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Monita Secreta

Os Jesuítas andam à solta! Era o que gritavam delirantemente absolutistas e liberais desde o Marquês de Pombal até à primeira República sempre que queriam identificar as causas do atraso nacional e as razões da dificuldade do país acertar o passo com o progresso.

Monita Secreta – Instruções Secretas, foi dos libelos mais significativos e mais publicitados no âmbito do larguíssimo conjunto de peças de polémica antijesuítica. Este catecismo secreto reforçou muito a aparelhagem argumentativa para o combate ao jesuitismo e a tudo o que ele representava. Quem poderia pensar , efectivamente, que um libelo redigido no início do século XVII por um obscuro pároco polaco, que se queria vingar da Companhia de Jesus, conheceria uma tal difusão até ao nosso século, e que seria traduzido em múltiplas línguas? Esse sucesso só pode ser comparado ao dos Protocolos de Sião, escritos no final do século XIX por um departamento da polícia czarista.

A “Allgemeine Deutsche Bibliothek”, revista principal da Aufklarung na Alemanha, costumava publicar recensões de obras contemporâneas relacionadas com toda a área do saber, para elucidar os seus leitores esclarecidos. Em 1738, esta revista dedica um pequeno artigo a um livro intitulado, Monita Secreta patrum Societatis Lesu nunc primum typis expressa ( Instruções secretas dos Padres de Jesus, impressas agora pela primeira vez) e a sua tradução alemã que tinha sido publicada em 1782. Este livro era extremamente raro, segundo dizia o jornalista, já que os Jesuítas compravam todos os exemplares disponíveis desta obra. Apesar da condenação episcopal e da proibição de Roma, os Monita Secreta espalham-se logo por toda a Europa. Com efeito, estas “Instruções Secretas” foram abundantemente divulgadas no período do liberalismo português.

Que diziam as instruções? 

– Para se tornarem agradáveis aos vizinhos do lugar, muito importa explicar-lhes o objectivo da Companhia prescrito na Regra, onde se diz que a companhia se dedica com empenho e dedicação à salvação do próximo.

– Ao princípio, devemos evitar a compra de propriedades; mas se comprarem algumas, bem situadas, façam-no por empréstimo em nome de amigos fiéis e secretos. E para que a nossa pobreza se veja melhor, o Provincial atribua a colégios afastados os bens que são vizinhos[…] para que os príncipes e magistrados nunca tenham conhecimento exacto dos rendimentos da Companhia.

– Devemos fazer os maiores esforços para captar a atenção e o ânimo dos príncipes e das pessoas importantes[…] a fim de que ninguém se levante contra nós.

– Para ganhar o espírito dos príncipes, será útil que os nossos, habilmente, e por terceiras pessoas, se insinuem para os representarem em embaixadas honoríficas e favoráveis nas cortes de outros príncipes ou reis […] pelo que não devem ser destinadas a essas funções senão pessoas muito zelosas e experientes do nosso Instituto.

– A experiência tem-nos mostrado quanta vantagem a Companhia tem tirado em negociar casamentos entre príncipes […] por isso sejam propostos […] amigos ou familiares dos parentes e dos amigos dos nossos.

– Devem-se tornar participantes de todos os méritos da Companhia […] todos aqueles que podem favorecer extraordinariamente a companhia, mostrando-lhes a importância desse privilégio.

– Visitem as viúvas e assim que elas mostrem alguma afeição à companhia […] que elas se ocupem em ornamentar alguma capela ou oratório […] deve-se-lhe apresentar as vantagens do estado de viuvez e os incómodos do casamento repetido […] Deverá encaminhar-se a viúva para a prática de obras meritórias.

– Para obter a disposição dos rendimentos, que uma viúva possui, em benefício da Companhia, ser-lhe-á encarecida a perfeição do estado dos santos homens, que tendo renunciado ao mundo,[…] se puseram ao serviço de Deus com grande resignação e alegria de espírito. […] mostre-se repetidas vezes àquelas que são ligadas às esmolas e a ornamentação das igrejas, que a soberana perfeição consiste em despojarem-se do amor das coisas terrenas, fazendo seus possuidores o próprio Cristo […] deve-se-lhe aconselhar e louvar o uso dos sacramentos, em especial o da Penitência […] logo que se tenha a certeza de que está decidida a ficar viúva, deve-se recomendar-lhe a vida espiritual, como foi a de Paula e Eustáquio.

– As mães, quando as filhas já forem mulherzinhas […] devem mostrar-lhes insistentemente as dificuldades que são comuns a todas no casamento […] convém que procedam sempre de modo que sobretudo as filhas […] pensem ser religiosas.

