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  • 24 de Maio, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

O fim do limbo por cinco dólares

Por

C S F

As notícias sobre o fim do limbo são excessivamente optimistas. A Comissão Teológica Internacional da Congregação para a Doutrina da Fé publicou o documento , com o fabuloso título A Esperança da Salvação para as Crianças que Morrem sem Baptismo, após três anos de pesquisa e uma reunião entre o actual responsável, o cardeal Levada, e o seu antecessor, Ratzinger, o actual Papa.

O documento está acessível num site do Vaticano (Catholic News Service) por cinco dólares a cópia. Não sei se alguém o leu, incluindo António Marujo, o jornalista do Público que ontem escreve sobre o assunto, citando apenas extractos disponíveis na página da citada CNS. Parece que os trinta membros da Comissão tiveram ” em conta a superabundância da graça de Deus sobre o pecado original”, e esta graça pareceu-lhes ” omissa na ideia de limbo”. Mas a conclusão final é surpreendentemente humilde:

“Deve reconhecer-se claramente que a Igreja não tem um conhecimento seguro sobre a salvação das crianças que morrem sem ser baptizadas.”

A Igreja não tem ideias seguras. Devemos reconhecê-lo claramente. Ainda não é desta que as almas do Limbo se livram do pecado original e verão a face de Deus.

20 thoughts on “O fim do limbo por cinco dólares”
  • antoniofernando

    Carlos Esperança:

    Grande texto. Agradeço que o tenha editado. Admitir que Deus possa colocar num inferno, que alguns consideram um local físico de chamas ardentes, crianças inocentes, pelo mero facto de não terem sido baptizadas é para quem, como eu, acredita em Deus ,mas não numa versão satânica de Deus, a maior ofensa que se Lhe pode fazer. Isso é de tal forma teologicamente iníquo e obsceno que qualquer pessoa medianamente sensível sabe que Deus nunca poderia configurar um ser tão desumano, inclemente e cruel, como o que perpassa desse documento.

    “Deve reconhecer-se claramente que a Igreja não tem um conhecimento seguro sobre a salvação das crianças que morrem sem ser baptizadas.”- diz o inane documento.

    Se a ICAR não é capaz de reconhecer claramente que Deus nunca enviaria nenhuma criança inocente para o suposto Inferno, então o melhor é fechar portas, porque do essencial de Deus tudo ignora…

  • antoniofernando

    Carlos Esperança:

    Fico-lhe grato se editar aqui o documento onde consta a frase:“deve reconhecer-se claramente que a Igreja não tem um conhecimento seguro sobre a salvação das crianças que morrem sem ser baptizadas.”Obrigado.

  • Mario

    Então e quem já estava no limbo há séculos? Espero que tenham arranjado habitações em condições senão começam logo a montar barracas e o Paraíso transforma-se numa favela. O planeamento urbano de deus deixa muito a desejar. A sorte é que lá não há eleições autárquicas…

  • JoseMoreira

    Se eu tivesse dúvidas acerca da existência de deus, certamente que ficaria mais confuso, ainda, ao ler o comentário do António Fernando. Porque, meu caro, segundo me meteram na cabeça, Deus só há um. E o deus em que o António Fernando acredita não é, certamente, o deus que aparece na Bíblia, nem aquele que me garantiram que existia (embora nunca ninguém me tivesse apresentado provas da sua existência, mas isso é outra conversa). Ou seja, embora inadvertidamente, o António Fernando acaba por confirmar aquilo que qualquer ateu sabe há muito tempo: cada um tem o deus que lhe dá mais jeito. Os que têm deus, claro. O António Fernando não quer – e eu assino por baixo – um deus satânico, mas esse deus satânico, certamente que tem um deus mais bondoso que, certamente, criou à sua (do António Fernando) imagem e semelhança.. Mas o tal satânico é, precisamente, o deus da ICAR. Por exemplo, claro, que as Testemunhas de Jeová também adoram o deus satânico, vingativo, invejoso, irado, homofóbico, misógino, amigo da escravatura, assassino, enfim, só virtudes.

