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A Bélgica proíbe os véus integrais

O parlamento belga votou ontem favoravelmente a proibição dos véus integrais. Passa a ser crime uma pessoa apresentar-se em locais públicos com «a cara coberta ou dissimulada total ou parcialmente, de tal forma que não seja identificável». A pena por infracção será uma multa ou mesmo a prisão de um a sete dias.
Evidentemente, a lei é motivada pela escalada do islamismo radical – do qual os véus são a bandeira e o instrumento. A lei pretende ser um sinal de que não é aceitável o papel reservado para as mulheres nas interpretações mais fundamentalistas do Islão. De que a igualdade de direitos entre homens e mulheres não é restrita às mulheres brancas ocidentais. E de que o respeito pela liberdade individual não significa tolerar o aprisionamento de mulheres em prisões ambulantes.Escrevi abundantemente sobre este assunto, por exemplo aqui, ali e acolá. Há testemunhos de mulheres muçulmanas e ex-muçulmanas que defendem a proibição. E das que são espancadas por o retirar. Devem ser ouvidas.

Mas o melhor é mesmo dar a palavra a uma proponente da lei. A Associação República e Laicidade publicou, também ontem, a tradução de um artigo de uma deputada belga de origem muçulmana chamada Fatoumata Sidibé. Leia-se: «Declaro que o véu é o símbolo de um projecto político totalitário».

«Eu, cidadã belga de cultura muçulmana, originária do Mali, um país muçulmano a 90% onde a religião influencia fortemente as leis, regulamentos e diferentes aspectos da vida quotidiana, onde certos costumes e tradições retrógradas perpetuam as discriminações em relação às mulheres, onde mais de 80% das raparigas são vítimas de mutilações genitais, onde a poligamia é legal, onde os casamentos forçados são impostos às jovens, onde no que respeita ao direito de herança as mulheres são encaradas como seres inferiores, onde, desde a primeira infância, se ensina às raparigas que o seu destino é sofrerem, resignarem-se, submeterem-se, casarem-se, fazerem filhos e honrar a família,
Eu, vinda de um país onde o integrismo islâmico ganha terreno trazendo como corolário a proliferação do uso do véu, onde os avanços legislativos no que respeita aos direitos das mulheres esbarram com as pressões das autoridades muçulmanas em nome da paz social, da unidade nacional e da preservação dos valores sociais e religiosos malianos que confinam as mulheres a estatutos de cidadãs de segunda categoria,

(…)
Declaro que numerosas mulheres muçulmanas no mundo associam o combate contra os integrismos religiosos e a promoção da laicidade. Elas sabem que certos laxismos repicam como sinos para todas aquelas que lutam e arriscam as suas vidas no Egipto, na Somália, na Índia, no Irão, no Sudão, no Paquistão, em Marrocos, na Argélia e noutros países contra a poligamia, a lapidação, o enclausuramento dos seus corpos em mortalhas ambulantes, a imposição do uso do véu, a repudiação, a excisão, os crimes de honra.

(…)
Declaro que nem todas as mulheres veladas são submissas, e que nem todas as mulheres que usam os cabelos ao vento são livres e emancipadas, mas que as raparigas e mulheres que usam o véu por pertença cultural, convicção religiosa, ou porque as proíbem de o usar, não retiram nada ao significado político deste véu sacralizado pelos islamistas e imposto pelo proselitismo dos autoproclamados procuradores de Deus. Aquelas que avançam o argumento de que “é a minha escolha” deveriam ter a decência e a “irmandade feminina” de reconhecer a opressão daquelas que não têm escolha.
(…)»

(Ler na íntegra.)