– Os nossos devem conversar amavelmente com os filhos e, se estes se mostrarem aptos para a Companhia, devem-nos introduzir oportunamente no colégio

– Não será pequena a vantagem, alimentarem-se, secretamente e com prudência, divisões entre os grandes e os príncipes.

– Deve-se, por todos os modos, persuadir o povo e os grandes, que a Companhia foi estabelecida por uma particular providência divina, de acordo com as professias do Abade Joaquim para exaltar a igreja humilhada pelos hereges.

    *Eduardo Franco, José. Vogel, Christine. – Monita Secreta. Instruções Secretas dos Jesuítas – História de um Manual Conspiracionista. – Roma Editora.
16 thoughts on “Monita Secreta”

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  • rayssa gon

    é de deixar maquiavel orgulhoso. 😀

  • Carpinteiro

    Rayssa.

    O Monita Secreta não passa de um manual conspiracionista, mas qualquer pessoa minimamente atenta concorda que esse é o “modus operadi” da Igreja.

    Já aqui contei esta história:

    Eu tive um colega que faleceu de cancro no cérebro. Só após o seu desaparecimento é que a família tomou conhecimento que sua mãe havia pago ao padre várias missas para que este “intercedesse” para que seu filho fosse poupado.
    O padre aproveitando-se do desespero da mãe, conseguiu que ela fizesse uma promessa em que esta estaria disposta a “doar” a sua própria casa à Igreja, se seu filho sobrevivesse à doença.
    Infelizmente ele faleceu e a revolta da senhora levou-a a contar toda a trama à família.
    O espanto dos familiares foi total, quando souberam que até já havia um documento escrito de pré-acordo, para se efectivar a esritura da casa em nome da Igreja.
    A partir de então essa família nunca mais pôs os pés dentro de uma igreja.

  • antoniofernando

    “Desde que eu ouvi este relato, eu acho, estes senhores são capazes de tudo.”

    Uma pérola de raciocínio silogístico. Provavelmente Carpinteiro diria:

    “1- Estaline, Mao Tse Tung, Pol Pot, Enver Hoxha, Fidel Castro eram ateus”,

    2- Che Guevara também era ateu e foi à ONU dizer pesporrentemente: ” Sim, fuzilámos e vamos continuar a fuzilar”

  • antoniofernando

    Acrescentando:

    3- ” Os ateus são capazes de tudo”

  • Carpinteiro

    Desde a sua formação. a igreja católica romana tem forjado muitas imposturas e falsificações. Ela, além de ter introduzido doutrinas perversas de todo o género (o primado do bispo de Roma, a sua infalibilidade, a imaculada conceição de Maria, o purgatório, para citar só algumas das muitas), fabricou documentos de vários géneros, introduziu livros não inspirados no cânon da Escritura, falsificou passagens da Escritura, falsificou os dez mandamentos no seu catecismo, as actas dos concílios, os escritos dos chamados pais, inventou relíquias de todo o género, inventou toda a sorte de lendas, toda a sorte de milagres e de revelações. Tudo isto para poder sustentar o seu poder temporal, o seu primado universal, e os seus dogmas. Vejamos de perto estas imposturas e falsificações:

    AS FALSAS DECRETAIS (OU DECRETAIS PSEUDO-ISIDORIANAS)
     
    As falsas decretais são formadas por uma colecção de decretos de um certo número de papas (de Clemente I a Gregório II) e de concílios sobre pontos doutrinais e de disciplina que tinham como objectivo, engrandecer e sustentar a autoridade papal. Foram feitas por um certo Isidoro Mercator mas foram falsamente atribuídas a Isidoro bispo de Sevilha.

    Introduzidas no nono século, delas fez uso pela primeira vez o ambicioso Nicolau I (858-867) para provar a sua autoridade pontifícia. Destas decretais resultava que o papa tem a supremacia sobre todos os bispos, que os bispos postos sob acusação têm o direito de apelar ao papa, que o papa tem a ‘plena potestade’ sobre a Igreja, que a igreja de Roma, com base num único privilégio, tem o direito de “abrir e fechar as portas do paraíso” a quem ela quer.
    Estas decretais foram reconhecidas como falsas pela própria igreja católica romana em 1789 por meio de Pio VI, mas fica o facto que enquanto não foram reconhecidas falsas, foram declaradas autênticas e que na idade média contribuíram para aumentar e de que maneira, a autoridade papal. Portanto o papado que nós hoje vemos formou-se com a ajuda de falsos documentos.

    Eis aqui uma outra impostura papal: a chamada “doação de Constantino” que serviu aos papas para reivindicar o aumento de territórios, a autonomia política e o predomínio sobre o Ocidente.
    Concedia-lhes a jurisdição civil do Ocidente e a supremacia do bispo de Roma sobre os patriarcados de Alexandria e Antioquia, Jerusalém e Constantinopola. O pontífice obteve também o manto purpúreo, o ceptro e a escolta a cavalo. Isto lhe conferia a autoridade temporal sobre o império do Ocidente e tornava-o independente do império do Oriente.

