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  • 17 de Fevereiro, 2010
  • Por Carlos Esperança
  • Vaticano

A “peregrinação” irlandesa…

Por

E – Pá

Bento XVI chamou os bispos irlandeses a Roma (alguns, dos sobreviventes…) para tentar pôr fim ao escândalo de pedofilia que varre a ICAR.

Esta hipócrita tentativa de procurar “limpar” práticas repugnantes no seio de uma instituição milenar, não surtirá o efeito desejado. Isto é, não conduzem ao seu esquecimento, nem justificam qualquer perdão.

As causas remotas das práticas pedófilas persistem incólumes no seio da ICAR. E não serão actos de contrição, ou desculpas públicas, ou privadas, que as redimirão, ou eliminarão…

Declarações solenes podem estar entranhadas nos rituais da Igreja, mas não constituem a solução para um vasto e indigno problema que atinge a ICAR, não só na Irlanda, mas que se espalhou pelas quatro partidas do Mundo.

Quando Bento XVI diz: “Partilho da indignação, da traição e da vergonha do povo irlandês”, para além de estar a debitar meras formalidades no sentido de encobrir as suas elevadas responsabilidades morais (esta é uma área predilecta de actuação da ICAR…), por execráveis actos praticados por membros da sua igreja, tenta fazer-nos esquecer que é o responsável pelo arquivamento – nas catacumbas do secretismo reinante no Vaticano – das acusações que, há longos anos, iam chegando a Roma, enquanto foi “perfeito” da Congregação para a Doutrina da Fé.

Na verdade, a Igreja continua fechada sobre os seus fantasmas. Prefere toda a espécie de exorcismos engendrados debaixo de vetustos painéis dos apóstolos, suplicando piedade, do que expor-se abertamente ao Mundo e reconhecer que, na prática, não consegue manter a superioridade moral que apregoa. A romagem dos bispos irlandeses ao Vaticano transforma-se assim numa farsa, ou se quisermos, num arremedo de “arrependimento”, eivado de uma imensa hipocrisia.
O que a Igreja desejava era poder tratar destes problemas no silêncio e na sombra do Vaticano.

Mas a hipocrisia de Bento XVI não acaba aqui. O papa – e os bispos responsáveis pela Igreja irlandesa – não se mostram disponíveis para aplicar, aos clérigos prevaricadores e responsáveis “primários” pelos abusos, os justos e necessários castigos (exemplares), que são reclamados pelas vítimas e famílias atingidas.
Um dos castigos que é publicamente reclamado pelos católicos irlandeses criou o problema conhecido pela “questão dos afastamentos”. A ICAR rejeita esta via de resolução, como em tempos procurar evitar o seu julgamento em Tribunais. E o argumento da rejeição é quase tão ignóbil como os crimes praticados: “a Igreja nunca recorre a esses métodos”.
Prefere pagar para “lavar” a honra, irremediavelmente, perdida. Um método muito próximo das práticas de qualquer “honorabile societá”…

De facto, a ICAR, depois de deixar assentar a poeira continuará a defender que, por exemplo, nos colégios católicos, na Irlanda e no Mundo, continuem a ser estas “raposas” (de sotaina) a guardar galinheiros… (passe a imagem em relação às crianças abusadas).

Finalmente, as causas remotas destes escândalos necessitam de ser dissecadas profundamente. Mas enquanto a ICAR não se mostrar aberta para uma discussão franca e honesta, sem evocações de matérias sobrenaturais (os abusados são seres vivos e não espíritos sobrenaturais) deve, por medida cautelar, ser afastada da área do Ensino… na Irlanda e nas “quatro partidas do Mundo”!

E, depois, logo se verá…

2 thoughts on “A “peregrinação” irlandesa…”
  • Carpinteiro

    No país dos talibans:

    No país dos talibans tudo é calculado ao milímetro.
    Como o escândalo começa e exceder o esperado o clero adptou as medidas às circunstâncias. Não é por acaso que temos os apresentadores que temos nas televisões públicas, eles são escolhidos a dedo e os que não está dispostos a servir os interesses da Igreja são eliminados logo à partida. Por isso o amigo da hóstia, Jorge Gabriel, arranjou o tema para preencher o programa desta manhã no canal1 – “Saber perdoar”
    , como fundo aparecem imagens do vaticano e Suas Santidades. Para a conversa arranjaram uma amiga (um padre dava muito nas vistas) que em uníssono com o amigo Gabriel recitam frases do novo testamnento e como convidados arranjaram umas senhoras cujo nível cultural não comprometa a conversa (não vá a coisa descampar) para comentarem o tema. São este tipo de “truques” que não me deixa esquecer que vivo num país controlado pela Igreja Católica. Portugal dos pequeninos (talibanizado).

  • Carpinteiro

    No país dos talibans:

    No país dos talibans tudo é calculado ao milímetro.
    Como o escândalo começa e exceder o esperado o clero adptou as medidas às circunstâncias.

    Não é por acaso que temos os apresentadores que temos nas televisões públicas, eles são escolhidos a dedo e os que não está dispostos a servir os interesses da Igreja são eliminados logo à partida.

    Por isso o amigo da hóstia, Jorge Gabriel, arranjou o tema para preencher o programa desta manhã no canal1 – “Saber perdoar”, como fundo aparecem imagens do vaticano e Suas Santidades.

    Para a conversa arranjaram uma amiga (um padre dava muito nas vistas) que em uníssono com o amigo Gabriel recitam frases do novo testamento e como convidados arranjaram umas senhoras cujo nível cultural não comprometa a conversa (não vá a coisa descampar) para comentarem o tema.

    Em continuação temos um (seminarista?) a falar dos pecados, da quaresma, das penitências, dos colégios dos sagrados corações, do significado da cruz, lembrar-nos da lei da abstinência e jejum, da quarta feira de cinzas e sexta feira santa, da necessidade do sentimento de culpa e a necessidade dos valores cristão, do perigo do estado laico que não reconhece esses valores, insistindo que somos um país cristão e temos obrigação de os seguir, do significado de Cristo nas nossas vidas, do jejum negro, pagamento de bulas e abstinência da carne, indulgências, etc.

    De seguida o mesmo senhor que já tem data marcada para no próximo programa continuar com temas relacionados, explica-nos que D.Nuno Álvares Pereira usava o jejum para se purificar e o impunha aos seus soldados. Esmiuçaram a quaresma com recitação de salmos e sacramentação das cinzas, enfim…
    São este tipo de “truques” que não me deixa esquecer que vivo no Portugal dos pequeninos (talibanizado). Um país controlado pela Igreja Católica.

    Conclusão: Quem pensava que o Padre Borga tinha ido pregar a outra freguesia enganou-se, a “borga” continua.

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