  • JoseMoreira

    Obviamente, houve erro. A frase correcta, é: O António Fernando não quer – e eu assino por baixo – um deus satânico, certamente que tem um deus mais bondoso que, naturalmente, criou à sua (do António Fernando) imagem e semelhança.

  • zgd

    Simplesmente ridículo, como pode haver milhões a acreditar nestas tretas incutidas por autênticos vigaristas.

  • antoniofernando

    José Moreira:

    Se eu como crente não sentisse que Deus radica em cada um de nós, no domínio superior em que você coloca, que é o da Bondade, não acreditaria em Deus. Quando, em criança, fui para a catequese,ainda não conhecia Cristo mas já sentia que Deus existia. Depois, comecei a aperceber -me que havia outras concepções antropomorfizadas de Deus, que apontavam para um demiurgo satânico que Deus não pode ser. Nessa concepção não acredito. Pode objectar-me que a minha concepção também pode ser falível, que é igualmente o resultado da minha específica antropomorfização.Mas, sabe, se Deus não for Amor, então não O encontrarei certamente em mais lado nenhum…

  • Carlos Esperança

    No próximo ano, se conseguir libertar-me de alguns compromissos que me acompanharão enquanto não terminarem as comemorações do centenário da República, talvez lhe proponha animarmos um espaço comum a crentes e ateus.

    É um gosto ler os seus textos. A sintonia não é para mim factor decisivo para apreciar quem escreve com qualidade e bem documentado.

    Espero que compreenda que o DA é um espaço de combate que não procura a imparcialidade.

    O pluralismo constrói-se na diversidade tal como as sínteses só se conseguem com a tese a e antítese.

  • antoniofernando

    Carlos Esperança:

    Grato pela sua gentileza. Poderia sim ser muito interessante um espaço comum entre crentes e ateus. Humanamente não temos que nos engalfinhar por possuirmos ideias diferentes.Eu sei que muitas vezes, aqui, não consegui conter a minha linguagem.Mas sou cristão,não santo…:-) Entendo que o DA tem a sua linha editorial e que o pluralismo se constrói na diversidade. Mas se não formos capazes de perspectivas reciprocamente mais equânimes,seremos todos nós que perderemos com isso…

  • Zeca

    Gosta o sr. Moreira que Deus fosse tão incongruente ao ponto de tratar uma avantesma grotesca como o sr. Moreira, com os mesmos mimos de uma pessoa normal, minimamente decente e humanizada.

    Ora, Deus só será justo de punir os prevaricadores que o fazem consciente e propositadamente, tipo: a paneleirada, os ateístas, os terroristas , os assassinos (e responsáveis por genocídios como o aborto)… e outros semelhantes.
    Esses merecem, logicamente, uma condenação eterna, de infinito sofrimento e bem pesada.

    Esta ideia desagrada, de todo, os bandidos e todos os que fazem do crime e do banditismo a sua filosofia de vida.
    Cada qual luta por si… ti Moreira!|

  • Zeca

    (…)libertar-me de alguns compromissos que me acompanharão enquanto não terminarem as comemorações do centenário da República, talvez lhe proponha animarmos um espaço comum a crentes e ateus.

    Acho interessantíssima esta revelação do sr. Esperança.

    Desde logo, a ligação do ateísmo à republica, mostra como eles (os ateístas) tentam controlar o sistema politico que, infelizmente, nos escraviza.
    Que delicioso ouvir as acusações dos ateístas a choramingar que a Igreja tenta influenciar o Estado. Hipocritamente, os ateístas confundem ateísmo com republica e com estado laico.