    Um documento fraudulento que controlou todas as práticas monárquicas e governamentais na Europa Ocidental durante mais de 1200 anos.
    Este documento foi emitido pelo Vaticano no ano de 751 e é a autoridade pela qual o Papa é proclamado a pessoa de posição mais elevada do mundo e concede a supremacia da Igreja sobre todos os reis, rainhas e governos. É o mesmo documento que deu à Igreja o direito autodesignado de matar as pessoas aos milhares durante os séculos através da brutal Inquisição.
    Este documento (que constitui uma parte das decretais anteriormente citadas), redigido segundo alguns sob o pontificado de Estevão II (752-757), foi pela primeira vez divulgado em meados do século nono e por toda a idade média foi considerado genuíno. Foi demonstrado falso pelo humanista Lorenzo Valla, um assistente do papa, em 1440.

    – Repito: estes senhores são capazes de tudo.

  • F. Fernandes,

    vc publica aqui umas indicações publicadas por um suposto polaco expulso dos jesuítas, divulgado durante um periodo de ódio aos jesuitas, compara-os aos protocolos de sião que foram escritos no século XIX por uns burlões franceses e espera que a gente o leve a sério?

    Para além disso esquece-se de acrescentar que logo no sec. XVII este texto foi considerado falso e que nenhum historiador o leva a sério.

    Parece confirmar-se que a função desde site é o simples ataque as religiões (e a Igreja em particular) sem qualquer interesse pela verdade.

  • ffernandes

    Zé.

    A primeira edição dos Monita secreta data de Agosto de 1614, impresso em latim com a mensão do “lugar de impressão” falso.
    O Grand Dictionaire universel du XIXe siècle de Pierre Larrousse (1842) cita integralmente os Monita Secreta, e julga a sua autenticidade muito provável.

    Quanto aos protocolos, e segundo André Taguieff Pierre. – Introduction à l`étud des Protocoles, estes teriam sido escritos por um departamento da polícia czarista com o objectivo de desqualificar qualquer iniciativa de modernização liberal do Império czarista, apresentando-os como sendo inspirados pelos judeus Jerónimo Zahorowski.

  • Anonimo

    Pois eu não vi nada de ilegal, condenável o mau para a sociedade.

    Bem pior é proclamar o ateismo de forma ilegal, com actos injuriosos e falsos, como aqui se faz, a faz-se impunemente à luz do dia.

  • Anonimo

    estas a mentir porque o direito canónico proibe as duações feitas sob esse tipo de exigencias.

    Algumas seitas usam essa técnica. Mas, no fundo são um tipo de ateus que fingem ser crentes para viver.

    Há ateus sérios “qod cesar cesaris”. a diferença entre estes e a IURD é apenas na forma de propaganda.

  • Anonimo

    O post tem os mesmos objectivos dos ateus,dos republicanos anti jseuitas, dos racistas ateus tranversais a diferentes tempos da historia, dos falsarios que aqui, como ao longo da historia, fazem verdades determinados factos.
    Quem ler este blogue é enganado.

    A verdade é que os ateus sempre combateram os jesuitas, cujo conhecimento nunca poderam igualar.

  • Carpinteiro
  • Carpinteiro

    “Eppur si muove!”.

  • Kia

    quod loccus eppur “burrigen” doxa et supra omnia…

  • Kia

    Sim!…
    Este lugar é controlado por gente que, numa sociedade civilizada, estaria internada compulsivamente.

    Eggo dixxit!

  • Carpinteiro

    Sim sim meu querido torquemadazeco. E quem assinava o despacho de internamento era você não é verdade?
    Que rico!!

    Enxovalhadeiras de Fernão Lopes e serigaitas de Gil Vicente, já abundam neste espaço escusa de vir armado em Padeira de Aljubarrota.

    Deve ser frustrante para si, que o populacho não esteja disposto a regressar à Idade Média para que inúteis como você se divertam fazendo a vida negra aos outros.

    Para si uma sociedade civilizada será portanto aquela em que só e apenas, a sua dejecção seja permitida?
    Aproveite e meta-a em saquinhos para vender depois no “E-Bay”. Lá, vende-se de tudo, parece que um dos maiores êxitos até foi uma torrada, onde estavam, estigmatizadas, em forma de manteiga, as tabaqueiras da saloia da Cova da Iria. Valeu umafortuna!

    Um conselho: cuide-se e não pense tanto no Cristiano Ronaldo.

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