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A Igreja e a Guerra Civil Espanhola

Em Setembro de 1936 a Igreja Católica em Espanha, faz aprovar uma lei que obriga à separação dos sexos no ensino, e estabelece que nas escolas primárias, os directores não podem permitir obras cujo conteúdo não corresponda aos “saudáveis princípios da Religião e Moral Cristã». Decretam a “obrigatoriedade” do estudo da Religião e História Sagrada no ensino primário, passando depois em regime definitivo para as escolas secundárias e ensino superior. Nas universidades, havia ainda, semanalmente, uma conferência sobre temas fundamentais da Cultura Religiosa.

Em 1937 restauram-se as grandes festas litúrgicas, reconhece-se – sobre uma absurda ficção sem a menor base histórica – São Tiago como patrono de Espanha, decreta-se feriado o dia da Imaculada Concepção, e decreta-se que a figura da “Virgem” seja colocada em todas as escolas para que professores e alunos a “invoquem” diariamente.

Ao mesmo tempo oficializam-se os grandes cultos de Santos e reconstroem-se todas as Basílicas, Catedrais e Templos com dinheiros públicos. Em Março de 1938 é suspensa a aplicação da lei do direito ao divórcio, com o argumento de que o casamento católico é o único válido capaz de acabar com o sectarismo da Republica.

Nesse mesmo ano é erradicado o laicismo da vida pública, e é promulgado o “Fuero de los Espanholes” com o objectivo de reavivar a “Tradição Católica”. Em Maio restabelece-se com júbilo, a Companhia de Jesus, e em Setembro tem lugar o que de mais nefasto aconteceu, com repercussões na sociedade espanhola democrática; a aprovação da lei do ensino secundário, de estrita “Orientação Confessional”.

Rezava assim:

«O catolicismo é o fundamento, a medula de Espanha. Não se pode prescindir de uma sólida educação religiosa sem que esta contemple o Catecismo, o Evangelho, a Moral, a Liturgia, a História da Igreja e a correspondente Apologética; completada com noções de Filosofia e História da Filosofia, pois a verdadeira Espanha sempre defendeu a verdadeira civilização, ou seja, a civilização cristã.»

Seguidamente, é alterada a constituição e adaptada aos interesses da Igreja, o que permite que vários altos prelados, façam parte do órgão máximo legislativo, que fazem aprovar a lei que decreta que a Igreja Católica goza da protecção Oficial do Estado, não sendo permitidas cerimónias ou manifestações externas de qualquer outro culto religioso.

Assim a “Ley de Sucesíon en la Jefatura del Estado” de Julho de 1947 define:

1º artigo: Espanha como unidade política, é um Estado Católico[…].

2º O exercício de estado corresponde ao Caudillho de Espanha e da Cruzada[…].

O 3º artigo cria um conselho com dezassete membros com representação eclesiástica, que estabelece que, para se ser Rei, tem que “obrigatoriamente” professar a religião católica.

Ainda a “Lei de princípios Fundamentais” do Movimento Nacional de Maio de 1958 dizia que: «A nação espanhola considera ser uma honra o acatamento da lei de Deus, segundo a Igreja Católica, Apostólica, Romana, única e verdadeira, que inspirará a sua legislação na fé, inseparável da consciência nacional».

A lei de imprensa de 1957 concedia um estatuto de privilégio às publicações da Igreja, independente das leis do estado. O monopólio ideológico da religião católica permitiu a aprovação de leis como a “Lei de Repressão do Comunismo e Maçonaria”, onde a intolerância, o ódio e a satanização, tão caras à Igreja Católica, atingiram o seu máximo esplendor.

Em Março de 1939 são aprovadas várias leis que atribuem importantíssimos favores e “dádivas” de toda a espécie a par de muitos benefícios fiscais, e avultadas subvenções ao mantimento do culto e do clero. Subvenções de centros de docência que pronto obtêm reconhecimento oficial como; escolas, edifícios, bibliotecas, etc. Além de toda a franquia postal.

No ensino; vital para a reprodução “mecânica” social da igreja; esta arroga-se única usufrutuária dos poderes públicos conseguindo uma hegemonia sem rival, os colégios e as ordens religiosas alcançam o máximo domínio possível nesse campo, aumentando substancialmente o seu negócio e manipulando sem obstáculos a mente das classes médias e altas, ao mesmo tempo que provocavam a depauperação das escolas oficiais do estado.