21 thoughts on “A Bélgica proíbe os véus integrais”
  • sempapasnalingua

    Para o senhor Baal
    “Por outro acho que isto é uma violência em relação à liberdade de quem quer usar”

    O que tu achas é só produto da tua ignorância sobre o assunto.
    Já várias vezes tenho repetido o mesmo que esta senhora Fatoumata
    Sidibé,seja a propósito da comida halal, minaretes, usurpação das ruas para as orações, etc, etc, quando afirma que também « o véu é o símbolo de um projecto político totalitário».
    E mais que um símbolo, é uma arma estratégica central da jhiad e da islamização do território kouffar, o dar el gharb.
    Acho eu, em contrapartida, que devias poisar na realidade e resolveres qualquer problema do foro emocional que transparece nos teus discursos, antes de emitires o teu próximo achamento.
    Em consequência a tua lógica é só retórica balofa, porque assenta em muita ignorância, falsas premissas, mau caracter e em contradições como aquela de seres ou não seres islamófobo.

    “Hoje a burca, amanhã quem sabe ?”
    Para já a burqa e o niqab em todos os países do Ocidente, a seguir as outras versões do véu islâmico e vestimentas masculinas equivalentes.
    Finalmente, e visto que o caos islamizante no território já ultrapassou o ponto de “non retour”, parece-me que um governo autoritário com a suspensão temporária de certas liberdades é o remédio cavalar inevitável para suprir à impotência e contradiçõs das nossas democracias, evitar a balcanização do território e fazer a economia de futuras guerras civis étnico-religiosas.
    O FN da Marine Lepen continua a sua progressão em popularidade e probabilidades de ser poder nas próximas eleições, talvez em coalição com a direita tradicional, a Itália já está sob controlo da direita autoritária, a Hungria foi o sucesso que se sabe, a Holanda vem a seguir com o democrata islamo-lúcido Geert Wilders e outros países vão fazer o seu caminho no mesmo sentido, como a Dinamarca, Suécia, Alemanha. O Reino Unido o mais podre de comunitarismo e islamisado, para já são os conservadores que vão ganhar as eleições e depois não sei se a situação não irá degenerar rápidamente e apesar disso, para confrontos violentos com o fascismo verde dos adeptos de mafoma e inimigos mortais do Ocidente.
    Pese embora a colaboração e cumplicidade “intelectual” de tipos como tu, e que um dia serão chamados a responder pelas suas responsabilidades e crimes.

  • Atinado

    És muito palerma!

    Acreditas que há casos de pessoas a ser hostilizadas de forma violenta por não usar véu. Tu és muito ingénuo ou completamten palerma.

    Repara que a ONU e a AI condenam aquilo que tu defendes.

  • Ricardo Alves

    «Uma marroquina residente em Espanha há cerca de dez anos foi brutalmente agredida por não usar véu. A agressão ocorreu a 14 de Outubro mas só ontem foi conhecida ao ser noticiada no jornal El País: ocorreu em Socuéllamos, povoação da província da Cidade Real, e provocou um aborto espontâneo na mulher, de 38 anos, apenas identificada pelo nome próprio, Saadia.»

    http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?co

    http://www.laprovence.com/actu/frappee-parce-qu

  • antoniofernando

    Podemos tentar debater as nossas ideias sem nos ofendermos reciprocamente.Devemos trazer nos nossos genes antigas memórias tribais, quando a luta e a guerra faziam parte do quotidiano de sobrevivência e o inimigo era sempre o que não pertencia à nossa tribo.Já por várias vezes reagi aqui emocionalmente porque também não gosto de ser ofendido.Dito isto,sou por princípio contra as tentativas de intromissão na forma como as pessoas se vestem, sejam muçulmanas ou religiosas católicas ou de qualquer outro credo religioso.Não me visto à punk, mas isso não me confere o direito de tentar proibir a presença de punks com cabelo azul nas salas de aula ou outros locais públicos, ou de rastafaris com os seus entrançados cabelos.Sou adepto do multiculturalismo e da convivência cívica entre pessoas de diferentes realidades culturais,religiosas ou sociais. A fraternidade passa pela diferença, não pelo unanimismo.Reconheço que pode haver, em zonas-limite, conflitos de valores e,em certa medida, entendo a aprovação do parlamento belga, se for motivada por estritas razões de segurança pública e não de ordem discriminatória cultural.Mas pergunto: a lei do Parlamento belga também abrange os disfarces de Carnaval por razões de segurança pública ou é só determinada por preconceito contra o véu islâmico ?…

  • Baal

    Tu não deves ser deste mundo.

