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  • 24 de Março, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Sobre a laicidade

Os monoteísmos odeiam o hedonismo. São misóginos e  homofóbicos, suspeitam da inteligência e da razão e combatem os prazeres do corpo, os desejos e as pulsões. Criaram interditos, alimentares e sexuais. Exaltam os jejuns e a castidade. São pela renúncia ao prazer e a favor do sofrimento como veículo para uma vida de felicidade que prometem depois da morte.

O que está em causa é uma questão de poder. É mais fácil dominar pessoas escravas do medo do que cidadãos livres da superstição. Por isso é tão importante que o pecado seja considerado crime e, agora que as fogueiras se apagaram, incluir no Código Penal os pecados que progressivamente vão sendo suprimidos como crimes (adultério, aborto, eutanásia) e outros que passam a ser direitos inalienáveis (apostasia, heresia , divórcio).

A afirmação de que “os Estados podem ser laicos, mas as sociedades não o são” é um subterfúgio com laivos de totalitarismo, é a defesa do poder das maioria em imporem a sua vontade ás minorias e, em última análise, impedirem a geometria variável das ideologias.
Não é por acaso que todas as religiões reclamam a laicidade quando são minoritárias e exigem ser tratadas de forma diferenciada o que é diferente quando se julgam em maioria, afirmando que não se deve tratar de forma igual o que é diferente.

Se os países muçulmanos, apesar dos constrangimentos sociais, respeitassem a laicidade, manteriam a unanimidade no horror ao toucinho, na aversão ao álcool e nos costumes? É altura de tratar as crenças que repudiam o pluralismo, que não admitem concorrência e que pretendem impor-se pela força das armas da mesma forma que as ideologias que apelem ao ódio, ao racismo, à xenofobia e à violência.

10 thoughts on “Sobre a laicidade”
  • hvilhena

    O Hinduísmo também é politeísta?

  • sempapasnalingua

    Sr Esperança
    “É altura de tratar as crenças que repudiam o pluralismo, que não admitem concorrência e que pretendem impor-se pela força das armas…”

    esta titrada foi no cravo, coisa rara para um empreiteiro de mesquitas e minaretes.

    “da mesma forma que as ideologias que apelem ao ódio, ao racismo, à xenofobia e à violência.”

    esta foi em cheio na ferradura.
    Não sei se consigo vislumbrar a que racismo se refere,por detrás da cortina de fumo retórica e “langue de bois”(sem erros órtógráphicus, ólaró, sr professor!) mas arrisco a minha cabeça com o 1° sarraceno em que vou tropeçar logo à saída de casa, que o “racismo” do sr Esperança é o dos “sales blancs,sous-chiens, koufars e todas as depravadas ocidentais, putas e decadentes” contra os “coitadinhos, pobres, oprimidos e discriminados arabo-muçulmanos, cuja religião de 1.5 biliões de fiéis, e cultura, é insuportávelmente estigmatisada todos os dias pelos cruzados racistas.”
    É assim sr Professor?
    Olhe que não sr professor, o racismo que está a causar problema é no sentido inverso, aquele que matou agora um jovem francês “branco”, isolado, adepto de futebol por uma matilha “corajosa” de adeptos do mesmo clube.

    Mas que pedir mais a um autista,fechado numa visão abstrata do universo “intelectual” dos anos 70…do séc. XIX, surdo e cego à realidade que o envolve nos dias de hoje?
    Pode não viver no estrangeiro, mas nada o impede de saber o que por cá se passa, e saber quais os assuntos que preocupam e se discutem, e tentar imaginar assim o drama quotidiano dos cidadãos saudosos dos tempos ante-emigração maometana. Quando era a douce France,dos Erics Zemmours da liberdade de expressão, próspera e tranquila, mas agora o Franquistão chariado sob tutela islamofascista.
    A pátria dos Direitos H., duma só torre Eiffel agora perdida entre centenas de minaretes e milhares de mesquitas, isto é, o tipo de paisagem que eu detesto e combato,mas que o sr professor admira e defende com unhas e dentes.
    A internet existe, já não tem desculpa.
    Beijinhos e abraços.
    Da Eurábia com amor

  • Carlos Esperança

    Caro sempapasnalíngua:

    Se tem lido o que escrevo, como parece, tem menosprezado a denúncia do fascismo islâmico no Diário Ateísta. O Islão é hoje o mais violento dos 3 monoteísmos mas a brandura do cristianismo não se deve à sua génese, deve-se ao facto de ter sido politicamente reprimido no Ocidente.

    Por estranho que pareça, partilho muito do que escreveu de forma íntegra na gramática e no conteúdo.

  • Baal

    Tás sempre com essa dos árabes mas francamente não vejo qual possa ser a tua solução.

    A civilização ocidental, para se manter precisa de uma economia aberta, mercados para os seus produtos, importação de matérias primas, como o petróleo, importação de mão de obra etc.

