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A Parada dos Palhaços

 

No sábado passado um pouco mais de duas mil pessoas desceram a Avenida da Liberdade para se manifestarem contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, recentemente aprovado na Assembleia da República.

O «Portugal Diário», que curiosamente dá a esta notícia o título de “uma manifestação pela liberdade de opção”, quando tudo levaria a supor que se trata precisamente do contrário, relata-nos as opiniões de alguns dos manifestantes, que declararam pomposamente, por exemplo, que daqui a dez anos com esta lei “já não há Portugal” ou que com ela “vai aumentar o número de homossexuais”, o que bem demonstra a mais completa e abstrusa imbecilidade que pelos vistos os unia.

E lá foi descendo a avenida, toda aquela gente, exibindo para quem se quisesse impressionar as mais diversas inutilidades simbolizando a cretinice que ali os trazia, como sejam bíblias, terços, imagens de nossa senhora ou o D. Duarte de Bragança.

E foi assim que estes ilustres cidadãos decidiram exercer a liberdade de expressão que a Constituição Portuguesa lhes consagra, manifestando-se pateticamente contra uma lei maioritariamente aprovada na Assembleia da República, todos eles unidos pela causa comum da sua repugnante homofobia e pelo profundo ódio aos outros seres humanos: freiras e padres, militantes partidários famosos, militantes da extrema-direita mais xenófoba e racista e, pelo que me foi dado ver e pelos símbolos exibidos, todos, mas todos eles… católicos.

28 thoughts on “A Parada dos Palhaços”
  • Cidadão do Bem

    Pá….. eu me divirto em ver a Seita Paneleira Romana condenando a Seita Paneleira… A concorrência anda grande!! Ah… Mas é uma perversão e decadência o “casamento” de paneleiros e fufas!! Agora vão aprovar lei que permitam estes lixos humanos adotar miudos!!! É uma vergonha!! AH,gostei da anedota!! Quem critica a paneleirada é de extrema-direita, fascista etc.

  • João Peneda

    Senhor do Bem

    Porque raio o casamento, ou amigamento, ou concubinagem ou o divórcio, ou outra coisa qualquer, dos “paneleiros e fufas” lhe dá tantos engulhos?

    Não haverá aí um caso de tendência sexual não assumida?

    E o que é que um boneco representando a Nossa Senhora tem a ver com aquela merda? A NS que até era virgem, nunca conheceu homem, metida numa maifestação de cariz sexual.

    E os rosários? Deus ainda lhes manda um raio que os parte a todos, por causa de tanta basfémia.

    Tenha calma senhor Bem, reze dois Padres Nossos e cinco Avé Marias que vai ver que se sente melhor.

  • ricardodabo

    Até que deu pouca gente, principalmente quando comparado ao número de manifestantes que participam das paradas gays. Aqui no Brasil, principalmente em São Paulo, uma parada gay costuma atrair 500 vezes mais do que o número de católicos que participaram da marcha a favor da família.

  • Cidadão do Bem

    a NS era tão virgem como Cicciolina

  • Zeca Portuga

    Uma manifestação não é uma parada.
    Desconfio que os ateístas, além atrofiados mentais e mancos dos miolos, também são cegos: as paradas sãos as indecências que os paneleiros/ateístas/pedófilos fazem pelas ruas, e que nenhuma pessoa decente, civilizada ou medianamente racional faz.
    Alguns políticos com um pingo de inteligências e seriedade (coisa rara à face do planeta, claro!) vão já proibindo tais obscenidade e manifestações de tribalismo.

    Ao contrário das badalhocas paradas, esta manifestação baseia-se na defesa dos valores civilizacionais, NO APELO O RESPEITO PELA DEMOCRACIA, na preservação dos valores humanos contra a palhaçada e o tribalismo. Nesta manifestação (a que não assisti nem participei, com pena minha), vi presentes os mais altos valores da cultura ocidental, da produção cultural e civilizacional da humanidade, do respeito pela dignidade do Homem e pela sua vivência em sociedade.

    Evidentemente que num país onde a paneleirada, por ser patuscas, obscena e contracultural, e também por ter no governo alguns representantes da seita tem podido afirmar-se de força ditatorial, com laivos de arbítrio impositivo antidemocrático (entre o comunismo e o fascismo, mas muito longe do estado de direito democrático), onde a seita governante engloba bastantes paneleiros, nesta situação será normal ver a civilização, a humanidade e a cultura ocidental como algo indesejável.