O ensino universitário, impulsionado pela Igreja com dinheiros públicos e com a protecção oficial do estado, fica igualmente refém dos braços tentaculares da Igreja. Basta recordar que a “Ley de Ordenación de la Universidad Española”, de Julho de 1942 dispunha no seu 3º artigo:

«A universidade , inspirando-se nos princípios católicos […] orientará o seu ensino de acordo com o dogma e a moral católica, e de acordo com as normas do Direito Canónico vigente».

O artigo 9º completava: «O estado reconhece à Igreja Católica em matéria universitária, os seus direitos, conformes com os dos Sagrados Cânones».

Foram quarenta anos de doutrinamento católico no sistema de ensino, que continua a receber a protecção dos actuais poderes políticos através do reconhecimento de habilitações e títulos, e por estranho que pareça, continuam a ser subvencionados economicamente com dinheiros públicos.

Há que reconhecer que a Igreja não é hoje uma sombra do que foi no passado, devido à quebra de confiança que inspirou nas novas gerações de jovens, e pela saturação de mitos inverosímeis com que ainda se enroupa, sustentados apenas pela obediência cega e mimética, e pela ignorância generalizada.

*Fonte: Ojea, Gonzalo Puente,- Elogio del Ateísmo.

16 thoughts on “A Igreja e a Guerra Civil Espanhola”

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  • jovem1983

    A título individual, mas que também sei que é partilhado por mais pessoas próximas da minha faixa etária, quando leio sobre esse período da história europeia penso sempre na sorte que tenho em estar a viver nesta época de maior liberdade e oportunidades.

    Sinceramente espero que a nossa cultura democrática, bem como o conhecimento progressivamente acumulado e preservado pela humanidade impeçam o ressurgir de opressões e orientações deste tipo ou similares.

    Quem quiser acredite, quem não acredita não deverá ser orientado em exclusivo e/ou obrigado a acreditar naquilo que os outros acreditam, ou garantir a estrutura que promove essa crença.

  • rayssa gon

    em pleno seculo XX. voltaire deve ter se revirado loucamente no caixão. 🙁

  • Carpinteiro

    Tudo seria bem melhor se as três religiões do livro não fossem de cariz tão violento, pese embora encham a boca com a palavra amor e todos os dias apregoem a paz.
    O que se passa presentemente na Europa, é um exemplo, com a tentativa de reislamização pelos muçulmanos, e na América Latina e África onde o cristianismo quer levar Cristo a todo o custo.
    O Carlos Esperança escreveu um dia a frase certa: – Maldito proselitismo.

  • Rjgalves2001

    Excelente conjunto de trabalhos sobre o catolicismo em Espanha.

  • Cesar

    “” faz aprovar uma lei que obriga à separação dos sexos no ensino, e estabelece que nas escolas primárias, os directores não podem permitir obras cujo conteúdo não corresponda aos “saudáveis princípios da Religião e Moral Cristã” “”

    Passo a ser um defensor do regime de Franco.
    Não encontrei nada que seja de combater por gente séria, honesta e educada. Nenhum dos princípios que aqui se fala poderia ser mau para a sociedade e para o bem-estar comum.
    Quem se revolta contra princípios que não geram mal é muito má pessoa. E, essas pessoas, se forem eliminadas da sociedade, melhor.

    Só bandidos podem dizer mal do que está bem.

    “” “Lei de Repressão do Comunismo e Maçonaria” ””
    – É verdade que o comunismo e a maçonaria são um bandos de satânicos, intolerantes e cultivadores do ódio á justiça, ao bem-estar e à segurança, como ficou demonstrado em todos os estados controlados por esses bandos.

    Se a Espanha hoje fosse assim, seria o melhor e mais seguro país do mundo – tido o que fosse lixo era banido e reduzido a fertilizante.

    Venha daí um regime destes para Portugal. Estou aqui para lutar por ele.
    E só não lutam os bandidos, os ladrões toda a classe de lixo humano.

  • Carlos Esperança

    Foi o século das Luzes que foi apagado :((

  • Carpinteiro

    Rayssa.

    «Os evangelhos canónicos, são apenas aqueles que não caíram da mesa abaixo, no Concílio de Niceia» – Escreveu sarcasticamente Voltaire no seu Dicionário Filosófico.

