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Momento zen de segunda_ 26_04_2010

Na sua homilia de hoje, no DN, João César das Neves (JCN) parece apavorado com a legalização do casamento gay, convencido definitivamente da sua obrigatoriedade ou servindo-se do pretexto para não falar dos escândalos que inundam a sua Igreja.

Qual profeta, ungido na sacristia de uma paróquia rural, JCN afirma que «Aquilo que chocará o futuro são sem dúvida as tentativas radicais e atabalhoadas na legislação da família», motivo que o levou a intitular o sermão «A construção de um monstro».

Considera a lei do aborto de 2007, responsável pelo morticínio de milhares e insurge-se contra o que chama «enorme fraude política de usar um referendo não vinculativo sobre a despenalização do aborto” para o legalizar, omitindo que o anterior, igualmente não vinculativo e menos participado, suspendeu a legislação legalmente votada na A.R..

Depois de uma frase pia, de ressonância apocalíptica, « O aborto é apenas um aspecto, de longe o mais sangrento, da vasta investida recente contra a vida», atira-se à “lei da procriação medicamente assistida” de 2006 exibindo um desvelo pelo embrião humano superior ao que alguma vez lhe mereceram as crianças que morrem vítimas da fome, da guerra e das doenças que o seu omnipotente deus consente.

«As leis do divórcio de 2008 e uniões de facto de 2009 constituem enormes atentados à instituição familiar, só comparáveis à campanha de 2010 pelo casamento do mesmo sexo», – diz o microfone da Igreja católica ligado às segundas-feiras no DN.

JCN encara a educação sexual como uma imposição de «ideologia frouxa e lasciva» às crianças e jovens e ruge contra as praias de nudistas. Depois mistura coisas diferentes: divórcio (quererá proibi-lo?), uniões de facto e filhos fora do casamento, a que atribui a baixa natalidade, esquecendo que pior, para a reprodução, é a castidade.

JCN considera a legislação familiar portuguesa, em linha com o que se passa na Europa, um plano malévolo digno de Nero, Napoleão e Hitler, esquecendo as paixões que os dois últimos despertaram em altos dignitários da sua Igreja.

Enfim, JCN é uma poderosa vacina contra a Igreja de que é prosélito.

11 thoughts on “Momento zen de segunda_ 26_04_2010”
  • antoniofernando

    João César das Neves não é personagem que acompanhe normalmente nos seus textos,bem pelo contrário. Mas, quanto à questão do aborto, equaciono: se eu der uma bofetada em alguém estou a cometer um crime.Se uma mulher abortar às 11 semanas também.Se eu quiser deixar bens em testamento a um nascituro, posso fazê-lo.A nossa Constituição da República diz que ” a vida humana é inviolável”. Um nascituro será uma ” coisa” ? Um embrião com 10 semanas, já formado, será o quê ? Se uma mulher decidir abortar um feto humano, quem fica do lado do mais frágil e inocente ? Será um feto humano propriedade da sua progenitora ? Serão os nossos filhos nossas propriedades ? Às nossas coisas, podemos dar pontapés para o caixote do lixo Aos nossos filhos, não. Aos fetos humanos também não. Pelo menos,a partir das 11 semanas.Estranha forma de aplicar o nosso preceito constitucional quanto à “defesa da vida humana”…

  • Carlos Esperança

    António Fernando:

    Também me debato com dúvidas e perplexidades perante o aborto mas não quero que as mulheres sejam presas.

    Quanto aos embriões excedentários que existem armazenados não tenho os mesmos problemas.

    Já quanto ao divórcio, sou absolutamente favorável e a Igreja não tem o direito de interferir porque não tem soluções para a violência que existe dentro do matrimónio.

    Mas não se admire por eu partilhar as suas dúvidas. É diferente do espírito medieval de JCN.

  • Torres

    Que seria da humanidade se não existisse o das Neves. As suas tiradas são uma lufada de ar fresco, sobretudo para os miseráveis não contemplados com as dádivas da fé. Porque não editar os seus textos em folha dupla, picotada e em rolo para se lhes dar um fim nobre tão merecido.

    O seu sentido de oportunidade é impar. Enquanto se vai descobrindo que imensos exemplares do seu rebanho seguiram o fascínio do pio deboche, das Neves recupera a temática do aborto…e só por lapso não aflora os maleficios do perservativo e da masturbação. Estranha-se que esta sumidade não se digne iluminarnos com uma abordagem isenta da história do santo homicida padre Frederico. Esperemos de forma resignada pela palavra do das Neves.

  • Baal

    Hummmm,

    E se eu disser que nas clínicas de abortadeiras trabalha imensa gente que gosta de crianças ? Se calhar algumas até são contra o aborto mas trabalham lá por necessidade !

    Logo não podemos generalizar não é ?

    Para além disso é conhecido que o Sr. Zé, que recolhe os sacos com os fetos, é uma excelente pessoa, a senhora Catarina da recepção também, o brasileiro que põe a publicidade da clínica no correio também, para já não falar no anestesista que é uma jóia de pessoa !

    Logo não podemos generalizar !

    Não podes criticar as clínicas de abortos como instituição porque trabalham lá excelentes pessoas.