    Já agora diz também que, enquanto lhes estão a praticar a excisão, as meninas cantam e dançam, felicíssimas.

    Diz-me lá, por acaso não és da família do antoniopírulas não ?

  • Baal

    Xiiiiii,

    Agora é que estou mesmo tramado !

    Não é que concordo outra vez contigo ? Palavra que não faço por mal. Juro !

    Não adianta pedir perdão não é ? Compreendo que seja horrível eu concordar contigo e nada me livrará da tua fúria vingadora. Pronto, venham de lá esses uivos e insultos.

  • Atinado

    E quando estã a ser vacinados cantam e dançam?

    E quando são colocados no infatário nos primeiros tempos cantam e dançam?

    E um filho de um ateu comentador deste blogue, quando lê o que o “Kota” escreve, canta e dança?
    Isso não serve de exemplo.

  • Baal

    Caro sempapas,

    Uma coisa que tenho constado na minha conversa com as pessoas é que a teimosia é uma doença com sintomas terríveis, a começar pela cegueira.

    “Já várias vezes tenho repetido o mesmo que esta senhora Fatoumata
    Sidibé,”

    Sim ? Então se tens repetido acho que devias começar por ler o que ela diz.
    Aquelas que avançam o argumento de que
    “é a minha escolha” deveriam ter a decência e a “irmandade feminina”3 de reco-
    nhecer a opressão daquelas que não têm escolha.

    Fatoumata Sidibé,”

    Ou seja, mesmo a maior activista antiburca reconhece o facto óbvio de que existem muitas mulheres que a usam porque querem e até têm orgulho nisso.

    É um projecto totalitário ? Talvez até seja. Mas os partidos comunistas, neoliberais e de extrema-direita e grande parte das igrejas cristãs também o são e nó acabamos por os tolerar. Porque é que só tremes com o totalitarismo muçulmano ?

    “Em consequência a tua lógica é só retórica balofa, porque assenta em muita ignorância, falsas premissas, mau caracter e em contradições como aquela de seres ou não seres islamófobo.”

    Sim ? Mas és tu que nem é capaz de ler os textos da tua guia espiritual…

    “Finalmente, e visto que o caos islamizante no território já ultrapassou o ponto de “non retour”, parece-me que um governo autoritário com a suspensão temporária de certas liberdades é o remédio cavalar inevitável para suprir à impotência e contradiçõs das nossas democracias, “

    Já estás apresentado.

    E depois dos muçulmanos, quem é que queres tramar a seguir ?

    “Pese embora a colaboração e cumplicidade “intelectual” de tipos como tu, e que um dia serão chamados a responder pelas suas responsabilidades e crimes.”

    Portanto, toda a gente que nãp pense como tu.

    Eu e mais quem ?

    Meu amigo, já dei para perceber que TU tens um projecto totalitário qualquer e que usas os muçulmanos para isso. Só ainda não o consegui identificar, mas lá chegarei.

  • Baal

    Atinado,

    Eu sei que é esquisito. Mas arrancar o clitóris ou obrigar alguém a andar com um saco na cabeça toda a vida NÃO é a mesma coisa que levar uma vacina ou andar na escola.

    Sei que para os fanáticos de todas as categorias as realidades mais simples são coisas deveras difíceis de entender. Olha, podias juntar-te ao sem papas que é tão fanático como tu mas ao contrário.

    Como um é cego de um lado e o outro é cego pelo outro lado, podia ser que conseguissem, por compensação, ter alguma noção das realidades.

    E escusas de dizer, já sei que tenho mau caracter. Toda a gente me diz isso.

  • Atinado

    São obrigadas a usar?