    È curioso que as taras doentias da paneleirada só triunfam se forem impostas ditatorialmente – nos referendos o povo diz que não, na política os panascas avançam.

    Vá lá, digam mal de Salazar!
    Ou será que ele era mais sérios do que os paneleiros e pedófilos que agora governam?

  • João Peneda

    Bom… lá nisso tem razão

  • João Peneda

    Terá razão quando fala na presença da “paneleirada” nos mais altos postos da governação.

    Mas o que me incomoda no homem não são as suas opções sexuais, é tudo o que faz, e deixa fazer, como governante de Portugal.

    Quanto ao resto, o rabo é dele, ele que meta lá o que quiser. E se se quiser casar com o tal amigo do teatro, por mim faça favor, se calhar até faziam um bonito par.

    Quanto aos outros, os pedófilos, aí a coisa fia mais fino, mas certamente nunca viu ninguém neste blog defender o direito de alguém ser pedófilo, a gente até sente arrepios quando ouve falar, embora ao de leve e como quem não quer a coisa, na hipótese do tal gelatinoso se promover à presidência da república.

    Voltando ao que aqui nos trouxe, que aquilo foi um espectáculo triste, todos temos de concordar.

    Principalmente a parte dos rosários e das santinhas.

  • zeca portuga

    Também não acho que as manifestações políticas se devam fazer com a exibição de símbolos religiosos – nisso concordo ter existido algum mau gosto dos manifestantes.
    Porém, a religião é um facto cultural e civilizacional. A paneleirice é anti civilizacional e anti-cultural.

    Não são as práticas privadas que estão em questão. Não estão, nem nunca estiveram.

    A paneleirice é uma tara como o sadomasoquismo, ou a zoofilia.
    Ninguém se manifesta na rua por saber que há quem use os animais nos seus desvarios sexuais. Porém, se alguém quisesse patrocinar a instituição desta tara como uma regra de normalidade, qualquer pessoa decente seria contra, como é lógico.

    Que a paneleirada use o seu orifício anal para os fins que entender, desde que o faça em privado, isso não incomoda ninguém. Mas que chamem “um casal” a um grupo de dois tarados que praticam tais alarvidades, e queiram disso fazer lei, aí é que reside a imbecilidade e a ofensa ignominiosa à nossa civilização.

  • Cidadão do Bem

    Zeca.. concordo contigo… mas a igreja é um antro de paneleiros e pederastas

  • João Peneda

    Se bem percebi, no fundo, no fundo, lá bem no fundo, o que o incomoda é a palavra “casal”.

    É bem verdade que essa designação aplicada a duas pessoas do mesmo sexo tem provocado mal-estar e dissidência em pessoas que, de outro modo, não reprovariam as uniões em causa.

    Vai-se ver ao dicionário e “casal” é “par composto de macho e fêmea” ou “marido e mulher”; “casamento é “união legítima entre homem e mulher”, e a muita gente lhe parece que dois homens não poderão, por isso, ser um “casal”.

    Podia arranjar-se outro termo, sei lá, “junta”, ou “par”, ou “parelha”, e ficava os senhores Zecas Portugas deste mundo um pouco mais descansado.

    É certo que subsistiam, a vosso ver, a pouca-vergonha e imoralidade de andar um membro da “parelha” a enrabar o outro, mas, sendo para dentro de portas, acho que a gente podia fechar os olhos e fingir que não os via.

    Mas, e isso é o mais importante, é preciso ter cuidado para não confundir, como o senhor faz, “paneleirice” com pedófilia. São coisas completamente diferentes.

    Para já não falarmos em confundir ateus com homossexuais, divagação onde a má-fé da sua fúria beata o foi levar.

  • ricardodabo

    Qualquer pessoa que estuda o problema da pedofilia sabe que a maioria dos agressores sexuais é heterossexual. Geralmente, quem molesta uma criança é alguém que ela conhece. Entre estes, os principais agressores são os pais ou padrastos, ou seja, um homem que se deita todos os dias com uma mulher e que, no meio da madrugada, desce até o quarto da filha ou enteada para molestá-la. Zeca, tu não entendes nada desse problema. Se tivesse lido minimante sobre o assunto, saberia disso.

