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  • 18 de Agosto, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

Madre Teresa de Calcutá (3) – Fim

Por

C S F

Madre Teresa faleceu em 1997. No primeiro aniversário da sua morte, duas freiras na aldeia Bengali de Raigunj afirmam ter prendido uma medalha de alumínio da falecida (uma medalha que estivera, supostamente, em contacto com o seu corpo morto) no abdómen de uma mulher chamada Monica Besra. Esta mulher, que se dizia sofrer de um grande tumor uterino, ficou, assim, curada. Monica é um nome católico não muito comum em Bengala e, portanto, provavelmente quer a paciente quer, sem dúvida, as freiras já eram fãs de Madre Teresa. Esta definição não abrangeria o Dr. Manju Murshed, o director do hospital local, nem o Dr. T. K Biswas e o seu colega ginecologista, o Dr. Ranjan Mustafi. Os três afirmaram que a senhora Besra sofria de tuberculose e de um crescimento ovariano e que fora tratada com sucesso dos dois problemas. O Dr. Murshed ficou particularmente aborrecido com os inúmeros telefonemas que recebeu da ordem de Madre Teresa, as «Missionárias da Caridade», pressionando-o para dizer que a cura tinha sido milagrosa.

A própria paciente não constituiu um tema de entrevista muito impressionante, falando a alta velocidade porque, como disse, «se assim não fosse poderia esquecer» e pedindo que não lhe fizessem perguntas porque talvez tivesse de se «lembrar». O seu próprio marido, um homem chamado Selku Murmu, quebrou o silêncio algum tempo depois para dizer que a mulher tinha sido curada com um vulgar e simples tratamento médico,

Qualquer supervisor hospitalar em qualquer país dirá que às vezes os pacientes têm melhoras extraordinárias (do mesmo modo que pessoas aparentemente saudáveis adoecem muitas vezes com problemas inexplicáveis e graves). Aqueles que desejam certificar milagres podem querer dizer que essas melhoras não têm explicação «natural». Mas isto não significa de forma alguma que há uma explicação «sobrenatural». este caso, porém, não houve nada surpreendente no regresso da saúde da senhora Besra. Alguns distúrbios comuns tinham sido tratados através de métodos bastante conhecidos. Estavam a ser feitas reivindicações extraordinárias sem as provas mais básicas. A imposição de Agnes Gonxha Bojaxhiu ao mundo inteiro em Roma como a santa cuja intercessão se impôs à medicina é um escândalo que adiará ainda mais o dia em que os aldeões indianos deixarão de acreditar em charlatães e faquires.

Muitas pessoas morrerão assim sem necessidade por causa deste «milagre» falso e vil. Se isto é o melhor que a igreja sabe fazer numa época em que as suas reivindicações podem ser verificadas por médicos e repórteres, não é difícil imaginar o que foi inventado em tempos passados de ignorância e medo, quando os padres enfrentavam menos dúvida ou oposição.

6 thoughts on “Madre Teresa de Calcutá (3) – Fim”
  • Catellius

    “O mundo recompensa mais vezes as aparências do mérito do que o mérito verdadeiro.”

    François La Rochefoucauld

  • JoaoC

    Pois é.

    Exactamente como a corja ateísta. É dada (pouca, como é evidente) atenção e mesmo essa é pelas aparências de mérito.

    Porque o ateísmo não mérito, porque nem sequer é humano. Nem natural.

  • Anónimo

    Caríssimo JoaoC:

    A espécie humana, ao contrário das outras espécies, é a única que se identificou manter este tipo de interacção e convicção nas suas dinâmicas sociais.

    Com o crescente aumento da complexidade e organização das relações sociais, o aumento da capacidade de memória e comunicação, entre outros factores…, as crenças puderam surgir e desenvolver-se como forma de substanciar determinadas explicações para aquilo que era desconhecido. Muito provavelmente começando por tentar responder a perguntas primárias similares às seguintes: porque é que o gigante luminoso aparece e desaparece ao longe? Porque é que há períodos com calor que a terra dá frutos para comer e quando há períodos de frio não há tanta comida? Porquê as pessoas deixam de viver? Porquê isto tudo existe? Etc. Etc.

    Na natureza, para além da humanidade que mantém o teísmo, ateísmo, deísmo, etc. etc., não está identificado qualquer tipo destes comportamentos anteriormente mencionados. Por isso falar do que é natural, próprio da Natureza, em relação ao ser humano, está incorrecto, pois deveria estar a falar de conceitos como Cultura e Civilização…

  • Confrariaalfarroba

    “Mas que quimera é esta, estéril e impotente,
    Que divindade é esta imposta à néscia gente
    Por sacerdotes vis, cambada de impostores?
    Quererão eles contar-me entre os seus seguidores?
    Ah, jamais, juro-o, e não faltarei ao já dito,
    Jamais ídolo tão repelente e esquisito
    Esse que do delírio é filho e da irrisão
    A mim me causará a mais leve impressão.
    Eu, glorioso e feliz com o meu epicurismo,
    Só pretendo expirar no seio do ateísmo
    E que o infame Deus feito para me alarmar
    Seja ideado por mim tão só para o blasfemar…”

    do poema “verdade” do divino marquês – de Sade

  • Carlos Esperança

    JoãoC:

    Não sabe discutir sem insultar. Lembro-lhe que não está em família, a falar para a sua corja, mas se encontra em casa alheia que consente a sua falta de educação.

    Até nos cansarmos.

  • antoniofernando

    Madre Teresa de Calcutá tem obra humana de altruísmo e generosidade suficientemente eloquente para não necessitar de qualquer consagração dogmática sacramental para além da santidade da sua conduta. Ela não se remeteu à produção de meros discursos sociais,de meras palavras de retórica. Foi lá, onde o sofrimento e a desgraça humana imperavam, dando, de si e da sua vida, o melhor que tinha à causa da Humanidade. No coração daqueles e daquelas em que a sua obra se fez sentir ela já é plenamente santa. Não necessita de reconhecimento formal…

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