    Ainda bem que o fazem. Trata-se de um sistema politico aporcalhado, imposto por bandoleiros, assassinos, ladrões, mercenários a soldo e terroristas recrutados nas fileiras da máfia do avental e nos fundamentalistas da carbonária – tudo ateístas satânicos . Um regime proto-nazi ditado pela força, pela coação e pela arruaça, constrangendo um pais a capitulara e destruir a sua paz interna e até uma memória de 8 seculos, não é motivo de regozijo e comemoração para nenhum mortal com massa cinzenta a funcionar.
    Comemorar o período mais negro da Historia de Portugal , que marca o fim do esplendor da Pátria Lusa e o inicio da servidão e da menoridade de um povo subalternizado, dependente e domesticado por laicos e interesses estranhos, é uma aberração, pra não lhe chamar o nome que merece (isto faz-me lembrar um episódio grotesco que vi, recentemente, numa viagem a uma local da Rússia europeia, onde uma conjunto de pessoas comemorava – literalmente comemorava mesmo! – o acidente do Kursk).

    Outra coisa que não me podia passar despercebida é convite do sr. Esperança ao AntónioFernando. É um pedido de namoro, que mais parece uma posposta de casamento entre o Sumo Sacerdote Caifás e Poncio Pilatos

  • Alfredo Dinis

    Caro Carlos,
    O documento está acessível gratuitamente no site oficial do Vaticano: http://www.vatican.va
    Saudações,

    Alfredo Dinis

  • Carlos Esperança

    Obrigado, Alfredo Dinis.

  • Carlos Esperança

    Pode colocá-lo, s.f.f..

  • Nuno

    “Deus nunca poderia configurar um ser tão desumano”

    Mas deus não é humano… Os processos lógicos que Ele possui podem ser totalmente diferentes dos nossos. Quem lhe diz que Ele não acha correcto enviar inocentes para o inferno por essa razão?

  • Baal

    Se eu der dez dólares posso safar-me do inferno ?

    É que não quero passar o resto da eternidade ao lado do zeca tuga. Chiça !!!!!!

  • sxzoeyjbrhg

    O documento pode ser lido aqui em italiano:

    LA SPERANZA DELLA SALVEZZA PER I BAMBINI CHE MUOIONO SENZA BATTESIMO

    http://www.vatican.va/roman_curia/congregations

    ou aqui em inglês:

    THE HOPE OF SALVATION FOR INFANTS WHO DIE WITHOUT BEING BAPTISED

    http://www.vatican.va/roman_curia/congregations

  • zeca

    Descance Dr. Mestre Baal, porque os paneleiros não vão para o paraíso!

  • JoseMoreira

    Caro António Fernando:
    O deus que nos vêm impingindo desde a mais tenra idade, é aquele que se encontra descrito no calhamaço de embustes conhecido por Bíblia. É esse livro que descreve quem é o deus alegadamente criador de todas as coisas. Não há outro, nem pode haver. Isto partindo, claro, da hipótese meramente académica e completamente absurda de que o deus do livro exista. Ele próprio, na sua legislação, impõe: “Não terás outros deuses ante mim”. Ora, sendo assim, e partindo da hipótese acima, qualquer outro deus – bondoso, etc, só pode ser inventado. É blasfémia.
    Deus não é amor, António Fernando. O deus do Livro, entenda-se. Não ama quem permite que seu filho seja assassinado. Não ama quem manda matar a torto e a direito.
    Você, António Fernando (por favor, não considere isto como uma crítica; é, apenas, uma constatação), abjurou o deus do livro, por ser assassino, raivoso, prepotente, injusto; e criou um deus só para si, bondoso, cheio de amor. Esse, meu caro, não é o deus da Bíblia. Esse, é o SEU deus. Um deus à sua medida. Como todos os outros deuses são à medida de cada um, ou de cada civilização.

  • Nuno

    Oh zequinha, zequinha… Achas que ter uma mulher a fazer-te fio terra não configura um pecado de sodomia? Vais para o inferno na mesma pa!

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