    Mas, para tranquilizar você, admito que dentro das instituições católicas a situação é bem diferente. A maioria dos pedófilos que andam por lá é constituída predominantemente por homossexuais.

    Você, como todo homofóbico que se preza, não consegue conciliar essas duas informações. Prefere acreditar nas mentiras que a igreja propaga para se vingar dos homossexuais. O que se passa pela cabeça dos padres é o seguinte: “Já que a reputação da Igreja está na lama, vamos arrastar os homossexuais para a lama também”. Coisa típica de quem não tem muito caráter.

    Vou lhe fornecer uma explicação que desfaz essa aparente contradição. Eis a minha hipótese: o tipo sexual do pedófilo é proporcional ao número total do mesmo tipo sexual na sociedade. Dito de outra maneira: se numa sociedade temos 98% de heterossexuais, a quantidade de pedofilos heterossexuais nessa sociedade será aproximadamente de 98%. Se a proporção for de 10%, então a quantidade de pedófilos heterossexuais será aproximadamente de 10%. E assim por diante.

    A nossa sociedade é composta majoritariamente por heterossexuais. Por isso, a maioria dos agressores sexuais é formada por membros desse grupo. Lembre-se dos últimos escandâlos de violência sexual que você ouviu, e você verá que a autoria de quase todos foi de um heterossexual – vide Joseph Fritz, na Áustria, o técnico da nadadora brasileira Joanna Maranhão, etc.

    Na Igreja Católica, entretanto, a situação se inverte em razão da obrigatoriedade do celibato. O celibato não é responsável por tornar os padres pedófilos, mas simplesmente por atrair os homossexuais para a igreja. Imagine um rapaz de 19 anos que nunca teve uma namorada e que está sendo pressionado pela família e pelos amigos a encontrar uma. Para ele, torna-se conveniente ingressar na vida religiosa. Entrando para a igreja, ele se livra da pressão dos amigos, da cobrança da família e ainda por cima ganha um bônus, o prestígio social, pois embora um padre nunca tenha nada a dizer ele é bem visto e benquisto pelos devotos. É por isso que os pedófilos da sua igreja são quase todos homossexuais. A igreja está infestada de enrustidos. Isso é tudo.

    Dias atrás, estando sem fazer nada, resolvi ouvir a rádio do Vaticano. Sabe quais são as três músicas que ocupam os primeiros lugares na parada de sucesso da Igreja Católica? A primeira é I will Survive. A segunda, It's raining man. A terceira, Eu tanto tanta inveja dos que se assumiram.

  • Carpinteiro

    A Igreja continua contra casamento Gay mas abre a porta a negociações sobre Pedofilia, consolo de Viuvinhas e Padres Homossexuais.
    A Igreja está relmente preocupada porque se os homossexuais se casam, muitos padres ficam condenados ao celibato e à solidão

  • zeca portuga

    Ricardo:

    As suas estatisticas são uma treta e as suas conclusões são delirios.

    A questão da molestação sexual de crianças e a pedofilia são assuntos muito diferentes.

    A molestação de crianças é maioritariamente dentro da familia. certo!

    A molestação pedófilia de crianças é fora da familia, e por panascas. Disso não há duvida, nunca houve!

  • Zeca Portuga

    Pelo que vejo, há, efectivamente, alguns.

    Mas, quando o Papa pensou nun teste psicológico para avaliar os candidatos, proibindo os eventuais dementes panascas, logo os paneleiros se levantaram em coro a criticar o Papa.

    A Ínglaterra, reino dos paneleiros, toda se exalta se alguém se recusa a aceitar um paneleiro/pedófilo.

    Ao contrário do que o Ricardo quer fazer crer, os grandes problemas de pedofilia ocorrem fora da familia e com na sua quase totalidade com paneleiros.

    A Igreja católica (e as demais), enquanto não proibirem os paneleiros de exercer funções nos seus quadros, não se livram do problema.

  • Zeca Portuga

    É certo que subsistiam, a vosso ver, a pouca-vergonha e imoralidade de andar um membro da “parelha” a enrabar o outro, mas, sendo para dentro de portas, acho que a gente podia fechar os olhos e fingir que não os via.

    A vida privada das pessoas, e ainda mais os seus fetiches sexuais, é assunto que não diz respeito a ninguém.

    Fazer da paneleirice um acto público e do casamento uma fantochada é um problema social.