    Para o fazer precisa de lentamente integrar a totalidade do mundo numa economia globalizada o que vai a dar numa civilização globalizada à sua imagem que tem o efeito de desintegrar as culturas locais. Aos membros destas culturas desintegradas, uma vez perdidas as estruturas tradicionais apenas resta a emulação competitiva com o mundo ocidental. Ora a principal cracterística desta civilização global é precisamente o subdesenvolvimento das periferias em relação aos centros civilizacionais, nomeadamente a europa e EUA. Isto faz com que, obrigadas a emular e competir com o centro, as populações locais não o consigam fazer, salvo excepções, nos seus meios de origem mas sejam obrigados a imigrar para o centro.

    A isto acrescentemos, como no caso específico francês no norte de Àfrica, que a integração incluiu no passado a conquista militar e a integração pela força das armas e importação cultural forçada, ao ponto do recrutamento militar obrigatório que levou dezenas de milhares de muçulmanos a combater e a morrer pela frança em duas guerras mundiais.

    Ora face a esta situação não estou a ver o que se possa fazer. É a própria civilização ocidental que está a provocar tudo isto.

    E os árabes eram bons para conquistar, também foram bons para morrer pela frança combatendo nos seus exércitos contra os inimigos europeus ms já não são bons para imigrar para lá ? Em termos morais como colocamos isto ? É que em termos económico-civilizacionais, estando o ocidente dependente do conceito de economia e cultura global, não estou a ver o que se possa REALMENTE fazer.

  • sempapasnalingua

    “Por estranho que pareça, partilho muito do que escreveu de forma íntegra na gramática e no conteúdo”
    Carlos Esperança

    Sobra o que nos divide. Pode parecer pouco, mas em consequências práticas é enorme.
    Em França há dois campos laicos, republicanos e democráticos que se afrontam em ruptura total .
    As diferenças também são pequenas, mas a guerra é violenta.
    O resto da resposta fica para mais tarde.

  • sempapasnalingua

    “Tás sempre com essa dos árabes mas francamente não vejo qual possa ser a tua solução”
    Baal

    A solução?
    Seria um longo programa, mas não há tempo.
    Muito resumidamente?
    Um Estado de Direito e um governo forte neste países, que se faça respeitar e imponha a cultura e os valores locais a quem chega ou quem já chegou há duas ou três gerações pelo ventre das mães da 1a geração, niuma prespectiva assimilicionista.
    Sem cedências à democracia e à laicidade, mas que se faça respeitar.
    Que leve à prática este princípio: “la France on l'aime ou on la quitte”.
    Isto é válido para todos os paises.
    Quanto ao resto do teu discurso, acho umpa trapalhada pegada, de quem fala do que não sabe.

    Destaco apenas a melhor pérola que resume o essencial “É a própria civilização ocidental que está a provocar tudo isto.”
    Este é o famigerado discurso da auto-flagelação, culpabilização e arrependimento do Ocidente ex-colonialista, que os muçulmanos instrumentalizam para as suas reivindicações comunitaristas, e duma eficácia arrasadora.
    Voltarei talvez a este assunto, mas por agora é tudo.

  • JoseMoreira

    Confesso (salvo seja!) que nem sempre estou de acordo contigo, principalmente quando acordas mal-disposto. Mas, neste caso, tenho de te dar razão – o que faço com todo o gosto. Quando nós vamos para um país estrangeiro, somos nós que temos de assimilar a cultura local, e não o contrário. Se o visitante, ou emigrante, não gosta da democracia, é um direito que lhe assiste. Mas se pede asilo, seja para trabalhar, seja para mendigar, tem que se sujeitar às regras do país que o acolhe. Não gosta, vai embora. É impensável eu visitar um amigo e impôr-lhe as minha convicções e/ou os meus hábitos. Claro que o amigo, no papel de “socialmente correcto”, é capaz de satisfazer alguns dos meus desejos, em detrimento dos dele; mas estamos a falar de visitas, e não de “ir viver com.”
    Há dias, passou-me pela caixa do correio um discurso atribuído ao 1º ministro australiano. Embora discorde de alguns pormenores, é bom que fique registado, não posso deixar de concordar com o essencial. Aqui vai ele:
    “Discurso do 1º Ministro Australiano à comunidade Muçulmana

    Aos Muçulmanos que querem viver de acordo com a lei do Sharia Islâmico foi-lhes dito muito recentemente para deixarem a Australia, no âmbito das medidas de segurança tomadas para continuar a fazer face aos eventuais ataques terroristas.
    Aparentemente, o Primeiro-Ministro John Howard chocou alguns muçulmanos australianos declarando que apoiava agências-espiãs encarregadas de supervisionar as mesquitas da nação.
    Citação:
    “OS IMIGRANTES NÃO-AUSTRALIANOS, DEVEM ADAPTAR-SE.
    É pegar ou largar! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria do Australianos.
    A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade.
    A nossa língua oficial é o Inglês; não é o Espanhol, o Libanês, o Árabe, o Chinês, o Japonês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua!
    A maior parte do Australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente.
    É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas. Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura.
    Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco.
    ESTE É O NOSSO PAÍS, A NOSSA TERRA, E O NOSSO ESTILO DE VIDA.
    E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade autraliana: O DIREITO de PARTIR.
    Se não são felizes aqui, então PARTAM.
    Não vos forçamos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou”.

