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  • 18 de Maio, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

O Papa e o respeito pelo país visitado

Bento 16 é livre de vir a Portugal quando quiser; o PR pode convidá-lo quando desejar; os bispos são livres de promover banhos de multidão, de que carece, para o aliviarem da pressão mediática a que, por culpa sua, se sujeitou.

Pode e deve discutir-se a conjuntura da visita, na proximidade de eleições presidenciais, em período de anúncio de medidas gravosas para o equilíbrio das contas públicas e num tempo de contenção orçamental.

Certamente que a tolerância de ponto ficará como decisão inapagável de um país que se genuflectiu ao autocrata que governa a única teocracia europeia. A memória registará as excessivas demonstrações de consideração que se transformaram em subserviência.

Como é frequente, o ruído mediático abafou dois objectivos importantes desta viagem com que exultaram os crentes – a celebração dos 5 anos da beatificação dos pastorinhos e a fuga à pressão mediática a que estava a ser submetido Bento 16.

O Papa veio comemorar cinco anos de beatificação de Francisco e Jacinta, duas crianças com muitas décadas de defunção a quem a família de médicos Felizardo dos Santos (pai, mãe e filha) atribuíram a cura de D. Emília Santos, intermitentemente entrevada, que morreria pouco depois, completamente curada e esquecida pela Igreja a quem fizera o milagre.

Por mais inoportuna e prejudicial que a viagem tenha sido para Portugal e por mais lucrativa e frutuosa que fosse para o Vaticano, Bento 16 não tinha o direito de criticar o país anfitrião pelas leis sobre o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo, como fez na homilia de Fátima.

Foi uma intromissão autoritária e inadmissível que merecia um protesto diplomático de qualquer país que prezasse a independência e execrasse as intromissões estrangeiras em assuntos de política interna. Faltou a Portugal um ministro dos Negócios Estrangeiros que advertisse o Papa da intolerável falta de respeito para o país que o recebeu.

7 thoughts on “O Papa e o respeito pelo país visitado”

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  • pedro

    -|- -|-
    M MA

    O Carlos Esperança é o Papa do ateismo português.

  • João C.

    5 anos da beatificação de Jacinta e Francisco?? De 2000 a 2010, se vão 5 anos, então os outros 5 passaram por si e nem conta deu. A desorientação temporal costuma agravar com a idade, até mesmo para o Papa do ateísmo. É apenas (mais) um sinal de demência, nada que uns drunfos não resolvam por enquanto…

    Ironias à parte, por estas e por outras vê-se a seriedade com que tratam os assuntos…

    E ainda querem que vos levem a sério!…

  • antoniofernando

    “BENTO 16 NÃO TINHA O DIREITO DE CRITICAR O PAÍS ANFITRIÃO PELAS LEIS SOBRE O ABORTO E O CASAMENTO DE PESSOAS DO MESMO SEXO, COMO FEZ NA HOMILIA DE FÁTIMA.”

    Bento XVI tem todo o direito de falar para os católicos nos termos que entender.E os católicos de o ouvir, concordando ou discordando dele.A ICAR, como qualquer instituição religiosa,de qualquer credo, tem também todo o direito de emitir as suas considerações sobre as diversas temáticas que respeitam à sua dogmática. Aliás, não deixaria de ser estranho que qualquer corrente de opinião só pudesse pronunciar-se na medida da validação a partir das nossas próprias visões do mundo….

  • Carlos Esperança

    Tem razão quanto aos anos, duas vezes. No que me diz respeito e quanto à beatificação dos cadáveres.

  • Carlos Esperança

    António Fernando:

    Tinha o direito de o fazer numa visita apostólica, não numa visita de Estado. Este é o meu ponto de vista. Mas o Governo e o PR confundiram tudo e não se pode pedir a um Papa que abdique do autoritarismo que é seu apanágio.

  • pedro

    -|- -|-
    M MA

    Então ele é chefe de Estado e não só, deixa lá o homem em paz…

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