    Que se faça uma especie da fantochada pra contentar os paneleiros, pra eles se divertirem, a mim não me incomoda. Chamar a isso casamento, é muito diferente!

  • ricardodabo

    Zeca, você substituiu a pesquisa séria sobre o assunto pelo preconceito e pelas bobagens que ouve de seus ídolos.

    Para sua informação, a pedofilia é definida pela CID (Classificação Internacional de Doenças) com um transtorno de ordem sexual que se caracteriza pela presença de desejos sexuais por crianças. Um pedófilo não é necessariamente um agressor sexual. Acredito que esse seja o caso do autor de Alice no pais das maravilhas, Lewis Carrol. Embora sentisse desejos sexuais por crianças, nunca cometeu a indignidade de molestar qualquer uma delas. Em vez disso, preferiu canalizar seus desejos inconfessáveis para a literatura, criando assim obras inestimáveis para a humanidade.

    Você demonstra não saber nada sobre o assunto, mas, em vez de ficar discutindo teoria com você, vou mostrar-lhe as consequencias das mentiras que a Igreja Católica propaga e que os papagaios de plantão repetem.

    Todas as vezes que vou a uma escola fazer palestra sobre abuso sexual (sou autor de três livros sobre o assunto e, na minha casa, todos nós fomos molestados), faço um grande esforço para ensinar aos pais, aos adolescentes e as crianças que não existe perfil de pedófilo (o certo seria agressor sexual, mas tudo bem…). O pedófilo pode ser homem ou mulher, branco ou negro, heterossexual ou homossexual, rico ou pobre e assim por diante. É importante que todos saibam disso para estender sua vigilância a todas as pessoas.

    As pessoas gostam de pensar que existe um perfil de pedófilo porque elas querem ter a ilusão de que alguém é confiável. O perfil de pedófilo não serve para indicar quem é pedófilo, e sim que não é. Quando você diz que a pedofilia é coisa de homossexuais, a consequência disso é que os pais, os adolescentes e as crianças irão afrouxar a vigilância que deveriam exercer sobre os heterossexuais. Resultado, vão se expor a uma situação de risco por causa das calhordices que a sua Igreja dissemina e que você faz o desfavor de repetir. Gostaria de saber, Zeca, se você irá se responsabilizar no dia em que uma criança dessas for molestada por causa das desinformações que vocês espalham.

    Hoje à noite, Zeca, eu vou a uma escola dar uma palestra para os pais, e mais uma vez serei obrigado a recolher o lixo que vocês deixam pelo caminho.

  • Zeca Portuga

    “substituiu a pesquisa séria sobre o assunto pelo preconceito e pelas bobagens que ouve de seus ídolos”.

    Nunca lhe passou pela cabeça que há quem tenha acesso a mais estatísticas e estudos sérios, sobre o assunto, do que aqueles que você conhece?
    Eu não sigo nem me fio em ditos de ninguém, muito menos tenho “ídolos”, ou aceito as ideias preconcebidas de alguém. Clonar as ideias, os ditos e as palermices de alguém é a prática ateístas que reina neste fórum, não a minha.

    a pedofilia é definida pela CID (Classificação Internacional de Doenças) com um transtorno de ordem sexual
    Tal como era a paneleirice, a que chamam homossexualidade, quando deveria ser homofilia ou homoerotismo.
    Tal tara foi considerada uma parafilia. Portanto era considerado um transtorno sexual. E, só deixou de ser por votação. Uma votação pouco séria, diga-se. Ainda hoje, não há um consenso universal sobre o assunto.
    No Ocidente, aliando esta decisão maioritária do DSM IV (mas não unânime) à tradicional condescendência e tolerância para com os “anormais”, não há quem se preocupe com o assunto.

    Mas, descanse que há já associações de paneleiros e de ateístas que lutam para que se faça uma votação igual para a pedofilia… e vencerão, esteja certo.

    “Um pedófilo não é necessariamente um agressor sexual”.

    E nem todos os agressores sexuais de crianças são pedófilos.
    Isso mesmo tenho eu dito neste fórum, sobretudo nas conversas com o Baal.
    Mas, essa de ver num escritor como um pedófilo contido e controlado… é uma anedota que já tenho escutado. Aliás, já deu origem a uma sessão de riso numa conferencia em que participei, quando um fulano do público disse a um jornalista que escreve sobre crimes: “pela mesma ordem de ideias, você é um dos maiores criminoso do mundo, em potência!”.