  • Baal

    “Este é o famigerado discurso da auto-flagelação, culpabilização e arrependimento do Ocidente ex-colonialista, que os muçulmanos instrumentalizam para as suas reivindicações comunitaristas, e duma eficácia arrasadora.”

    São apenas factos.

    Quando a França ocupava militarmente e recrutava muçulmanos para combater nos seus exércitos as opiniões destes sobre fosse qual fosse o assunto não lhe interessavam muito. Quando abriu as portas à imigração para tornar o seu mercado de trabalho mais competitivo também não. É um bocado difícil agora pretender que os imigrantes abandonem a sua cultura. Especialmente quando chega a hora de competir internacionalmente no mercado livre desses mesmos países pela importação de matéria prima ou o fornecimento de bens e serviços na África do Norte e Médio oriente. Se adoptar uma política de assimilação forçada da sua enorme comunidade imigrante estou mesmo a ver a enorme boa vontade que isso vai provocar nos parceiros comerciais com que a França tem de lidar no mundo árabe.

    Comeram a galinha e agora querem cuspir as penas ? Deviam ter-se lembrado disso há algumas gerações atrás.

    Os imigrantes muçulmanos não imigram para a França por amor à Torre Eiffel mas por necessidades económicas. A França não os aceitou por gostar muito de imigrantes muçulmanos mas porque o sistema económico instalado precisa de imigrantes para baixar os preços no mercado de trabalho. Toda a gente sabe isto. Pelo meio não estou a ver a enorme facilidade com que exiges a esses imigrantes que abandonem a sua cultura.

    Mas reparei que, apesar do que eu digo não passar de uma “salganhada auto-flagelante” parece que estás com dificuldade em responder porque apesar de usares mais de 10 linhas tiveste de remeter a resposta para mais tarde. Parece que a coisa não é tão, tão, simples como tu a pintas…

    PS

    Eu não estou arrependido de nada. Simplesmente acho um bocado difícil ignorar completamente o contexto histórico em que o problema se forma.

  • Baal

    JoseMoreira,

    ” Claro que o amigo, no papel de “socialmente correcto”, é capaz de satisfazer alguns dos meus desejos, em detrimento dos dele; mas estamos a falar de visitas, e não de “ir viver com.” “

    Curiosamente a minha experiência de vida diz-me exactamente o contrário.

    Quando duas pessoas decidem viver juntas, seja qual for a razão, têm de fazer muitas, mas mesmo MUITAS cedências de parte a parte.

    Por outro lado os imigrantes não são alvo de uma aceitação “benemérita” e caridosa mas são NECESSÁRIOS para manter o actual sistema económico.

    O primeiro ministro australiano MENTE quando dá a entender que a austrália não precisa deles para nada, que eles é que quiseram ir para lá. Na verdade o sistema que esse ministro representa precisa tanto deles como eles pecisam de migrar para a Austrália.

    Claro que não estou a dizer que o povo ou a nação australian precise de imigrantes. Antes pelo contrário. Vão baixar os salários nos escalões mais baixos e dissolver a cultura original que construiu a nação australiana. Mas o SISTEMA económico instalado (capitalismo) precisa deles como pão para a boca porque, precisamente, vive da manipulação dos factores do mercado, do qual o mercado de trabalho é a cunha que permite levantar todo o sistema.

    Evidentemente que a Austrália podia resolver o problema fazendo como fez no passado, impondo cotas segundo a nacionalidade. Não existiam estes problemas quando austrália e EUA nao deixavam entrar imigrantes de outras culturas e incentivavam a imigração europeia, da mesma matriz cultural.

    Agora não podem esperar incentivar a imigração em massa de comunidades culturalmente estranhas, ao ponto de formarem comunidades de milhões, ao ponto de certas cidades já teram tantos habitantes imigrantes como naturais e depois esperar não ter problemas culturais.
    Isso é o cumulo da ingenuidade.

    Simplesmente a ideologia actual nunca pernitirá essa discriminação, à entrada, com base em raça ou religião, razão pela qual eu digo que o problema é complexo.

    Mas já vi que para vocês é tudo muito simples…

  • Baal

    Nim.

    Por um lado é, porque tem milhares de deuses.

    Mas todos esses deuses são avatares (diferentes manifestações) de uma mesma entidade divina primordial, pelo que também não é.

    Mas como os avatares existem mesmo e têm personalidade própria a resposta será mesmo nim.

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