    Elas querem viver cobertas

    Jovens muçulmanas criadas na Europa
    lutam para usar o véu nas salas de aula
    Na França, duas adolescentes foram expulsas de uma escola secundária, no mês passado, por se recusar a tirar o véu durante as aulas. Dias depois, na Alemanha, uma professora primária de 31 anos ganhou uma batalha de cinco anos na Justiça para ter o direito de lecionar numa escola pública com o hijab

    O surpreendente é ver jovens nascidas e criadas na Europa .As irmãs Lila Levy-Omari, de 18 anos, e Alma, de 16, preferiram abandonar a escola onde estudavam, na periferia de Paris, a tirar o véu.
    Acontece que o pai das duas jovens é judeu e a mãe, católica nascida na Argélia. Recém-convertidas, Lila e Alma passaram a usar o véu apenas neste ano. A mesma determinação levou a professora alemã Fereshta Ludin, nascida no Afeganistão numa família de classe média, a desafiar o governo da Alemanha. Impedida de dar aula numa escola pública usando véu, ela pediu demissão e foi à Justiça. Uma corte de apelação decidiu a seu favor, alegando que não há lei que proíba uma professora de lecionar com a cabeça coberta.
    São jovens nascidas e criadas na Europa, mas que se sentem discriminadas. Para elas, o Islã é um símbolo de identidade étnica e cultural. Os atentados de 11 de setembro ajudaram a isolá-las ainda mais.

  • Ricardo Alves

    «As exceções estão limitadas a acontecimentos festivos como o carnaval, desde que autorizadas com antecedência.»

    http://www.google.com/hostednews/afp/article/AL

    «O texto contempla algumas excepções, isentando categorias como motociclistas, bombeiros e soldadores.»

    http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?co

  • Atinado

    Liberdade de descriminar!

    Najwa Malha tem 16 anos e quer ser professora de matemática. Desde sexta-feira que esta adolescente espanhola de origem marroquina está no centro de uma acesa polémica, depois de ter sido impedida de entrar na sala de aula, no Instituto Camilo José Cela, em Madrid, por usar hijab, o véu islâmico.
    (…)Num gesto de solidariedade, cinco colegas de Najwa decidiram ontem, ainda antes da reunião, cobrir a cabeça. “Vamos acompanhá-la o tempo que for preciso, a qualquer custo”, explicaram as jovens ao diário El País.
    Ontem, o pai da jovem, Mohamed Malha, disse à imprensa espanhola que a filha, que ontem faltou às aulas, está a sofrer uma “depressão” devido a esta situação e começou a receber acompanhamento psicológico.

  • Ricardo Alves

    «um governo autoritário com a suspensão temporária de certas liberdades é o remédio cavalar inevitável para suprir à impotência e contradiçõs das nossas democracias, evitar a balcanização do território e fazer a economia de futuras guerras civis étnico-religiosas»

    O seu projecto de substituir as democracias europeias por ditaduras «temporárias» (as ditaduras são todas temporárias quando começam…) é bem conhecido de quem observa os seus comentários neste blogue há vários anos. Que se regozije com a presença dos pós-fascistas de Fini e dos xenófobos de Bossi no governo italiano não me espanta, como não me espanta o seu desejo de ver a senhora Le Pen no governo francês.

    Não me venha é dizer que defende a liberdade, a democracia, ou a laicidade. Porque não o faz. A sua simpatia é por aqueles que querem a expulsão dos muçulmanos e uma Europa homogeneamente cristã. E que querem derrubar ou limitar as democracias europeias.

  • Atinado

    Na primeira pessoa e em liberdade!

