Loading

31 de Janeiro – Centenário da República

No início das comemorações do centenário da República é justo recordar o maior vulto político do período histórico de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926.

Afonso Costa foi o grande legislador e ideólogo da República. Defensor da laicidade e progressista, teve contra si os reaccionários de sempre, particularmente virulentos na época. Perseguido por todos os ditadores, João Franco e Sidónio Pais, encontrou no 28 de Maio quem de forma persistente e implacável o denegrisse e odiasse, quer durante o exílio em Paris, quer depois da morte.

Orador brilhante, governante probo e perspicaz, deve-se-lhe a Lei da Separação entre a Igreja e o Estado, a primeira Lei do Divórcio e notável legislação no âmbito da família (protecção de filhos ilegítimos, das mães solteiras, etc.).

Como ministro da Justiça, das Finanças e chefe do Executivo, Afonso Costa foi sempre um político de rara envergadura, competência e honestidade.

Hoje, 31 de Janeiro, 119 anos depois da fracassada revolta do Porto, que foi o embrião da República, começam as comemorações do centenário da República.

O ódio que ainda hoje lhe devotam os meios clericais mostra como a Igreja se adapta mal à separação do Estado. De pouco vale a tentativa actual de disfarçar o acrisolado amor à ditadura e ao ditador Salazar referindo vozes isoladas, nessa altura condenadas pela própria Igreja, recordando os raros clérigos honrados. Mesmo esses, só apareceram depois de 30 anos de conúbio e de silêncio cúmplice com os crimes do salazarismo

Nesta segunda República, iniciada em 25 de Abril de 1974, lembrar o maior de todos os republicanos – Afonso Costa – é pagar uma dívida de gratidão e denunciar os que nunca aceitaram a laicidade e a República.

4 thoughts on “31 de Janeiro – Centenário da República”
  • Baal

    Em certas coisas também admiro o Afonso Costa.

    Porém considerá-lo um grande democrata é que é um bocado forçado. Quis impor o ateísmo a uma população que, na época era em 99% católica. Expulsou as ordens religiosas impedindo milhares de pessoas de viverem a vida que escolheram. Se defendo o direito aos homos se casarem, necessariamente também tenho de defender o direito a um monge de “casar” com deus. É exactamente a mesma coisa. São opções de vida e é contra os direitos humanos pretender proibir uma ou outra via.

    Por outro lado a política da república em relação aos direitos do trabalho foi um NOJO. Serviram-se dos trabalhadores como carne para canhão e depois deixaram-nos à mesma com condições de m erda. E ainda reprimiram duramente o movimento sindical.

    Por fim, acabaram por meter o país numa guerra, em que os nossos aliados nos pediram encarecidamente que não entrarmos. Uma guerra em que mais uma vez os trabalhadores foram a carne para canhão e que custou dezenas de milhares de mortos e estropiados e arruinou a economia.

    A república teve coisas muito boas, mas teve igualmente muita merda.

  • Pedro Lin

    O que tem Afonso Costa a ver com isto?

    Esta revolta foi um sublevação que, do meu ponto de vista, nada de democrático traz à República.
    Deveriam comemora a fundação do Partido republicano, dos Jornais republicanos, as intervenções politicas e sociais.
    As revoltas deste tipo não me convencem. Como republicano, lamento estas e outras formas de actuar dos pioneiros da república.

  • Baal

    De facto, quando vi o nosso prez na TV a dizer que devíamos tomar como exemplo os heróis do 31 de Janeiro era muito bem feito que algum grupo de radicais o tomasse à letra e atacasse o seu palácio presidencial com armas pesadas.

    É engraçado que, por exemplo, as organizações fascistas sejam proibidas por serem violentas e militaristas quando depois se faz a apologia de golpes de estado militares.

    O facto é que a republica se fez, tal como o liberalismo, CONTRA a vontade da maioria da população que, na época, era predominantemente rural, monárquica, católica e conservadora. E fez-se por decreto, depois de assegurado o poder pela força das armas.

    Isto não quer dizer que eu seja monárquico. Mas factos são factos.

  • Baal

    De facto, quando vi o nosso prez na TV a dizer que devíamos tomar como exemplo os heróis do 31 de Janeiro era muito bem feito que algum grupo de radicais o tomasse à letra e atacasse o seu palácio presidencial com armas pesadas.

    É engraçado que, por exemplo, as organizações fascistas sejam proibidas por serem violentas e militaristas quando depois se faz a apologia de golpes de estado militares.

    O facto é que a republica se fez, tal como o liberalismo, CONTRA a vontade da maioria da população que, na época, era predominantemente rural, monárquica, católica e conservadora. E fez-se por decreto, depois de assegurado o poder pela força das armas.

    Isto não quer dizer que eu seja monárquico. Mas factos são factos.

You must be logged in to post a comment.