    A Igreja não propaga mentiras. Vejo os paneleiros a tentar vender a sua badalhoquice como um acto normal e a desmentir o óbvio.

    Fico estarrecido por saber que você faz “palestras nas escolas” sobre o assunto, e até tem três livros sobre o tema.
    Que rude, mesquinha e pobre – direi mesmo: foleira – anda a produção “livresca” do país!!!
    Os portugueses estão condenados a ler a “Maria”, eternamente!

    Ainda não percebi: por ter sido vítima já se acha uma autoridade no assunto, ou acha que isso pode ser uma fonte de rendimentos?
    Há gente para os dois casos!

    “Quando você diz que a pedofilia é coisa de homossexuais”

    Sim, efectivamente assim é. Na molestação de crianças fora do seio familiar, os panascas estão muito à frente.
    Nos abusos sexuais de crianças perpetrados por pedófilos, os panascas são o grupo preponderante.
    Todas as estatísticas indicam que os panascas são umas 20 vezes mais propensos à pedofilia activa do que as pessoas normais.

    Também lhe pergunto: Assumirá você a responsabilidade no dia em que um paneleiro molestar uma criança, por causa da sua desinformação, e branqueamento da verdade?

    É que você, nitidamente e de forma irresponsável, mente!

    O lixo que vocês (os ateístas/paneleiros/pedófilos) espalham e tão contaminante que dão origem a epidemias de pedofilia e de paneleirice!

    Enfim… Neste país qualquer um pode ser político e fazer palestras… basta não ter escrúpulos.

  • centauro

    A última vez que vi a senhora de Fátima, foi no Café do Gaudêncio. Havia meses que ela lá não aparecia e, quando a vi, soltei um Ó de exclamação, ajoelhei-me imediatamente, rezei em surdina dois pais-nossos e três avê-marias, e depois pedi-lhe a benção. Ignorou-me ostensivamente, cuspiu para o chão, coçou as axilas, emborcou dois moscatéis seguidos e acendeu um cigarro. “Alto lá!” gritou o Gaudêncio atrás do balcão. “No meu estabelecimento ninguém fuma porque eu não estou para ser multado pelos tipos da ASAE”. A senhora riu, um riso que lhe deixou à mostra uma dentadura amarela e irregular, deitou fora o cigarro que esmagou com a ponta da biqueira da bota e explicou a todos porque estava ali: “Não quero ninguém na manifestação contra o casamento gay, amanhã… entendem? Quem for à manif. arderá infinitamente nas chamas do céu…” – “Do inferno”, corrigi eu e ela voltou a sorrir. “Eu é que sei onde as chamas estão, deixem-se de merdices ignorantes…” Fiquei perplexo. Então a senhora de Fátima, a nossa senhora, quero eu dizer, estava contra a manifestação e a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo? A razão percebia-a minutos depois: Teresa de Calcutá entrou de rompante no Café, continuava magra e feia mas, contrariando a ideia de que todos tínhamos dela enquanto viva, vestia Prada, calçava sapatos de saltos altos, finíssimos, pintara os lábios cor de cereja e besuntara a cara com um creme qualquer que lhe retirara as rugas do rosto e que provavelmente seria baba de caracol… Olhou a nossa senhora fixamente, suspirou, passou a língua pelos lábios de forma lasciva e depois abraçou-a em extase. Quando saí do Café ainda se beijavam despuduradamente.

  • centauro

    despudoradamente, pois!

  • Carpinteiro

    «Nesta manifestação (…) vi presentes os mais altos valores da cultura ocidental…»

    – He he he… Zeca, referes-te à santa com cara de saloia que gostava de aterrar sobre azinheiras mas desde que perdeu o GPS têm que a levar ao colo? sinceramente, tu não fazes a coisa por pouco, hein!?

    «Vá lá, digam mal de Salazar!»

    Tu és mesmo um nabo… vens para aqui com postas de pescada chegadas em traineira da Terra Nova com cheiro a bacalhau em péssimo estado de conservação.

    – A homossexualidade no Estado Novo –

    «Oficialmente não se podia ser. No discurso nem sequer existiam. Mas na prática era comum. Quer para o povo, assíduo dos urinóis, estações e docas, preso e humilhado pela polícia; quer para as elites sociais e culturais que viviam a sua sexualidade numa semitolerância envergonhada e claustrofóbica.