    Abdul Latif, 32, ela mesma adepta do véu desde os 14 anos. Embora admita que a visão do véu como símbolo de submissão ou imposição à mulher muçulmana ainda seja comum no Ocidente, Magda, que é formada em ciências sociais pela USP (Universidade de São Paulo), A mulher não coloca o véu porque o marido ou o pai querem, mas porque Deus quer.””
    Existem muitas mulheres muçulmanas que não obedecem todos os mandamentos da religião e por isso não usam. Essa nuance, não é que não eles [os políticos] não saibam, mas eles tentam tirar a religiosidade do debate para conseguir aprovar essas leis.”
    A opinião é compartilhada pela biomédica Nadia Hussein, 28, para quem o uso véu, além de uma obrigação religiosa, é também parte da;maturidade religiosa; da mulher islâmica.;Religiosamente, o correto é usar quando na adolescência, quando se atinge a menarca. A mulher não coloca o véu porque o marido, ou o pai querem,mas porque Deus quer;, diz.
    Para Nadia, que faz uso do véu desde os 21 anos, sob o argumento de que querem ;livrar as mulheres daopressão;, as leis podem ;caracterizar as mulheres muçulmanas;.;O uso do véu é como a oração que é feita cinco vezes ao dia ou como o jejum durante o Ramadã [o mês sagrado muçulmano], que nós aguardamos ansiosamente para praticar.

  • Baal

    Muito bem !

    Alguém que apresente a realidade como ela é.

    MUITAS mulheres QUEREM usar o véu e isso devia ser um direito.

    Temos de reconhecer isto ou somos uns perfeitos idiotas porque as provas estão à vista.

    Só que existe o outro lado da medalha. Muitas são MESMO obrigadas a usar e devemos acautelar o seu direito de não usar. Também temos de o reconhecer sob pena de sermos uns perfeitos idiotas porque as provas também estão à vista.

    Infelizmente estou sempre a levar por todos os lados, porque quem reconhece que que há muitas que querem usar não reconhece, nem à lei da bala que haja muitas que são obrigadas a usar e quem reconhece que há muitas que são obrigadas a usar, não reconhece, nem à lei da bala, que haja muitas que realmente querem usar.

    No entanto todas as provas são claras, não há como não ver, há quem queira e há quem não queira, mas como em todos os assuntos, as pessoas escolhem lados como quem escolhe clubes de futebol, e o que conta é a cor da camisola e não a verdade.

    Depois, o chato que aparece a notar as coisas boas e más dos dois lados é nomeado o mau carater oficial, porque não agrada, nem quer agradar a ninguém, mas apenas reconhecer os FACTOS tal como eles são.

    Aqui, o único que se tem portado bem é o Antóniopírulas, mas, como o nome indica, tem uma pancada descomunal e embora eu até tenha concordado sempre com ele, tem ataques histéricos sempre que me vê.

    Em resumo, sou uma vitíma.

    PS

    Se bem que confesse estar um bocado cansado de pessoas, por comparação, ultimamente tenho achado as baratas muito mais inteligentes, lúcidas e agradáveis.

  • Mike

    Caro Baal:

    Deixa-te de merdas.

    Eu não defendo o islamismo na Europa, mas defendo a liberdade de todos.
    Se há a intenção de banir o islamismo, porque está em oposição à nossa cultura, de igual forma é justo pedir que seja bando o ateísmo que também está em oposição à nossa base cultural.

    Se queres uma cosia, aceitas implicitamente outra. .

    Eu defendo a liberdade e uso de todo o tipo de vestuário e adereços.

    O que eu defendo é liberdade d a mulher.
    Legisle-se, regulamente-se, aplique-se uma lei que condene a trabalhos forçados durante 20 anos aqueles que obriguem uma mulher (ou um homem) a usar, contra sua vontade, qualquer tipo de roupa ou adereços.
    Condene-se a igual penas quem impedir a mulher de usar a roupa que queira ou os adereços que quiser.

    O autor da lei deveria ser o primeiro a cumpri pena!

    Estamos numa “Europa merdosa”, onde o civismo e a cultura tem regredido séculos cada ano que passa.

  • Ricardo Alves

    Baal,
    eu sei que há mulheres que usam o véu de livre vontade, e outras que o usam obrigadas. Mas são as segundas que me preocupam, porque as primeiras já são livres.