    A menos claro, que admitas que esta vossa argumentação que usam para desculpar todos os crimes da igreja seja uma completa estupidez, uma aldrabice mentirosa e uma imoralidade, para além de ser completamente IDIOTA.

    Mas isso faz de vocês o quê ?

  • jovem1983

    Espectáculo! Temos problemas de natalidade e as principais causas foram as enunciadas.

    Quem cai nesta falácia deve tentar responder: quem no seu perfeito juízo vai ter mais do que um filho quando não há mais nenhuma forma de “genasticar” o ordenado ao final do mês? Não serão certamente as minorias endinheiradas, que continuam a ter mais do que três filhos, que vão mudar o peso dos pratos na balança demográfica.

    Não é o tempo que reduz o panorama de uma era, é a manutenção de mentiras e manipulações voluntárias ou involuntárias (caso seja este o caso do autor João César das Neves), sobre pessoas que são facilmente manipuladas para não pensarem demais e que, por sua vez, influenciam terceiros com as mesmas condições.

  • Luciana

    Maleficios do preservativo e da masturbacao?
    O mal é nao usar e deixar de se masturbar pra comer criancinhas!!

  • antoniofernando

    Carlos Esperança:

    A nossa Constituição determina que ” a vida humana é inviolável”. E a mulher que, por livre decisão, abortar a partir das 10 semanas comete o crime de aborto, que se mantém em vigor no nosso ordenamento jurídico.Ou seja: o nosso legislador reconhece que um feto é uma vida humana, pelo menos a partir das 10 semanas. Como proteger então a vida humana da sua inviolabilidade se, por livre decisão da mulher e em estabelecimentos de saúde oficiais, pode ser violada a vida humana até às 10 semanas? O Tribunal Constitucional fez ” vista à grossa” ao que determina a Constituição.E a nossa Assembleia da República, para ser consequente com o respeito que é devido à Lei Fundamental do país, deveria alterar o seu artigo 24º para a seguinte redacção:” a vida humana é inviolável a partir das 10 semanas de gestação”.O Carlos não quer que as mulheres vão presas.Eu também não. Mas também não quero que a vida dos seres mais frágeis não seja defendida.E não aprecio que se tenha rasgado a Constituição da República Portuguesa quanto ao que determina o seu artigo 24º. A questão é complexa e a temática do aborto clandestino pertinente.Há claros conflitos de valores nesta questão,sem dúvida. Mas, quando existem conflitos éticos,no que às questões de vida respeitam,a vida dos mais fracos e inocentes deve, por princípio, ser salvaguardada, salvo quando estiver em causa a vida da mãe e não for possível compatibilizar os dois direitos à vida.Votei Não porque não consegui ultrapassar esta conflitualidade de valores, mas respeito e entendo as razões dos que, na sua íntima consciência, entenderam dever votar Sim.

  • antoniofernando

    Baal: pareces um disco partido. Ainda não te deste conta da figura triste e ridícula que por aqui andas a fazer ? Tem dó de ti, homem.E um pouco de vergonha na cara.

  • Baal

    Claro, o preservativo, a masturbação e o casamento gay é que são a causa dos problemas de natalidade.

    As condicionantes económicas, que fazem que hoje em dia os casais se casam cada mais vez mais perto dos 30, a instabilidade laboral, com os recibos verdes, o outsourcing, os baixos salários que fazem que os pais tenham de ter dois empregos para sustentar a família que fica praticamente ao abandono por falta de tempo, a dificuldade em arranjar casa porque os bancos não emprestam às vitímas de outsourcing etc etc etc, nada disso tem grande importância para o católico médio.

    Particularmente asqueroso é que, pelo contrário, o católico médio está ideologicamente ligado ás forças políticas que destroem as famílias pelo outsoucing, recibos verdes e baixos salários.

    César das Neves é o perfeito exemplo desse tipo de fariseu.

    Economista é um dos pilares do neoliberalismo económico que esmaga a população com todas essas “armas sujas” sociais. É professor na Católica, que, só por coincidência, é um dos pólos do ensino e influência social que os neoliberais têm nos meios político económicos.

    Aliás como em todo o mundo. As universidades da igreja estão na linha da frente na defesa dos princípios neoliberais que estão a destruir a nossa sociedade.

    Um exemplo, a universidade católica de Santiago do Chile foi o centro da política económica neoliberal de Pinochet que realizou um “milagre económico” (mais um) enriquecendo os ricos ainda mais à custa do maior empobrecimento dos pobres.

    Em resumo, a igreja vai destruindo as famílias, dando força às correntes sociais que contribuem para a sua destruição. E depois deita as culpas para cima dos homosexuais e dos namorados que dão quecas. Lindo.

  • Baal

    Sim senhor antoniovamosfingirquenãoestamosaver,

    Como o senhor quiser, senhor antonioestouaolharparaolado,

    Mas não sou eu que faço a figura triste e ridícula de fingir que não sei que houve encobrimento generalizado de pedofilia na igreja católica nem que existe perseguição generalizada aos padres progressistas na mesma igreja.

    Aí sim, era caso para ter vergonha na cara.

    Mas há pessoas que não percebem a triste figura que andam a fazer.

    Ou talvez sejam simplesmente desavergonhados…

  • JoseMoreira

    Há algum exemplo de uma “vida humana com dez semanas de gestação” ter sido baptizada? Se sim, qual? Se não, porquê?

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