    No Estado Novo podia-se ser homossexual, mas não se podia dizer. Nem no mundo da alta sociedade, dos “marqueses” e das festas com homossexuais nas casas particulares. Nem no mundo dos bares e dos clubes, no mundo da rua, dos engates nos urinóis, nos jardins e nos cais e estações, na homossexualidade do bas-fond. A distinção entre estes dois mundos surgia quando se era apanhado: os protegidos do regime eram poupados, os outros eram internados, espancados, humilhados.

    “Há um tratamento diferente de acordo com a classe social, uma diferenciação de tratamento que vem de antes e que se intensifica com o Estado Novo”, explica Cascais, que tem a mais completa base de dados sobre História da homossexualidade em Portugal: “Normalmente, as classes mais baixas – que são arrebanhadas na rua – são humilhadas nas esquadras e espancadas em público, passeadas nas ruas, postas a lavar o chão. Já para as famílias das elites há um sentimento de permissividade, de serem vistos como pessoas que não têm de partilhar da moral comum, a moral burguesa.”

    Havia, pois, liberdade para quem tinha estatuto social e dinheiro. “Nós tínhamos dinheiro para pagar e para fazer muita coisa – pagar o silêncio da sociedade e pagar o silêncio da polícia”, assume António Serzedelo, professor reformado e dirigente da Opus Gay, que em Maio de 1974 foi co-autor, com amigos de Lisboa e do Porto – entre os quais o sociólogo José António Fernandes Dias – do manifesto Liberdade para as Minorias Sexuais, do Movimento de Acção dos Homossexuais Revolucionários (MAHR).

    Mas se a moral de Theotónio Pereira passa a ser a bitola para a maioria da sociedade, entre os que não eram perseguidos pela polícia estavam os apoiantes do regime. “Havia gente reconhecida pelo regime que vivia a sua homossexualidade em privado”, diz Cascais.

    O caso mais exemplar e apontado por vários dos entrevistados da Pública, entre os quais o
    dirigente do PCP Ruben de Carvalho, é o do secretário de Estado da Presidência do Conselho
    de Ministros durante o consulado de Salazar, Paulo Rodrigues. Mas há mais casos. Cascais lembra Virgínia Vitorino. “Nos anos 1930, ela escrevia uma poesia subtil, era dos autores mais vendidos e tinha um programa na rádio com audiência, onde fazia a apologia do regime, nomeadamente nas peças de teatro. E ninguém lhe tocava.”

    Também a intelectual e escritora Edith Arvelos “nunca foi incomodada”, sublinha Cascais. O escritor Eduardo Pitta conta que ela viveu em Moçambique com a cantora italiana Wanda del Ré e que depois de se separar veio para Lisboa e viveu em casa da escritora Fernanda de Castro, de quem escreveu as memórias. A própria “Fernanda de Castro e António Ferro eram um casal maldito pelas suas relações, mas eram protegidos porque eram do regime”, diz Cascais.

    O investigador explica que “o círculo de amizades de Fernanda de Castro, onde Natália Correia se inicia ainda jovem nas lides literárias e que se juntava, por exemplo, em férias no Algarve, era claramente um círculo de relações homossexuais”.

    Cascais lembra “que a homossexualidade e a bissexualidade era uma coisa consentida e vivida em certos meios intelectuais com normalidade”, e como prova aponta “uma entrevista do jovem [ainda jornalista] António Ferro, para o Diário de Notícias, feita em Paris à escritora Collette, em que, escreve ele, ela acabou a conversa à pressa porque tinha de ir a uma festa ter com uma menina que não podia perder”. Ou seja, “há um lado de integração da homossexualidade no regime e de promoção de homossexuais pelo regime, nomeadamente pelo Secretariado de Propaganda Nacional do mesmo António Ferro, sendo o cineasta Leitão de Barros um caso notório”.»

    *Texto originalmente publicado na revista Pública de 12.07.2009

  • ricardodabo

    Zequinha, você é um ignorante de marca maior. Você já demonstrou não ter nenhum conhecimento sobre aborto. Agora demonstra não ter nenhum conhecimento sobre abuso sexual. Fique com os seus preconceitos. Você só não me dá pena porque é intolerável. A propósito, eu não tenho que me responsabilizar por nada, porque eu ensino aos pais que o pedófilo pode ser qualquer um. Instruo-os a desconfiar de todas as pessoas. Quem faz o contrário é você, retardado.