  • Laico

    Pensei que esta mentalidade já não existisse!!!!! Aqui se prova a falta de humanismo no cérebro dos intoxicados pelas fés(es).
    Melhor paz que as dos países nórdicos onde as religiões não têm significado???!!!!
    Enfim…

  • jovem1983

    Caríssimo Cesar (anteriormente Salazar2009, segundo o registo do sistema DISQUS):

    Após meses de silêncio (novamente, segundo o sistema DISQUS), voltou para defender uma posição claramente comprometida com valores religiosos católicos cristãos, mas na vertente demarcada de um regime totalitário que alimentou, e que de Futuro pretende que alimente, as relações entre o poder religioso e político, no estrito direccionismo das populações.

    Porém há uma incongruência evidente para com a sua própria existência, isto atendendo à posição de ateu que captou e apresentou no seu comentário anterior, pois escusou-se, propositadamente ou por ignorância a verificar a impossibilidade da existência do ateísmo – repito, no qual se identificou – perante a prevalência de regimes totalitários confessionários da natureza que defende. É isso que deseja? Note que aos olhos dessa corrente que defende você integraria o lixo humano…

    Longe de mim lançar qualquer ponto de vista ou directiva sobre o seu comportamento ou atitude de alguém na dependência ou face a crenças ou da descrença (cada um sabe de si), mas não me abstenho de apontar a noção errónea que defendeu, que seria apenas pela censura e direccionismo religioso que se formariam pessoas sérias, honestas e educadas, contribuindo assim para o bem da sociedade e bem-estar comuns. Compreenderá onde se encontra a falácia do seu julgamento, repare muito facilmente encontramos hoje pessoas com essas características, preocupações e actuações, provenientes de diversos e diferentes quadrantes (quer crentes, quer descrentes), isto na nossa organização tendencialmente livre e plural actual.

    Para terminar um outro aspecto que me intrigou (mas não se esqueça que esta é a minha opinião a título individual), para alguém que se considerou como ateu, atribuir o qualificativo de “bandos de satânicos” parece levar “a coisa” a sério, mas para o lado da crença. Enfim, como é algo próprio, você saberá melhor do que ninguém o que pretendeu exprimir.

  • JoaoC

    Então que nos mantenhamos na escuridão muito tempo. A “luz” dos ateus só traz as trevas satânicas de qualquer maneira: marxismo, ateísmo, nazismo, comunismo, socialismo e etc, é tudo fruto das mesmas árvore – do Demónio e do Inferno.

    A perda da Fé é pior que a destruição de uma nação ou de um continente inteiro.

    Que Portugal e a Europa acordem e abram os olhos para a ameaça anti-católica e ateísta que ferve em solo cristão. A Deus permitir esta actividade diabólica, que seja por breve período e que seja para santificação dos Seus filhos e confusão dos inimigos.

    “Em Portugal conservar-se-á sempre o Dogma da Fé”. (A Santíssima Virgem, em Fátima).

    Podem ser poucos, mas chegamos para resistir.

  • Carpinteiro

    Fala de tal modo dos ateus que me faz lembrar o tempo em que o senhor prior se esforçava por me convencer que comiam criancinhas, não os padres mas os ateus. Enfim,.. penso que era por receio da concorrência.

    Livrámo-nos do horror da inquisição, mas não nos livrámos dessa horrível tendência cristã para branquear e mentir. De um certo ponto de vista, nós, ateus, apenas estamos do lado dos que acham que os bois devem chamar-se pelo nome, mesmo que a maioria nos considere uma imensa minoria. Milhões passam em Fátima e acreditam que uma boneca de porcelana faz maravilhas não tendo discernimento para questionar se, a santa(?) conseguiu viajar através dos céus para se encontrar com três putos analfabetos, mais fácil lhe fora conseguir agora andar sozinha. Mas não, só em ombros, não de suas santidades que essa “minoria” não foi talhada para puxar carroça, mas às costas da “maioria”. Lá diz o ditado:
    – Puxar é para o burro que eu não quero trabalhar.

    Pois… Talvez o problema seja mesmo esse, a grande minoria dos ateus, não vai nos três éfes,: Fátimas, Floribellas nem Futebois.
    Você vai. Vai e vem aqui, qual mulher-a-dias, dá coice em ateu como em tropa fandanga e retira-se em oração. Digo eu.
    Razão tem o meu vizinho do 2º esquerdo: – Fazes cá uma falta como a viola no enterro.