    Leia a Fatoumana Sidibé:

    «Declaro que se atinge o cúmulo da doutrinação quando a escrava interioriza
    as suas correntes como se fossem normais, quando ela não pode pensar de outra
    forma que não pelo prisma de uma sociedade que a convenceu desde a mais tenra
    infância através das tradições, das aulas de religião e dos sermões religiosos,
    que a sua natureza de mulher a predispõe a ocupar uma posição de inferioridade,
    de submissão. É esta mesma violência simbólica que empurra as mulheres a
    infligirem às suas filhas violências como os casamentos forçados, ou as mutilações
    sexuais genitais de que elas próprias foram vítimas.
    Declaro que nem todas as mulheres veladas são submissas, e que nem todas
    as mulheres que usam os cabelos ao vento são livres e emancipadas, mas que as
    raparigas e mulheres que usam o véu por pertença cultural, convicção religiosa,
    ou porque as proíbem de o usar, não retiram nada ao significado político deste
    véu sacralizado pelos islamistas e imposto pelo proselitismo dos autoproclamados
    procuradores de Deus. Aquelas que avançam o argumento de que
    “é a minha escolha” deveriam ter a decência e a “irmandade feminina”3 de reconhecer
    a opressão daquelas que não têm escolha.»

  • Baal

    Mike,

    Por acaso até concordo contigo. Se reparares bem foi mais ou menos isso que eu disse. Simplesmente, quando digo que compreendo os proibicionistas, e compreendo, é no sentido da segurança – a burca cria problemas óbvios de identificação e na era do terrorismo isso é um problema real – e no da pressão social que se cria em volta das mulheres que não querem usar e que por vezes são alvo de violência.

    Mas concordo contigo, a tua abordagem é muito mais lúcida. Vigilância policial e uma moldura penal suficentemente intimidatória para proteger as que não querem usar, seria a meu ver muito mais apropriado do que a proibição.

    As minhas critícas referiam apenas àqueles que, de um lado ou do outro, não querem admitir ou que há mulheres que não querem usar e são obrigadas ou pelo contrário, que há muitas que querem usar e são agora obrigadas a não usar. E se reparares, tem sido essa a “argumentação” pela negação da realidade que tem predominado nesta discussão.

  • Baal

    Ricardo Alves,

    “eu sei que há mulheres que usam o véu de livre vontade, e outras que o usam obrigadas. Mas são as segundas que me preocupam, porque as primeiras já são livres. “

    Não reparaste que a tua observação está um bocado datada ?

    Essa ERA de facto a minha maior preocupação. Acontece que estamos precisamente a discutir o facto de que as outras ERAM livres, mas já não são.

    Logo, a partir de agora preocupam-me tanto umas como as outras, em pé de igualdade, porque é uma violência serem terceiros a decidir o que a senhora X vai ou não vai vestir.

  • sempapasnalingua

    “O seu projecto de substituir as democracias europeias por ditaduras «temporárias»(as ditaduras são todas temporárias quando começam…) é bem conhecido de quem observa os seus comentários neste blogue há vários anos. Que se regozije com a presença dos pós-fascistas de Fini e dos xenófobos de Bossi no governo italiano não me espanta, como não me espanta o seu desejo de ver a senhora Le Pen no governo francês.

    Não me venha é dizer que defende a liberdade, a democracia, ou a laicidade. Porque não o faz. A sua simpatia é por aqueles que querem a expulsão dos muçulmanos e uma Europa homogeneamente cristã. E que querem derrubar ou limitar as democracias europeias”