  • Carpinteiro

    Ceutauro, parabéns pelo humor e boa disposição. Será ficção? não sei, mas tenho cá p`ra mim que não anda longe da “Verdade”.

  • zeca Portuga

    Você é que é um ignorante armado em finório sabichão e em experiente comentador daquilo que não domina.

    Repare nas suas aburdas conlusões matemáticas.

    Note isto:
    Se os paneleiros, que cerca são 2% da população tivessem uma taxa de pedófilos de 40%, estariamos ante um ratio de 1 para 20.
    Se os retantes 98% da população sã tiverem os reatantes 60% de pedófilos, estamos ante um ratio de 1 para 1,6.

    Prabalidade de um paneliro ser pedófilo é mais de 18 vezes à de uma pessoa normal, sã e sem problemas.

    Até que a própria OMS reconhece este dados.

    Se me vier dizer que dentro da padralhada há um bom conjunto de paneleiros, até concordo.
    Extrapular isso para os católicos é uma imbecilidade.

    Não me venha com a história de que passa a vida a prevenir o abuso sexual de crianças.

    Se a maioria dos casos ocorre dentro da familia, o seu trabalho vale zero, e as suas afirmações são do mais pacóvio que existe.

    Se fosse sério teria dito que, na verdade, fora da familia, os depravados sexuais, incluindo os panascas, são agentes de risco extremo.

    Mas, isso não lhe convém, logo não é verdade.

  • Zeca Portuga

    Carpinteiro:

    Eu não sei o que se escreve na revista “Pública”, na “Maria”, na “Hola”, etc.

    Nem me interessam os contos que alguns autores escrevem para as revistas. Ainda de fossem factos históricos documentados e comprovados… agora conversas particulares e revelações pessoais valem o mesmo que as histórias de banda desenhada.

    Não invoquei Salazar a propósito deste facto, mas sim a propósito do facto de ser recusado um referendo com a desculpa da legitimidade do “poder representativo do governo”. É que essa era, precisamente, a desculpa de Salazar.

    Aquele imbecil que disser que o referendo não é preferível à decisão do governo, é um milhões de vezes mais fascista que Salazar e que Hitler. Foi isso que eu disse, e mantenho!!!

    E, ouvir quem recusa o referendo a criticar Salazar, é o mesmo que ouvir um ladrão a gritar contra os assaltos.

    Mas, uma coisa é certa – no tempo de Salazar, a paneleirice não estava na moda, como hoje, nem as pessoas fariam em publico as indecências que hoje fazem, de propósito para enojar e insultar os demais.

    A paneleirice passou de uma tara a uma moda.

    Toda a gente sabe que os jovens no inicio da puberdade são rebeldes e do “contra”.Não me admira se, daqui a uns 5 anos, 98% dos jovens se dizer paneleiro… É Moda!!!!!

  • ricardodabo

    Se, Zequinha, se, se… “Se” não faz um argumento.

    A proporção que você apresenta é absurda. A maioria dos casos ocorre dentro de casa, mas não se trata de uma maioria de 60%, nem mesmo de 70%. Ela ultrapassa os 85%. A última pesquisa desse tipo que eu vi foi de um professor da Universidade do Rio de Janeiro, que encontrou 92% de casos de abuso sexual intrafamiliar. O que sobra depois disso, e que não é muita coisa, ainda está dividido entre heterossexuais e homossexuais. Ou seja, a quantidade real de pedófilos homossexuais jamais lhe pertmitiria fazer a afirmação absurda que você fez.

    Além disso, você jamais terá uma estatística confiável do número de homossexuais na sociedade. E nem preciso lhe dizer quais são os motivos: preconceito, discriminação, violência, etc. Quem dera houvesse somente 2% de homossexuais numa sociedade! Em que mundo você vive?

    Mas, depois de tudo isso, mesmo que você estivesse certo, Zequinha, isso não muda o fato principal, que é: há pedófilos heterossexuais e homossexuais. A única maneira de debelar o mal é ensinar aos pais que existem os dois tipos. E você não faz outra coisa senão produzir associações irresponsáveis entre pedofilia e homossexualidade. Já lhe disse onde isso vai dar.