  • Carlos Esperança

    Caríssimo Cesar (anteriormente Salazar2009, segundo o registo do sistema DISQUS):

    RE: Um fascista apanhado. Parabéns, embora o próprio o demonstre.

  • César

    Escreva o Já me tinhas perecido um fulano de instintos pidescos. Andas agora a perseguir as pessoas!
    Qual é o teu problema. Eu não me posso Chamar César, ou não posso ter o apelido e o e-mail Salazar?
    Por baixo de uma capa de cordeiro, és muito parecido como os outros.

    ”voltou para defender uma posição claramente comprometida com valores religiosos católicos cristãos” >
    Eu fui educado num país cristão, vivo num país cristão, sempre tive como referência os valores da cultura cristã, o que deveria eu defender? O Islamismo? O Budismo? O vosso neo-ateísmo anti valores?
    Desde quando é necessário ser baptizado e praticante para aceitar de bom grado os valores da sociedade em que vivo?

    Os católicos nunca me fizeram nenhum mal. E, de certeza que não me vem nenhum mal da religião deles. Já do vosso ateísmo, pela forma como alguns aqui se expressam, duvido que não seja o pior bando do meu país.

    “as relações entre o poder religioso e político no estrito direccionismo das populações.”
    Todas as correntes ideologias fazem o mesmo. Nos vos vejo a tentar pressionar o poder, com cartas e comunicados, pois não? E, se queres que te diga, tenho mais medo do direccionismo neo-ateu, do que de qualquer corrente religiosa cristã. Mal por mal, venha um estado cristão.

    O “lixo humano” são ao bandidos que o neo-ateísmo anda a defender. Não são os ateus, são algumas seitas de neo-ateus, também eles “lixo humano”.
    Ele são os gays, ele são drogados, ele são os bandidos que andas nas nossas escolas e universidades e mamar o que ao pais ganham e nada fazem, ele são os politicos neo-ateus que são exemplos de corruptos e bandidos .

    È desse lixo que eu falo.
    É duns gajos que me roubam o carro e ainda tiveram a lata de dizer ao juiz que “não têm dinheiro para compra um e não vão andar a pé” . Logo, roubam e nada lhes acontece.
    E de dois fulanos que assentaram uma tia minha e lhe deram uma sova (numa velhota de 87 anos) e a justiça nada lhes fez. È de bandidos que assaltaram um café na minha rua e despiram a dona do café em frente do filho de 8 anos, Nada lhes aconteceu, porque a justiça diz que não foi grave… que são os tempos… que é sociedade que temos
    Se estivessem a rezar, de joelhos, ou a fazer uma missa em Fátima, não me incomodavam nada!

    É essa porcaria que o ateísmo defende a apoia. É disso lixo neo–ateista que eu falo e que agradeço a Franco a Salazar, até a Hilter por me livrar dele.
    AGRADEÇO!

    Não é rezar missas ou a ir à catequese ou nas aulas de religião que estes bandidos ficam assim..
    Incomoda-me ver os ateus irritados porque alguém resolve acabar com estes bandidos.

    Venha Franco!
    Venha Salazar!
    Limpem este país. Façam um , dois, três Tarrafais, mas livrem-nos deste lixo!

    Eu não tenho medo. Sabes porquê?
    Porque estou aqui sossegado no meu canto. Convivo muito bem com toda a gente de bem. Mas pessoas como os defensores dos gays, dos drogados ,do aborto, dos bandidos, esses não os posso ver!

    Não faço a mínima ideia do que disse noutro comentário, ou o nome que usei. Contudo, como não costumo beber, não creio que tenha concordado com a forma como neste blogue os ateus se expressam.

    Um ateu não fala de Deus, mas não se mete com quem fala. Não reza, mas não se escandaliza de quem reza. Não se ajoelha, mas respeita quem o faz e entende esse acto como uma forma de humildade, que fica bem a todos os humanos.

    Aqui, neste blogue está um grupo de bandalhos, uma verdadeiro grupo de arruaceiros marginais, que fazem do ateismo um pretexto pra poderem exercer a sua conduta de arruaceiros e marginais.
    Por mais que digam o contrário, é só isso que fazem!
    seu comentário aqui.

  • César

    Para não me chatear contigo, não me vou alongar.

    És um marginal como os patrões desta casa, e também se serves do selo do a”ateísmo” para desculpar a tua marginalidade.

    Eu sou ateu há mais anos do que tu.

    Por acaso, eu só vejo vândalos não vão á igreja rezar, nem a Fátima.