    Senhor doutor Ricardo Alves e presidente da Associação República e Laxidade
    Pensava o senhor encontrar matéria nos meus milhares de comentários para me “lepenizar”, ou diabolizar-me como sempre tentou, colando-me a etiqueta de racista, xenófobo e outros mimos que os adeptos demagogos do políticamente correcto, e aliados objectivos ou confessos do islamismo, utilisam para demolir com o máximo de cinismo e desonestidade intelectual, quem não pense como eles. Mas isso já não funciona, caro senhor, tem que procurar outras astúcias mais subtis e inteligentes.
    Você confunde na sua cegueira vingativa a que me habituou há vários anos, o que eu escrevo de observação/vivência e de apologético.
    Não apelei para qualquer tipo de ditadura ou totalitarismo “temporário”, falei da necessidade de um estado forte, autoritário, que proteja a democracia e a república face aqueles que estão minando mortalmente a nossa sociedade e apostaram há 1.400 anos em derrubar a nossa civilização e impor-nos uma ditadura teocrática e um totalitarismo abominável.
    Também descrevi a vaga montante –et pour cause- da direita ou extrema direita, como reacção ao mau estar, pauperização e insegurança que vivem os nacionais “de souche” ou assimilados.
    É uma constatação falsa?.
    A suspensão de “certas liberdades” tem algum mal?
    A suspensão da “liberdade” de usar burqa tem alguma canotação com um regime totalitário?
    A crítica à gestão catastrófica da emigração e a incapacidade de transformar estrangeiros em cidadãos integrados, que amem e respeitem o seu novo país, é uma manifestação do meu racismo e xenofobia?
    O desenlace conflituoso que sugeri e temo, é apenas uma convicção partilhada pôr muito mais gente do que o senhor doutor pensa, tanto à direita como à esquerda, e por quem vive o clima de “ras le bol” e exasperação da generalidade dos cidadãos destes países. Até compreendo que o senhor não a partilhe, pois estou a falar duma atmosfera que o senhor aí em Portugal não respira e não o incomoda tão refasteado deverá viver como doutor, socialmente priveligiado e bem assalariado.
    A sua memória deve ser muito curta, senão lembrar-se-ia, que se falo em Marine Lepen que nada tem a ver com o pai, em termos de democracia, anti-semitismo, racismo e laicidade, também já citei André Gérin-comunista e presidente da comissão parlamentar sobre a lei da burqa- e a sua opinião sobre a situação da França. E nem precisava de ouvir este senhor sabendo os factos que diáriamente revelam a incapacidade do estado francês de recuperar o controlo da segurança pública e o respeito pela república.
    Como resposta à sua investida “arrasadora” consulte pelo menos, e por exemplo, o que pensa uma intelectual tão insuspeita como Malika Sorel no artigo “Vers un régime autoritaire ? »
    http://puzzledelintegration.blogspirit.com/
    Já alguma vez ouviu falar desta senhora ? Leia o que ela escreve e cisme, vai ver que não dói e endireita-lhe , como quem diz, as suas ideias.
    Ou as suas referências limitam-se apenas aos idiotas úteis dao fascismo verde tipo Caroline Fourest ?
    Se o senhor fosse mais lúcido e menos insolente, devia reconhecer que se é a direita que tem capitalizado o descontentamento das populações pela « chienlit instalada », a culpa é só da esquerda (e da nomenklatura política), que em vez de combater o islamo-fascismo, preferiu aliar-se a ele, a exemplo dos trotskistas do NPA de Besancenot, e verdes, fantasmando sobre a luta de classes em que os muçulmanos aparecem como o « exército dos pobres e oprimidos » com que há-de derrubar o capitalismo.
    E já agora que estou em maré de altruismo e serenidade, sugiro-lhe que acompanhe melhor os debates em França, actualise-se e limpe o bolor das ideias e saberá que uma nova esquerda, islamo-lúcida e humanista desponta no horizonte político-partidário a exemplo da Riposte Laique e faz oscilar no seu pedestal, os seus ídolos e gurus. Aqueles mesmos que se desolidarizaram de Robert Redeker, lincharam a Fanny Truchelut e queriam agora abater o Eric Zemmour só por que ele relata factos com grande brilhantismo e craveira intelectual. Lembra-se ?
    De qualquer maneira agradeço que não repita este incidente e tenha a decência em não difamar as pessoas ao ler coisas que não foram escritas e emprestar-me ideias que não tenho.
    De acordo ?
    Além do mais, mesmo que tivesse essas « tais » ideias estar-me ia cagando de bem alto para as suas observações moralisantes.
    Obrigado,e beijinhos e abraços da Eurábia com amor

  • Mike-teef

    ,,,,,,

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