    A propósito, muito me admira a sua posição. Segundo você, a legalização do casamento gay irá levar inevitavelmente à legalização da pedofilia. Quem lê seu comentário pode até pensar que você está preocupado com o bem-estar de alguma criança. Mas tempos atrás, você defendeu aqui nesse blog o procedimento da Igreja Católica ao acobertar pedófilos. E disse que faria tudo igual, mesmo sabendo que essa prática multiplica o número de casos de abuso sexual. Ou seja, os homossexuais não podem molestar uma criança. Os padres podem. Eis aí a nobreza do seu caráter. Se jogassem você num covil de feras, elas fariam um abaixo-assinado para expulsá-lo de lá.

    Quanto a sua afirmação de que a legalização do casamento gay irá levar à legalização da pedofilia, isso é coisa de parvo. Uma relação homossexual é feita entre dois homens adultos que dão consentimento para ela. E quando tudo termina, nenhum deles sai com sequelas que irão perdurar pelo resto da vida. Já a pedofilia é caracterizada pela desigualdade. Um adulto molesta uma criança e lhe lega sequelas que possivelmente nunca mais irão desaparecer. É preciso ser muito tolo para não perceber a diferença entre essas duas práticas.

  • Fabio

    Olá é a primeira vez que comento neste site. O artigo em si não me chamou tanto a atenção quanto os comentários, principalmente as vituperações inócuas do tal “Zeca Portuga” e as colocações inteligentes do Ricardo.

    Zeca, meu caro, sou brasileiro, estou bem distante de você (felizmente) mas, tragicamente, tenho que conviver com pessoas de “pensamento” tão retrógrado como o seu. É isso que me dá um mal-estar tão grande de ler as bobagens que você escreve. O que me anima é que, a cada ano que passa, as posições medievais adotadas pela igreja católica a respeito desse assunto perdem terreno para uma abordagem mais realista, eu diria até mais humana, do problema da homossexualidade, ou da “paneleirice” como você diz.

    Esse último termo é novidade para mim, pergunto-me de onde saiu a ideia de designar assim o ato homossexual.

    O mais humilhante, o mais triste, o mais ridículo até é que depois de tantos escândalos, de tantas demonstrações do resultado prático da estreiteza mental católica, ainda existe gente capaz de usar a igreja católica como modelo de alguma coisa, e capaz até de colocar a “moral” católica ( a mesma “moral” que ensina pessoas a se mutilarem para se “adequar” aos paradigmas arcaicos de uma sociedade inteiramente hipócrita) como superior à moral dos não-católicos.

    É triste porque é claro como água a relação preconceito social- celibato/sacerdócio-repressão sexual-abuso de inocentes, e também é bem perceptível o modo como muitas pessoas usam a religião, não só a católica, para disfarçar aquilo que são, mas ainda assim ainda existem pessoas que preferem simplificar tudo e imaginar que tudo não passa de um mero desvio, às vezes culpando o “demônio” às vezes a degradação moral da sociedade por um problema que se origina simplesmente na pura e simples recusa de se aceitar a natureza humana tal qual é.

    Sem mesmo perceber essas pessoas alimentam uma visão de mundo que nunca poderia eliminar, mas pelo contrário, só pode mesmo PERPETUAR os casos de abuso, violação, suicídio, etc. E ainda escolhem como “alvo” um grupo específico de pessoas, que segundo eles mesmos é muito pequeno comparado ao todo da população, e que acaba sendo comparado aos piores desvairados sexuais pelo puro e simples fato de sentirem atração sexual por pessoas do mesmo sexo.

    Quando não comparam homossexuais a tarados, pedófilos, etc, dão a entender que a homossexualidade é aceitável, desde que seja “escondida”. Quer dizer, são pessoas que aceitam tranquilamente a hipocrisia que reina na sociedade humana. Como esperar de tais pessos julgamentos que tenham algum valor, como esperar delas uma real preocupação quanto aos seres humanos em si, em relação às próprias vítimas de abuso sexual, quando elas são as primeiras a defender a ideia de que tudo é válido, desde que seja escondido??

    Definitivamente, não é possível ter muita esperança quanto ao destino da humanidade, especialmente enquanto houver tanta hipocrisia e ignorância disseminada por aí.

  • Assis

    Viado tem é que morrer

  • jovem1983

    Isto é sem dúvida o que a religião faz às cabeças de algumas pessoas.

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