessor de ” Nossa Senhora” é, por isso, absurdo, à luz da teologia cristã.Fátima é um horror de superstição e interesseirismo religiosos.Multidões acotovelam-se perante uma estátua, concebida pelo santeiro de Thedim,pedindo a essa ” Nossa Senhora” certos e determinados favores ou procedendo à “paga” de hipotéticas intervenções salvíficas , de sua alegada autoria. A ” Senhora”, nas suas não adivinhadas intenções,prodigalizará curas ou favores a uns mas não a todos os orantes.Porquê é outro segredo que fica muito bem guardado.Nada disto tem que ver com Cristo nem com Maria de Nazaré. O seu nome foi indignamente manipulado por aqueles que não se coibiram,ao longo dos tempos, de endeusá-la no âmbito da ficção teológica católica. Daí o pomposo qualificativo de ” Nossa Senhora”. Temos assim, no dominio dessa manipulação ficcionada, duas figuras que são colocadas como Co- Redentores da Humanidade: Jesus de Nazaré, ” Nosso Senhor” e Maria de Nazaré, ” Nossa Senhora”. S. José foi simplesmente remetido para um silencioso e apagado lugar na História da Cristandade.Já chega de abusivas interpretações da Doutrina de Cristo. Fátima será o lugar para onde se canalizam tantas e compreensíveis frustrações e sofrimento humano.Muita gente lá vai em demanda da especial intercessão de ” Nossa Senhora”, como se não pudessem sequer permitirem-se conversar intimamente com Deus. Como se Deus precisasse de intercessores para intervir na história humana.Sobre a ” construção idólatra” de Fátima há ainda segredos para desvendar. Mas estes inteiramente humanos e nada edificantes.Porém, um dia tudo se saberá…

    • JoaoC

      “Porém, um dia tudo se saberá… ”

      Nem mais. E nesse dia, engolirá, uma por uma, as palavras blasfemas e venenosas que digita sobre a Santíssima Mãe de Deus e também sua Mãe, pelo legado que Jesus Lhe deixou na hora da morte, a Sempre Virgem Maria de Nazaré e contra a Igreja de Cristo.

      O que vale é que fala fala fala e não diz novidade nenhuma.

      Um dia verá, se Deus quiser, (e já não era o primeiro) e para seu espanto, que apesar da ingratidão de filho, quem lhe “salvou o coiro” para toda a eternidade foi a intercessão poderosa da Gloriosa Mãe de Cristo, Advogada dos pobres pecadores, junto do trono de Seu Filho.

      Assim o espero e assim o seu coração esteja aberto para o amor desta Santíssima Mãe, atalho seguro para o Caminho certo, que é Cristo.

      • antoniofernando

        Vai à bardamerda ó mentecapto que é o único lugar que mereces,,,

        • Carpinteiro

          Ó António Fernando!… então?
          E eu a dizer, ali atrás, que era respeitoso.
          Já me borrou a escrita!

      • Carpinteiro

        João.

        Gostei particularmente desta «Advogada dos pobres pecadores»
        E para os pecadores ricos, não se arranja nada?
        Quanto ao «atalho seguro para o Caminho certo…», agradeciamos que colocasse o Link.
        Obrigado.

  • antoniofernando

    Quem sabe Carlos Esperança. A mim nada me divide de qualquer pessoa de Bem. Abraço.

  • antoniofernando

    Ai mas és tão pouco católico… 🙂

  • antoniofernando

    Apreciei muito este comentário. Com sentido de elevação bem patente e que me deixa a reflectir. Temos todos que aprender a dialogar e a debater a parit de pontos de vista ideologicamente diferentes sem nos encarniçarmos por causa das nossas naturais diferenças. Exageros ? Calha a todos…

  • Anónimo

    MAS QUE BELA DISCUSSÃO SOBRE O SEXO DOS ANJOS.

    BRAVO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Anónimo

    MAS QUE BELA DISCUSSÃO SOBRE O SEXO DOS ANJOS.

    BRAVO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • José M

    “(…) pedindo a essa ” Nossa Senhora” certos e determinados favores ou procedendo à “paga” de hipotéticas intervenções salvíficas , de sua alegada autoria. A ” Senhora”, nas suas não adivinhadas intenções,prodigalizará curas ou favores a uns mas não a todos os orantes.”
    Julgo que a explicação é simples: é tudo uma questão de números. Para já, o pedido de uma graça implica, necessariamente, um pagamento posterior, de contrário não há “graça”. Daí a “promessa”. Do tipo “eu prometo que se conseguir aquela vaga para a qual há 300 concorrentes, ofereço o meu primeiro ordenado a «Nossa Senhora». Ao pobre diabo, nem lhe passa pela cabeça (se calhar, passa…) que está a tentar prejudicar 299 concorrentes que, provavelmente, têm mais aptidões para o cargo do que o pedinte. Mais grave (ou talvez não, porque está institucionalizado) o rapaz está a meter uma cunha. Mais exactamente, está a subornar a “senhora”. Porque não passa pela cabeça de ninguém fazer um pedido do género “Se eu conseguir o lugar, fico muito agradecido”. Nem pensar! Ou há algo em troca, ou não há nada para ninguém.
    A prova provada de que essas coisas não resultam, é a existência de ateus. Quantos crentes já terão rezado para que eles fossem extintos… e nada acontece. Só isso, deveria servir para pôr os fanáticos a pensar. Mas era preciso que conseguissem.

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