    Queres que comece nos políticos e acabe na ciganada e nos pretos?

    (Também os há sérios, mas são poucos).

    Não me venhas com a historia dos padres e do papa que nada fez contra a pedofilia, porque a maior parte dessas historias não são pedofilia, mas antes casos de consentimento sem idade.

    Olha esta noticia, bem pior do que as dos padres, de uma juíza neo-ateia:

    ““Uma garota menor de idade ficou presa numa cela do Pará com mais de 20 homens por meses, e que foi sistematicamente estuprada no período. E que uma juíza federal, ciente do caso, não tirou-a de lá.” (Veja, Brasil)

    É assim, Carpinteiro! Esta juíza (ou o estado laico do Brasil) enjaularam uma rapariga e fizeram dela uma preza a ser devorada, na frente de toda a gente, e ninguém quis agir.
    Há muitos casos como este, nos estados laicos e nos funcionários neo-ateus.
    Desses, não te vejo falar!

    Aprende a ser ateu, depois podes conversar com gente séria!

  • jovem1983

    Caríssimo Cesar:

    Primeiro, se fiz menção ao nick que utilizou anteriormente foi porque tive a preocupação de ler alguns dos seus comentários anteriores antes de lhe direccionar um comentário, não houve nada no meu comentário que diminuiu o seu direito de escolher o nome que o identifica neste ou noutros espaços, nem muito menos limitar a sua liberdade de opinião, o que defende, ou a conduta que utiliza para se exprimir.

    Segundo, quando escrevi “voltou” tem a ver com o regresso após 8 meses de ausência (conforme indicado no registo dos seus comentários no DISQUS, acessíveis – como todos os outros comentários dos diferentes comentadores – aos demais comentadores), enquanto a “posição claramente comprometida com valores religiosos católicos cristãos” não deve ser lida de modo algum em separado das linhas seguintes, que os considerava particularmente enquanto vertente relacionável com o regime totalitário em questão (o qual fez assumidamente uma apologia para o seu retorno). A falha nesta leitura, através de uma leitura e interpretação parcial, permitiu-lhe avançar com uma interpretação errónea e desajustada do conteúdo da minha expressão.

    Terceiro, o que apontei no seu julgamento foi o seguinte: se quiser é muito fácil encontrar actualmente pessoas com as características humanas que idealiza nesses regimes totalitários, quer crentes, quer descrentes (isto está explícito no meu comentário anterior). O que escreveu neste último comentário vai ao encontro da ideia livre e plural que defendi (apesar de não ser esse o sentido que utiliza nos seus comentários…), quando escreve: “Desde quando é necessário ser baptizado e praticante para aceitar de bom grado os valores da sociedade em que vivo?” [- Cesar, Post: “A Igreja e a Guerra Civil Espanhola”, 23/07/2010].

    Em quarto lugar, a título individual – mas que tem clara aplicação para qualquer pessoa que escreva ou comente neste post, quer seja crente, quer seja descrente, incluindo você – não será através dos meus comentários que saberá o que faço ou deixo de fazer, salvo se eu quiser voluntariamente divulgar qualquer informação relativamente a esse campo. Quando comentar neste tipo de espaço virtual abstenha-se de tentar adivinhar, limite-se a considerar as opiniões que são aqui expressas, os argumentos que as sustentam e se quiser, porque essa decisão pertence ao campo da sua liberdade de expressão, respeite a liberdade de divergência de opinião e expressão dos demais.

    Para terminar, não julgue que o tipo de experiências que relata não são do conhecimento e preocupação de muitas pessoas, quer crentes, quer descrentes, contudo deve ter presente que o problema da criminalidade não é apanágio do nosso tempo, bem como não está circunscrito ao objecto da crença ou à descrença dos indivíduos. Sabemos pelos indicadores de educação têm uma clara relação com os índices de práticas de crimes, quanto mais elevado é o primeiro, menor é o segundo. Não acha que aqui está uma aposta para evitar o regresso a um Passado opressivo, esmagador de liberdades e oportunidades?

    Termino com uma ideia que certamente reconhecerá o seu valor, estabelecer classificações, caracterizações e modelos de conduta com base em interpretações e convicções individuais (e também em preconceitos), sem qualquer prova ou fundamento, não favorecem a argumentação e a discussão séria dos problemas, bem como fragilizam a posição do indivíduo que assim se expressa.
    Reflicta.

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